Número 002
15 Conhecendo a verdade. Tudo mudará?
Eu senti vontade de rir.
Eu comecei a rir.
Eu ri até meu estômago doer.
Gai só poderia estar louco, ou aquilo não passava de uma brincadeira de mal gosto. Eu? Akise Kane! Criador de todo esse jogo?
Continuei ajoelhado no chão enquanto ria. Gai olhou para mim, e eu parei de rir por um instante e encarei seus olhos.
– Acabou? – Gai perguntou sério.
– Você está me zoando, certo? – Eu perguntei meio estranho depois de tanto rir.
– Eu queria estar brincando. – Gai disse sério. – Akise? – Ele me chamou.
Virei meu olhar novamente pra ele.
– Junte uma coisa à outra! – Gai disse sério.
Fiquei em silêncio.
– Eu posso explicar ou você vai continuar rindo? – Gai disse e se calou. Ouvimos outra explosão. – Não temos tempo, e então?
Eu balancei a cabeça afirmativamente, eu queria ouvir o que ele tinha pra dizer.
– Akise Kane Pavlov. – Gai disse sério.
Eu tinha ouvi esse sobrenome, mas onde... Então eu lembrei.
“– Wesley Pavlov é o homem mais rico do mundo. E tentando ajudar a acabar com as guerras, resolveu usar sua riqueza para diminuir isso. Mas não ache que ele deu o seu dinheiro de graça. – Ela riu pensando e então me olhou. – Em troca do dinheiro ele queria crianças e jovens para o seu grande jogo. Alguns países no mundo sentiram-se ofendidos com esse ato cruel e se recusaram a participar dessa coisa. Mas a maioria aceitou principalmente o povo americano. Eles venderam seus filhos por dinheiro, água, comida, segurança e um lar.”
Wesley Pavlov o criador do Jogo Número 002. O que meu sobrenome tinha haver com isso? O que tinha haver com ele? Por que eu não lembrava de ter esse sobrenome?
– Você deve estar confuso, certo? – Gai sondou minhas expressões. – Wesley Pavlov, o seu pai, Akise!
Aquilo me chocou ainda mais...
– P-Pai? – Eu perguntei sério.
– Isso mesmo, o seu pai. – Gai disse baixo. – Eu vou explicar tudo, peço que preste atenção.
Confirmei com a cabeça.
– Lá fora, não tão longe desse jogo, as coisas não estão boas, as maiores potências mundiais caíram, a água acabou. Você consegue compreender o que é não ter água suficiente, Akise? Apenas os que possuem dinheiro ganham essa dádiva. E pra piorar o que todos chamavam de aquecimento global, tomou conta de tudo, a temperatura subiu bastante, explosões solares, queimadura, incêndios alarmantes, estava e agora continua um verdadeiro inferno. Mas todos lutam para sobreviver da maneira que pode. Imagine o que a falta de água fez com o mundo. Alguns com água e outros não. Foi assim que começou a terceira guerra mundial. Você está conseguindo compreender, Akise? – Gai me perguntou sério. – Vamos continuar. O seu pai, não tinha tempo para você. A propósito, a garota que você chama de irmã, não é sua irmã, inventaram isso para te dar algo por quem lutar, pelo menos foi o que eu entendi. Mas não vamos desviar do assunto. Ele, o seu pai estava ocupado demais tentando controlar a situação. Então você! – Gai deu ênfase no você. – Criou esse jogo de merda. Você queria chamar a atenção do seu pai, queria que ele te notasse, e para isso criou essa porra. – Gai começava a se alterar.
– G-Gai! Eu... – Eu comecei baixo.
– Desculpe, vou me controlar. – Gai disse seco. – A principio você só queria a atenção do seu pai. Então selecionou, e comprou crianças para essa merda toda. Imagine pessoas precisando de dinheiro, comida, abrigo, e água. Vender seus jovens filhos não seria tão ruim assim. Então você conseguiu comprar jovens e os colocar nessa merda chamada Número002. Mas as coisas não saíram como você esperava. Realmente você chamou atenção do seu pai, mas não apenas a dele. Outros países adoraram a sua idéia. Então seu pai, o grande Wesley Pavlov começou a tomar conta de tudo. Tudo ia numa boa. Então uma doença começou a se expandir pelo mundo. A alta temperatura fez com que a doença se espalhasse mais rápido. Muitos morreram. E o intuito do seu jogo... – Gai cuspiu a palavra jogo pra mim. – mudou. O seu pai e alguns cientistas decidiram que nós seriamos a cura. Como seriamos a cura? Não sei. Eles evitam pensar nisso, eles não contam nada sobre isso. Ainda tento entender qual é a doença. Mas eu não sei Akise. Não tenho essas informações elas não chegam a mim...
– Gai, eu... – Comecei.
– Então eles resolveram que o criador deveria participar... – Gai riu. – Eles queriam você aqui dentro Akise. Eles precisavam de você aqui dentro para alguma coisa. O seu pai não aceitou é claro. Nunca que ele aceitaria arriscar a vida do filho. Então a coisa mais difícil nesse jogo começou. Os estudos, as pesquisas, até que eles conseguiram. – Gai gargalhou. – Eles criaram uma réplica perfeita, um clone perfeito de Akise Kane Pavlov. – Gai olhou pra mim. – Eles criaram você...
O que? Não!
Que porra estava acontecendo?
Que loucura era essa? Que droga o Gai estava falando?
Porque ele estava inventando tudo isso?
Não, a maior mentira vinha da boca que quem eu confiava.
Ou ele estaria certo?
Então eu me lembrei do que tinha ouvido em minha cabeça.
“Eu já disse, majestade. Eu sou você!”
Gai pareceu perceber que eu estava confuso.
– Não estou mentindo, Akise. Junte todas as peças. As coisas vão começar a fazer sentindo. – Gai disse ainda mais sério.
– Mas se isso é verdade... – Eu comecei.
– Não me pergunte o porque eu tenho o dom de ler os pensamentos deles. Se bem que nessa situação que chegamos, acho que isso faz parte de algum plano. Acho que sempre fez. Eu saber algumas coisas deve sempre ter feito parte disso. Eles precisavam de mim pra contar pra você hoje. – Gai disse sério. – Nos últimos dias, desde que você entrou no jogo. Eu sempre escuto eles dizerem que as coisas vão mudar Akise. E eu não consigo entender o que isso significa, mas depois das explosões de hoje, tenho quase certeza que as coisas vão mesmo mudar.
Olhei para Gai. E então desviei os olhos para meu braço.
“Yuno Kane” Estava tatuado em meu braço. Aquilo era mentira? Eu não tinha laços reais com essa garota? Eu não era real? Eu era apenas um fantoche? Quem eu era?
– Espere... Você disse que eu sou um clone. – Eu comecei.
– Sim! – Gai disse seco.
– O meu dom... Depois do meu dom, eu posso ouvir uma voz em minha cabeça. Essa voz me diz o que fazer e...
– Akise. – Gai pareceu pensar. – Deve ser o verdadeiro, Akise. – Gai conclui. – Quando eu soube que você viria pro jogo, eu espalhei a todos que poderíamos nos vingar de você. E todos criaram a raiva que tem de você. Todos descobriam o que você tinha feito, e estavam ansiosos para que você chegasse até mesmo eu. Eu queria lhe matar com minhas próprias mãos, mas um dia antes de você vir. Eu descobri que você era diferente do original. Que você tinha a pureza que o Akise não tinha. Ele se tornou cruel, ele se diverte vendo os jogadores morrerem, ou se matarem, mas você... – Ele me olhou. – Você é diferente.
Eu fechei meus olhos e olhei para baixo querendo segurar as lágrimas.
– Akise... Então eu comecei a tomar conta de você. E eu... Eu acredito que você é diferente, eu vejo que você é bom! – Gai disse sério.
Gai começou a caminhar em minha direção.
– F-Fique longe! – Eu disse sério.
– Akise, não... – Gai pediu baixo.
– Quem sou eu? O número 002? Eu sou realmente o número 002?
Levantei e olhei Gai nos olhos.
– As coisas vão mudar. O Akise... – Então lembrei que nunca tinha falo sobre isso com Gai. – Eu ouvi na minha mente, tudo vai mudar, Gai.
– Já mudou, Akise! – Gai disse sério.
– Eu preciso ir. – Eu disse sério.
– O que? – Gai disse sério.
– Eu vou embora. E por favor... – Eu comecei a falar. Mas não me contive, abracei Gai com força e quando dei por mim, meus lábios e os dele, juntos, quentes e macios, nós nos beijamos. Afastei e encarei seus olhos. – Viva, por favor.
Afastei-me de Gai e sai do quarto. Eu só queria pensar, pensar em tudo que havia acontecido.
Fale com o autor