Não tenha medo de me amar
6 Sumiço, conversas e sensações estranhas.
Notas iniciais
‘’ Sasuke me olhava intensamente e com um sorriso torto, o que era típico do mesmo. Ele estava deitado na cama enquanto eu o secava com a toalha, observei seus músculos e seu abdômen tanquinho e NOSSA, que abdômen e tanto. Ele sussurrava baixinho pra mim, de forma quase inaudível e extremamente sexy:
– Você não vai resistir á mim por tanto tempo... Saky ’’.
PIPIPIPIPI
Acordei com o toque insistente do celular, programado para despertar exatamente todos os dias naquele horário, peguei o objeto e desliguei o alarme. Senti minhas bochechas esquentarem rapidamente no mesmo segundo que as lembranças do sonho vieram novamente nos meus pensamentos, meu Deus, já não bastasse o jeito que está minha relação com Sasori, ainda tenho esse sonho. É óbvio que eu não estava apaixonada por Sasuke, nem tivera tempo pra isso, e isso podia nem acontecer, afinal eu não era de me apaixonar facilmente, mas que ele era muito atraente e qualquer garota seria capaz de se derreter ao vê-lo, eu não podia negar.
Fui ao banheiro daquele quarto, que ficava no andar de baixo ao lado do quarto onde Sasuke estava agora, desde que sofreu o acidente. Antes ele dormia num quarto do andar de cima, depois tiveram que mudá-lo para o de baixo, que tornava mais prática a circulação pela casa, para ele. E havia o que eu estava agora, que desocuparam para quando eu dormisse aqui, pudesse ajudá-lo.
Olhei-me no espelho á minha frente e notei como meu cabelo estava longo demais, talvez devesse cortá-lo um pouco, mas agora isso não tinha muita importância. Lavei meu rosto, sentindo á água fria sobre minha pele e escovei meus dentes em seguida. Puxei meus cabelos para trás e os prendi em um coque meio frouxo. Coloquei a mesma roupa de ontem, pois não fui avisada com antecedência por Kakashi, e não tinha buscado outras.
Fui até a cozinha e fiz algo para eu mesma comer, era cedo e Sasuke estava dormindo. Puxei uma cadeira ao redor da mesa e me sentei, comi tranquilamente, sem pressa. Á manhã era calma, e só estava eu e o moreno na casa, pois seus pais tinham ido viajar á negócios. Estava quase na hora de Kakashi chegar, depois de fazer meu desjejum fui pegar minha bolsa.
Quando estava voltando para a cozinha, escutei o som da porta se abrindo, fui até lá e ali estava Kakashi guardando suas coisas.
– Bom dia Sakura.
– Bom dia.
– Como foi com o Sasuke ontem? – me olhou curioso e depois tornou a falar, sem me deixar responder. — Aliás, me desculpe, por não ter vindo ontem, em agradecimento deixe que eu fique com ele o dia todo.
– Foi... Normal... – acabei corando. – Tem certeza?
– Tenho. – assenti e sorri á ele.
*
Cheguei em casa, e meus pais que estavam sentados olhando a televisão me fitaram curiosos. De certo acharam que tinha dormido com Sasori.
– Bom dia. – Falaram ao mesmo tempo.
– Bom dia... Tive de ficar ontem com Sasuke á noite, o enfermeiro dele não pode ir.
– Humm, aliás, como está sendo lá? – Minha mãe perguntou interessada.
– Está sendo bom, ás vezes eu o levo para passear, ele meio que fica emburrado, mas mesmo assim eu insisto sabe. – Olhei sorridente pra eles.
– Quantos anos ele tem filha? – Perguntou meu pai com uma cara deslavada.
‘’ Ó céus, não, não, ele vai começar com isso novamente ’’.
– Vinte e dois, e não começa, por favor. – olhei pra ele, ele me encarava com um sorriso brincalhão.
– Mas ele é bonito, em? – Seu sorriso se alargou ainda mais.
Minhas bochechas começaram a formigar, que droga, meu corpo me traindo. Virei o rosto para o outro lado, tentando esconder minha vergonha. Escutei ele rir baixinho, logo após minha mãe também, até ela, meu Deus.
– Parem com isso vocês dois. – rosnei pra eles, e ao invés de se calarem riram mais alto. – SASORI, SASORI, não se lembram disso, oras.
– Claro, mas vocês nem se gostam, e deviam já ter terminado faz tempo né. – meu pai falou sério.
– Eu sei... Hoje eu vou ter uma folga então acho que vou falar com ele.
– Filha você não precisa fazer isso só por causa do seu pai. – Falou minha mãe olhando para meu pai o repreendendo.
– Mas Mebuki... – Tentou falar mais minha mãe o cortou.
– Não começa Kisashi.
– É verdade mãe, eu e Sasori não temos mais nada á ver um com outro. – Olhei-a e dei um sorriso.
– Se você diz meu amor. – Ela se levantou e veio em minha direção. Chegou a minha frente e me abraçou. Talvez ela pensasse que eu estava triste com isso, mas na verdade eu estava era feliz, pois sabia que terminar com ele era o certo á fazer.
– Tá tudo bem mãe, eu estou feliz... Afinal sei que isso é o certo. – Me afastei um pouco e beijei sua testa.
– Estou orgulhosa de você. – Me olhou e sorriu, e saiu em direção á cozinha.
– Quer comer algo Sakura. – Gritou lá da cozinha.
– Não, acho que vou ver se a Ino quer sair comigo, faz tempo que não falo com ela.
Ino era minha amiga desde a infância, nos sempre fomos inseparáveis. Não nos falávamos quase á um mês pessoalmente, pela falta de tempo. Mandei uma mensagem á ela á uns 10 minutos, mas ela não tinha respondido ainda. Enquanto isso... Olhe minhas roupas no guarda-roupa e separei o que não me cabia ou que não iria mais usar futuramente. Peguei minha carteira, iria fazer umas compras para aproveitar minha folga. Deixaria para falar com Sasori apenas de noite.
O celular vibrou no meu bolso, era uma mensagem da Ino marcando o lugar que nos encontraríamos. Sorri, fazia tempo que não conversava com alguma amiga, ela me daria bons conselhos quanto á Sasori, eu tinha certeza disso. Ela era aquela amiga que sempre sabe o que dizer, na hora certa. Tomei um banho rápido, e me arrumei em menos de 15 minutos. Desci ás escadas e saí.
*
Ino estava sentada, quando me viu deu um sorriso de orelha á orelha. Puxei uma cadeira e me sentei á frente dela.
– Quanto tempo né Saky, não lembra mais das amigas. – Fez um beicinho, e eu ri.
– Claro que lembro, mas meu novo trabalho consome todo o meu dia.
– Aliás, você só me disse que estava trabalhando com um cadeirante e mais nada né. – Apertou os olhos.
– O que você quer saber, porquinha?
– Ah testuda, tudo né... Ele é velho, bonito, novo... Essas coisas. – Me mostrou á língua, sim ela é infantil.
– Tem vinte e dois, e... – nem pude terminar de falar, ou diga-se começar, ela já me interrompe.
– Sério? – Seus olhos brilharem.
– Me deixa falar sua porca. – rosnei pra ela, que coisa chata.
– Desculpa, continua.
– É lindo, muitooo lindo, tipo parece que foi desenhado á mão com todo cuidado. E ele é meio carrancudo ás vezes, teimoso e divertido.
– Aah Saky. – Me olhou com cara sonhadora. – Como ele é fisicamente?
– Huumm, tem o cabelo preto e liso, meio rebelde e um pouco grande. Olhos escuros, pele alva, resumindo muito sexy.
– Awn, me apresentaa...
– Não.
– Horas, você tem o Sasori. – me olhou emburrada.
– Já que você tocou no nome do Sasori, acho que vou terminar com ele hoje. Nosso relacionamento está pior do que duas pessoas que são amigas. Eu não sinto mais nada por ele, e sei que é recíproco sabe. Eu e ele não saímos e nem nos vemos muito, não existe mais nada de mágico. Não adianta eu continuar com isso.
– Se você tem certeza disso, acho que o melhor mesmo é terminar né. E daí você já pega o Sasuke...
– Cala boca, nossa Ino juro que se você não fosse minha amiga eu te estrangulava.
– Ui, calma. Mas ele deve ser um sonho né.
Corei ao ouvir aquela palavra ‘’ sonho ‘’, me lembrando do que tive antes de acordar.
– Hmm que foi? – Me olhou com a cara mais sem vergonha do mundo.
– É que eu sonhei com Sasuke ontem á noite.
– Oh my god, Saky. – Soltou uma gargalhada alta.
– Ele me dizia que eu não resistiria á ele, mas deixando isso de lado, que tal umas compras? – Seus olhos brilharam na hora.
– Vamos.
*
Passei em casa apenas para deixar ás compras e já fui dirigindo até o apartamento de Sasori. O trânsito estava intenso e demorei a chegar lá. Pedi á mulher que cuidava o local, para avisar Sasori de que estava ali, mas ela me disse que ele tinha saído fazia dois dias e não tinha voltado. Estranhei, ele nem me avisará de nada. É acho que está na hora de terminar com ele mesmo.
Voltei para casa e fui dormi, mas antes mandei uma mensagem á ele.
Senti á luz bater no meu rosto, e levei minhas mãos até meus olhos, para esfregá-los. Minha mãe estava á frente abrindo á janela.
– Levante logo querida, hoje você tem que trabalhar. – Me deu um sorriso e desceu para o primeiro andar.
Arrumei-me devagar, ainda era cedo, guardei algumas coisas numa mochila para deixar lá na mansão dos Uchihas caso tivesse que ficar com Sasuke outra vez o dia todo. Tinha olhado meu celular, mas não havia nenhuma mensagem de Sasori. Comi com meus pais e fui trabalhar.
*
Haviam se passado duas semanas e Sasori não tinha me ligado, nem me mandado mensagem alguma. E também não estava no seu apartamento. Engraçado, que bem quando ia terminar com ele, o mesmo some. Porém eu ainda estava determinada quanto á este assunto. Minha convivência com Sasuke estava cada vez melhor, nessas duas últimas semanas, nós saímos para fazer piqueniques, ás vezes só íamos até o quintal da casa dele, fomos a um pub, olhamos filme, jogamos. E kakashi sempre comentava sobre isso, me dizendo o quanto Sasuke estava mais falante e que também estava menos rabugento quando iam fazer á fisioterapia.
Há! E não menos importante, fomos á uma cachoeira que Sasuke conhecia, e lá não ia quase ninguém. E quando chegamos lá, não tinha nenhuma pessoa mesmo, tudo calmo, só se ouvia o som da água sobre as pedras e da natureza.
FLASHBACK ON’
– Sakura, vamos á uma cachoeira?
– Claro Sasuke, mas você vai me guiar ao dirigir. – O vi assentir com a cabeça.
– É um pouco longe daqui, não muito, mas vale a pena. É bem calmo e é difícil de ter alguém lá.
– Vou pegar algumas coisas pra comer então. Quer passar á tarde nessa cachoeira?
– Sim.
Fui fazer um lanche, e arrumar uma cesta de piquenique. Depois pequei quatro toalhas e duas bermudas que ele escolheu, o vesti com uma e guardei á outra para trocar depois, sim eu não o deixaria ficar só olhando. Kakashi tinha me dado algumas instruções, se alguma vez fossemos na piscina ou na praia. O moreno demonstrava animação, é Sasuke estava sempre á me surpreender. Arrumei mais umas coisas que achei necessário e saí com ele para fora da casa, tranquei á porta e empurrei á cadeira até o carro adaptado, fiz como haviam me dito e até que foi bem fácil.
Sasuke me guiou até lá, o trânsito estava calmo e demorou uma meia hora até chegarmos ao local. Era meio que uma reserva, eu acho. Fui empurrando a cadeira, com Sasuke me dizendo para que lado seguisse. Á cachoeira não era muito alta, e á água não era muito funda, dava pra sentar lá e ficar com o corpo submerso dos ombros para baixo. Arrumei ás toalhas e peguei Sasuke na cadeira, foi um pouco demorado pra conseguir entrar, mas valeu o esforço. A água estava bem geladinha, claro que não congelante.
– Ah Sakura tem certeza disso? – Me olhou meio apreensivo. – E se você resbalar por causa de mim?
– Tenho, e vou ter o máximo de cuidado.
Entrei na água devagar, e me sentei, puxando Sasuke no meu colo, o segurando nos braços. Ele virou o rosto que estava um pouco corado, é se Sasori visse isso tinha certeza que ficaria muito, muito bravo. Mas não me importo eu ia terminar com ele e isso não me incomodaria.
Senti seus músculos relaxarem, nunca imaginei que faria isso um dia. Mas me senti muito grata por essa oportunidade. Aquele momento me encheu de emoção, era tocante pra mim. Sasuke notou que eu estava quieta, e virou seu rosto para me olhar.
– Que foi coisa rosa?
– Nada de mais. – Dei um sorriso largo pra ele, me sentia feliz.
– Hmpf... Tudo bem então.
Nós estávamos cada vez mais próximos, senti a cabeço de Sasuke repousar no meu ombro. Aquilo me fez sentir algo estranho, que nunca senti antes. Algo pareceu se aquecer dentro de mim e eu não sabia o que era exatamente. Só sabia que era bom.
Passei minhas mãos em seus cabelos, os desalinhando. No começo senti certo medo de fazer isso, e Sasuke se afastar. Mas senti estremecer e murmurar algo baixinho que não entendi. Não o perguntei o que era, porque não queria estragar e sabia que ele provavelmente havia pensado alto, só isso.
Ficamos ali por uns vinte minutos, dentro da água. Depois comemos alguns sanduíches e outras coisas que tinha trazido, e ficamos conversando, deitados na toalha. Sasuke aparentava estar sereno. Passou-se uma meia hora, e voltamos para dentro da água, como da outra vez, ele deitou sua cabeça no meu ombro. Nesse momento ficamos quietos de novo, apenas sentindo á água bater de leve por nossos corpos. Por mais estranho que pareça, quando o segurei ali como na outra vez, me senti completa.
– Sabia que iria gostar daqui, eu costumava vir sozinho, nunca trouxe ninguém comigo nesse lugar. – Falou quebrando o silêncio.
– Mas... E a Karin?
– Eu sempre soube que ela gostava apenas de luxo. Não iria querer vir aqui, mas eu senti depois que nos conhecemos melhor, que você gostaria...
– E você tá certo, depois vou querer saber mais sobre esses seus poderes de adivinhação. – Falei em tom brincalhão.
– É mistério meu. – Falou fingindo guardar um grande segredo. Depois soltou um riso baixo, e repousou sua cabeça novamente no meu ombro.
Ficamos por mais um tempo lá e voltamos para casa. Kakashi chegou mias cedo e, nós três (ele, Sasuke e eu) conversamos um pouco. Ele pareceu se impressionar, quando o moreno contou que tínhamos ido á uma cachoeira. Quando perguntou como tinha sido, Sasuke mal me deixou abrir á boca pra responder, já respondendo que tinha sido ótimo, que tínhamos entrado na água e eu o segurei. Kakashi ficou mais impressionado ainda, e deu um largo sorriso.
FLASHBACK OFF’
Acordei das lembranças assim que ouvi o toque de meu celular, era Sasori. Graças á deus, pensei, agora posso conversar com ele e terminar com o mesmo.
Fale com o autor