Não é apenas Um Simples Luar
5 Não precisa
Notas iniciais
Lena
- Como assim eu tô te chamando para sair? — Tara me perguntou como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.
Estávamos na porta da casa dela. Me lembrei do teste de gravidez, eu poderia fazer e acabar logo com isso, mas ia precisar da ajuda dela. Fui pedir a ajuda dela.
- Isso mesmo, você vai dizer ao Sam que você precisa comprar alguma coisa e quer que eu vá também. — pedi. Ela me olhou como se não estivesse entendendo. — Por favor, Tara.
- Tá, mas por quê? — ela perguntou. Respirei fundo. Essa era a primeira vez que eu iria dizer isso em voz alta.
- Acho que estou gravida. — sussurrei.
- Quê? — ela não escutou.
- Gravida, acho que estou gravida. — falei um pouco mais alto. Ela arregalou os olhos e deu um passo para trás.
- Gravida?! — ela exclamou um pouco mais alto de o necessário.
- Shh... fala baixo.
- Como assim gravida? — ela ainda estava espantada.
- Não, calma, é só suspeita. — tentei fazer ela parar de gritar. — Mas eu preciso da sua ajuda.
- Com o quê?
- Pensei que você pudesse comprar um teste de gravidez para mim. As pessoas daqui já me conhece e não...
- Espera! — ela pediu, colocando as mão para frente como se tivesse tentando parar um carro que estava vindo em sua direção. — Você quer que eu compre o teste?
- Sim. — tentei sorrir.
- Ficou maluca? — ela exclamou. — Se já te conhecem, imagina eu. Você esqueceu? Eu cresci em La Push. É capaz deles contarem ao meu pai.
- Droga, esqueci. — falei desanimada. — E agora, o que eu faço?
- Seth já sabe?
- Claro que não.
- Por que não?
- Por que... por que... — hesitei. Não sabia ao certo o por que não contava.
- Está com medo?
- Talvez.
- Lena, ele precisa saber.
- É, eu sei.
- E mesmo assim não vai contar, certo?
- Vou, claro que vou, mas só depois. Quando eu tiver certeza.
- Ele não vai gostar nada disso. — ela avisou. Eu já sabia, mas não podia falar. — Tá, então, o que vamos fazer?
- Não sei. Eu estou com medo. — falei sentindo minha voz embargar. Senti falta da minha avó. Ela sempre me ajudava nessas horas.
- Lena, não fica assim. — Tara me abraçou. — Eu vou te ajudar. Pode contar comigo.
Tara teve a ideia de irmos até Forks. Lá eles não nos conheciam tão bem assim. Ela falou com a mãe, que estava em casa, que iria sair comigo, mas logo voltaria. E seguimos até a casa do Sam. Entramos sem fazer muito barulho, Sam tinha chamado os rapazes para uma reunião, foi assim que consegui sair para falar com a Tara. Eles estavam conversando sobre o bando, algumas estratégias novas, ou algo do tipo. Ficamos paradas perto da porta, esperando eles terminarem. Seth e Matt olharam rapidamente para gente. Era tão mágico e ao mesmo tempo tão estranho o que Seth fazia com meu coração quando ele sorria para mim.
- Vocês querem alguma coisa, meninas? — Sam perguntou sem nos olhar.
- É tão estranho quando vocês fazem isso. Como você sabia que estávamos aqui? — Tara perguntou.
- Fora a cara de bocó que Seth e Matt estavam fazendo? — Quil se meteu. — Parece que tem uma metralhadora no peito de vocês, é fácil ouvir. — ele continuou. Será que é tão alto assim.
- E então... ? — Sam nos olhou, ainda esperando. Olhei para Tara como se dissesse: “vai, fala”.
- Hã... Sam... — ela começou, um pouco nervosa. — Eu... eu vou ter que ir até Forks compra uma coisa para minha mãe, e queria saber se a Lena pode ir comigo. — ela pediu. Sam levantou uma de suas sobrancelhas ao me olhar.
- Espera um pouco, vou ter que fazer uma coisa em casa, quando acabar aqui, mas eu vou com você. — Matt disse. Droga! Ela me olhou como se pedisse ajuda.
- Er... você não disse que estava com presa? — meu céus! Ela é pior que eu para mentir.
- Ah, é, claro. Minha mãe disse para eu ir logo. — ela falou. Percebi que Jake estava prendendo o sorriso.
- E então, posso ir? — precisei perguntar logo antes que a cara de pânico da Tara me atrapalhasse. Sam continuou nos olhando.
- Ótima ideia meninas, acho ótimo vocês saírem. — Leah se manifestou. Tara me olhou. Os rapazes estranharam tanto quanto a gente.
- Acha? — não sabia o que dizer. Ela sorriu.
- Claro. Acho tão bom que vou com vocês. — ela disse se levantando.
- O quê?! — Tara e eu exclamamos juntas.
- O que foi, não posso ir? — ela perguntou.
- Não! — eu soltei sem querer. Seth e Matt juntara as sobrancelhas, anda nos encarando.
- Por que, meninas? Vocês vão fazer alguma coisa escondido? — Leah estava com as mãos na cintura.
- Escondido? — Tara perguntou.
- Como o quê? — perguntei. A gente estava começando a se encrencar. Leah sorriu.
- Nada, só estava brincando. — ela falou vindo até a gente. — Então vamos. Estou passando muito tempo com esses ogros, preciso fazer alguma coisa de mulher. — ela falou. Pensa, Lena. Pensa.
- Sabe. Tive uma ótima ideia. — falei tentando parecer animada. Tara me olhou tentando adivinhar o que seria. — Podemos marcar para sairmos outro dia. Quero dizer, eu e Tara vamos hoje, o que vai ser muito rápido, vocês nem vão sentir nossa falta. — disse. Matt e Seth ainda estavam com a mesma cara. — Mas marcamos para sairmos todas juntas outro dia. Quero dizer, você, Tara, Emy, Bella, Rachel, Kim e eu. Vai ser ótimo!
- Adorei a ideia! — Tara entrou na minha. — Tem algumas lojas nova, em Forks, que eu quero ver. Podemos marcar. — ela disse um pouco menos nervosa. Acho que era verdade. Leah parou de sorri de repente.
- Tudo bem, meninas. A gente vai outro dia. — ela falou nos soltando. — Desculpa, não sabia que vocês não queriam que eu fosse. — ela disse um pouco magoada. Tara me olhou como se dissesse: “ah, coitadinha”.
- Não, não é isso Leah. É que vamos tão rápido que nem vai ter muita graça. — tentei convence-la.
- Tá, deixa. Eu queria comprar uma coisa em Forks, mas não se importem, vou sozinha mas tarde. — ela disse voltando a se sentar. A cara de: “ah, coitadinha”, que a Tara estava fazendo, ficou pior.
- Não, Leah. Você pode vir com a gente. — ela falou. O quê?
- Oh, não, não quero atrapalhar. — ela ela falou. Jake gargalhou, por algum motivo que não entendi.
- E não vai. — Tara disse.
- É... não vai. — precisei ceder.
- Que bom. — Leah se levantou sorrindo. — Já acabamos, certo, Sam?
- Sim. — ele respondeu com um leve sorriso. — Levem a caminhonete.
- Claro. — ela falou. — Vamos, meninas. Não podemos deixar sua mãe esperando por muito tempo, né! — ela disse para Tara, que fez careta. Provavelmente voltando a se lembrar que sua mãe não tinha pedido nada.
--
- Então, meninas. — Vocês esqueceram de dizer o que vamos comprar. — Leah puxou assunto, já dentro da caminhonete a caminho de Forks.
- Hã... que estranho, acho que esqueci. — Tara respondeu antes de me olhar apavorada. Leah levantou um de suas sobrancelhas.
- Esqueceu? — ela perguntou olhando pelo retrovisor.
- Tara, você é tão engraçada. — falei forçando uma risada. Leah me olhou. — Já esqueceu que ela pediu para comprar um shampoo?
- Shampoo? — Leah e Tara perguntaram juntas.
- E por que não compraram em La Push? — Leah perguntou. Tara estava me olhando como se tivesse fazendo a mesma pergunta.
- Lembra? Sua mãe disse que não tem por lá. — meus céus, isso tá ficando cada vez pior.
- Ah, é. — Tara fingiu se lembrar. — Minha nossa, eu ando tão desligada, devem ser por causa do colégio, estão passando muito trabalho.
- Sei... — Leah se contentou em dizer apenas isso durante todo o percurso. Tara e eu também nos calamos. Não demoramos muito, mas o silêncio foi entediante. — Pronto, chegamos em Forks, agora me digam, onde vamos exatamente?
- Em alguma drogaria. — respondi rapidamente.
- Alguma especifica? — Leah desceu do carro.
- Não, pode ser na mais comum. — disse descendo junto com Tara.
- Como vamos fazer com ela no nosso pé? — Tara sussurrou ao meu ouvido. Estávamos do outro lado da caminhonete.
- Você devia ter pensado nisso antes de ter chamado ela para vir. — disse cruzando os braços.
- O que você queria que eu fizesse? Ela estava achando que não queríamos junto da gente. — ela se defendeu. — E outra, Sam estava com cara de que só deixaria se a gente viesse com ela.
- É, também percebi.
- Vocês vão vir, ou vão ficar de segredinho? — Leah perguntou nos olhando.
- Nós vamos. — falei começando a andar junto com a Tara.
A drogaria não era munto longe, usei esse curto percurso para pensar em alguma coisa.
- Chagamos! — Leah disse ao entrarmos na drogaria.
- Você vai ter que contar para ela. — Tara sussurrou enquanto andávamos pela loja.
- Não, eu vou dar um jeito – falei. — Só preciso que você fique com minha bolça e compre o teste para mim assim que eu sair. — disse com tudo esquematizado. Sabia que ia precisar da bolça.
- Sair para onde? — ela perguntou confusa.
- Oh! — exclamei fazendo careta, ao colocar a mão na altura do estomago.
- Lena? — Leah se virou para me olhar. — O que foi? — ela se preocupou. Tara também parecia preocupada.
- Acho que não estou me sentindo muito bem. — falei gemendo, fingindo sentir dor. — Preciso ir ao banheiro.
- Ao banheiro? — Leah perguntou.
- É, e agora. — avisei.
Leah me segurou pela cintura e me arrastou até os fundos da loja, mas antes, consegui fazer a Tara segurar a bolça. Espero que ela tenha entendido.
- Onde tem um banheiro nessa espelunca? — Leah gritou.
- Desculpe senhora, mas o banheiro é só para os funcionários. — uma mulher disse de má vontade. Ouvi Leah rosnar baixo antes de avançar na garota e a segurar pela camisa.
- Que se dane, ela está passando mal. Eu quero um banheiro, agora! — ela quase gritou. A mulher se assustou.
- Ah, claro. — a mulher disse, dava para ver o medo em seus olhos. — É ali naquela porta. — a mulher apontou tremendo. Leah voltou a arrastar até chegarmos ao pequeno e fedido banheiro.
- O que você vai fazer? — perguntei ao ver que ela ia entrar comigo.
- Vou te ajudar. — ela falou me olhando. Eu era uma monstra. Isso já estava confirmado. Como eu podia fazer isso com ela?
- Não precisa.
- Não vou te deixar sozinha. — ela avisou.
- Eu vou ficar com ela. — Tara havia acabado de entrar. Ela foi rápido.
- Não vou deixar vocês...
- Não se preocupe, se eu precisar eu chamo. — falei rezando que ela fosse.
- Tem certeza?
- Sim, sim. Acredite. — disse. Ela me olhou por alguns segundos.
- Me chame se acontecer alguma coisa. — ela pediu a Tara.
- Claro. — Tara respondeu antes da Leah fechar a porta.
- Conseguiu? — sussurrei.
- Sim. Quase não deu tempo. — ela falou me mostrando as caixas. — Trouxe duas só para garanti. Nunca tive tanta insegurança em toda a minha vida. Relutei, mas peguei as caixas. — É agora.
Continua...
Fale com o autor