Nínive

1 O vírus Hammelin


Notas iniciais
O contato dos lados

—_É um menino senhora !!! — disse o médico em meio sorriso...

Num dia da Pátria, na maternidade de Nínive, nascia Jonas. Sem tapinha ou risadas médicas. Só o silêncio pelo ser estranho. Estranho pelas características que o acompanhariam por toda a vida.

O amigo leitor tire suas próprias conclusões: traços afros bem delineados porém albino. Obeso, estrábico; fanho e gago. . . e ainda a sofrer financeiramente de dureza crônica.

Munido porém, de um saltado intelecto; talvez nisso compensado.

No geral, um ser magnetivo. Mas nada em termos de mulheres. Fazia palhaçadas como: O locutor gago ou o Radialista fanho do horóscopo. As pessoas quase o pagavam por isso. Tudo para desviar o foco de si, já não rindo dele, mas sim, junto d’ele.

Embora pareça atrasado, era um marco em sua geração tirar o segundo grau abaixo dos vinte anos de idade. Ele conseguiu; e almeja faculdade. Ciências políticas.

Assim era Jonas... Um homem de muitas guerras: as de seu mundo e as de um mundo em guerra, a que se apropria.

Mas com o tempo Jonas era alvo, de constante zombaria... A “aberração ambulante” agora era vista como um paranóico ou um conspiracionista.

Porém nutria um número crescente de amigos.

Jonas suspeitava, de um ataque em massa; por parte do governo à fins escusos; à camada menos favorecida da nação.

Era uma época onde as sujeiras Nínive, escumavam às nações, como um córrego sujo. E, possibilidades de engajamento a correntes simpatizantes.

Especulações visionárias, diziam ser esse o início de uma nova implementação comportamental em massa.

No princípio as grandes potências voltaram-se para o país, respeitando sua soberania, com elogios diplomáticos e tratando-nos de “igual para igual”. Nínive de fato, sentia-se: a “ Bola ” da vez. Aí vieram os investimentos, e, por conseguinte: tinham-nos em suas mãos. Seríamos seu grande laboratório experimental.

Dando início a uma série de ações conjuntas; envolvendo desde as fronteiras, a patentes de raríssimas ervas do Bio patrimônio. E principalmente; a privatização toda a água e petróleo do país. Sendo esta a maior reserva hídrica do mundo.

Mas, já dizia Maquiavel: “ Liderar, é fazer acreditar.”

Todavia, cuidando de que não notassem a movimentação; a parceria, junto ao aparelho repressivo, dava início ao plano maquiavélico. Ventilava pelos meios de comunicação: a certidão de “novos tempos”. Tempos de: “Ordem e Progresso”.

E para isso, o rumo coletivo de Nínive, sofreria sérios danos;

para que aos poucos e; a nível inconsciente. Se adequasse ao “Alvorecer de uma Nova Era”;

À atender a tal demanda, uma empresa, bélico-psíquica, instalou-se no país. Incumbida da devida cortina de fumaça: através de um rentável mercado fútil de sensações. Criando um Psico-vírus, letal e de fácil disseminação. Capaz de fazer toda uma nação; a mover-se como sendo um só homem. Seu nome: Hammelin. “Promovendo a estados mentais ou à finalidades de seu contratante.”

E Jonas, sensivelmente notara o levante crescente de tal, alienismo. Logo, instalara-se o caos nas instituições de ensino; o descaso e o idiotismo foram adotados em detrimento da educação e Instituições de ensino. Aos poucos, minaram o hábito da leitura, reduzindo-a a meras placas de trânsito ou no máximo, bulas de remédio.

Questionamentos e o poder de raciocínio; estavam de fato, com os dias contados. As próprias leis seriam um ataque direto a autonomia até então, soberana de professores e autoridades.

A culminância, seria: a implementação do emburrecimento; de forma discreta e maciçamente aceitável.

Nessa primeira etapa, a TV, a Indústria fonográfica; incumbiriam-se da missão. Tendo crianças, adolescentes e jovens; como alvos primários. A Internet, daria sua contribuição, como banca primeira de cadastramento Global. Investindo cada vez mais na vontade política; para a qualidade e presteza das Redes Sociais. Implementando e mantendo o modismo.

Em Nínive desde então; toda criança, ao iniciar seu primeiro ano fundamental; chegava a escola com uma bagagem equivalente a cinco mil horas, de exposição direta ao vírus Hammelin pela tv.

“O vírus, adequa-se gradualmente a idade hospedeira.

Atua no visual e auditivo como receptores de estímulos, que por via aferente,

conduz-se ao sistema nervoso central, inferindo decisões e gerando comportamentos.

Nos mais jovens, o comprometimento sensorial, os subjugam a um ciclo vicioso de sensações inigualáveis. E em sua plena época de descobertas, e a partir de seus apelos mais íntimos.”

O informe acima chegou a Jonas por um simpatizante anônimo infiltrado no governo. Nascia ali, Jonas; o militante.

Atos públicos, como fanzines, pichações e panfletagens, tomavam corpo junto a protestos. Mas nada comparado ao manifesto que tornaria a causa, mundialmente conhecida pelo In tube.

Onde todos riam daquela estranha figura obesa, gritando e fugindo dos seguranças. E caro leitor, acredite; o gosto sensorial das falas de Jonas nosso herói, sugerem ser imaginadas de de modo gago e fanho. A partir do trecho a seguir:

“ ___Eu questiono os milhões em pesquisa e implementação do vírus, na parceria científica com outros países, para o emburrecimento da nossa nação... e roubarem nossa água!!! Conhecimento é poder!!! Conhecimento... É poder!!! É o antídoto!!!”

Entre pegas e chutes, Jonas dissera isso, filmando-se em desabalada carreira, rumo a um táxi a serviço da causa, ao fim da reta principal da : República Federativa.

O coração do aparelho repressivo.

Horas mais tarde, jornais de vários estados, procuraram a emissora simpatizante da causa, a fim de obterem matérias ou cederem colunas ao movimento, ao qual Jonas gentilmente prestavam-lhe os dedos, alternadamente sob vários pseudônimos. Onde textos cáusticos como: “A nação emburrecida das Onomatopeias” Renderam-lhe a alcunha de: “ O Fantasma caustico.”

A ideia, era encontrar não infectados. Geralmente: Professores e mentes independentes; a fins de engajamento da causa. Em todo território nacional, haviam processos de avanço e em diferentes estágios.

O sintoma mais comum a todos: era a aguda sensibilidade por estímulos. Trocando o questionamento por sensações fúteis.

Desde “músicas” com duplos sentidos, a partir de trocadilhos ou onomatopeias. Repetidas como mantras, e a nível de exaustão. Em dados estágios; há apologia a desvalorização a da mulher e a banalização do sexo, além fomentação do crime e linguajar chulo.

Telemóveis pré-pagos, eram de longe; os mais competentes mantenedores, da música do governo. Junto a pequenas e portáteis caixas de som.

Lugares fechados e de mediana aglomeração; eram os alvos preferidos. Em todo o país, infectados impunham suas vontades em detrimento do direito alheio. Principalmente, nos coletivos urbanos. O povo gostava, o mercado abastecia e o " sistema "... o sistema batia palmas.

Devido a militância; declararam caça as bruxas, a quaisquer “insurgentes”, ou frentes de resistência. Principalmente ao Fantasma caustico. No caso: Jonas e seus amigos.