Não É Natal Sem Você.
7 Telefonema
Notas iniciais
As vezes, a vida gosta de pregar surpresas na gente. As vezes nós pregamos surpresas na vida. Brittany foi uma coisa nova para mim. Quando eu a conheci eu era perigosa, e costumava roubar o lanche das crianças da minha idade. Mas Brittany chegou com aquela vozinha fiiiiina de boneca de loja cara, e algo em mim parou. Oito anos depois eu descobri que era amor.
Só descobri amor demelhante, mas não tão intenso em meus filhos. Abraçar Quinn daquele jeito era algo muito poderoso. Eu não sabia o quanto de dor eu sentia por aquilo, até ela ser liberada do meu peito.
Enquanto nós nos abraçavamos, Artie, Rachel e Mike se juntaram. Eu senti que faltava alguem, e eu sabia muito bem quem. Mas sentia que se comentasse alguma coisa... Eu poderia estragar tudo que eu estava fazendo. E o plano de Artie havia sido muito bom para eu fazer qualquer coisa assim.
Nós fomos todos agarrados para a cozinha, onde eu coloquei para esquentar todos os pratos.
O jantar foi quase tão ruidoso como sempre. As crianças falavam sobre o que fariam para flagrar o Papai Noel.
- Eu poderia cantar para ele. Todos ficam impressionados e paralisados quando eu canto.
Tá bom, essa coisa meio Rachel Berry na minha Rachel Pierce-Lopez era esquisito, e definitivamente estava me irritando. Eu deveria parar de enviar ela nas férias para ficar nos bastidores da Broadway com a madrinha.
- Não... Você me obrigou a fazer isso ano passado. Não deu muito bom. — Disse Mike, enrolando a lingua com seus quatro anos.
- Não deu muito bem, você quis dizer. — Artie corrigiu.
Mike corou e eu deu uma risadinha. Acho que ele não gosta muito de ser corrigido. Que nem o padrinho.
- Mãe, Quinn, Rachel, Mike, Tina, Kurt, tio Blaine e Artie vem jantar aqui amanhã?- Perguntou Quinn, levando um garfo de arroz aos lábios e os soprando por causa do calor.
Eu pensei.
- Todos eles eu acho. Rachel foi substituida só amanhã em Wicked, e Tina e Mike voltaram daquela viagem asiática maluca. Eles estavam ensinando as crianças malucas por tecnologia a cantar e dançar.
Artie concordou com a cabeça.
- Vai ser meio complicado.
- Da última vez que eles fizeram isso tia Tina meteu um par de chifres no Art...- Olhei para o meu filho, que levava o mesmo nome que o padrinho, Arthur. — E vocês não ousem comentar isso com ninguém.
Quinn riu. Uma risada que eu não ouvia desde que... Bem, desde que Britt havia ido ao Haiti cuidar das crianças nescessitadas.
O jantar estava diferente de todos os anos. Eu até que levava jeito. Se eu morasse sozinha, e eu quisesse ficar, tipo, muuuuito magra. O arroz estava queimado, e de algum jeito eu havia conseguido derrubar o recheio do bolo dentro do peru. Mas, sei lá, se eu conhecesse um chef de cozinha, com um gosto bem eclético e esquisito...
Bom, pelo menos meu anel de casamento não havia caído no meio da massa, eu pensei, olhando para a pequena pedra em forma de B no meu anel.
As duas crianças foram para os seus quartos, obrigados pelo sono a não flagrarem o Papai Noel. Carregando Mike para seu quarto, ele me olhou curioso, pelos olhos cansados e perguntou.
- Mamãe, o Papai Noel existe mesmo?
- Você acredita que sua mãe existe.
Ele ficou confuso.
- Sim...
- Então, Papai Noel, é uma força de felicidade. sua mãe e eu acreditamos.
- E você acha que eu vou ganhar presente?
- Papai Noel seria um idiota se ele não te trouxesse presentes.
Ele riu, esfregando os olhos e deixando seu corpinho cair sobre o meu de sono.
Coloquei-o na cama, e desci para ajudar os meus outros filhos a guardarem a louça.
Artie lavava, Quinn enxugava e eu guardava a louça. Um ciclo silêncioso e lento. Quando Artie terminou, ele foi para o seu quarto, dizendo que teria que dormir, para aguentar duas pestes gritando a meia noite, para ver s eo Papai Noel já havia chegado.
Quinn abaixou seu pano molhado e se virou para mim. Ficou me observando enquanto eu me virava, abria os armários e ajeitava cada louça. Me senti como aquela ruiva que era orientadora na minha escola. Aquela que media tudo milimétricamente.
- Mãe?
- Sim Quinny,
- Me desculpa.
Eu me virei confusa para ela.
- Pelo que?
Ela olhou para o chão.
- Por eu ter sido a pior filha do mundo. Por ter insinuado que você não é minha mãe. Por não ter te ajudado a cuidar dos meus irmão por oito meses, quando você mais precisava. Por ter sido expulsa das Cheerios. Por nunca ter comprado leite e pão quando você me pedia. Por quando você pedia para eu buscar Rachel e Mike nas aulas de futebol e balé, eu apenas revirar os olhos e ir fumar maconha debaixo das escadas do campo de futebol. E por... Bom, por eu ter sido essa idiota que não liga para nada.
Ela começou a chorar e eu a peguei pelos ombros.
- Você não fez nada de errado. Você é nova, e não devia passar por esse tipo de coisa. Você não deveria ter tantas responsabilidades. Você devia ir a todas as festas e se divertir, não ter que jogar Clue com seus irmãos mais novos.
- Mas maãe... Você sempre colocou tanta confiança em mim...
- Coloquei e continuo colocando. Você é perfeita. Esta meio magrinha, mas agora, é a adolescente mais bonita que existe no mundo.
Ela riu.
- Eu vejo muito de mim em você. Meus pais também colocavam muitas coisas, muitas responsabilidades para mim. Eu não sabia como descontar, então eu era uma piranha com todo mundo. Tratava todos os seres humanos como lixo, porque era como eu me sentia. Parecia não haver jeito certo para agir. Eu te entendo, e te amo. Em momento algum eu deixei de te amar, mesmo que um pouquinho.
Ela me abraçou. Eu pousei o prato que eu estava segurando na bancada da cozinha.
- Venha, vamos assistir alguma coisa na TV.- Eu a peguei pela mão e fui a puxando pelo resto do corredor.
Na TV estavão reprisando um daqueles filmes que passam um milhão de vezes na TV quando é Natal. Nós dormimos ali mesmo.
Quase exatamente a meia noite...
- ACORDA, ACORDA MAMÃE, QUIIIIIIIIIIIIINN!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O Papai Noel veio, ele realmente veio!!!!! Podemos abrir os presentes? Ah, por favor, por favor MamaS, nós podemos?
Eu levantei, esfregando meus olhos. Parecia que eu havia acabado de dormir. Rachel e Mike pulavam do sofá para mim, e depois pulavam em cima da Quinn.
- Só depois que seu irmão acordar- eu murmurei, tentando ajeitar meu cabelo, e ao mesmo tempo procurando a câmera fotográfica, para tirar fotos e eu enviar para Brittany as fotos do nosso Natal.
- Isso não vai ser nescessário- disse um Artie sonolento, descendo aos tropeços as escadas. — Alguns mostrinhos já fizeram isso.
Eu achei a câmera.
- Bom, então vamos abrir os presentes- gritou Mike.
Quinn ria do meu lado, meio perturbada pela noite mal dormida.
Rachel rasgou seu embrulho cor de rosa. E deu um gritinho. E outro. E outro.
Eu ri sem parar.
- O que você ganhou, princesinha?
- Eu... ganhei... UMA BARBIE QUE VEM COM UM MICROFONE!!!!!- Ela gritou como se tivessem avisado que ela poderia ter contato direto com o Papai Noel. E pedir qualquer coisa no mundo.
Mike rasgou um embrulho de super heróis e deu um sorriso enorme.
- MamaS, olha o que eu ganhei!!!!
- O que é??
- Um livro de histórias!!
Quinn olhou meio boba para ele.
- Você ja sabe ler Mike?
- Não Quinn... Mas a Mama le pra mim. Não é?
Eu assenti.
- MINHA VEZ,- gritou Artie, improvisando um rugido de mostro e empurrando as crianças como o King Kong fez.
- Massa...
Eu sorri.
- Gostou?
- Mãe, esse é o melhor presente.
Bom, isso não era o meu quesito de melhor presente, mas se ele gostava...
- O que é Artie?- Quinn perguntou.
- É um livro combinado de Matemática avançada e Sudoko. E também uma fita de Call of Duty 4. Um clássico.
- Seu nerd.
Ele mostrou alíngua para ela.
- E você, não vai abrir seus presentes, srta. Eu Sei De Tudo Mas Não Sou Nerd?
Ela foi até a árvore e abriu a pequena caixa destinada a ela. Ela sorriu emociona.
- Gostou meu amor?
- Claro.
Era um pingente em uma correntinha. No pingente estava escrito brave (valente), e quando abria ela, tinha espaço para colocar duas fotos bem pequenas.
Ela me pediu para colocar, e eu o prendi.
- Ficou lindo.
Ela sorriu e se olhou no espelho. Baixou a cabeça, e todos nos viramos para ela, temerosos. Então ela levantou a cabeça e começou a atuar.
- EU SOU UMA PRINCESA!
Nós rimos, bobos pela sua felicidade.
Olhei no relógio. Uma da manhã.
E nada.
Abri meu presente. Um lindo porta retrato cheio de corações e glitter. Com a foto de quando nós estavamos no Shopping e almoçamos todos juntos e depois fomos para uma livraria e Rachel roubou o microfone do moço que anúnciava roubos. E começou a cantar. Na foto estavamos juntos de um policial mas era a mais bonita de todas. Estavamos todos juntos.
Duas horas da manhã. E nada.
Eu preparei um chá com biscoitos para as crianças pararem de gritar, porque os vizinhos haviam reclamado.
Três horas e nada.
Começei a ficar meio nervosa. Sera que ela não queria falar comigo? Quer dizer, se era assim eu entendia. Ela podia ter conhecido uma pessoa mais legal no Haiti. É claro que eu ficaria no chão, e provavelmente viraria uma alcolatra que ficaria ligando para ela no meio da madrugada cantando Someone Like You.
Três horas e meia.
O telefone toca. Todos se entreolham na sala. Eu sinto certa tensão. Isso é uma cãimbra no pescoço? Eu nunca tive cãimbras, torcicolos, ou o que quer que isso seja. Quinn, levanta e sai correndo até o telefone. Ela fala alô. Eu começo a morder minha boca até sangrar.
POV/PDV: Brittany
Ouvi a mesma voz doce pela linha do telefone. Cada veia em mim parecia querer sair da minha pele. Por um momento, não consegui falar, por causa de um bolo na minha garganta. Era como se eu tivesse comido um pedaço muito grande de bolo sem mastigar.
Quinn- Alô?
Eu- Q! Feliz Natal!!!
Quinn- Para você também!
Eu- Obrigada! E você gostou do seu presente?
Quinn- Adorei. O seu ainda esta aqui.
Eu- Eu sei meu amor. Mas não tem como eu ir até aí...
Quinn- Eu sei. Mas só para avisar... Quem sabe você fica muito curiosa...
Eu- E a ceia, como foi? Sua mãe comprou comida da onde?
Quinn- Estava meio esquisita, mas ela que fez.
Eu- Não sério. Da onde ela comprou?
Quinn- Eu juro que foi ela que fez. Fala com o Artie, ela vai dizer que é verdade.
Eu- Tá bom. Eu te amo.
Quinn- Eu te amo mais.
A verdade, é que Santie nunca soube cozinhar. Ela sempre pedia comida chinesa, ou indiana, ou pizza, ou Mc Donalds... Nos nossos primeiros dois anos de faculdade nós não comemos nenhum tipo de comida caseira. Quer dizer, no sentido concreto... pensando no segundo sentido...
Artie- Olaaaaa.
Eu- Artie! Há quanto tempo eu não falo com você! Como você esta?
Artie- Estou bem. Feliz Natal, aliás. E você?
Eu- Eu estou com muita saudade de você. Muita mesmo. De todos vocês. E feliz Natal para você também. Como esta sendo sua- eu olhei no relógio- Hmmmmm... Madrugada de Natal?
Artie- Boa na verdade. Eu estou com sono porque fui acordado pelos monstrinhos, mas eu ganhei um presente ANIMAL.
Eu- Fiquei sabendo. Não me pareceu um presente muito legal...
Artie- Mas para mim é. Muito legal.
Eu ri e terminei de falar com ela. Falei com Mike e Rachel depois. Eu só estava com medo de ouvir uma voz. Eu nunca mais havia falado com ela. Escrito talvez, mas pela escrita você não sabe como o outro esta. Você não consegue ver se esse alguem cortou o cabelo. Você não sabe se ele esta usando aquela blusa que sempre deixa a alçinha cair e acaba mostrando a alça do sutiã. Você não sabe se a pessou esta ficando resfriada.
E você não sabe se essa pessoa continua fazendo aquela voz de apaixonada quando pensa em você.
Santana- Feliz Natal.
Senti que sua voz estava trêmula, assim como a minha.
Eu- Feliz Natal meu amor.
Ouvi um ruído do outro lado do telefone, e alguem falando '' a gente vai sair para você ficar a vontade''
Santana- Eu sinto tanto a sua falta.
- Eu- Eu também. Todos os dias. Quando acordo e quando eu vou dormir. Eu não consigo tirar minha cabeça de você. Eu te amo tanto...
Santana- Eu também te amo. Esses oito meses tem sido terríveis. As crianças estão aqui para me ajudar todos os dias, mas nada mais é igual a antes.
Eu- Aqui é igual.
Santana- Você não me trocou por alguma médica, salvadora, bombeira guerreira, ou algo assim?
Eu- Eu nunca faria isso. Bem, talvez eu fizesse. Se eu estivesse casada com outra pessoa e eu traísse ela com você.
Santana- Dois meses é muito tempo.
EU- Também acho, mas não tem como. As crianças são muito frágeis.
Santana- Eu sei... Deve ser horrível para elas. Quer dizer, passar um Natal. Sem os pais... E é tão dificil achar comida por aí, por causa da secura...
Eu senti uma vibração boa. Ela pelo jeito não havia assistido o jornal. Tinha tido um terremoto horroroso há pouco tempo. Anteontem eu acho. Por pouco eu não fui levada. Pela morte eu quero dizer.
Eu- O que você quer que eu te de de Natal?
Santana- Posso escolher qualquer coisa?
Eu- Desde que essa qualquer coisa não seja nem uma outra mulher, e que possa chegar em dois meses, sim.
Eu- Bom, para tudo isso ser perfeito só falta você. Nós te amamos Britt Britt. E sentimos sua falta nenhum presente seria tão bom quanto a sua presença. As crianças precisam de você. EU preciso de você. Então o que eu quero de Natal, é que os próximos dois meses corram, até você chegar.
Fiquei pensando. O meu coração doía como se estivesse sendo pisoteado. Tudo o que eu queria era cessar o sofrimento dela.
Eu- Eles vão passar. Pode ter certeza. Agora que Quinn e você estão bem, as crianças vão voltar para a escola, das férias de inverno, e toda a correria de escola, futebol, balé, cursinho, glee, reuniões, trabalho, ppacientes malucos, vai voltar.
Santana- Você tem razão.
Eu- Sei disso, sei disso. Hmmmmm... Você tem cortado o seu cabelo?
Santana- É claro...
Eu- Onde ele esta?
Santana- Um pouco abaixo dos ombros, como sempre. E o seu.
Eu- Igual.
Santana- E por que você perguntou?
Eu- Porque eu te amo. E estava curiosa.
Uma das meninas na fila me cutucou, dizendo que eu só tinha mais dois minutos.
Meu coração se apertou como nunca.
Santana- E o que você quer de Natal?
Eu- Hmmm... Talvez eu queira... O que mesmo? Ah é; Lembrei.
Santana- O que?
Eu- Você.
Senti que ela sorriu.
Eu- Tenho que desligar. Não tem nada mesmo que você queira de Natal?
Santana- Só você mesmo.
Eu- Vou sentir sua falta.
Santana- Eu também. Mais do que tudo.
Eu- Eu te amo.
Santana- Eu te amo mais.
Eu — Dúvido.
Santana- Quer apostar?
Eu- Um beijo?
Santana- Apostado.
PDV/POV- Santana
- E não se esqueça, eu te pedi de Natal viu?- Eu deixei claro.
- Pode deixar.
Eu limpei umas lágrimas solitárias e fui até a cozinha, que era onde as crianças estavam.
Tudo voltando ao normal, a uma realidade que eu não queria viver.
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