Número 002

9 O Rei Desperta.


Notas iniciais
Eu acho que o nome do capítulo já é explicito o suficiente não é? Esta na hora do dom do nosso querido Akise despertar, agora ele vai precisar entender se esse poder é para o bom ou para o mal. Desculpe-me por esse pequeno spoiler antes de vocês lerem o capítulo, mas eu acho que isso deixará vocês curiosos, HAHSUHAUSHUAH. E desculpem-me também pelo capítulo em si, eu sei que ele ficou pequeno e sei também que poderia estar bem melhor, mas me aconteceram algumas coisas na minha vida pessoal hoje que me deixou meio preocupado, meio pra baixo, entre outros, mas isso não vem ao caso. Divirtam-se com a leitura. Beijão.

Gai olhou com raiva pra mim e então desviou seus olhos novamente me ignorando. Ele não tirou seus olhos de Kun. Olhei dele pra Kun e vi que Kun começava a sentar. O apoio que ele tinha pra segurar no chão, já que lhe faltava uma perna agora havia quebrado.

– Então você me trocou por outro melhor amigo? – A voz de Kun soou divertida, mas eu sabia que ele estava com raiva.

Fiquei em silêncio, não responderia aquela provocação, não mesmo. Ele tinha tentado me matar a menos de 3 minutos atrás e agora estava mostrando ciúmes da minha amizade com Gai?

Gai começou a tirar o grande machado que ele carregava nas costas.

– G-Gai, o que você vai fazer? – Eu comecei, mas em vão. Gai sequer olhou pra mim.

– Gai... – Comecei então me levantei do chão rapidamente e me coloquei entre Gai e Kun.

– Akise... – Gai bufou com raiva.

– Você está maluco? – Eu perguntei baixo.

Olhei nos olhos vermelhos de Gai. Os seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo mal feito. Ele vestia uma regata preta colada ao seu peito definido. Ele me olhou nos olhos fixamente. Sua raiva parecia diminuir, mas então ele se mostrou com mais raiva ainda. Ele caminhou na minha direção.

– Gai... – Eu comecei novamente, ele tinha que me ouvir.

– Você não sabe as porras que esse filho da puta estava pensando em fazer com você, Akise. Quando eu consegui te rastrear pelos pensamentos dele... – Ele pausou. – Sai de casa feito um louco, achei que não fosse dar tempo.

– Gai, mas matar ele não é necessário. Eu sei que Kun não é uma má pessoa. – Eu disse baixo.

Gai gargalhou alto.

– Se você pudesse ler os pensamentos dele, não pensaria dessa forma. – Gai disse sério e me olhou, então seus olhos se arregalaram. – Abaixe-se! – Ele gritou.

Mas não tive tempo, Gai me puxou pro chão e eu bati no mesmo com força e então senti o peso do corpo de Gai cair sobre mim. O que? O que tinha acontecido? Senti então um líquido quente tocar minha mão, levantei rapidamente e olhei minha mão. O líquido era espesso e na cor vermelha. Não, era sangue. Comecei a entrar em desespero. O sangue vinha de Gai. Se demora virei o corpo de Gai e uma faca pequena tinha sido cravada em eu abdômen. Gai gemeu.

– Gai... – Eu comecei tentando manter a calma. – Não se mexa!

Gai sorriu da maneira que ele sempre fazia, mas não conseguia esconder a dor que estava sentindo.

– Fuja Akise! – Gai disse sério. – Confie em mim e fuja Akise!

Olhei nos olhos de Gai. Ele estava mesmo se entregando a morte para me salvar? Ele estava louco? Olhei no fundo dos seus olhos.

– Eu não vou a lugar nenhum sem você! – Disse baixo.

– Ah que cena linda. Akise está apaixonado pelo garoto de cabelos negros! – Kun disse rindo.

Olhei pra ele, a raiva agora começava a tomar conta de mim.

– Arranque... – Ouvi a voz de Gai e então me virei pra ele novamente. – Arranque a faca de mim, Akise! – Ele disse.

– Eu não posso fazer isso... – Comecei!

– Agora! – Gai gritou de dor.

A risada de Kun entrou pelos meus ouvidos como se fosse ácido.

Segurei a faca com as duas mãos, fecheis meus olhos e puxei com força. O som da faca sendo arrancado me deu ânsia de vômito, mas eu não podia me dar a esse luxo agora.

Kun me olhou nos olhos e sorriu.

– Você sabia que eu fui o vencedor desse jogo idiota na versão beta, Akise? – Ele me perguntou sorrindo. Como ele sabia disso? Olhei feio pra ele. – Ahhh então você sabia? – Ele gargalhou.

Fechei meus olhos segurei a faca suja de sangue com mais força. Abri meus olhos e então olhei pra Kun novamente.

– Você merece morrer, Akise. – Kun disse. – Você sabia que... – Ele começou mas então Gai falou alto.

– Não se atreva! – Gai gritou.

– O que? – Eu desviei o olhar de Kun pra Gai.

– Akise, saia daqui, fuja... – Gai disse.

– Ah que lindo você ainda continua tentando salvar esse moleque mesmo sabendo a verdade? – Kun disse e logo depois gargalhou.

Qual verdade eles estavam falando? O que eu era? Por que todos me odeiam?

– Você tem que morrer Akise. – Kun disse.

Sem mais demora levantei do chão e parti pra cima de Kun, ele interceptou a faca com sua lança de duas pontas e riu.

– Acha mesmo que vai me deter com essa faquinha, Akise? – Ele perguntou e me olhou. – Viva! – Ele disse e garlhou.

– O-O que? – Eu disse baixo.

– O meu dom despertou, sabia Akise? – Ele sorriu maliciosamente. – Você quer descobrir qual é ele?

– A-Akise! Saia de perto dele... Agora! – Gai gritou.

Afastei-me rapidamente de Kun e olhei pra ele. Seus olhos vermelhos começaram a brilhar. Kun riu de forma bruta e malvada.

– Depatures Ni Hell. – Kun disse lentamente.

Então ouvi sons altos e o chão começou a tremer, olhei pra Gai. Ele parecia tão assustado quanto eu. Kun me olhou sério e então riu.

– Eu sou o rei dos titãs, Akise. – Ele riu. – Parece que temos algo parecido, majestade!

O som começou a ficar mais alto e o som tremer. Então eu vi três gigantes se aproximar de nós. Os gigantes eram marrons e tinha cabelos vermelhos iguais os de Kun. Os gigantes corriam.

– Porra! – Gai gritou.

– O que você fez... – Eu comecei.

– Você irá morrer majestade. Isso tudo é culpa sua. Tudo aqui é culpa sua. – Kun disse sério e então começou a se afastar. Kun se arrastou no chão e sua perna começou a jorrar sangue, eu queria fechar meus olhos e não ver aquela cena horrível.

– Kun... O que você vai fazer? – Eu perguntei baixo.

Kun continuou indo em direção aos titãs e então um dos titãs o pegou pela mão gigante.

– É hora de você morrer, Akise. Eu vou te fazer alimento de gigante. – Ele gargalhou.

Então era isso? Eu iria morrer sem saber a verdade? Eu iria morrer daquela forma e pelas mãos de um cara que eu chamei de amigo a vida inteira? Eu não podia deixar isso acontecer, não só por mim. Mas por Gai... Gai tinha arriscado sua vida indo atrás de mim até ali, e iria ser pisado ou virar comida de gigante? Eu não podia deixar isso acontecer. Fechei meus olhos e senti tudo começar apagar.

“Viva!”

“Acorde, Akise”

“Viva!”

“Mostre para o mundo o seu poder.”

“Viva!”

“Você vai deixar essa pessoa qualquer vencer você, majestade?”

“Viva!”

“Acorde, majestade!”

Uma voz masculina começou a soar em minha cabeça. O que era aquilo?

“Viva!”

A voz disse baixa e se calou.

Abri meus olhos e quando dei por mim minha espada estava em minha mão. Pelo que eu lembrava não tinha a pegado das minhas costas. O que estava acontecendo?

“Está na hora, majestade. Esse é o momento.”

A voz falou dentro da minha cabeça.

– O-O-O que? – Eu perguntei.

“Feche seus olhos, majestade. Deixe seu poder despertar...”

Fechei meus olhos sentindo tudo apagar.

“Agora, majestade.”

A voz se calou e eu abri meus olhos, o corpo era meu, os pensamentos eram meus, mas na verdade não era eu. O que tinha acontecido. Parecia que eu estava vendo tudo de longe, que eu estava assistindo meu corpo de fora dele.

– Kun! – Eu disse. – Se tem alguém que vai morrer aqui é você!

Kun gargalhou e então seu corpo se fundiu com o gigante.

– Akise? – Gai me chamou.

“Está preparando, majestade? Esse é o momento de você deixar a coroa da culpa tomar conta...”

A voz masculina disse mais uma vez.

– Eu aceito! – Eu disse firme e sério. – Eu aceito a coroa do pecado.

A espada que estava em minha mão começou a brilhar e então minha mão grudou na espada. A espada ficou maior e mais pesada, mas não era incomodo, minha mão e a espada eram uma coisa só.

– Você vai morrer Kun! – Eu disse sério.

A risada de Kun soou misturada com a do gigante.

Eu sorri de forma maliciosa, e então joguei meu braço de lado sentindo a espada parecer mais leve, comecei a correr na direção de Kun, mas outro gigante entrou na minha frente.

– Argh! – Eu gritei com força e saltei. Nunca me imaginei saltando tão alto daquela forma. Acertei o gigante com minha espada e o mesmo cambaleou para trás. Eu sorri e então ataquei com minha espada de novo, bati a lâmina na cabeça do gigante e puxei pra baixo cortando o gigante ao meio, sangue começou a jorrar, mas o sangue não parecia me sujar.

Outro gigante me atacou. Sorri. Fechei meus olhos e corri em direção ao gigante, tomei impulso e saltei, cravei minha espada no estomago do gigante e então atravessei o mesmo até o outro lado. O gigante dessa vez não sangrou, se transformou em um pó vermelho e desapareceu.

– Esse é o fim do jogo, Kun! – Eu disse sério.

O gigante tentou correr, mas eu corri e passei a espada na perna do gigante. Comecei a passar a lâmina repetida vezes rapidamente na perna do gigante e o mesmo caiu no chão de joelhos... Olhei pra cima pra ver os olhos do gigante. Eram os olhos de alguém que eu conhecia, mas nesse momento não tinha importância eu só precisava matá-lo. O gigante então começou a diminuir. E voltou a ser Kun, olhei pra ele e sorri maliciosamente.

“Mate-o, majestade!”

– Mate-o! – Repeti e sorri.

– A-Akise! – Kun começou.

– Fim de jogo pra você, Kun. Os espectadores devem estar indo a loucura nesse momento. – Eu disse sério.

Sorri e sem mais demoras passei a lâmina da minha espada no pescoço de Kun.

O sangue de Kun se espalhou e ele caiu pra trás. Sua boca se abriu em um sorriso e então seus olhos se fecharam. Olhei pra ele, e então senti minha mão soltar a espada e a mesma cair no chão.

– G-Gai! – Eu comecei baixo.

Então me virei e encarei Gai que estava me olhando com os olhos vermelhos arregalados.

– Eu não vou te machucar... – Eu disse sério e comecei a caminhar lentamente na direção de Gai.

– Então é verdade... Você tem realmente a coroa do pecado. – Gai disse baixo.

“Viva!”

Eu não entendi o que Gai disse sobre coroa do pecado, mas naquele momento eu me senti um rei. Eu senti a força de um rei, eu sabia que algo tinha mudado dentro de mim, só precisa entender se era pro bem ou pro mal. Eu tinha força, eu tinha poder, e de certa forma eu sabia que tinha muita importância nesse jogo, eu só precisava descobrir o porquê. Mas isso no momento não importava.

“Não tenha medo majestade, nós vamos vencer esse jogo.”

Olhei pra Gai e então me ajoelhei na sua frente, segurei sua mão e olhei em seus olhos.

Então repeti.

– Nós vamos vencer esse jogo, Gai!