O Último Filho De Atena
2 O carro de Hefesto falha, como previsto
Corremos até a casa de Kaio. Eu já tinha ido para lá umas cinco vezes, e conhecia muito bem aquela minúscula casa. Ele morava com sua avó, que devia ser meio caduca, pois às vezes chamava Kaio de João, e dizia que ali era São Paulo. Tentávamos corrigir, dizendo que ela morava em Rio Verde, mas ela não se convencia.
Entramos direto pela porta da frente. A avó de Kaio não estava ali. Tentei imaginar onde estaria, mas Percy gritou:
__Kaio, Pedro! Preparem-se!! Vamos arrebentar a porta dessa garagem!
Ele disse aquilo num tom tão animado que quase me esqueci da bagunça que eu tinha feito na escola. Percy então recuou três passos. Pensei que ele ia correr e chutar a porta. Mas então ergueu uma mão em direção à torneira, que deixou toda a água sair. Percy parecia controlar a água. E o único que podia fazer aquilo era... Poseidon!! A água saiu com tanta força, que arrebentou a porta que levava à garagem.
__Hã... é... Percy, como foi que você... Como foi que você fez aquilo? – perguntei.
__Hum... depois eu explico, Pedro. Você está em perigo. – respondeu ele.
E entramos na garagem. Mas estava vazia. E quando digo vazia, quero dizer vazia mesmo. Kaio e Percy pareciam encantados. Olhavam algo que estavam na frente deles. Eu não sabia o que era. A única coisa na minha frente era a parede com teias de aranha, e aquilo não era nada incrível.
__Pedro, esse é o C.I.V.F.P.H.P.D.A. – disse Percy e Kaio, juntos.
Eu me encantei. Quando eu veria de novo um C.I.V.F.P.H.P.D.A de novo? Aquilo devia ser uma benção, ou algo assim!
__Desculpem-me, vocês já devem estar acosutumados a coisas assim, mas... o que é esse C.I.V.F.P.H.P.D.A? – perguntei.
__É o “Carro Invisível Voador Forjado Por Hefesto a Pedido Do Acampamento”. É, precisamos mesmo de uma sigla nova, Kaio. – disse Percy.
Então era isso que estava na minha frente. Um carro invisível que voava! Quando eu veria isso de novo? Bom, tecnicamente, eu nunca veria isso, mesmo que estivesse na minha frente. Mas isso não importa. Percy e Kaio se sentaram nos bancos da frente: Kaio no lugar do passageiro e Percy no de motorista. E eu me sentei no banco de trás.
Era um carro confortável, a não ser pelo fato de você estar sentado no ar. Quando estávamos todos acomodados, Percy entregou um óculos preto (como aqueles de filme 3D Dolby) para mim e um para Kaio. Meu professor de História já estava usando o dele. Kaio também colocou o seu. Era complicado para eu usar aqueles óculos, pois eu já usava um por causa de minha miopia. Mas mesmo assim coloquei os óculos pretos sobre o meu com grau.
Esses óculos especiais eram incríveis. Ao colocá-lo no meu rosto, eu pude ver o carro. Bonito? Não. Era lindo! Era parecido com uma Ferrari, só que um pouco mais bonita. E tinha grandes e lindas asas em casa lateral do carro. O banco era de couro confortável.
Percy ligou o carro, que soltou um ronco. Não era um ronco de automóvel normal. Era parecido com uma Canção dos Anjos. Saímos voando da garagem de Kaio.
__Hum... Percy, Kaio. O que está acontecendo? – perguntei.
Kaio começou a falar, mas foi interrompido por Percy.
__Pedro, sei que você gosta de Mitologia Grega. Esse é a verdade: os deuses do Olimpo existem. – disse Percy.
Olhei para eles com uma cara de bobo. Não podia ser verdade. Mas isso explicava o fato de Percy ter usado a água.
__Então... você é P-Poseidon? – perguntei – Porque você controlou, sabe, controlou a água.
Percy quis rir, mas mudou de ideia.
__Pedro, às vezes, os deuses têm filhos com humanos. – ele disse. – São os...
__Semideuses. – eu o interrompi. – Então, é verdade? Deuses existem?
Percy e Kaio assentiram.
__Pedro, eu sou filho de Poseidon, o deus do mar. Por isso eu controlei a água na casa de Kaio. – disse Percy.
Agora as coisas faziam mais sentido, não muito, mas faziam mais sentido.
__E você, Kaio... de quem é filho? – perguntei.
Kaio começou a tirar as calças. Assustei-me, e gritei, desviando o olhar:
__O que é isso, Kaio? Volta essas calças pra cima!
Mas Kaio não voltou as calças. Em pouco tempo, as pernas de um garoto normal (sem calças) não estava lá. Ele tinha pernas de bode.
__Você é um sátiro! – gritei.
__E minha missão é levar você até o Acampamento em segurança. – completou Kaio.
Eu já ia perguntar sobre esse Acampamento, quando uma mão gigante passou por cima do nosso carro. Estávamos sobrevoando uma fazenda, no Nordeste. Não sabíamos de quem era mão. Até que vi. Um gigante, com no mínimo cinco metros. Continuava a atacar.
Eu estava com meus dois óculos. Era estranho. Meu nariz ficava doendo, e ás vezes eu precisava tirar um óculos, caso contrário, minha cabeça começaria a doer, e eu ficaria com enjôo, e... Ah! Deixa pra lá. Eu tirei os óculos parecidos com os 3D Dolby, e o carro sumiu. Então, lembrei-me que o gigante não via o carro.
Kaio gritava para que Percy acelerasse o carro, mas percebi que era inútil. O gigante era mais rápido. Então, criei um plano. Percy já estava fugindo, o gigante logo atrás. Percebi que a criatura iria nos esmagar em poucos segundos, então, pedi para que Percy desacelerasse o carro. Ele hesitou, mas finalmente parou de acelerar.
Sabe, vou contar o plano: na hora em que levantamos voo, na garagem de Kaio, percebi uma pequena falha no lado esquerdo... se eu chutasse ali, o carro falharia, e nós cairíamos dez metros, e logo subiríamos. E percebi que o gigante tinha uma fragilidade na palma da mão.
O gigante chegou muito perto do carro. Então, chutei a região do carro em que havia uma falha, e o carro desceu. Kaio e Percy gritaram, mas o automóvel voltou a voar, agora mais baixo. A mão do gigante estava em cima de minha cabeça. Então, coloquei meu boné na cabeça, e, com a espada na mão, enfiei a lâmina na palma do gigante, que desabou, morto.
Percy ficou impressionado, assim como Kaio.
__O que... o que você fez ali? Como? – perguntou Kaio.
Então, expliquei meu plano. Contei sobre a falha no carro, e a sensibilidade na mão do gigante. Percy parecia preocupado. Então, olhou para mim (ainda dirigindo... coisa feia), e me disse:
__Pedro Henrique... acho que já sei de que deus, quero dizer, de que deusa você é filho... Atena, a deusa da sabedoria. – e, me dizendo isso, olhou preocupado para mim.
Agora que eu descobri que minha mãe não tinha sumido, ela era uma deusa, eu fiquei feliz. Mas não devia ter ficado.
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