Nós Estávamos Lá
9 Capítulo 9
Capítulo 9
Quarta-Feira
“Lucca!” — murmurou Olívia assustada.
O jovem a pressionara contra a parede, os punhos de Luca fechavam-se sobre os braços finos de Olívia. Ele a mantéu imobilizada por alguns instantes.
“O que está fazendo?” — indagou impetuosamente tentando se soltar.
Olívia e Lucca se encararam por um momento, o que para Liv pareceu ser um longo tempo. Ela sentia o ritmo acelerado de seu coração, assim como sentia o movimento da respiração do irmão. Seus olhos descruzaram quando uma moça jovem e uma menina de longos cabelos ruivos passaram por eles indo em direção ao banheiro.
Lucca olhou timidamente para o chão e quase que imediatamente soltou os braços de Olívia.
“Desculpe Livie” — sussurrou apreensivo — “Pensei que não estivesse passando bem”.
“Eu estou bem” — mentiu Olívia, escondendo um soluço.
Lucca sorriu pelo canto dos lábios enquanto negava penosamente com a cabeça.
“Está mentindo” — afirmou ele desapontado — “Por que está me ignorando desde que cheguei? Essa não é você”.
Os punhos de Olívia se fecharam, seu corpo rígido exprimia o que não era de sua personalidade. Repulsa e irritação eram sentimentos que ela pouco sentia até a vinda do irmão. Por que Lucca exigia resposta se nem mesmo ele era capaz de dar um retorno as indagações de Liv. Para Olívia todo aquele estranhamento que ela sentia pelo irmão era demostrado claramente enquanto ele continuava com o comportamento totalmente incabível. Lucca parecia ignorar ou se quer ter noção do significado da palavra irmão. Ela não o conhecia e tinha certeza de que ele também não sabia nada sobre ela. Não podia exigir ou impor nada a respeito de quem era ela.
Liv riu de nervoso.
“Você sabe quem sou eu?”
“Sim” — afirmou consternado — “Eu sei muito bem quem você é”.
“Não. Não sabe”.
Olívia sentiu o breve susto que Lucca levou quando ela claramente negou com a voz demasiadamente aguda.
“Sei. Eu sei sim” — replicou ele sem tirar os olhos dela.
A jovem suspirou frustrada.
“Eu sou sua irmã Lucca” – murmurou ela secamente — “Por que você fez aquilo? Se sabia tão bem assim quem eu era?”
Os olhos de Olívia lacrimejavam.
“Não vamos falar sobre isso aqui”. — anunciou Lucca notando o movimento maior de pessoas no café.
O irmão deu um longo suspiro e abraçou Olívia. Ele a envolveu em seus braços e delicadamente deu um beijo em sua testa. Passou a mão pelo cabelo loiro da menina e murmurou para que apenas ela ouvisse.
“Bonita”.
Liv não queria ter repulsa por Lucca, não queria ficar irritada com ele e nem que ele ha visse chorando. Sentiu-se como um bebê envolvida por uma pessoa mais velha. Aquecida. Ali. Naquele lugar. Nos braços de Lucca, sentiu os discordantes pensamentos que começavam a surgir em seu interior.
Lucca abruptamente a largou e deu dois longos passos para trás quando um casal passou indo em direção ao banheiro.
Olívia limpou as lágrimas com a manga da blusa. Ela recompor-se rapidamente antes da chegada de uma preocupada Beatriz.
“Você está bem? Fiquei apreensiva já que estavam demorando”.
“Está tudo bem” — escondeu um soluço.
“Seu irmão ficou preocupado com você quando saiu da mesa. Pensamos estivesse passando mau” — confidenciou a amiga.
“Não se preocupe Bea. Lucca é apenas preocupado demais comigo”.
Lucca assentiu timidamente. Ele corou quando os olhos deles se encontraram.
Olívia e Lucca não trocaram palavras durante o tempo restante em que ficaram no café da Dona Nona. Olívia também não se importou com Caroline tentando dar em cima de Lucca e fazendo diversas perguntas das quais o jovem respondia secamente sem nenhum interesse. Estranhou apenas o comportamento de Daniel, diferentemente das outras vezes, ele estava bem reservado. Liv terminou seu café tranquilamente e nem pensou em incomodar-se quando Daniel ofereceu para pagar pelo seu lanche.
Era tarde quando eles saíram do café.
Lucca não se aproximou da irmã enquanto eles caminhavam. Ele mostrava-se interessado em alguma história que Caroline contava para ele e Beatriz. Alguns passos mais atrás Olívia e Daniel caminhavam em passos lentos.
“Fico feliz que tenha vindo” — anunciou Daniel.
Olívia consentiu.
“Ah..” — começou ele — “Minha mãe vai fazer um jantar beneficente neste Domingo. Eu entendo que seja um pouco em cima do horário… Gostaria de saber se você poderia me acompanhar?”.
Liv organizou os pensamentos. Já havia escutado muitas coisas boas a respeito da mãe de Daniel, da família de Daniel. Eram uma família tradicional e de costumes, na maioria das vezes, envolvidos em eventos para o bem-estar da sociedade.
“Eu adoraria Daniel” — respondeu.
Seria bom ficar longe de casa por um tempo, conhecer novos rostos. Depois de tudo que acontecera naquela semana, para Liv aquele jantar havia vindo em uma ótima hora.
“Infelizmente eu não tenho nem um convite comigo agora” — comunicou – Mas eu posso entregar um amanhã”.
Olívia concordou satisfeita.
Os irmãos não mencionaram nem uma palavra quando seguiram juntos para casa. Nem quando Beatriz e Caroline seguiram duas quadras a frente, ou quando Daniel virou a esquina uma quadra antes. Estava escuro, exatamente como no dia em que se conheceram, em que Lucca a beijou pela primeira vez. Olívia contava os carros que passavam em números ímpares. Lucca colocará seus fones de ouvido. Eles caminhavam no mesmo ritmo, e embora perto um do outro, Olívia sabia que estavam muito mais conectados do que parecia.
Foi algumas quadras antes de chegar a casa de tijolos vermelhos que os esperava que Olívia sentiu os dedos gélidos de Lucca encontrar-se com os seus. Sem olhar para ela, o jovem abriu a mão e entrelaçou os dedos nela. Liv não soube como reagir. Seu coração palpitou quando sentiu suas mãos enlaçadas. Ela olhou em volta, na noite, não havia pessoas por perto. Não havia famílias, não havia mães com filhos. Nada a não ser o som dos animais noturnos e o vento. Eles estavam sós.
“Lucca..”. — sua voz rompendo o silêncio.
Ele ainda não dera respostas pelo ocorrido no café.
“Por favor Livie”…- começara ele — “Apenas desta vez, e eu prometo não tocá-la de novo”.
“Está bem” — murmurou.
Olívia soubera. Soubera naquele momento que Lucca não daria nenhuma resposta pelo motivo de tê-la beijado nem contado que sabia que era sua irmã. E se a única condição para parar com tudo isso fosse apenas dar as mãos. Então tudo estava bem e acabado.
Tragando o perfume que vinha do irmão, Liv fechou os olhos e deixou ser embalada pelo som da noite. Apesar da confusão de sentimentos em seu interior ela apreciou a tranquilidade. A tranquilidade que não sentia desde que o conhecera e que logo tornar-se-ia inquietação, quanto mais perto de casa eles chegassem..
Amedrontada ela trouxe a mão para si e Lucca rapidamente entrelaçou os dedos novamente.
“Só dessa vez…” — sussurrou em seu ouvido.
A mão trêmula de Olívia denunciou seu medo e a falta de clareza de seus pensamentos. Lucca compreendeu sorrindo pelo canto dos lábios.
“Ninguém vai notar – concluiu – não há ninguém aqui”.
Entrelace as mãos e tudo estará acabado.
Olívia respirou fundo e seguiu de mãos dadas com Lucca.
As luzes de casa estavam acesas. Ela sabia que Elisa já estava em casa e que Sophia provavelmente estava fazendo a lição.
Suspirou.
Em frente de casa os corpos de Lucca e Olivia se imobilizaram. Ela sentiu os dedos do rapaz se enlaçando ainda mais nos seus quando repentinamente a porta de entrada foi aberta.
Fale com o autor