Não é tarde Demais
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Obs: Recomendo muito o livro que eu citei na fic.
Na manhã de segunda Demétria acordou com alguém batendo na porta.
Sonolenta e com raiva por alguém a estar chamando tão cedo ela arrastou-se da cama e andou até a porta, destrancou e abriu.
-O que você quer? – Ela perguntou olhando para Selena que exibia um lindo sorriso de bom dia.
-Querida você tem aula, precisa se arrumar.
-Que saco! – Ela bateu a porta novamente.
Olhou em seu armário ainda bagunçado e escolheu uma calça jeans, uma blusa branca e uma camisa xadrez.
Foi em direção ao banheiro e se arrumou.
Quando ficou pronta foi até a cozinha tomar café. O irmão não estava lá. Como no dia anterior seu café da manhã já estava pronto, ela se sentou e começou a comer.
-Seu material está na mesa da sala.
Nenhuma resposta. Selena já estava se cansando disso, apesar de usar de toda sua simpatia e tentar agradar a garota, ela não recebia sequer um sorriso ou um ‘’muito obrigada’’.
Quando terminou de comer Demétria se levantou e perguntou secamente como sempre:
-Então, onde fica essa escola onde me matricularam?
-Não se preocupe eu levo você. Pode esperar lá em baixo no carro que eu desço em um instante.
A garota pegou seus óculos escuros colocou os livros que estavam sobre a mesa da sala na antiga mochila jeans rabiscada e desceu.
As duas seguiram sem trocar uma palavra sequer dentro do carro. Quando estacionou em frente à escola Selena disse que mais tarde passaria para busca-lá.
Demétria ficou parada observando os prédios da escola e os alunos que entravam.
Atravessou os portões e podia sentir alguns olhares sobre ela, afinal era a aluna nova.
Andou diretamente para onde deveria ser sua sala de aula, sentou-se na última carteira e jogou sua mochila no chão do seu lado.
Algumas garotas se aproximaram. Só pelo estilo delas Demétria percebeu que nenhuma delas serviria para ser sua amiga.
A garota só tinha uma amiga que podia considerar a melhor: Emily Osment.
Desde pequenas as duas se conheciam. Emily conhecia Demétria quase tão bem quanto ela própria e além do mais tinha o mesmo tipo de gênio que ela.
Era uma das coisas de que ela mais sentia falta, conversar com alguém que a compreendesse.
Assim que as garotas chegaram em frente a ela uma delas, loira de olhos azuis e uma pele aparentemente tão macia que parecia seda se apresentou.
- Olá – A garota loira deu um sorriso impecavelmente branco – Sou Taylor Swift. Essas são Ashley Tisdale e Tiffany Thornton – Ela apontou para as outras duas garotas respectivamente – Então, qual é seu nome.
Demétria as analisou por um momento. Teve vontade de rir. Parecia até uma espécie de ‘’clube das loiras’’.
A segunda garota, Ashley tinha seus cabelos loiros lisos presos em um rabo de cavalo alto com uma franja de lado que lhe caia sobre o rosto.
A outra, Tiffany tinha os cabelos loiros soltos que lhe caiam em ondas pelos ombros.
-Demétria Devonne – Ela finalmente respondeu.
-Talvez você queira andar com a gente e se sentar-se à mesa dos populares e, se mudar um pouquinho esse visual até tenha um lugarzinho pra você na torcida – Disse Taylor.
-Desculpe, mas não pretendo me enturmar com os idiotas populares da escola – Demétria respondeu.
A garota pareceu seriamente ofendida, seu rosto se inundou de uma expressão de surpresa, afinal todas as garotas dariam tudo para receberem esse convite e ela ainda por cima as havia chamado de ‘’idiotas populares’’.
O trio de loiras virou as costas e saiu andando, mas não antes de Taylor dizer:
-Vai se arrepender por isso, novata – E muito.
Aquilo não incomodou Demétria nem um pouco.
As primeiras aulas se passaram e a hora do intervalo chegou. Não havia nada a fazer sem ser esperar que acabasse.
Enquanto estava sentada em um banco no pátio da escola, ela viu um grupo de garotos uniformizados indo em direção ao refeitório.
O que ia à frente era loiro, a garota se perguntou se todos naquela escola seriam loiros. Ele era bonito, mais nada que despertasse muito seu interesse.
Alguém sentou a seu lado no banco. Ela se virou para ver quem era.
Era um garoto de cabelos castanhos encaracolados, o que acabou com sua teoria de todos serem loiros. Ele tinha os olhos da mesma cor do cabelo e tinha um livro em suas mãos.
Assim que percebeu o olhar da garota sobre ele disse:
-Incomodo?
Ela deu de ombros.
-Sou Nicholas – Ele se apresentou.
-Demétria.
Por alguma estranha razão ela não tinha a mínima vontade se ser sarcástica ou agressiva com aquele garoto.
Ao olhar a capa do livro ela reconheceu, mais por via das dúvidas resolveu perguntar.
-O morro dos ventos uivantes? – perguntou a garota apontando para o livro.
-Sim, conhece?
-Já li.
-Na verdade eu já o li várias vezes mais não me canso.
Algum impulso, que ela não sabia de onde vinha a fez ter uma enorme vontade de recitar a parte que mais lhe chamava atenção no livro, o qual ela já havia lido muitas vezes também, então começou:
-‘’Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e, se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo...’’
Para sua surpresa o garoto continuou a recitar com ela, e juntos os dois terminaram:
-‘’se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. ’’
Inevitavelmente ela sorriu. Já até havia se esquecido a ultima vez que sorrira.
Então o sinal do fim do intervalo tocou.
-Em ano você está? – Nicholas perguntou
-Segundo.
-Sério? Eu também. Não tinha visto você na sala.
Demétria deu de ombros. Os dois seguiram juntos de volta a sala.
Quando a aula terminou, Demétria fez questão de falar:
-Bom te conhecer.
Apesar de preferir voltar sozinha, o carro de Selena já estava estacionado em frente aos portões da escola.
Assim como na ida nem uma palavra se fez entre as duas. Durante o dia o dia o clima na casa parecia pesado como nuvens de tempestade.
Por volta das seis da tarde Demétria se fechou novamente no quarto. Ficar sozinha seria ser hobby dali por diante.
Ela pensava em muitas coisas, principalmente em coisas que não queria pensar. Depois de um tempo acabou adormecendo e teve o seguinte sonho:
‘’Uma garotinha, devia ter uns nove anos, andava sozinha por uma casa escura a espera que alguém chegasse para lhe buscar. Ela estava com medo e chorava muito, não tinha idéia do que acontecia.
Uma mulher entrou na casa com um garoto um pouco mais velho que ela. As lágrimas escorriam pelo rosto dele.
A garotinha mesmo pequena sabia que estavam lhe escondendo algo. Ela gritava freneticamente, na esperança que alguém a ouvisse.
Até que finalmente teve uma resposta. Do garoto que havia chegado com a mulher. Ele a segurava pelos ombros e gritava:
-Sabe que ele não vai voltar! Nunca mais!
-Não! Não! Não!
A menina gritava se recusando a aceitar a noticia que lhe davam da forma mais difícil possível. ’’
Demétria acordou suando frio. Odiava quando sonhava com aquilo. Abriu a porta do quarto. O sonho a havia feito se sentir sufocada demais para continuar com a porta fechada.
Algumas lágrimas lutavam para sair, mais ela era persistente, as segurou bem. Engoliu um seco fazendo com que um soluço que provavelmente libertaria suas lágrimas voltasse para dentro de sua garganta.
‘’Eu prometi’’ Ela pensou pousando a mão no peito, que sentia arder com os soluços reprimidos.
Deitou-se novamente na cama e sussurrou para si mesma:
‘’Caterpillar in the tree
How you wonder who you'll be?
Can't go far but you
Can always dream’’.
Suspirou e pensou no que a música dizia. ‘’ Lagarta na árvore, como você sabia quem seria? , não pode ir longe mais sempre pode sonhar’’.
Teve boas lembranças em relação a essa canção. Apesar de nunca ter entendido necessariamente seu significado.
Um dia talvez descobrisse. Por enquanto se lembrar dessa pequena parte dessa musiquinha lhe fez sentir novamente uma criança, com alguém para protege — lá e ampará-la.
Já havia passado por isso antes e superado, não era agora que ela ia ceder.
Notas finais
Livro: http://www.reidaverdade.com/wp-content/uploads/2010/10/O-Morro-dos-Ventos-Uivantes.jpg
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