Número 32 - Porque Nunca É Tarde Para Descobrir
9 Não Preciso Responder
Notas iniciais
“-Só me prometa que não vai embora.
–Nunca.”
Os dias foram se passando e comecei meus treinos com o Vítor, ele era cavalheiro, carinhoso, calmo, lindo... Um imperfeito. Quanto aqueles que eram iguais a mim: A cada reunião eu encontrava mais pessoas com pensamentos em comum e perfeitamente distintos e inteligentes.
Nos primeiros dias de treino eu me cansava demais e não conseguia acompanhar o ritmo dos outros. Foi aí que Vitor me pegava uma vez por semana para um treino particular e fui aos poucos pegando o ritmo dos treinos em grupo. O bom dos treinos é que chegou em um nível em que ninguém era melhor do que ninguém porque todos eram fisicamente idênticos, já nos treinos mentais aqueles que nasceram com um QI maior se saiam um pouco melhor.
Os treinos físicos consistiam na prática com armas de fogo, lutas corporais, corridas, musculações e teatro para auxiliar na proteção de nossas identidades. Os treinos mentais consistiam na resolução de problemas matemáticos e enigmas, táticas de guerra e decifrações de senhas.
Um dia durante uma corrida do treino em grupo eu tropecei em algo e caí. Todos me encararam e uma menina que estava do meu lado disse:
–Vitor, tem certeza de que ela é uma de nós?- Ele me ajudou a levantar.
–Erros acontecem, Fabiana.
–Para nós não.
–Então ela está de parabéns por ter cometido um erro, não é para isso que estamos lutando, a possibilidade de errar?
–No caso você está lutando para manter a sua queridinha a salvo.
–Você sabe muito bem que isso não é verdade, eu luto por todos... Assim como você.
–Não, Vitor, Eu luto por você! – Vitor ficou em silêncio e me tirou de lá.
***
–Vitor, o que foi aquilo?- Perguntei à ele.
–Fabiana? Me desculpe .Ela é minha ex-namorada.
–Como?
–Eu namorei com ela logo depois de tudo acontecer. Nós dois formamos o grupo juntos. Aquilo foi só uma crise de ciúmes.
–E eu corro algum perigo de vida? – Ele riu.
–Corre, mas não por causa dela.- riu mais uma vez.- Vamos, vou te deixar em casa.
Ele colocou o casaco de couro preto, dois capacetes e montamos na moto dele. Chegamos em casa ainda cedo, eu desci enquanto ele dava uma volta no quarteirão e entrava pelos fundos como sempre. Nesse meio tempo abri o computador para checar a lição do dia seguinte. Vitor entrou e me puxou pra deitar na cama, estávamos nos beijando quando o computador começa a fazer barulho. A foto de Pedro aparece na tela:
–Posso atender? Juro que não vai demorar.
–Claro. – Fui até o computador e atendi a chamada.
–Fala, Pedro.
–Até que enfim você atendeu, meu amor, eu estou a semanas tentando falar com você. Olha, me deixa explicar. Eu sei que eu errei, mas eu fiz tudo isso por amor... Porque eu sentia a sua falta.
–Pedro, em primeiro lugar não me chame de “Meu amor”, -disse já engolindo o choro- em segundo eu não acredito em você. –Ouvi um barulho atrás de mim. Vitor havia sentado na cama, agora ele estava visível para o Pedro.
–Mas, Mirra, Eu juro que não fiz por mal... Da primeira vez que eu fiquei com ela eu estava beba... Espera, quem é esse Mirra?
–Eu sou o namorado dela. – Respondeu Vítor sentando mais pra ponta da cama, me abraçando e beijando meu pescoço. – Agora se nos dá licença, nós estávamos ocupados.
–Mas, Mirra,você disse que...-
–Nós dois dissemos coisas que não eram verdade. – E desliguei a chamada.
Vitor me soltou e foi um pouco pro fundo da cama. Abaixei a cabeça e fiquei alguns segundos em silêncio. Ele se pronunciou:
–Quer falar sobre o assunto? –Levantei a cabeça, sorri e fui até ele.
–Quer dizer que agora somos namorados? –Perguntei brincalhona.
–Só se você quiser... –Respondeu me encarando sério.
–Nem precisa perguntar. –Respondi beijando-o
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