Notas iniciais
Deixa pro final.

Alguns meses depois, eu quase já havia esquecido o acidente, não procurei saber o que sucedeu com Thiago, provavelmente tudo acabou bem, e mesmo que eu quisesse saber dele, eu estava ocupada todo o tempo, principalmente nessa última semana quando minha mãe me "convidou" para uma festa de arrecadação, eu meio que fui intimada na realidade, mas de acordo com ela, isso é uma forma de me ajudar a deixar de ser tão individualista e socialmente exclusa. O que não deixa de ser verdade.

Para participar de um evento desses, era necessária uma doação generosa, mas dinheiro é algo que me falta, mesmo que meus pais sejam ricos, eu gosto de andar com as minhas próprias pernas, retomando o assunto, mamãe se sentindo a salvadora da galáxia, me ofereceu como um dos prêmios, quero dizer, ofereceu meus serviços com uma câmera, só porque eu tenho algumas matérias práticas de fotografia no meu curso, vai entender a cabeça da dona Beatriz.

Fui obrigada a ir ao salão de beleza e comprar uma roupa decente, disso não reclamei. Quando terminei de me arrumar, fui olhar no espelho o estrago, por incrível que pareça gostei do que vi meu cabelo que sempre usava liso, caía em lindas ondas loiras, o vestido ia até o inicio do joelho e era azul turquesa, combinando com os meus olhos também azuis. Adoro essa cor!

Saí de carro para o local do meu suicídio, exagerando um pouco, entreguei meu ingresso para o segurança, super gente boa ele, em troca recebi a lista de prêmios do leilão, odiei que meu no me estava em segundo. Andei até a mesa e fiquei olhando o cardápio, pouco tempo depois senti alguém sentar ao meu lado, não me dei o trabalho de levantar a cabeça, queria provar para minha mãe que nem se ela quisesse ela iria me fazer socializar, mas...

— É falta de educação não cumprimentar as pessoas- então foi um homem que se sentou ao meu lado, um babaca pelo visto. Respondi sem usar os bons modos que minha mãe me ensinou.

— Não sou obrigada, e por que você não o fez?- levantei a cabeça e droga! Era aquele cara que eu ajudei, Thiago Greenfield? Green... Dane-se o nome, sua expressão de choque, com a boca aberta e sobrancelhas arqueadas, era tão engraçada que comecei a rir, seu rosto surpreso se tornou bravo, com a testa franzida, o queixo apertado e uau! Ele ficou sexy assim. Parei de rir e engoli seco.

— Eu fiquei louco atrás de você- ele disse- não sabia seu nome.

— A culpa não é minha, então trate de tirar essa careta- ele deu sorriso de canto de rosto.

— Continua muito mandona, e linda- o olhei incrédula e tentei mudar de assunto.

— Você parece melhor, tinha se machucado muito?- ele cerrou os olhos.

— Qual é o seu nome?- Thiago soou desesperado.

— Vai morrer se eu não falar?- mais pessoas chegaram para se sentar conosco, nós os cumprimentamos.

— Sim, eu preciso muito saber o nome da mulher linda que me salvou- respondeu murmurando no meu ouvido causando certos arrepios, bem desnecessário isso aí.

— Na realidade eu não te salvei, eu só te distraí, mal e porcamente se me perguntarem.

— Nem precisava fazer perguntas, ou falar qualquer coisa, só de ficar te olhando eu me sentia anestesiado- revirei os olhos para esta tentativa de flerte.

— Com certeza parecia que você não estava sentindo nada- ironizei. As luzes no salão se apagaram e um holofote se acendeu na direção do palco. Que exagero.

— Para de me enrolar e me diz seu nome- Thiago insistiu.

— Senhoras e senhores, boa noite, gostaríamos de agradecer sua presença, sua atenção e claro sua doação- ri por educação, a mulher agradeceu mais algumas pessoas- então vamos começar o nosso leilão, o primeiro prêmio é um tapete... — minha atenção foi interrompida pelo meu irritantemente bonito vizinho de cadeira.

— Por favor, eu tô quase roendo minhas unhas- me diverti com seu argumento e decidi por bancar a misteriosa.

— Se acalma você já vai saber.

— Parabéns Senhora Marques pela sua aquisição, agora o segundo item da lista é uma sessão fotográfica e como quem ofereceu esse prêmio está presente, nada mais justo a própria entregar o mesmo, me desculpe, minha querida, pela surpresa- mentirosa, tudo foi combinado antes- por favor, Camila Bielinski suba aqui- me levantei, sem olhar para trás fui em direção do palco, mas que eu queria ter visto o rosto do Thiago, eu queria. Andei até a mulher, encarei o público, meus olhos percorreram o lugar e pararam onde saí, mais especificamente ao lado. Ele estava com um olhar estranho, meio maléfico- Vamos começar com 200 reais, que dá a primeira oferta?- um ser aleatório levantou a mão e depois outro fez o mesmo aumentando em vinte e cinco, pelo amor! Uma sessão normal custa no mínimo 400 reais, deixe de ser pão-duro, quando o preço que eu estipulei mentalmente estava pra ser atingido alguém aumenta para 600, esse cara estava tentando mesmo conseguir, ele tinha participado desde o inicio. Eu achava que ia ficar por aquele preço, a mulher até começou a falar o dou-lhe uma, dou-lhe duas, eis que.

-999,00 reais com 0,99 centavos – tá de brincadeira, quem deu essa oferta foi Thiago, era muito dinheiro, o encarei e seu sorriso me fez desejar que alguém desse um lance maior, mas isso não aconteceu. Ele veio receber o envelope representativo, tiramos uma foto e voltamos aos nossos lugares. A mulher da continuidade ao leilão.

— Não sabia que era fotógrafa – Thiago disse.

— Seria estranho se soubesse, até pouco tempo atrás não sabia meu nome.

— Isso foi porque você não me contou, e eu disse isso porque você não tem cara de fotógrafa – respondeu.

— Eu não sou. Só tenho algumas matérias com câmera no meu curso- acrescentei- não que seja da sua conta, mas eu faço publicidade – o garçom veio anotou nossos pedidos e saiu, depois de um tempo ele retorna com as nossas bebidas, que logo fui tomando.

— Isso parece se adequar mais, agora falando do meu prêmio, eu estava pensando em fazer fotos minhas, claro, só que nú – me engasguei e comecei a tossir.

— Não trabalho com esse tipo de coisa – disse depois de me recuperar.

— Está com medo não resistir ao meu corpo? – pouco convencido.

— Não. Tenho medo de ficar cega – dei um belo de um corte nas suas gracinhas.

— Cega com tanta beleza, muita gentileza sua falar algo assim – só que o corte não funcionou como eu queria.

— Estava falando sua feiura – há! Mentir não faz bem.

— Talvez a gente devesse ir a algum lugar privado pra eu te mostrar? – ele não cansava de tentar flertar, quando eu ia responder à altura a comida chegou e eu achei que era melhor eu me entreter com ela do que com o mala ao meu lado, ele tentou mais algumas cantadas, mas ignorei todas. Quando terminei de comer, o encarei e disse.

— Agradeço os flertes, mas não vai acontecer nada, meu número está no envelope para quando decidir fazer as fotos, com roupa. Boa noite Thiago – levantei e comecei a sair do salão. E ele me seguiu.

— Posso pelo menos te dar carona? É perigoso ir sozinha, tá muito escuro.

— Eu não vim a pé, tenho meu carro – balancei minhas chaves para reforçar.

— Então você pode me dar carona, porque eu não tenho carro, não ainda.

— Como planejava me dar carona sem um carro?

— Eu só iria te acompanhar, carona a pé – tive que sorrir com essa reposta.

— Não tem um carro, mas acabou de gastar mil reais em um prêmio de leilão.

— Na realidade foram 999,99 reais, mas pode arredondar. Minha mãe me deu dinheiro para gastar aqui hoje, porém eu não aceito dinheiro dos meus pais pra mais nada.

— Independente, gostei! – ele sorriu com o meu suposto flerte – ok, vamos?

— Vai mesmo fazer isso? – assenti e fomos para o estacionamento – me salvando pela segunda vez.

— Eu não te salvei antes, que coisa! – isso estava começando a me irritar muito.

— Se tivesse me procurado depois, saberia que se você não tivesse mandado eu parar de me mexer uma costela teria furado meu pulmão – fiquei sem palavras – então eu vou dizer obrigado, quantas vezes forem necessário Camila – meu nome soou muito bem quando ele falou.

— Chegamos, esse é o meu Corsinha – já dentro do carro eu disse – quer ir tomar alguma coisa?

— Você tá dirigindo Camila – ele me repreendeu.

— Ah sério?! Têm um bar bem legalzinho do lado do meu prédio, então sim ou não?

— Já que insiste.

Naquela hora eu pensei que ia não ia dar certo, mas eu não podia estar mais enganada, eu me diverti bastante.

Notas finais
Ook! Esse foi o primeiro capítulo, não sei quando eu vou postar o segundo, mas eu vou tentar fazer o mais rápido possível. E também quero saber a opnião de vocês, então mandem por favor o seu feedback. Dois beijos **
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.