Não É Tarde Demais Para Nós Dois
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Quando Jesse reclamou sobre seu amigo Casey estar se agarrando com Delilah, todos pensaram que ele estava com ciúmes da garota. Quanto mais ele reclamava, mais tinham essa certeza. E então ele passou pelo casal e sem querer derrubou seu refrigerante nela. Pensaram que era pra chamar a atenção de Delilah. Ele brigou com Casey por estar quase transando com ela no meio da sala.
E então ele saiu nervoso, indo embora para casa. No dia seguinte todos comentavam que Jesse queria ficar com Delilah, mas que ela preferiu seu melhor amigo Casey. Casey acreditou no que eles diziam, afinal, Jesse só poderia estar apaixonado pela garota, não pelo amigo. Estava pensando em ir pedir desculpas a ele pela confusão.
Apenas uma pessoa pensava diferente de todas as outras. O próprio Jesse. Ele sabia que o motivo era outro. Ele não estava com ciúmes de Delilah, e sim de Casey. Ele estava com raiva dela sim, por estar em seu lugar beijando o garoto.
Ele sabia dizer o exato momento que percebeu isso. Uns dias antes Casey falara que esta afim dela, que a achava muito bonita. E passou a noite falando só dela. No início ele pensou que estava com ciúmes dela, mas na mesma hora que pensou nisso, ele soube que era ao contrário.
E desde então vem pensando em Casey. Em como queria que aqueles elogios fossem para si. Como queria que Casey sonhasse com ele lhe beijando e não ela. E então chegou aquela festa super legal. O plano era tentar embebedar Casey e o beijar lá. Mas não deu certo.
Logo que trouxe o primeiro copo de cerveja Delilah apareceu. E é claro que Casey não tirou os olhos dela, se esquecendo de beber. E Jesse não foi o único que percebeu isso. Delilah se aproximou com seu sorriso e decote, e foram apenas alguns minutos para estarem se beijando.
Jesse estava um pouco afastado vendo tudo. O grupo de amigos logo se aproximou. E Jesse não conseguiu parar de reclamar do casal. Por isso pensaram que estava afim dela. Não aguentando mais, Jesse pegou um copo de refrigerante, indo em direção do casal. Fingiu que tropeçou e derrubou a bebida na garota.
Saiu da festa vermelho de raiva. Casey lhe mandou uma mensagem, que foi lida e ignorada. Chegou em casa mais calmo. Xingou Delilah por ter estragado seu plano e se pôs a pensar em outro. Passou a noite acordado pensando em diversas formas de beijar Casey, a maioria acabando em o amigo lhe batendo.
Quando acordou, uma ideia lhe surgiu. Deu um sorriso e logo pegou o celular, mandando uma mensagem para Casey.
Hey, passa aqui em casa a noite, estarei sozinho, podemos jogar videogame a madrugada toda.
Recebeu apenas um Okay de Casey. Perguntou a sua mãe se iria passar a noite fora mesmo, recebendo uma resposta positiva. O resto do dia passou deitado em sua cama, ouvindo músicas e pensando no plano. Dessa vez não teria como dar errado.
Seus pais saíram às seis horas. Esperou sentado na sala, mudando de canais sem parar em nenhum. Finalmente ouviu a campainha. Olhou no relógio, sete e vinte. Deu um longo suspiro e abriu a porta sorrindo, tendo certeza de quem era.
- E aí Jesse. – Casey estava encostado no portão sorrindo.
- Chegou cedo. – Logo Jesse já tinha aberto o portão, dando passagem para o amigo.
- Pois é, queria estrear o jogo novo que eu comprei. – Entrou atrás de Jesse em casa, segurando um jogo na mão.
- Claro, bom, vamos subir então.
Subiram as escadas e foram direto pro quarto de Jesse. Ele se sentou na cama, esperando Casey colocar o cd no videogame e vindo sentar ao seu lado. Jogaram por uma hora, sempre falando apenas coisas relacionadas ao jogo. Jesse chegou a esquecer do plano, mas se lembrou quando a mão de Casey deu um tapinha em sua coxa.
- Mas estão Casey, como foi ficar com a Delilah?
- Hum, foi bom, ela beija muito bem. – Casey nem tirou os olhos da televisão. – E é gostosa também.
- Ela não faz bem o meu tipo. Gosto de pessoas de cabelo escuro.
- Então porque todo mundo ficou falando que você estava afim dela? Que eu sou um amigo idiota por ter beijado ela? – Casey ainda olhava pro videogame, mas prestando atenção em Jesse.
- Sabe que eu não sei. Eu não estou nem aí pra ela. – Jesse olhou atentamente para Casey.
- Então porque aquela raiva? Porque atrapalhou a gente? – Casey deu uma rápida olhada em Jesse e logo voltou a olhar pra tela da televisão, mas não estava mais jogando.
- Eu estava com raiva dela.
- Por ela não ter ficado com você?
- Não. Por ela ter ficado com você. Eu fiquei com raiva, pois queria estar no lugar dela.
Casey arregalou os olhos ao ouvir isso. O controle caiu de sua mão. Não conseguia olhar para o amigo. Mas Jesse virou seu rosto pra ele.
- Eu quero que você me beije Casey. – Jesse sorriu, fazendo um carinho na bochecha dele.
Casey ainda não conseguira falar nada. Apenas olhava assustado para o amigo. Engoliu em seco quando sentiu a respiração dele contra seu rosto. Ainda estava com os olhos abertos quando as bocas se tocaram. Ficaram assim por poucos segundos. Quando Jesse passou a língua pelos lábios de Casey ele finalmente acordou.
- O que você está fazendo? – Casey empurrou Jesse e se levantou num pulo.
- Estava te beijando, esperando que você correspondesse. – Jesse se levantou chegando perto de Casey. Ele se afastou mais ainda.
- Para com isso Jesse. Nós somos amigos. Nada mais.
- Mas eu sinto mais que amizade por você. Eu quero você Casey. – Jesse abraçou ele com força.
Casey sentiu seus corações batendo rápido. Por um minuto não soube o que fazer. Mas lembrou que era seu amigo ali, se declarando para ele. Ele o empurrou de novo, mais forte dessa vez.
- Olha, eu não sei de onde você tirou essa ideia de que gosta de mim. Mas eu não sinto isso por você. Eu só quero ser seu amigo Jesse.
- Mas eu gosto de você mais do que como amigo. – Jesse olhou pra ele sorrindo, fazendo menção de chegar perto de novo.
- Então acho que nem amigos podemos ser. Adeus Jesse. – Casey saiu do quarto, rápido demais, tropeçando no corredor. Mas não olhou para trás, e rapidamente saiu da casa.
Jesse ficou um tempo parado no meio do quarto, tentando entender o que acontecera. Ele se declarou pro amigo. E então o beijou. Essa parte do plano foi cumprida. Mas ao estava nele Casey o recusar. Muito menos terminar a amizade deles assim.
Jesse começou a rir de nervoso. Mas então uma lágrima desceu por seu rosto. Ele se sentou na cama e tocou os lábios. Podia sentir o calor dos lábios de Casey sendo consumido pelo frio da solidão. Outra lágrima caiu. E então inúmeras seguiram seu caminho. Jesse se deitou na cama, abraçou o travesseiro e chorou.
-*-*-
Casey, precisamos conversar.
Será que você pode atender minhas ligações?
Porque não responde minhas mensagens?
Eu sei que você está em casa, não precisa pedir pra sua mãe mentir.
Da pra parar de me ignorar no colégio?
Casey, por favor, vamos conversar.
Me desculpe por aquilo Casey, apenas fale comigo.
Vamos voltar ao que era antes ao menos.
Um mês. Fazem exatos 30 dias que Casey estava ignorando Jesse. Ignorava suas mensagens, suas ligações, seus recados no facebook, falava pra seus pais não o deixarem entrar em sua casa e o ignorava completamente no colégio. Jesse se cansou de mandar mensagens que não eram respondidas.
Mas não se arrependia do que tinha feito. Valeu a pena. Agora ele sabia qual era a sensação de beijar Casey, mas estava começando a acreditar que nunca mais sentiria isso. Jesse sentia raiva, tristeza, amor, tudo ao mesmo tempo. Raiva por Casey tê-lo recusado. Tristeza por não ter mais a amizade de antes. E amor. Jesse acabara de ter essa certeza.
Seu coração doía a cada vez que via Casey com Delilah. E eles não se separavam mais. Soube pelos amigos que Casey a pedira em namoro. Jesse se pegou desejando que coisas muito ruins acontecessem a ela. Casey se afastara de seus antigos amigos, ou por Jesse estar sempre lá, ou por agora só ter tempo para a namorada.
No começo todos perguntavam a ele o que acontecera para que os dois tivessem brigado. Tentavam fazer os dois voltarem a se falar. Mas Casey não aceitava. E por isso se afastou do grupo. Não precisava deles, estava fazendo amizade com o grupo de Delilah.
Até que chegou um dia em que todos já tinham esquecido. O grupo passava por Casey e nem o cumprimentava mais, e este também não olhava mais para os antigos amigos. Casey era visto sempre ao lado de Delilah. Um casal que deu muito certo.
Quando o ano acabou Jesse se sentiu aliviado. Não iria mais precisar ver os dois tão felizes juntos. Claro que tinha a parte em que ele não iria mais ver Casey. E estava começando a aceitar isso. Soube que Casey se mudou de casa logo após acabarem o colégio. Não sabia exatamente pra onde, e nem queria saber, pois tinha decidido esquecê-lo.
Com isso alguns anos se passaram. Começara uma faculdade de Biologia. Às vezes se pegava pensando em Casey. Em como ele estaria, o que estaria fazendo, com quem andava conversando, se ainda adorava aquela banda que era a preferida dele também. Mas sabia que quando pensava em Casey, passaria a noite chorando.
Mas conforme os dias iam passando, seu coração ia consertando. Ainda pensava em Casey todos os dias, mas já não chorava. Não ia mais atrás de notícias dele. Não ia mais aos lugares que sabia que ele estaria. Voltou a pensar em sua vida, em seguir em frente. E assim estava indo tudo melhor do que pensara.
-*-*-
Casey Nolan e Delilah Ross
O convidam para seu casamento
Dia 17 de Agosto as 20:00 hs
Jesse estava segurando aquele papel por mais tempo do que o necessário. Leu inúmeras vezes, para ter certeza do que estava escrito. Não queria acreditar naquilo. Saiu de seus pensamentos ao ouvir a voz do amigo.
- Legal né? Nunca pensei que o Casey iria se casar tão cedo, mas parece que deu certo entre ele e Delilah. – John pegou o convite de casamento das mãos de Jesse.
- Mas... Quando isso aconteceu? Eu nem sabia que tinham noivado? – Jesse se sentou na cama, com o olhar fixo em seus pés.
- Me falaram que foi um noivado muito rápido, só entre amigos íntimos e família. Eu nem esperava receber o convite, não falo com ele há uns meses.
Jesse ficou mais um tempo pensando. Faziam apenas dois anos que terminaram o colégio, que tinham parado de se falar. Como isso aconteceu? Como não soube antes? Como Casey podia se casar com ela e ele nem ter ideia de nada?
- Jesse? – John tocou em seu ombro chamando sua atenção. – Está tudo bem?
- Ahn, sim claro. Eu só estou surpreso. Você sabe onde ele está morando?
- Acho que tenho o endereço anotado no meu celular. Quer que eu te passe?
- Quero, por favor. – Jesse olhou para o convite novamente, tendo a certeza de que precisava falar com Casey. E não iria passar de hoje.
- Aqui está. Você tem certeza de que quer falar com ele? – John estava um pouco preocupado, sabia o quanto Jesse tinha sofrido com o afastamento dele.
- Sim. Preciso acertar umas coisas. Obrigado John.
- De nada, e boa sorte.
Jesse mal ouviu o que John falou, pois já tinha se levantado para ir embora. Casey tinha se mudado para não muito longe. Em vinte minutos chegou a casa. Todas as luzes estavam apagadas, menos a janela que Jesse pensou ser do quarto de Casey.
Parou na frente do portão. Não sabia o que iria fazer. Não tinha pensado em nada, apenas em falar pessoalmente com Casey. Decidiu não pensar e tocou a campainha. Demorou um tempo que Jesse achou longo demais até a porta da frente se abrir.
Casey olhou um pouco sonolento para ele, logo arregalando os olhos ao ver quem era. Ficaram parados se encarando. Casey não soube o que fazer. Não esperava ver Jesse depois de tanto tempo. Não conseguia ir até ele, mas também não conseguia simplesmente fechar a porta.
- Posso entrar Casey? – Ele piscou um pouco forte ao ouvir a voz dele. Hesitou, mas foi em direção ao portão abri-lo.
Jesse ainda o olhava, sendo encarado também. Casey fechou o portão e foram para dentro da casa. Entraram e continuaram em silêncio. Jesse olhava atentamente para Casey, tentando procurar alguma mudança nele. Mas ele continuava o mesmo, apenas seu rosto que amadurecera, não parecia mais um adolescente.
Casey se sentou no sofá, esperando que Jesse fizesse o mesmo. Os dois se olhavam, procurando o que teria de diferente, o que dois anos longe mudou em cada um deles. Alguém precisava iniciar a conversa, mas nenhum dos dois sabia como.
- Você cortou seu cabelo. Ficou mais legal assim. – Casey olhava diretamente pro ex-amigo.
- E você continua com o mesmo penteado. – Jesse também olhava pra ele, mas não por muito tempo e já virava o olhar.
- Jesse, eu... – Casey começou a falar, mas foi interrompido.
- Chega de enrolação Casey. Você sabe por que eu estou aqui. – Jesse olhou pra aliança prateada no dedo do outro. – Por que você não me falou nada?
- Eu pensei que a gente não fosse mais amigos, não precisaria te convidar pro meu casamento. – Casey também olhava pra aliança.
- Você fugiu de mim Casey, eu me lembro bem. Será que eu não signifiquei nada pra você?
- Claro que significou. Você era meu melhor amigo... É só que... Achei que seria melhor pra nós dois nos afastarmos.
- Você achou? Pois sabia que foi pior. Você não tem ideia de quanto eu sofri nesses dois últimos anos! O quanto eu chorei por você! – Jesse sentia o rosto vermelho, assim como seus olhos querendo derrubar mais lágrimas.
- Eu sinto muito Jesse. Mas eu também sofri. Eu perdi o meu melhor amigo, por causa de uma besteira. – Casey tentava não olhar diretamente para ele, estava se sentindo culpado pelas lágrimas.
- Você acha que eu ter me declarado pra você e ter te beijado foi uma besteira Casey? – Jesse se levantou e olhou nos olhos de Casey.
- Você arriscou estragar nossa amizade por causa de uma curiosidade em beijar um garoto. – Casey também se levantou, devolvendo o olhar.
- Você é um grande idiota sabia? Eu te amo! Sempre te amei, e sei que sempre vou te amar... – Mais lágrimas caíram de seus olhos.
- Isso não importa mais, importa? Eu vou me casar com a Delilah. A gente se ama. O que houve entre eu e você foi coisa de amigos. – Casey desviou o olhar, não conseguia mais ver a dor nos olhos de seu amigo.
- Saiba apenas de uma coisa Casey. Ninguém nunca vai te amar mais do que eu amo.
- Jesse... – Casey voltou a olhá-lo, mas ele já estava virando as costas e indo embora.
-*-*-
Jesse estava na última aula do dia. Nem se lembrava que matéria estava sendo dada, apenas pensava em Casey. Pensava em quão idiota e estúpido ele era. E se desesperava, pois no fim de semana seria o casamento. Soube por John que ia ter uma festa de despedida de solteiro em um bar fechado. Estava pensando seriamente em ir.
Queria ver uma última vez Casey. Ultima porque pensava em sair da cidade. Não aguentaria continuar vivendo numa cidade onde poderia encontrar Casey casado e com filhos, feliz sem ele. Tinha guardado dinheiro o bastante das mesadas de seus pais. Poderia se virar sozinho.
Jesse, aqui é a Delilah, noiva de Casey. Será que posso passar na sua casa daqui uma hora? Precisamos conversar.
Jesse leu de novo a mensagem. Por que Delilah queria conversar com ele? Eles nunca foram sequer amigos. Será que Casey contou algo do que aconteceu pra ela? Jesse mandou um Okay e começou a pegar suas coisas pra ir embora. Não aguentaria ficar até o final da aula.
Foi andando devagar pra casa, pensando em todas as possibilidades, em tudo que Delilah poderia querer falar com ele. Uma delas, a que Jesse mais tinha gostado, seria ela dizendo que sabe o quanto Casey o ama, e que vai deixar ele pra Jesse. Mas tinha a pior também, sobre ela trazer uns amigos pra dar uma surra em Jesse, por estar afim de seu futuro marido.
Entrou em casa e se sentou no sofá, ainda pensando sobre o que falariam. Minutos depois a campainha tocou. Jesse abriu para Delilah, que nem mesmo lhe deu um oi. Ela entrou e sentou-se no sofá, olhando feio para Jesse. Ele sentou-se na outra ponta do sofá, esperando ela começar a falar.
- Bom, não quero enrolar, vou ser direta. Quero você longe do Casey.
- O que? Mas a gente nem é mais amigos...
- Eu soube que você foi a casa dele. Eu não sei o que vocês conversaram, mas mexeu muito com o Casey. Ele se afastou de mim e parece muito indeciso quando ao casamento. – Ela mostrou o anel de noivado para Jesse. – Eu vou ser a esposa dele, eu vou estar ao lado dele pro resto da vida. Sou eu quem ele vai beijar antes de dormir. Então não se aproxime mais dele, okay?
- Olha, eu não sei o que o Casey te disse, mas não importa, isso é uma coisa entre eu e ele. Eu não vou me afastar só porque você quer. Eu amo ele, e não vou desistir tão fácil. Perdi muito tempo, mas agora sei que ainda tenho uma pequena chance. – Jesse lhe deu um sorriso sarcástico.
- Ele não vai desistir do nosso casamento por causa de você. Eu sei que ele me ama. Então é melhor eu ir embora, tenho coisas pra fazer, como por exemplo, ficar nos braços do Casey.
Delilah piscou o olho e saiu rebolando da casa. Jesse balançou a cabeça, tentando entender tudo que aconteceu. Mas ela disse que ele estava indeciso com o casamento. Isso é ótimo. Significa que Jesse ainda tem uma chance. E não vai perder ela. Pegou o celular e ligou pra John.
- Hey John, quando é mesmo a despedida de solteiro do Casey?
- Amanhã a noite, lá naquele barzinho balada perto do parque sabe?
- Sei, eu passo ai na sua casa pra te pegar as sete.
- Tudo bem então. Tem certeza que quer ir?
- Absoluta. – Jesse sorriu e desligou o celular.
-*-*-
O dia seguinte demorou demais pra passar. Jesse só pensava na festa. Iria fazer de tudo para que Casey percebesse o erro que estava fazendo em se casar com Delilah. Iria fazê-lo perceber que os dois é que deveriam estar juntos.
Demorou um bom tempo no banho, imaginando como seria beijar Casey de novo. Se ele iria sentir seu coração disparado de novo, seu corpo se esquentar com o calor do outro. Perdeu-se em pensamentos e só lembrou-se de sair da banheira quando o celular tocou, avisando de uma mensagem de John.
Vestiu-se, lembrando-se de colocar uma camiseta azul, a cor preferida de Casey. Penteou sua franja pro lado, passou um pouco de perfume, deu uma última olhada no espelho, pensando se Casey iria gostar dele assim, e foi pro carro. Chegou à casa de John rapidamente, com ele já o esperando no portão.
Em menos tempo do que Jesse pensara, já estavam na frente do barzinho. Sentiu seu corpo todo tremer de excitação. Entrou junto de John, mas não prestando atenção em nada que o amigo falava. Correu os olhos por todo o lugar, atrás de Casey. O encontrou numa mesa bebendo com uns amigos.
John foi lá para cumprimentá-lo, mas Jesse não tinha conseguido se mexer. Viu Casey olhando pra ele, lhe dando um sorriso. Jesse respirou fundo e foi até ele. Cumprimentou os outros homens, sem tirar o olhar de Casey. Sentou-se ao seu lado, não falando nada. E Casey também não sabia o que falar.
Todos na mesa conversavam animados, Casey participava de algumas conversas, mas sempre olhando para Jesse, que ficou quieto o tempo todo. Mas não demorou muito pra outros amigos puxarem Casey pra se divertir. Dançaram igual idiotas na pista de dança, cantaram no palco, encheram a cara.
Casey estava se divertindo de verdade, e saber que Jesse estava lá, o deixava mais feliz. Não tivera tempo de conversar a sós com ele, mas sabia que Jesse também estava esperando essa oportunidade. Passava-se das quatro da manhã quando essa oportunidade chegou.
Casey foi para o lado de fora do bar, pra respirar um pouco de ar puro, descansar o ouvido da música e conversa alta. Ficou encostado na parede, de olhos fechados, sem pensar em nada.
- Se importa se eu te fizer companhia?
Casey abriu os olhos, confirmando ser que ele pensava. Jesse. Com uma camiseta azul, sua cor favorita.
- Você ficou ótimo com essa cor. – Lhe deu um sorriso sincero.
- Alguém já me falou isso uns anos atrás. – Retribuiu o sorriso.
Ficaram lado a lado, olhando pro parque em frente. Jesse começou a andar em direção dele. Casey não entendeu, mas o seguiu. Andaram um pouco, chegando a um banco isolado. Ninguém iria para o parque a essa hora da madrugada, então estavam completamente sozinhos.
- Você vai ir ao meu casamento amanhã? – Casey chegou mais perto, seus ombros e pernas se encostado nos de Jesse.
- Não posso. Vou estar ocupado. – Jesse deitou sua cabeça em Casey.
- Ocupado? Com o que?
- Vou pra casa de uma tia em outra cidade.
- Como assim? Por quê? – Casey olhou assustado para Jesse, que ainda lhe encarava com um sorriso.
- Eu não posso continuar vivendo numa cidade, sabendo que posso acabar encontrando você com sua linda esposa e lindos filhos. – O sorriso desapareceu de seu rosto, dando lugar a olhos vermelhos.
- Jesse... Eu...
- Não precisa dizer nada Casey, eu sei que você vai ser feliz com ela, é só que eu não aguentaria.
- Eu nunca vou ser feliz sem você Jesse. Você é meu melhor amigo, eu não quero mais ficar afastado de você. Não vai embora, por favor. – Casey enxugou algumas lágrimas que caíram dos olhos de Jesse.
- Eu não vou aguentar ter você só como amigo. Te ver beijando Delilah quando eu queria estar no lugar dela. Meu coração não aguenta mais. Jesse se levantou e começou a ir embora.
- Espera. – Casey segurou o braço do amigo e o puxou para si. Jesse se arrepiou ao sentir seus corpos se tocando. E fechou os olhos conforme Casey chegava mais perto.
Seus lábios se tocaram uma segunda vez, trazendo todo o sentimento guardado por esses anos. Dessa vez foi Casey quem pediu passagem na boa de Jesse, que foi aberta na mesma hora. O choque das duas línguas se encostando trouxe os sentimentos dos dois de volta.
Jesse se lembrou que nunca conseguiu esquecer Casey, que sabia que ele era aquele com quem gostaria de passar o resto da vida. Que sonha com eles quase todos os dias. Que pensa nele quando beija outros homens. Que ainda sente seu cheiro do nada.
E Casey percebeu que nenhum beijo que deu em Delilah se compara a esse que estava dando em Jesse agora. Percebeu que conseguia ver um futuro ao lado dele, como nunca tinha conseguido ver ao lado da garota. Que esperara todo esse tempo por este beijo.
Se separaram para tomar um ar, mas não se afastaram. Sorriram um pro outro e Casey colocou a franja de Jesse pra trás, podendo ver melhor seu rosto. Jesse sorriu de um jeito que nunca mais tinha sorrido desde aquela noite.
- Eu te vejo amanhã no casamento? – Casey ainda passava a mão pelo rosto do outro.
- Nunca mais. Eu vou embora amanhã à tarde. Obrigado pela despedida.
Jesse lhe deu um selinho e virou as costas, indo embora. Casey ficou parado. Sentiu seu corpo arrepiar em pensar que não iria mais ver Jesse, nem iria mais poder tocá-lo. Voltou pra festa, mas agora ela não tinha graça alguma.
-*-*-
Faltavam vinte minutos para ele ir pro altar esperar Delilah. Mas Casey não conseguia criar coragem. Não parara de pensar em Jesse e no beijo um minuto sequer, mas tinha conseguido dormir. Tocou os lábios, sentindo os de Jesse lá. Pegou o celular e mandou uma mensagem pra ele.
Eu te amo Jesse.
Eu também te amo Casey, sempre.
Um sorriso veio em seu rosto. Não precisou parar pra pensar e saiu do quarto. Andou um pouco até chegar ao quarto em que sabia que Delilah estaria. Bateu na porta duas vezes antes de entrar, tendo a certeza de que ela estava sozinha.
- Casey! O que você faz aqui? Era pra estar indo pro altar me esperar. – Delilah olhava assustada pra ele.
- Desculpe Delilah. Eu preciso falar com você, e tem que ser agora. Senta aqui. – Casey sentou no sofá, esperando Delilah sentar ao seu lado.
- É por causa dele né? De Jesse? – Ela olhou tristemente para o agora ex-noivo.
- Sim. Acho que sempre foi ele, eu só não tinha percebido antes. – Secou uma lágrima que escorreu do olho dela. – Eu gosto muito de você Delilah, você é uma pessoa incrível, mas não é a certa pra mim. Me desculpa mesmo por ter deixado chegar nesse ponto.
Ficaram em silêncio alguns minutos. Delilah sempre soube que Casey sentia algo por Jesse, apenas achava que o que ele sentia por ela fosse mais forte. Mas infelizmente não era. Delilah deu um beijo no rosto de Casey e deu um sorriso forçado.
- Eu espero que vocês sejam felizes Casey.
- Obrigado Delilah. E estarei torcendo para que você encontre alguém melhor que eu.
Casey deu um beijo em sua testa e se levantou. Não olhou para trás ao sair do quarto. Não olhou para ninguém enquanto fazia seu caminho para fora da Igreja. Chamaram seu nome, mas não quis saber. Precisava ir até Jesse o quanto antes.
-*-*-
Jesse tinha ficado muito feliz ao receber a mensagem de Casey. Uma parte sua queria acreditar que ele estava nesse momento vindo para sua casa. Outra parte pensou que era apenas a despedida. Que nesse momento ele estaria beijando Delilah, oficializando o casamento. E foi pensando nisso que ele abriu a porta triste, esperando qualquer pessoa, mas a que estava na sua porta.
- Casey? O que faz aqui? – Ficou parado olhando o outro recuperar o fôlego.
- Eu precisava fazer isso. – Mal terminou de falar e puxou Jesse para um beijo.
Jesse se assustara um pouco no começo, ficando sem saber o que fazer. Mas quando sentiu seu corpo sendo puxado pelos braços de Casey, se rendeu totalmente. Se beijaram como se nunca tivessem feito isso antes. Se beijaram até não aguentarem mais pela falta de ar.
- Você pode repetir o que falou na mensagem? – Jesse sorria.
- Eu te amo. Eu te amo. – Casey lhe deu inúmeros selinhos por todo o rosto.
- Eu também te amo Casey, sempre te amei. – Jesse se apertou mais ainda contra o corpo do outro. Queria ter certeza que ele estava lá.
- Vamos entrar? As pessoas estão começando a olhar muito. – Casey falou rindo, levando Jesse pra dentro da casa.
- Eu não entendo Casey, era pra você estar casado agora... – Jesse não soltara Casey nem por um minuto.
- Acho que o que você falou estava certo. Você é a pessoa que mais me ama, e posso dizer o mesmo sobre eu te amar mais que qualquer um.
- Mas por que demorou tanto tempo Casey? Eu já estava com as malas prontas! – Jesse mostrou as malas no canto da sala.
- Me desculpe Jesse. Acho que sou um pouco cabeça dura. – Casey se sentou no sofá, puxando Jesse para seu colo.
- Eu deveria te dar um fora por todo esse tempo que ficamos longe. – Casey arregalou os olhos. – Mas não da pra ficar longe de você tanto tempo assim de novo. – Casey sorriu e puxou Jesse pra mais um beijo.
Se beijaram de novo. Além dos lábios colados, seus corpos se colaram mais ainda. Passaram as mãos conhecendo cada parte do corpo um do outro. Aproveitando ao máximo os sentimentos novos. Os corações batendo no mesmo ritmo, as respirações se chocando, o calor do outro corpo contra o seu.
- Sabe, eu ainda não conheço o seu quarto. – Casey disse apertando a cintura de Jesse com um pouco mais de força.
- Adoraria te mostrar. Tenho uma cama de casal que é muito grande pra mim. – Jesse esfregou seu corpo nele.
- Ninguém vai nos atrapalhar?
- Meus pais estão na casa da minha vó, só voltam à noite. – Jesse se levantou, andando rebolando até o quarto, provocando Casey, que se sentia mais excitado ainda.
Iriam passar as próximas horas sozinhos, conhecendo todas as partes do corpo um do outro, os gemidos, os movimentos, os sentimentos. Iriam perceber que finalmente se sentiriam inteiros, pois um completava o outro. Todo o tempo que ficaram longe sem se falar, não iria parecer nada agora que estavam juntos.
E assim pretendiam ficar. Juntos. Pra sempre.
FIM
Notas finais
Mas espero que gostem dessa fanfic =D
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