O Último Shirian [hiatsu]
10 Capítulo 10 - Ultrapassando Barreiras
Notas iniciais
—Hiroshi — Chamou Kyo, segurando o menor que desabara. Respirou com calma antes de passar os braços em volta do ruivo, o levantando. Era incrível como aquele corpo apenas alguns centímetros menores que o seu ficava tão leve em seus braços.
Com delicadeza, colocou o menor deitado sobre o gramado, os cabelos ruivos tombando na terra e entrando em contraste com aquele verde ralo da grama.
A face serena transbordava cansaço, as sobrancelhas se franziam em uma expressão de dor. Agora sim entendia o motivo do cheiro de Hiroshi estar tão forte. Fora por conta do sangue.
Essa não era a única vez, quando o encontrou pela primeira vez o menor também estava ferido. Afinal, o que Hiroshi fazia para se ferir tão fácil? Quando o menor acordasse tiraria isso a limpo, com certeza.
Em pensar que Hiroshi se preocupou com seu minúsculo corte na mão mesmo também estando ferido. O que raios o menor estava pensando, quando se preocupou mais com Kyo do que com ele próprio?
—Tsc — Reclamou Kyo sem opção. Não poderia perguntar nada ao pequeno com ele naquele estado. Primeiro curaria o menor e depois questionaria.
O Shirian levou a mão aos lábios mordendo a palma, os dentes fincaram na pele com agressividade, abrindo os locais que os caninos se fixaram, por onde escorreram filetes de sangue. Por hora, tudo o que poderia fazer pelo menor era curá-lo. Olhou receoso para o sangue que escorria. Era segunda vez que faria isso, e ainda mais por um humano.
Não deveria estar gastando seus poderes de cura com mais alguém além dele próprio, mas ignorou tal pensamento. Respirou fundo antes de segurar entre os dedos o tecido da blusa, olhou para o menor que balbuciava algo entre o sono.
Ergueu levemente a blusa vendo a pele alva e delicada, brilhante de tal modo que reluzia ao luar, os olhos fixos em cada pequeno detalhe.
Entretanto as orelhas se ergueram atentas, enquanto a cauda parava o balanço próprio que sempre tinha. Os olhos estreitaram-se quando viu ali uma pequena marca. Não deveria ter mais que dois centímetros, camuflada de tal modo que não seria perceptível se não tivesse uma tonalidade mais clara.
A mão sangrava, mas não deu importância. Levou-a até as costas do pequeno, passando o polegar por ali como se quisesse ter certeza do que era. Por que Hiroshi tinha uma cicatriz ali?
Inconscientemente, o aperto no tecido se fixou mais. Fechou os olhos, afastando os pensamentos ruins. Era apenas uma cicatriz, relaxe; falou para si mesmo.
Suspirou, erguendo em um movimento rápido toda a blusa, fazendo em seguida a mão se cerrar em um punho sem se mover. Os lábios se abriram e se fecharam diversas vezes, sem saber o que pronunciar. Aquilo não poderia ser real! Piscou uma, duas, centenas de vezes, e por mais que piscasse, a imagem continuava a mesma. Passou-se vários segundos, chegando a formar minutos, em que Kyo permanecera ali, imóvel. Os olhos arregalados percorriam afoitamente toda a extensão das costas do menor.
Aquele não poderia ser Hiroshi, seu pequeno não poderia ter tais marcas, ele não poderia ter sofrido de tal jeito... Não podia...
Tocou a pele quente sentindo ela se elevar com as cicatrizes, a expressão se mesclando de surpresa para incredulidade. Como podia não saber disso? E então sua mão parou em cima da ferida avermelhada, que mal se destacava em tantos cortes que o outro detinha ali.
Deixou que seu sangue pingasse sobre ele, curando-o. Trincou os dentes sentando-se no chão de terra, os dedos longos largaram o tecido, permitindo que novamente ele cobrisse a pele alva do menor.
Passou as mãos pelos cabelos tirando os insistentes fios que caiam por sua face. O que aquelas marcas significavam? Não sabia, só tinha consciência do que poderiam ter provocado elas. Faca, chicote, corda, ferro... Nenhuma delas era boa.
Os dedos massageavam as têmporas de modo pensativo, dos lábios cerrados nem o hálito saia, permaneceu ali parado nem o mínimo movimento por bastante tempo. Os olhos fechados às vezes se arriscavam a abrir ao mínimo movimento que o menor a sua frente fazia.
A ventania da noite fazia os pêlos do Shirian eriçarem. Curioso, encarou o menor que se encolhia. Ele realmente estava desafiando a paciência de Kyo.
O Shirian se ergueu, sentando-se ao lado do menor, e passou vagarosamente a mão pela a pele gelada, preocupando-se. Com delicadeza pôs o ruivo que ainda dormia em seus braços, protegendo-o da brisa fria.
Quando a lua brilhava alta, Hiroshi se remexeu, os lábios se abriram em um murmuro mudo. Kyo, em puro silencio, encarou o menor que despertava. Hiroshi se remexeu mais alguns instantes até se levantar devagar, os olhos permaneceram fechados enquanto o corpo pedia por mais descanso que não lhe foi concedido.
—Pensei que não fosse mais acordar — Murmurou Kyo. O tom indecifrável fez o ruivo arregalar os olhos ao voltar para realidade.
Rezava mentalmente para que aquela situação fosse ao menos um pesadelo, e piscou sonolento levando a mão até o braço o beliscando.
—Ai —Não era um sonho —Kyo... —Pronunciou de modo temeroso se encolhendo, os pés empurraram a terra se afastando de modo arrastado do Shirian.
Ergueu a face para encará-lo. Indecifrável, era essa a definição perfeita. Naqueles olhos não haviam mais aquele azul que tanto conhecera. Era mais obscuro, mais misterioso, mais... Perigoso.
Nem uma palavra foi pronunciada, tornando o silencio incomodo.
—... —Hiroshi abrira os lábios sem saber o que pronunciar — Você... Viu...? —Perguntou pausadamente, a mão se levou ao peito sentindo ali a jóia que ganhara do maior por dentro da roupa, como se pedisse que a mesma lhe desse forças.
—As cicatrizes?! —Aquele tom acusatório apenas piorava a situação. Hiroshi se encolheu assentindo, os braços abraçaram o próprio corpo como um consolo mudo.
Fechou os olhos fortemente quando notou que Kyo se erguera, permaneceu mudo atento ao barulho que a as folhas secas faziam quando pisoteadas na lenta caminhada do outro.
—Quem as fez? — Kyo fora direto, a face contemplando a lua brilhante sem querer ver o outro.
—Kyo... — Começou Hiroshi manhoso esticando a mão para se aproximar do maior.
—Quem... As... Fez? —Repetiu o Shirian pausadamente, cortando qualquer intenção do menor de fugir da pergunta.
Hiroshi engoliu em seco. Não adiantava mais esconder isso, não agora. Falaria o que fazia em que trabalhava... Mas as cicatrizes, muitas ele nem mesmo sabia aonde conseguira.
Forçava a mente a se lembrar, mas parece que tudo o que ficou gravado nele foi à dor ao serem criadas, o trauma. Nenhum flash, nenhuma pista, nada.
—Eu não sei — Falou Hiroshi cabisbaixo.
Kyo suspirou impaciente. O ruivo estava debochando dele? Só podia. Não querer falar era uma coisa, agora não saber parecia uma piada de mau gosto, e Kyo não estava com cabeça para brincadeiras, não naquela situação.
—Como as conseguiu?
—Eu não sei. —E dessa vez o Shirian deixou escapar um sorriso de lado em pura ironia com a situação.
—Eu não estou brincando Hiroshi — Afirmou Kyo, as palavras ferindo o menor que se encolhera, o ruivo não mentira, mas doía em si saber que o outro não acreditava — Por que mente para mim? —Questionou Kyo baixando a face para finalmente encara Hiroshi de modo acusativo.
—Eu não estou mentindo — Murmurou Hiroshi se encolhendo perante aquele olhar, os olhos marejaram fracos.
O que? Como assim marejaram? Nem Hiroshi compreendia, afinal já passara por muito, tantas coisas, que enquanto outras pessoas derramariam lágrimas, seja por solidão ou dor, ele forçava um sorriso.
O Shirian caminhou impaciente se distanciando, a respiração se tornando dificultosa enquanto a incredulidade tomava seus pensamentos, apoiou a mão no tronco grosso da arvore a frente como apoio para manter-se firme.
—Por que mente? Não confia em mim? —A voz baixa parecia mais um indagação para si próprio do que para Hiroshi, que sentiu o peito apertar.
—Eu... Não estou mentindo... Eu... Eu... Não me lembro... —E a cada intervalo nas palavras um suspiro saia diante daqueles lábios trêmulos. Hiroshi levou a mão à cabeça como se pudesse forçar a mente a lembrar-se, mas a cada tentativa sentia mais lágrimas escorrerem por seus olhos.
Não, não era isso que queria, mantenha a calma Kyo. Pelos deuses olha o que fizeste. Era isso que queria? Claro que não.
Mas que droga, como conseguia ser tão paciente independente da situação, e agora com Hiroshi perdera o controle sem medir as palavras? Não era para acusá-lo. Não era essa a intenção.
—Droga — Falou baixo socando a madeira, o tronco tremeu derrubando as folhas secas que restavam nos galhos finos da alta árvore.
—Eu... Não lembro... Eu... —Falava Hiroshi em soluços fazendo novamente o Shirian socar a arvore. O peito do Shirian se encolhia ao ouvir aqueles soluços. Se arrependia ao ver aquelas lágrimas.
Expirou fundo, caminhando na direção do menor que tentava limpar as lágrimas sem sucesso. Kyo levou a mão à nuca do menor, roçando os dedos naquela pele macia, o envolvendo com os braços.
—Perdão, eu não queria acusar você — admitiu Kyo, reparando que pela primeira vez falava aquelas palavras.
Kyo quase nunca errava, e quando errava, o ego grande alegava que feriria seu orgulho ao se desculpar. Mas ali estava o garoto em seus braços, que o fez falar tais palavras sem o mínimo receio.
—Eu não lembro quem foi Kyo, eu não lembro, não é que eu não confio, eu não lembro, eu não lembro — Hiroshi ainda falava repetindo afoitamente tais palavras chorando.
Kyo respirou fundo, se abaixando para ficar na altura de Hiroshi, colocando a mão em seu ombro como se pedisse para que o menor o encarasse.
Alguns segundos se passaram, enquanto Hiroshi temia abrir os olhos para encará-lo.
—Nã- Não se... Afaste de mim — Gaguejou Hiroshi em um pedido, temendo avistar naqueles olhos o que não queria, repulsa por si. Ódio. Raiva.
Entretanto, tudo o que contemplou foram aqueles olhos azuis, de volta com o brilho único que tinha em um misto de compaixão e preocupação na face.
—Por que eu me afastaria? —Questionou o Shirian de modo sereno levando a mão até as madeixas ruivas do outro, afagando-o.
—As cicatrizes, eu... —Começou Hiroshi buscando fôlego, percebendo que aos poucos o soluço parava —... Eu trabalho como empregado em uma casa... E... Quando não cumpro minha tarefa eles... —Hiroshi engoliu em seco — É por isso que não posso vir aqui de dia... Por favor, Kyo não me deixe. Eu posso não ter dinheiro, e não ser ninguém...
—... — Kyo permaneceu em silencio, absorvendo a informação, aquilo esclarecia muitas coisas —Eu não ligo —Falou o Shirian fazendo a face de Hiroshi se erguer para encará-lo — Não ligo se tem dinheiro, se és um empregado, ou sei lá mais o que.
—Então não se importa? —Perguntou Hiroshi com os olhos brilhando.
—Não com isso, mas não me agrada a idéia de que esteja sendo machucado, sobre isso, eu não posso aceitar.
—Mas foi poucas vezes, esse mês eu nem fui punido — Falou Hiroshi como quem queria amenizar a situação.
Vago erro. Ao ouvir tais palavras, as orelhas do Shirian se ergueram enquanto o olhar se estreitava.
—Está falando que sofre com freqüência?! —Perguntou deixando escapar um rosnado de fúria — É sua própria espécie, como podem...
—Kyo — Chamou o ruivo levando as mãos pequenas às bochechas do outro, guiando os olhos irritados até os seus — Não sou considerado um nobre, e não passo de um empregado. Não vou enfrentá-los, pois será pior se eu sair de meu lugar. Eu... Não me lembro de todos meus machucados e apenas os menores foram causados pelo meu trabalho... Os outros não me recordo... Se acalme — Pediu.
Os ombros do Shirian subiam e desciam em uma respiração descompassada. Então era isso. Hiroshi poderia aparecer machucado varias vezes e não ele poderia fazer nada? Não tinha como protegê-lo?
—Se não quiser mais falar comigo, entenderei — Disse Hiroshi, fazendo novamente o Shirian pedir por paciência. Nunca vira alguém tão alegre e ao mesmo tempo tão inseguro em sua vida.
Tentou interpretar as palavras como brincadeira, mas sabia que não era. O que raios passava na cabeça do menor, que o fazia pensar que o deixaria por simples marcas?
Não eram as cicatrizes que irritavam Kyo, e sim o fato de não poder fazer nada em relação a elas. Parecia que toda a força e os poderes que detinha como um Shirian de nada servia. Não podia proteger ao que gostava com eles, sentiu-se fraco.
—Não fale besteiras, não te abandonaria por isso — Repreendeu Kyo, puxando-o para si. Viu quando as bochechas de Hiroshi tingiram-se de carmim, ficando rubras, enquanto o menor se esticava nas pontas dos pés, sorrindo, para alcançar os lábios do maior.
Kyo sentiu as mãos do ruivo pousarem em seu peito com um toque leve, curvou-se beijando diversas vezes aquele rosto percebendo as mínimas reações de Hiroshi.
O modo tímido como aceitava os beijos, o rosto enrubescendo cada vez mais, e a respiração mudando de ritmo com os beijos de Kyo. Sentou-se no chão, trazendo-o junto com ele o ruivo, sentando-o ao seu lado. Entretido, brincou com uma madeixa ruiva, praticamente se esquecendo da discussão de segundos atrás.
Hiroshi se ajoelhou de modo receoso, e subiu no colo de Kyo, sentando-se sobre a virilha do maior. O Shirian corou, mas... Não... Hiroshi não faria isso... Faria?! Um calor subiu por seu corpo em êxtase quando a face do menor se aproximou da sua. Era agora, ele o beijaria novamente...
Para sua decepção, Hiroshi sorriu de modo inocente, apoiando sua cabeça no pescoço do maior e passando os braços em volta do corpo dele, enquanto fechava os olhos. Um cochilo, era claro, tava na cara que era só isso... Afinal, era óbvio que Kyo perceberia que Hiroshi só sentou, sem querer, em cima de um lugar delicado, na pura inocência, apenas para demonstrar carinho enquanto se entregava inconscientemente ao mundo dos sonhos.
Kyo xingou-se mentalmente ao pensar que Hiroshi faria algo assim. O menor era ingênuo demais para isso. Sentiu a boca salivar ao se recordar do gosto daqueles lábios tímidos e rosados do ruivo. Parecia que Hiroshi possuía um dom próprio e natural para provocar o Shirian sem querer. Kyo passou a mão pelos cabelos do menor em um afago, vendo que rapidamente o outro adormecia. Os dedos seguiram o caminho, passando pelos braços do ruivo, sentindo a maciez daquela pele.
Encarou as costas dele, não pretendendo tocá-las, e seguiu o caminho até a cintura, decorando as mínimas medidas de Hiroshi. Parou ali na cintura quando viu que seu corpo queria descer mais e aprofundar a caricia. “Pelos céus, controle-se” — falou para si mesmo, irritado.
Estava prestes a fechar os olhos quando sentiu aqueles lábios tocarem sua pele, em um selinho. Quando se moveram, a respiração batendo em seu pescoço, provocou arrepios.
—Kyo... — Murmurou o menor em pleno sono, a voz saindo em um sussurro melodioso, inerte a tais atos inconscientes que fazia. Hiroshi abraçou mais forte o corpo do Shirian, que fechou os olhos com o roçar que o quadril do menor fez em si ao se mover.
Respirou fundo, sentindo um formigamento tomar seu corpo, e na tentativa de se distrair relembrou tudo o que ocorrera naquela noite, tentando juntar e compreender tudo o que descobriu, e antes que notasse os pensamentos se esvaziaram.
Estava adormecendo, com seu amado entre os braços.
Lá em cima, a noite não podia ser mais brilhante, o céu estava limpo de qualquer nuvem, exibindo todas as diversas estrelas.
Mas é claro que Toriam não podia vê-las com as janelas fechadas daquele cômodo. As roupas eram perfeitas, enquanto com nobreza até nos mínimos atos, comia em silencio na vaga mesa.
—O que tem feito, pai? —ousou perguntar, olhando de soslaio para o homem de face carrancuda, sentado a longe.
—Não é educado falar durante as refeições, Toriam — Cortou o maior, desde quando era falta de educação isso? Mas claro que Toriam não retrucaria, não para ele.
Permaneceu em silencio pensativo remexendo a comida sem fome.
—Já estou satisfeito, posso deitar-me? —Perguntou o jovem, com esperanças de rumar para sua cama.
—Ainda tenho um assunto para tratar com você.
Na porta encostado permanecia Gors em silencio, os braços cruzados e os olhos fechados aparentando estar inerte a tudo. Não estava. Podia sentir os olhos do menor pregados em si como um pedido para tirar-lhe daquela mesa.
Não era questão de não gostar do pai, mas o mesmo nunca estava conseguido. Por isso mimava tanto Toriam, tentando substituir sua ausência na vida do menor.
Seu pai só vinha falar consigo se algo era de seu interesse, basicamente não seriam noticias agradáveis. Toriam se ajeitou na cadeira, atento, quando por fim desistiu de olhar para Gors, que nem se movia.
—Toriam, daqui a algum tempo você terá idade para assumir o reino — Começou o Rei. Aquelas palavras incomodaram no menor, agora tinha certeza não seriam coisas boas.
—Mas mesmo assim continua se comportando como uma criança. Travessuras, brincadeiras, não já não passou dessa idade? —Repreendeu o Rei, dando continuidade a fala — Não acredito que ainda precisas de Gors te seguindo a todo instante.
—Aonde quer chegar? —Falou Toriam apreensivo — Se o afastar ninguém me controlará. —Ameaçou Toriam temendo que isso significasse o afastamento de Gors.
—Como?
—Não confio em ninguém além dele, vossa alteza — Disse Toriam tomando o tom irônico de sempre — Espero que o que tens a dizer seja mais importante do que o sono de seu filho.
O rei estreitou os olhos. O filho herdara esse seu defeito de enfrentar tudo meio zombeteiro.
—Não pretendo tirar o Gors de seu cargo —Admitiu puxando fôlego —Pode ainda não ser tão maturo, mas já és um homem, e como tal ordeno que escolha logo sua dama.
Dessa vez não apenas Toriam encarava o Rei com os olhos arregalados, mas também Gors, mesmo que discretamente. Como assim uma dama? Uma noiva? Ele queria que ele se casasse? Nem a pau. Toriam se levantou da mesa fazendo a cadeira cair para trás com o ato.
A expressão de seu pai não mudou. Já esperava tal reação do filho. Viu quando o menor abriu um sorriso e começou a rir em deboche.
—Eu não irei me casar, não com qualquer uma.
—Escolha uma nobre se é assim.
Não era a classe social que importava, ainda era novo demais para casar-se, para escolher alguém para toda vida, e de que adiantava? Podia ser qualquer uma. Não importava, seu coração já pertencia a alguém.
Alguém que cuidou de si por anos, e duvidava imensamente que fosse conhecer alguém que superasse todo o conhecimento que Gors tinha de si, toda a paixão que sentia pelo outro.
—Eu me recuso —Falou Toriam firme —Não me casarei.
—Se pretende assumir esse reino se casará — Disse o pai perdendo a paciência, se erguendo também enquanto caminhava em direção ao filho.
—Então não o assumirei — Ladrou Toriam entre os dentes vendo o pai erguer a mão disposto a estapear sua face.
Mas a mão de Gors em seu punho o deteve, os olhos flamejavam de raiva. Que audácia do filho, que audácia do soldado! Ninguém mais o respeitava naquela merda de reino!
—Se acalme majestade — Pediu Gors segurando firme dessa vez ao ver que o Rei tentara novamente sem sucesso acertar o filho.
—Isso é sua culpa, não o educou direito! — Gritou o rei apontando para Gors.
—Não é obrigação dele fazer o seu trabalho como pai. —Falou Toriam baixo o suficiente para apenas ele mesmo se escutar.
—Vá para o seu quarto, e só desça quando eu mandar! —Gritou o Rei a pleno pulmões sendo solto por Gors.
Toriam se virou sentindo os olhos marejarem, para por fim, se pôr a correr com todas as forças para seu quarto.
Fechou a porta com um tranco pulando sobre os vários cobertores da cama. O corpo pequeno parecia menor ainda naquele vasto colchão. Mal se passou um minuto direito, que Gors já batia em sua porta.
—Posso entrar Toriam? —Perguntou sem ouvir uma resposta —Não, Locse, não precisamos de um copo de água, leve uma bebida para o Rei antes que ele surte —Falou com pesar, encarando o jovem empregado que apreensivo olhava para a porta do quarto e para Gors, preocupado.
—O Toriam... —Começou Locse.
—Ele está bem... Vai ficar bem ... —Gors suspirou girando a maçaneta, se acalmando ao notar que o jovem não a trancara, manejou a cabeça dispensando Locse que se curvou e saiu rápido.
Viu sobre os cobertores Toriam deitado, o braço se esticando em direção a cabeceira apanhando o vaso de porcelana ali, o segurou entre os dedos, sentando-se sem encarar o soldado.
—Toriam, seu pai-
—Eu já sei, ele estava exaltado por que eu respondi de modo ignorante. Amanhã de manhã vai aparecer aqui em meu quarto com a face vermelha pela ressaca e vai pedir desculpas, pedindo para que eu escolhesse qualquer coisa que ele me comprava —Falou Toriam de modo rápido —Como ele sempre faz — Levantou a mão atirando o vaso na parede escutando com inexpressividade o som da porcelana se estraçalhando e deixando cair os cacos no chão.
Gors respirou fundo, passando o trinco na porta, como quem não queria ser interrompido. Sabia como Toriam ficava depois dos encontros com o pai, imprevisível. Da última, vez quase bateu em um empregado, então era melhor deixar a fera trancada na jaula.
Moveu-se até a poltrona de frente para o menor, respirando fundo.
—Ele está certo, já está na hora de escolher sua noiva Toriam —Falou Gors sem medir as palavras, não percebendo o modo que Toriam se encolheu ao ouvi-las sendo ditas por ele.
—É isso que pensa? —Perguntou Toriam de modo baixo, receando uma confirmação.
—O que eu penso não importa, vai chegar a hora que terá que decidir. —Disse Gors firme cerrando o punho em arrependimento. Assim era melhor, assim era o certo...
—Eu não vou me casar. —Aquelas palavras de Toriam não ajudavam em nada a melhorar a situação.
—Você não tem escolha, por que não decide logo?
—Por que diz isso? —Pergunta Toriam, se levantando para ficar de frente a Gors — Quantas vezes tenho que repetir eu já gosto de alguém? Droga, por que fica falando para eu escolher alguma? Eu não quero nenhuma! — Gritou extasiado, deixando que finalmente as lágrimas saíssem.
Gors engoliu em seco, por que se sentia tão mal ao ver o outro chorando? Por que queria tanto protegê-lo mais ainda em tal situação? Por que mesmo que em seu íntimo se auto magoava pedindo para que o menor se casasse?
Não parou para pensar e nem queria. Com um suspiro pesado levantou-se, envolvendo com os braços esguios, o corpo de Toriam, em um abraço, como um pedido para que ele cessasse as lágrimas.
—Me larga, para com isso. —Reclamou Toriam socando o peito de Gors, fazendo os punhos pequenos e sem força nem ao menos fazerem cócegas no peito robusto do maior —Para de brincar comigo! Você não me fala se me ama, me diz para me casar e depois vem me abraçar. Eu não sei mais o que fazer... eu não sei. —Choramingou Toriam, cessando os socos à medida que soluçava —Eu não quero me casar com alguém que não seja você. Eu te amo, então pare de brincar com meus sentimentos...
—Já chega, Toriam! —Gritou Gors fazendo o jovem calar-se —Tem consciência do que és? Um príncipe, vários anos mais novo que eu. Então pare com isso, pare de falar que me ama, pare de se iludir. Estou cansado de você me provocando a toda hora, sabe como é difícil me controlar?
—Se controlar? —Repetiu Toriam, notando a deixa que o maior deixou escapar.
O jovem era bipolar, só pode. Em instantes conseguiu se recompor secando as lágrimas e abrindo um sorriso travesso. Ficou calado vendo Gors soltá-lo, e se sentar de olhos fechados, pensativo, na poltrona.
—Eu estou tentando manter a razão Toriam. Não comece. —Advertiu quando ouviu o barulho do mover do colchão, Toriam se erguera.
—Então você... Também gosta de mim? — Questionou o menor, subindo em seu colo, sentando-se de frente para Gors.
—Toriam — começou Gors, abanando uma das mãos em um pedido mudo de que Toriam saísse de cima dele, mas o jovem apenas apanhou a mão do outro de modo delicado a levando aos lábios começando a depositar diversos beijos ali.
Ao sentir aqueles lábios em sua pele, a respiração de Gors se alterou. Agora manter a sanidade se tornou um ato demasiadamente complicado. Como se controlar diante daquele jovem pedindo por atenção?
Podia claramente lembrar-se do gosto daqueles lábios que agora o tocavam, daquele sabor único e que o viciava, fazendo querer agarrar o garoto a sua frente.
Os beijos subiram até seu ombro, a tal altura o corpo de Toriam já estava inclinado sobre o dele, deixando o menor totalmente entregue.
E foi quando os lábios de Toriam chegaram ao seu pescoço, que sua sanidade fora embora. Era errado? Que se foda.
Agora ali Gors e Toriam não eram mais príncipe e soldado, adulto e jovem. Eram amantes. Gors levou a mão até a face de Toriam, a erguendo, guiando ela de modo lento até a sua. Os olhos se cruzaram, cúmplices, as respirações roçavam uma na outra, enquanto a distancia dos lábios diminuíam até se encontrarem.
Aquela massagem era única, a sensação que só aqueles lábios proporcionavam em contato com os dele. Rapidamente impacientes, as bocas se abriram em busca de mais contato.
As línguas ultrapassaram os limites dos lábios, invadindo a cavidade do outro, e ao se encontrarem, uma dança deu inicio, explorando cada vez mais e mais do lugar ainda pouco conhecido.
E como era inebriante aquele sabor de Toriam, como um pedaço de mal caminho, que o fazia jogar para o alto todas suas crenças. O fazia querer tomar mesmo sabendo que era errado aquele corpo para si.
Já Toriam, nem racionava direito, deixando os extintos felinos agirem por si só. Passou os braços em volta do pescoço de Gors, sentindo as mãos firmes do maior pousarem em sua cintura, erguendo-o com facilidade.
O corpo pequeno foi deitado sobre a cama bagunçada, fazendo o corpo de Gors permanecer sobre o de Toriam. Os lábios se mexiam frenéticos, enquanto sem o menor pudor as línguas batalham buscando mais contato. Em instantes o clima do quarto pareceu esquentar para os dois presentes, tornando sufocante o uso daquelas vestes que os cobriam.
Toriam foi o primeiro a se livrar do colete que trajava, em seguida retirou a calça de modo desejoso, o ato sendo acompanhando pelos olhos atentos de Gors. A mão pequena pousou no peito do maior, empurrando-o. Gors permitiu-se se afastar enquanto era empurrado novamente para deitar-se.
Toriam subiu sobre ele, uma perna de cada lado do corpo do maior. Tudo o que vestia não passava de uma blusa longa de botões, deixando à mostra as coxas torneadas e alvas. Nos olhos, o desejo e a luxúria persistiam. O menor passou a língua pelos lábios, em seguida os mordendo como quem desejava tal momento a séculos.
—Não me provoque Toriam — Falou Gors com a voz rouca, perdido naquela visão. O menor riu de leve, como quem ainda aprontaria.
O jovem se inclinou, propositalmente empinado as nádegas aproximando os lábios do ouvido de Gors.
—Ahhh —Toriam encenou um gemido baixo, em seguida mordendo o lóbulo da orelha de Gors —Me torne seu — Pediu de forma manhosa.
Se ele queria que o maior perdesse a sanidade, então ele conseguiu. Gors pousou a mão na coxa pálida de Toriam, apertando-a, fazendo com que a tez tão clara ficasse com marcas vermelhas pela força exercida no local.
Os olhos de Toriam se fecharam, enquanto a respiração mudava, ofegante. Aquilo parecia um sonho, e temia uma hora ter que acordar dele. Os lábios do pequeno foram tomados mais uma vez com voracidade. Gors passou a mão pelos botões, se livrando em instantes de sua roupa e da do menor, deixando nada mais do que o tecido íntimo que trajavam.
A mente se esvaziou de qualquer pensamento com aquela visão. Aquele corpo pequeno e alvo, a pele branca como leite, os mamilos rosados, os lábios vermelhos e inchados pelo beijo, totalmente entregue a si. Não tinha como recusar.
A boca de Gors pousou na bochecha de Toriam e foi descendo pouco a pouco, percorrendo aquela pele, que de tão clara deixava rastro de marcas vermelhas e chupões. As mãos atentadas do menor acariciavam seu peito, braços, e abdômen, levando ambos ao delírio.
Podia ser ouvido os gemidos baixos e tímidos que escapavam dos lábios de Toriam. Gors moveu os lábios para um dos mamilos rosados deixando um rastro de saliva pelo caminho. Passou a língua por ele, vendo Toriam arquear as costas com o contato.
Chupou-os sem pudor, sentindo o próprio membro endurecido latejar. Entretanto, ignorou-o, se concentrando apenas em Toriam. Após sugar um, seguiu em direção ao outro, fazendo mais gemidos saírem da boca do menor.
À essa altura, nenhum dos dois respondiam por seus atos, e a mão de Gors se livrou do único tecido que restava em Toriam.
O menor se encolheu tímido, mesmo assim a língua passava por seus lábios molhando-os em provocação. Era inacreditável como estava em total equilíbrio, a luxúria e o receio do menor.
Os dedos firmes envolveram aquele membro, causando espasmos de prazer no jovem ainda inexperiente em tal situação. Toriam sentiu o corpo esquentar como nunca ante aquele toque, não podendo deter aqueles gemidos que saiam. Ainda não podia acreditar que era Gors ali, o possuindo.
Apenas pensar na ideia de tornar-se totalmente um só com quem amava fazia borboletas em seu estômago querer alçar voou.
Mas foi quando Gors aproximou a face da virilha de Toriam, que o menor tingiu-se totalmente de vermelho. O soldado abriu os lábios, colocando na boca o rijo membro, sentindo Toriam se remexer ao ser envolto por tais lábios.
—Aaaahhhh... —Toriam gemeu alto, levando a mão á boca para tentar abafar aqueles gemidos que não conseguia mais segurar. Não com Gors ali, roçando a língua em um local tão intimo de si.
E foi ao sentir um dedo entre suas nádegas, que se sobressaltou, fechando as pernas em negação.
Gors levantou a face para encarar o menor, os olhos de Toriam brilhavam com lágrimas de receio, o rosto suado com os fios castanhos colados rentes a testa. O peito nu subia e descia afoito.
—Confie em mim, relaxe — Pediu Gors, depositando um beijo nos lábios de Toriam em uma tentativa de distraí-lo enquanto forçava entrada do dedo.
—Ah... Ahhhhhhh — Gemeu baixinho entre o beijo, sentindo aquele dígito invadi-lhe ocasionando uma dor incômoda.
O maior começou a prepará-lo, movendo lentamente atento até as mínimas reações do pequeno. Viu ali a expressão de dor se suavizar aos poucos, tornando, aos poucos, nada mais que um semblante sereno. Inseriu mais um digito sentindo as unhas de Toriam arranharem suas costas em um protesto mudo pela invasão.
Por fim, a expressão de Toriam tornou-se um misto de incômodo e prazer, deixando escapar novamente pelos lábios os gemidos roucos. Como era tentadora aquela voz.
Aquilo já era o limite para Gors, não conseguia adiar mais ainda o que tanto desejavam. Nunca se sentira tão excitado em sua vida, e o que aparentava já ser o limite, conseguiu ultrapassá-lo ainda mais quando o quadril de Toriam se moveu de modo tímido, rebolando em um pedido por mais.
Se não tivesse tanto auto-controle já teria gozado com o simples ato do pequeno. Retirou os dedos, ouvindo um murmuro de descontentamento por parte de Toriam.
Livrou-se daquele último tecido, sentindo o membro pulsar pedindo por atenção, posicionou-se entre as pernas de Toriam, que receosas se abriram acomodando-o. O coração de Gors batia como nunca antes bateu, nem na luta mais intensa que tivera, ou então diante da garota mais bela que vira se sentiu assim.
Era um soldado forte, de opinião firme, batalhou diversas vezes, mas bastava estar diante de Toriam, que via suas forças se esvaírem e as indecisões e receios virem a tona. Como era incrível o efeito do outro sobre si, que só agora começou a reparar em tal fato. Naquele instante sentia que até mesmo o dia mais frio, com o inverno mais gélido, seria caloroso com Toriam ao seu lado.
—Se doer me avise — Alertou Gors forçando a passagem, o corpo de Toriam se arqueou novamente, os lábios se abriram em um grito silencioso, os olhos se fecharam com força e mesmo não querendo as lágrimas desciam por sua face.
Não reclamaria, era óbvio que estava doendo. Uma dor desconhecida e potente, que o fez cogitar se deveria mesmo dar continuidade ao ato. Entretanto por mais que doesse, aguentaria.
Ali e agora eles se tornariam apenas um. Se uniria a Gors, aquele que amou secretamente, semeando tal sentimento por anos com receio de ser rejeitado. Sentiu os lábios de Gors recolhendo em seus olhos todas as lágrimas que escorriam.
—Gors — Chamou Toriam com a voz trêmula, e o soldado parou de se mover sentindo os braços de Toriam enlaçarem seu pescoço, em um abraço.
—Desculpe — Pediu Gors com receio de tê-lo machucado. Isso era a última coisa que queria, o peito se apertou ao sentir aquelas úmidas lágrimas molharem seu ombro. Ficava ainda pior por pensar que fora ele que as causara.
Passou os braços em volta da cintura do pequeno, retribuindo o abraço, enquanto beijava aqueles lábios já vermelhos. Toriam agora não era mais uma criança em seus braços, ingênua e mimada. Que não conhecia o amor e a dor que ele poderia causar. Agora Toriam era seu, apenas seu.
O jovem príncipe moveu a cabeça de um lado para o outro. “Não se mexa, por favor,” pediu Toriam sendo prontamente atendido. Respirou, engolindo o seco, enquanto com um gemido rouco desceu completamente, apertando os lençóis em meio à dor.
Não eram apenas os sentimentos e a sensações que estavam interligadas, os corpos também estavam por fim unidos. As paredes internas de Toriam eram quentes, e se reprimiam na tentativa natural de tirar aquele intruso de seu corpo.
Tal reação apenas proporcionava uma massagem única ao membro de Gors, que gemeu dengosamente. A vontade de tomá-lo estava gritando alto enquanto ele a ignorava. Não se moveria, não enquanto a permissão de Toriam não viesse.
O menor ergueu o corpo enquanto sentia a dor aguda se amenizar, sentando-se novamente, não conseguindo reprimir o gemido prazeroso substituir o de dor quando o membro de Gors bateu em um ponto sensível seu.
—Você é perfeito — Falou Gors passando as mãos pelos fios castanhos, tirando-os da face de Toriam — Eu te amo — Declarou-se sem o mínimo receio ou indecisão, aquelas palavras não eram ditas por simples falas, era algo de dentro de seu coração.
—Então... Por que falou aquilo? —Perguntou Toriam magoado — Por que disse para eu escolher alguém se gostava tanto de mim?
—Por que eu te amo —Repetiu Gors — Isso era o certo, você se apaixonar por uma mulher, uma princesa, tornar-se rei, guiar o reino, não por mim, um soldado, um homem, alguém que não te fará feliz.
Os olhos de Toriam marejaram, o jovem se inclinou beijando Gors de modo calmo, um selar de lábios lento e intenso. As línguas se encontraram em um contato único, transmitindo de modo luxurioso os sentimentos de ambos.
—Apenas com você ao meu lado posso ser feliz — Declarou Toriam, os olhares se cruzaram cheios de desejo. O corpo já acostumado, fazendo a dor não passar de uma remota lembrança.
E com movimentos lentos deu-se inicio o ato luxurioso, à cada estocada mais gemidos saiam. Aquilo tudo parecia irreal, o corpo ardia em calor totalmente febril, e a cada roçar das peles que se chocavam, um som promiscuo tomava o quarto.
Indescritível, essa era a palavra que se encaixava a sensações que Toriam sentia, o corpo tremendo de leve em espasmo de prazer. Curvou-se quando sentiu Gors ir mais fundo. Os gemidos aumentaram, e em uma única estocada chegaram ao seu limite, juntos. Gors se desfazendo por dentro do menor que gemeu baixo gozando em seu colo.
O peito subia e descia, a respiração totalmente ofegante e alterada saia por seus lábios. Ainda com as mãos na cintura do pequeno, Gors se retirou de dentro dele, deitando-o, vendo o cansaço bater em ambos.
Os cobertores estavam revirados, impregnados pelo intenso cheiro de sexo que ali residia. Teriam que pedir na manhã seguinte para Locse lavá-los. Nele eles confiariam, já qualquer outro daria a língua a torcer com boatos sobre o ocorrido.
Toriam, exausto, abriu os olhos sonolentos quanto sentiu a mão de Gors resvalar por suas madeixas em um carinho, e olhou-o com um sorriso estampado no rosto, se inclinando para deitar-se sobre o corpo forte do soldado, que lhe envolveu com os braços de forma possessiva em um abraço. Por fim, estavam juntos.
E não era apenas a cama de Toriam que estava bagunçada, a de Dilan já tinha os lençóis jogados ao chão.
—Aaaaaaaaaaa — Gritou o loiro acordando pela milésima vez aquela noite, o peito subia e descia enquanto os olhos estavam arregalados.
“Apenas um pesadelo, apenas um pesadelo” falou para si mesmo passando as mãos pela testa suada. Já não aguentava mais, as lembranças estavam mais frequentes a cada instante.
Olhou janela afora, vendo a escuridão tingir a paisagem, com um suspiro voltou a fechar os olhos sem conseguir dormir, temendo o que poderia recordar.
Mordeu o lábio inferior quando se virou para o lado dando de cara com Alexander na porta, os olhos semicerrados o acusando de modo que Dilan não podia negar que estava bem.
—Ok, ok —Falou o príncipe, roçando os dedos finos entre os fios loiros de seu cabelo —Eu vou contar tudo para Hiroshi amanhã, ok? —desistiu Dilan.
Alexander abriu um sorriso, sentando-se na beirada da cama de Dilan, apanhando os panos jogados ao chão para cobri-lo.
—Não vou dormir — Advertiu o loiro com firmeza, olhando Alexander, que suspirou.
—Eu sei — Falou se inclinando para beijar a testa do outro que franziu o cenho — É teimoso demais para conseguir até mesmo relaxar e dormir.
Dilan apanhou o travesseiro e atirou na direção de Alexander que desviou com facilidade, rindo do semblante irritado de Dilan pelo beijo. E assim que a porta se fechou, as sobrancelhas curvadas em fúria se suavizaram, dando lugar a expressão vermelha enquanto as bochechas tingiram-se de carmim.
Mas que droga de Alexander, que conseguia desmanchar em segundos a mascara fria que levou anos para aperfeiçoar! Virou de lado ficando a encara a lua, que lá no alto, brilhava intensamente.
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