Não solte a minha mão!
22 Se não for você. quem vai ser?
Notas iniciais
passei o resto da tarde pensando naquilo. gostar de beto... não beijar mais arthur...
acho que seria mais difícil do que eu imaginava.
porém, eu estava disposta a tentar. esquecer arthur não seria uma má ideia. eu acho.
já no domingo pela manhã, resolvi me sentar com meu pai.
– pai, eu estou namorando...
ele me olhou surpreso.
– por isso você anda saindo tanto?
eu ri : — acho que é uma possibilidade...
– quem é o rapaz?
eu fiz uma longa pausa.
– beto... beto é o nome dele. -sorri.
– quero conhecê-lo!
– e vai... eu prometo.
meu pai estava feliz por mim. mas eu sei que ele queria conhecer meu namorado logo para fazer suas conclusões. além do mais, beto também queria conhecer meu pai, então...
eu havia chamado beto lá em casa. e logo que eu o ouvi, fui abrir a porta.
– olá môr! — que fofo né? me chamar de môr. awnnt...
eu sorri.
– entre beto.
– trouxe isso aqui para você. — ele me entregou uma caixa de chocolates.
– poxa, beto. obrigada!
ele me deu um selinho, e viu meu pai sentado no sofá.
logo, beto já estava sentado lá com ele, e os dois conversavam muito.
beto era uma pessoa incrível. simpático, educado, gentil, inteligente, além de lindo!
meu pai e ele conversavam por um bom tempo, e pareciam se entender muito bem. eu estava até sobrando na conversa...
depois, meu pai foi se deitar e beto ficou comigo no sofá.
– pensou muito sobre ontem? -ele me perguntou.
– muito. -eu sorri. — beto, eu vou tentar. já estou fazendo isso!
– eu sei, e te agradeço por isso. você não faz ideia do quanto gosto de você! posso te fazer muito feliz, debra. tudo depende de você.
eu me sentia meio 'sobrecarregada'.
agora, que estávamos de ferias, era mais fácil. eu não falava com arthur todos os dias. mas tinha medo dele aparecer lá em casa e me fazer uma surpresa, como ele disse que faria.
imagine se o beto estivesse lá em casa uma hora dessas!
mas agora, não haveria mais nada com arthur.
na segunda, arthur apareceu lá em casa.
eu fui grossa e o dispensei.
foi difícil, mas eu estava no caminho certo.
fazia uma semana, que arthur não me ligava, nem aparecia lá em casa. eu não conversava mais com ele. e isso me fazia tanta falta!! tanta, que eu parecia estar ficando louca.
essa distância estava me torturando. mas eu sabia que era preciso. ainda mais agora, que arthur também não me procurava mais.
meu namoro com beto foi evoluindo. ele era um namorado maravilhoso. me levava para jantar, passear, frequentava mais a minha casa, e eu até conheci seus pais também. eles eram legais...
beto não tinha tentado me levar para cama, como arthur já havia feito.
beto era mais respeitador e tímido.
estávamos namorando a quase duas semanas, e ele não havia tentado nada. eu achava fofo da parte dele.além do mais,era cedo demais.
porém, eu sentia falta de toques... das mãos se entrelaçando nas minhas. como arthur fazia.
beto era muito tímido. ele parecia tremer quando tocava em mim. nossas mãos não se encaixavam.
eu já havia segurado na mão de beto, mas elas simplesmente não combinavam com as minhas. e isso me incomodava.
beto me enchia de presentes. eu achava exagerado. como se esses presentes influenciavam em alguma coisa...
eu não amava beto.
estava mais que convencida disso!
como dizer à ele? como explicar?
eu havia tentado. mas... não consigo gostar dele. só dá arthur na minha cabeça!
no dia seguinte, falei com beto.
tentei me explicar. ele ficou muito chateado, triste e infeliz. mas eu não tinha culpa.
– você está terminando comigo?
– es.. estou!
e esse foi o fim. ele saiu da minha casa pisando forte, e chorando.
eu estava me sentindo mal. porém aliviada.
quem estava me fazendo falta era arthur. eu não tinha mais notícias dele. até pedia para laura, mas ela não sabia de nada também.
eu precisava dele. eram quase 3 semanas sem o ver.
então, resolvi ir até sua casa.
toquei o interfone, e um empregado veio até mim abrindo o portão.
ele me conduziu até a sala, onde fiquei sentada esperando.
logo, vi arthur vindo em minha direção.
ele estava diferente.
– o que aconteceu com você?? -perguntei assustada.
ele parecia ter apanhado muito. estava com arranhões, e machucados.
– paguei minha dívida. lembra?
– ai meu deus!! arthur, o que fizeram com você... olha seu rosto!
– debra. eu quase morri. passei dois dias na U.T.I, e fiquei no hospital durante uma semana e meia. mas agora não devo mais nada à aqueles caras.
– me conta como aconteceu! -pedi.
–eu estava na rua, andando de skate com um amigo meu. então eles chegaram em grupo e me cercaram. graças a deus, eles deixaram meu amigo fora dessa! então, começaram a me socar, me chutar... eles estavam em pelo menos sete. eu não tinha como reagir. nem as pessoas que estavam na rua resolveram se meter. eles são perigosos, todo mundo sabe!
ele respirou fundo e continuou.
– só pararam de me bater, quando acharam que eu já estava morto. mas na verdade, eu havia desmaiado. pelo que me contaram, depois que eles saíram as pessoas vieram me ajudar. mas eu não me mexia. fui para o hospital e fiquei lá como um morto-vivo.
– por que eu não soube nada disso? -perguntei furiosa.
– eu pedi para joão e nem laura falarem nada. eu fiquei isolado em casa esses dias. para que ninguém me visse.
– eles podiam ter te matado!!
– eu...eu falei com beto, debra. fui me desculpar pela nossa briga. e ele acabou me falando que vocês terminaram! eu sinto muito.
arthur parecia outro. se desculpar pela briga?
– eu senti tanto a sua falta, debra... queria te procurar, mas você foi tão arrogante comigo da última vez.que não queria mais te encher.
– eu também senti sua falta arthur. por isso vim até sua casa hoje. precisava te ver e falar com você.
– você veio numa má hora. eu estou todo machucado!
– pelo menos seus dedos já estão bem! -ri olhando seus dedos que haviam quebrado com a briga.
– pois é! -ele riu também.
vi suas covinhas, mesmo em meio a tantos machucados. ela estava lá, me enfeitiçando novamente.
– arthur. preciso fazer uma coisa...
ele nada disse, esperando que eu fizesse.
então, me aproximei dele, e entrelacei nossas mãos.
perfeitas! feitas uma para a outra.
ele riu ao ver o que eu havia feito. então me puxou para seus braços, e me abraçou com força.
– saudade de você pequena!
– pequena você vai ver! — falei rindo.
eu estava nos braços de arthur. me sentindo feliz e protegida. ele cheirava meu cabelo e fazia carícias em meus braços.
– eu nem acredito que aconteceu tudo isso e eu nem fiquei sabendo! — voltei a reclamar.
– pára de reclamar! -ele aproveitou para me retrucar.
– e a rúbia?
eu tive que perguntar. não consegui me conter.
– não tenho nada com ela... ela foi só.... mais uma!
– ah claro! -falei.
– debra. você mexe tanto comigo. por que faz isso?
eu ri.
– você que mexe comigo arthur. muito! até demais.
ele apenas sorriu.
– se não for você. quem vai ser? — perguntei.- ninguém mexe comigo dessa forma.
ele beijou minha testa, e me apertou forte para si.
estávamos com tanta saudade um do outro, que ficamos ali no sofá abraçados, conversando.
arthur não me soltou de seus braços, nem soltou minha mão.
e permaneceu sorrindo para mim.
só para mim!
e eu me sentia bem. como se estivesse nas nuvens!
em casa...
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