Acordei todo desarrumado, blusa torta, o cabelo fazendo contato com algum satélite, ah como é bom ser desorganizado por alguns momentos.

Me dirigi para a janela, afastei a cortina e dei uma olhada. Paris é realmente a cidade-luz, muito bonita de dia, linda de noite. Tomei um banho demorado, lavei meu cabelo, sai, me vesti com uma calça jeans, uma blusa social preta, tênis All Star e um moletom. Me olhei no espelho e me aprovei, olhei a hora.

1:15 horário de Paris. Antes de sair troquei o moletom por um blazer e um cachecol.

Antes de sair do hotel, perguntei por um bom lugar para ir a noite pro gerente do hotel, o qual me respondeu com o endereço de um lugar chamado “Dinastia” em francês.

Quando cheguei fiquei meio decepcionado, eu esperava um bar, o tal “Dinastia” era uma boate. Respirei fundo, engoli toda a minha calma, orgulho, seriedade e entrei no local.

As luzes, a musica... uh, já tinha um bom tempo que eu não entrava em um lugar como aquele, na verdade á uns anos já que eu evitava esses lugares.

O que eu não tinha reparado era no segurança, ele me barrou na parte de dentro, mostrei minha carteira de identidade, ele me deixou passar enquanto todos na fila me xingavam em francês.

Recomecei a andar naquele lugar, olhei em volta e então vi uma mulher que realmente me chamou atenção. Fui ao bar pedi um uísque em gelo, e uma margarita, me virei na direção da mulher, e percebi que tinha um cara dando em cima dela. Até pensei em não ir, mas há, porque não?

- Boa noite, Srta. LeCour, não entendi porque quis ter uma reunião aqui, mas vejamos... Foi assédio, sexual não foi?. – Falei em francês olhando para a mulher, que estava sentada, e ignorei o homem, qual ela o encarava com um olhar debochado.

A mulher ficou um pouco espantada, mas quem correu mesmo foi o homem.

O meu mini-mim sorriu descaradamente.

- Eu não sei se te agradeço ou se jogo esse copo de dry Martini na sua cara. – Ela falou cruzando as pernas, e ajeitando o seu cabelo loiro escuro atrás da orelha reprimindo um sorriso.

- Você pode fazer o que quiser, sei que eu pelo menos, estou bem satisfeito por aquele cara não estar mais aqui. – Falei deixando o uísque e o Martini em cima da mesa de onde ela estava sentada.

Ela me encarou e me analisou por alguns segundos – o que julguei um tempo muito curto a considerar que estava escuro e as únicas luzes eram luzes eletrônicas. – Você não tem cara de quem anda em lugares como este. – Disse ela finalmente.

- O que você quer dizer com isto?. – Perguntei intrigado, claro eu sabia disso, mas porque os outros pensavam isso?.

Ela respondeu, só que eu não consegui escutar, queria eu que tivesse sido por causa do barulho da boate. Alguém se esbarrou em mim.

- Oi, você!. 13C!

Me virei para confirmar que era ela mesmo. E lá estava, seu cabelo platina, liso impecavelmente arrumado, ela usava um short preto provavelmente de seda, uma blusa de botão para dentro do short. Talvez ela fosse um pouco alta mesmo, estava parada acima do meu ombro.

- Você a conhece? – Perguntou a outra loira sentada no sofá.

- Conheci... – Falei sem graça, enquanto 13B segurava minha mão. – Eu vou ver com quem ela está. Foi um prazer te conhecer.

- Meu nome é Gabrielle Stamos. Prazer em conhecer você também.

Lhe dei um aperto de mão, e ela colocou um papel na minha mão, o qual rapidamente coloquei dentro do bolso do blazer.

- Com quem você está aqui?. – Perguntei agora gritando já que 13B tinha me puxado para o meio da pista de dança, onde estava lotado.

- Com uma pessoa. – Ela respondeu gritando, e sorrindo faceiramente.

- Que tal você voltar para essa pessoa?.

- Eu quero ficar, aqui, com você.

- Mas eu não to afim de ser babá de gente bêbada.

Ela fez um passo de dança, rodou e veio ao meu encontro, eu segurei seu braço com força.

- Você escutou o que... – Eu tentei falar.

- Quem disse que eu estou bêbada? – Ela gritou se desvencilhando de mim.

Ela voltou a segurar minha mão e dessa vez me arrastou para fora da boate.

- Estamos fugindo de alguém?.