Não é como se ele me importasse.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O dia não está lindo como Kiba disse. Está quente, muito quente. Estar no campo de treinamento com meus companheiros de equipe com esse calor infernal já está fazendo com que eu não saiba se minha roupa está suada ou se meu suor está com roupas, e argh, isso já está me incomodando!
Tenho certeza de que estamos há horas treinando com esse clima infernal e nada de sermos liberados. Oh, eu só consigo pensar em um longo banho... Será que chegaram os sais que encomendei? Não vejo a hora confirmar as recomendações da Ino, e oh, já falei que estou morrendo de calor?
Finalmente Kurenai-sensei nos libera. — Chega de treino por hoje. Amanhã cedo teremos uma missão Rank-B e acho que merecemos um descanso.
- Hai, Kurenai-sensei! – dissemos em uníssono. Nem tenho condições para discordar, e não, definitivamente não quero ficar conversando com meus amigos hoje!
- Vejo vocês depois! – e saio correndo em direção ao Distrito Hyuuga, sem nem esperar respostas.
Passo como um furacão por todos, parando apenas para cumprimentar meu pai, Neji e Hanabi, que nem se preocuparam com minha evidente pressa, ainda bem. Retiro minhas roupas rapidamente e consigo, enfim, relaxar.
Oh... Esses sais são mesmo milagrosos. E me sinto uma nova mulher após passar a loção refrescante recomendada por Sakura. Estou limpa e com todo o frescor a que tenho direito, mesmo com o clima ainda um pouco quente.
17h45. Tenho apenas quinze minutos para chegar até o outro Distrito.
Ando calmamente – não pensou que eu fosse correr após meu precioso banho, pensou? — até o Distrito Uchiha, e, como de costume, o encontro deitado entre as lápides de seus pais, olhando para o céu. Não me pergunto o que ele está pensando. Não é de meu interesse. Uchiha Sasuke não deve ser de meu interesse.
Me deito ao seu lado, mas sem me encostar a ele.
- Está atrasada.
Não me lembro de quando adquirimos esse hábito. Só sei que há alguns anos passei a visitar as lápides desse distrito ao cair da noite, e o fiz sozinha por dois meses... Era uma história triste, afinal. Me pesava o coração saber que todo aquele sofrimento foi real. Numa dessas visitas o encontrei, deitado entre as lápides. Não dissemos nenhuma palavra. Não o encarei, e não fui encarada. Por uma semana mantivemos essa rotina, até que certa noite percebi que ele estava deitado mais próximo de uma lápide que de outra, deixando um espaço ao seu lado. Claro que não me aproximei. Mas após mais uma semana com esse incomum vazio ao seu lado, tomei coragem e me aproximei. Devagar, com uma coragem inacreditável, me sentei ao seu lado, dando-lhe tempo de me impedir, o que não aconteceu. No terceiro dia arrisquei me deitar também. Novamente, sem represálias.
E estamos nessa rotina há dois meses. Dois meses repletos de silêncio, um confortável e constante silêncio. Por isso, agora que ele finalmente me dirige a palavra após tanto tempo sem ousar fazê-lo, não consigo evitar o espanto – e um certo incômodo. Demoro a me acostumar a quebras em minha rotina, admito, e não sei bem como reagir.
- Huh... Demorei a ser liberada do treino, e enrolei um pouco no banho. Estava tão quente...
Ele nada respondeu. Tudo bem, estou acostumada ao silêncio. Mas agora que começamos... Me viro na direção dele.
- Posso não vir amanhã. – digo timidamente. Ele me encara.
- Hn. — e continuo a ser encarada. Talvez ele queira uma explicação? Difícil saber.
- Missão Rank-B. Posso não chegar a tempo. Ele desvia o olhar.
Silêncio.
Não é como se isso me importasse. Não é importante. Desvio o olhar e finalmente começamos a olhar o céu juntos. Até que ele enlaça seu mindinho esquerdo ao meu. O meu direito, quero dizer. Oh céus... Isso é tão estranho que nem sei o que pensar.
Não é como se isso me afetasse. Claro que não, isso não é importante, não deve ser. Eu não gosto mais do Naruto, mas também não gosto de mais ninguém, e nem quero.
Não é como se o fato de que isso começou a se tornar algo agradável fosse algo preocupante também, e que fiquei com a pulsação só um pouquinho acelerada. Devo estar um pouco doente, com certeza.
Não é como se ele me importasse. É claro que ele não é importante... Não, claro que não.
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