O Ápice Da Rosa
1 Encontro.
Notas iniciais
Obs: Aqui nessa fic, os cabelo sao da era Ring Ding Dong.
Obs2: O Nyah comeu pontos, travessões, fez o fuzue na minha formatação. Arrumarei mais tarde =-=
A tarde, quase noite, estava fria. Os primeiros flocos de neve da estação finalmente haviam dado o ar da graça e pintavam a paisagem de branco aos poucos. As folhas de algumas árvores, que ainda resistiam, balançavam levemente com o vento frio, talvez o último suspiro de sua existência; logo seriam levadas pelo doce uivar, muito antes do real anoitecer. Momento certamente nostálgico; gostoso para alguns, ruins para outros.
Um rapaz de altura mediana estava parado em frente à uma lápide cinzenta; seus cabelos loiros e repicados balançavam ao bel prazer do vento. Ao seu lado, havia outra pessoa, parecia lhe pedir para que fossem embora juntos, mas o loiro continuou parado. A expiração forçada criava nuvens de vapor, que pareciam embaçar sua visão. Porém, não era bem o vapor que lhe trazia a sensação, eram as lágrimas que corriam livremente pelo seu rosto jovem.
A companhia do rapaz desistiu de esperá-lo sair do estupor, já que o mesmo parecia não querer que mais ninguém se aproximasse do mundo que ele mesmo havia construído. Um mundo composto dele e do que lhe foi tirado a força; o que descansava serenamente na construção de granito que erguia-se entre tantas outras.
Um soluço alto fora ouvido após um tempo que estivera sozinho. E, então, desabou.
Jogou-se sobre o túmulo, e penosamente chorou. Chorou como jamais havia feito em sua vida. Soluçou todos seus medos, expulsou todos seus sonhos dilacerados, cuspiu a dor de seu coração. Não era justo… Não era! Ele não deveria ser amado por Deus. Por que fora privado de ser feliz?
A dor em seu âmago aumentou. Ele não havia feito nada de errado. Não havia… Havia apenas amado como Romeu, louco e apaixonadamente. E era desse modo que era retribuído. Com um vazio. Apenas um vazio.
Sem pensar muito, um grito desesperado rasgou sua garganta, ao passo que finalmente se ergueu do granito frio. Perdera totalmente a noção do tempo. Piscou confuso; havia uma manta de neve sobre seu corpo, e finalmente percebera que seus cabelos e roupas estavam molhados. Não foram as lágrimas então… Fora a neve. A neve o molhara, como um dilúvio que fosse, quem sabe, lavar toda a tristeza de seu corpo. Mas aquele era apenas um pensamento insano; a única coisa que a neve trouxe consigo fora o frio.
Suspirou pesado, e forçou suas pernas bambas a se levantarem. Suas longas roupas pretas de luto arrastaram-se na pedra, como em uma despedida. E era isso que aquilo representava. Algo eterno… A separação eterna.
Estivera ali o dia todo, velando pelo sono de quem amou. Vendo seu corpo descer pela terra, vendo a mesma terra cobrir a caixa de madeira que ela repousava. Ainda lembrava a última vez que a vira… Pálida como a lua. Mas mesmo assim, tão bonita… Ah, como a amava.
Mas ela não estava mais ali.
E nunca mais estaria.
Seus pés pareciam pesados, mas nada se comparava com sua cabeça. Estava sonolento. Não devia ter chorado tanto… E já havia anoitecido. O sol não mais abençoava a terra com seus raios dourados. Estava frio, estava nevando, e estava sozinho. Ergueu uma das mãos ao rosto, limpando a marca das lágrimas que ainda existiam ali. Era forte, sim, era. Teria força para dar a volta por cima. Mas, por agora, a única coisa que queria fazer era sair dali.
Virou-se, e empacou.
Um homem estava observando-o. Não sabia muito ao certo quem era, na verdade, tinha certeza que nunca havia o visto na vida. Seus cabelos eram negros como a noite, geometricamente cortados, tão alinhados que chegava a ser assustador. Seu rosto estava escondido na penumbra da lápide de outro túmulo, que escondia a luz da lua cheia daquele início de noite, onde estava confortavelmente sentado. Suas roupas eram pretas, em seus pés havia coturnos grosseiros com correias. Uma calça de couro apertada adornava suas pernas. Em seu tronco, havia um sobretudo, que descia até o chão enquanto sentado. Suas mãos estavam delicadamente pousadas em seu joelho, que cruzava-se sobre o outro. As unhas eram bem cuidadas, pintadas de preto, e esse era a única parte de seus membros superiores que se podia ver; o resto estava totalmente coberto. Um crucifixo brilhante balançava em seu pescoço.
Seus olhos cansados estavam o enganando? Desde quando estava sendo observado? A curiosidade brotou no peito do loiro.
— Vejo que está sofrendo a perda de alguém. – A voz calma de sua nova companhia, em forma de uma afirmação tão forte, assustou o rapaz. Quem poderia estar tão calmo em um cemitério? E sozinho? Será que era algum desajustado? Não poderia ser tão azarado… Mas talvez aquilo fosse um presente. Talvez fosse ele próprio morto também… Assim poderia seguir e encontrar sua ex-noiva onde quer que a morte a tenha levado.
Aquele pensamento o fez sorrir e o deu coragem para se aproximar daquele desconhecido.
— Sim… Perdi alguém importante. – Seus passos eram um pouco vacilantes, mas continuou seu caminho. Pena que não pudera percorrer toda a distância, pois logo o homem escondido se ergueu. Seu movimento lhe lembrou um gato; colocou-se de pé em um salto, suas vestimentas voaram devido a inércia, e, finalmente, seu rosto ficou visível.
O loiro arregalou os olhos. Era… Grotescamente lindo.
Suas maçãs do rosto eram um tanto protuberantes, sua pele era alva, e seus cabelos caiam perfeitamente em sua testa; um corte diagonal tampava-lhe parcialmente um dos olhos puxados, esses que estavam fortemente marcados por um contorno preto. Seus lábios eram finos, porém carnudos e se dobravam suavemente em um pequeno ‘bico’. Era perfeito.
Ele não devia ter mais que a sua idade. Deveria ser mais novo do que si… Mas havia algo errado ali. Estava pálido, mas não um pálido aceitável. Era doentio.
— Não vou te atacar. – A voz do estranho soou divertida, porém sua expressão não se alterou. Muito estranho.
O desconhecido aproximou-se do outro, e seus olhos encontraram-se. Um arrepio percorreu toda a coluna do loiro. Aqueles orbes eram tão vazios, tão nítidos… Tão gélidos como a noite que estava se iniciando. O contato quebrou-se tão imediatamente quanto começou, porém os olhos do loiro seguiram o movimento daquele rapaz. Hipnotizante.
— Como você se chama? – A pergunta pairou no ar alguns segundos, enquanto o, como havia percebido, mais alto estava observando a mais nova lápide daquele lugar sombrio. Talhada no granito, o epitáfio chamou sua atenção.
-Eu… Me chamo JongHyun. Kim JongHyun. – Hesitou um pouco. Estava realmente se apresentando a um gótico, que encontrara aleatoriamente em um cemitério, no dia do enterro de sua noiva? – E você?
O garoto de aparência felina agachou-se em frente ao túmulo, seus dedos finos e pálidos alcançaram as descrições, e as pontas dos mesmos seguiram a escritura lentamente.
Era como se estivesse realmente admirando as últimas palavras; o último suspiro de alguém que abandonara para sempre o reino dos vivos. E o admirava como se realmente gostasse disso. Como se admirasse a morte em si.
— Pode me chamar de Key… Eu não tenho realmente um nome. Vivo vagando pela noite, admirando aqueles que já tiveram a sorte de morrer. – Um sorriso ínfimo desafiou seus lábios bem delineados. Mas JongHyun não poderia ver. Era uma cena comovente, de certa forma. – “Que tenha sido eterno enquanto durou. Aqui jaz alguém que lutou e amou, e que jamais desistirá. A vida não termina, inicia-se em um novo local; no coração de quem ainda nos mantêm vivos”. Bonito epitáfio… Acho belo… Como é possível se expressar tão bem ao fim da vida. É o último ato de desespero para que lembrem de nós, mesmo que pouco, antes que a dureza da vida os obrigue a apagar o passado remoto em que os que morreram ainda existiam. – O comentário era firme. Algo inegável àquele homem; o mais baixo poderia arriscar dizer que lhe era doloroso dizer algo do tipo. Mas mal o havia conhecido, na tiraria conclusões precipitadas, ainda mais de um rapaz tão exótico como ele.
Por mais que quisesse ir embora e dormir em sua cama confortável para apagar os últimos dias de sua mente, a curiosidade crescente o instigava a continuar com aquele homem, mesmo que fosse como abrir ainda mais sua ferida fresca. Falar da morte como se fosse algo comum.
- Eu escrevi isso… Ela… E-Ela não teve tempo… Não pode… – Baixou o rosto; não conseguiria terminar a frase. Um nó irritante parecia ter se formado em sua glote, a ardência tão conhecida nos últimos dias subiu novamente aos seus olhos.
Não demorou muito para que aquela sensação incômoda se transformasse em lágrimas silenciosas. Doía tanto…
— Deve ter sido um choque. Eu entendo. Mas não se preocupe, a dor passa. – A mão daquele rapaz de preto pousou suavemente no ombro do mais baixo. Não sabia quando ele havia se aproximado tanto, mas um contato era tão bem vindo naquele momento que não reclamou.
Mesmo com todos os panos que cobriam seu corpo, JongHyun sentira o quão frio o outro estava. Congelante.
— A vida é efêmera. Não deixe de viver por causa dessa mulher.
O loiro ergueu o rosto, seus olhos maltratados já estavam secos. Ardiam tanto que duvidaria que conseguisse chorar outra vez, mas obviamente voltaria a derramar lágrimas mais tarde.
Seus olhares chocaram-se novamente. O abismo negro nos olhos de Key fazia cada pelo do corpo de JongHyun se arrepiar. Não havia nada ali… Talvez tristeza. Acometida, aceita, constante. Faltavam coisas muito importantes. Não havia vida ali… Era apenas o nada.
JongHyun, por sua vez, despertou algo semelhante em Key. Seus olhos vermelhos e inchados pelo choro pareciam desesperados… Mas brilhavam. Havia fogo, havia esperança… Havia tudo que Key já perdera. Aquele pensamento quase fez o gótico sorrir em melancolia, na verdade, sorriria, caso se lembrasse como o fazia.
Como da primeira vez, o contato não durou muito. Foram frações de segundos que se equiparavam a horas de conversação.
Então, o moreno baixou o rosto e virou-se, seguindo um caminho desconhecido por aquele local. O sobretudo esvoaçava com seus passos, mancando-os como sua sombra. A neve caía branca à sua volta e o cinza das residências dos mortos combinava com seu movimentar negro, completando a paisagem.
Monocromático.
Piscou atônito. Recompôs-se em um rápido movimento. Puxou suas vestes, retirando a pouca neve que havia voltado a acumular em seus ombros largos. Seus olhos voltaram ao caminho escuro seguido pelo outro. Não havia mais sinal dele.
Suspirou pesado, seu coração parecia que estava voltando a ser esmagado. Não se lembrava de quando havia aliviado aquela dor, que agora estava tão presente. Sentiu-se sufocado.
Rogou que sua alma também não fosse sugada pelo buraco negro que parecia existir em seu estômago agora. Tudo revirava.
Era a sua realidade.
Estava definitivamente sozinho.
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