Não solte a minha mão!
10 Idiota, ignorante, egoista ,irresponsavel...!!
Notas iniciais
Arthur se aproximava cada vez mais de mim. eu já podia sentir o seu perfume delicioso e seu hálito fresco. a sua respiração se fundia com a minha.
a gente ia se beijar. mas eu não podia, por mais que eu quisesse. era cedo demais. e ele pegava todas, eu seria só mais uma na sua lista.
foi aí então, que eu olhei para o lado, e o rosto dele se afastou do meu. ficamos sem jeito, então eu resolvi quebrar o silencio.
–você deve receber muitas visitas aqui nao é mesmo?
apontei meu dedo indicador para uma pilha de roupas amontoadas, lá um sutiã vermelho com bolinhas brancas se destacava. ele acompanhou o meu dedo e viu do que eu estava falando. ele sorriu e deu de ombros.
–não me diga que é da rúbia!
ele riu novamente:
–não! esse é o da Sheila, estou esperando ela vir busca-lo já faz uma semana.
eu ri muito.
– o da rubia é preto, e ta guardado na gaveta do guarda-roupas.
que absurdo! que cara-de-pau a dele!
– que cara-de-pau a sua!
–o que? -ele se defendeu.- só tô sendo verdadeiro!
eu neguei com a cabeça. então ele mudou de assunto.
– quarta-feira dessa semana é meu aniversario!
eu ironizei:
– puxa! 18. espero que você não cresça apenas de tamanho.
lógico que ele era irresponsável, imbecil, ignorante, besta, retardado... mas com 18 anos a gente já deve ter um pouco mais de juízo.
–eu vou fazer uma festa aqui em casa. e você ta convidada.
–aposto que todos da nossa turma estão.
–ainda não. mas eu vou convidar.
–vai ser na quarta? -ele afirmou com a cabeça. -você é maluco? a gente tem aula sabia??
–dane-se! só se faz 18 anos uma vez na vida.
essa foi a resposta dele. por um lado ele tinha razão. mas ele podia fazer a festa outro dia, tipo no sábado ou no domingo.
–você acha mesmo que todos vão faltar na aula só pra vir na sua festa?
– e você acha que não?
eu cruzei os braços em desaprovação.
–você não conhece a nossa turma! nem as minhas festas.
– poxa. belo medico você vai ser faltando em todas as aulas! -bufei.
–não tô nem aí pra essa historia de ser medico!
– e ta fazendo medicina pra quê? -ergui uma sobrancelha.
–porque minha mãe quis. por mim, eu não faria nada. só curtiria a minha vida!
–meu deus! isso é um absurdo.
– a vida é muito curta pra fazer o que não se quer.
–se a sua vida fosse diferente, sua opinião seria outra.
–como assim? -ele perguntou confuso.
–cara, se toca. você tem tudo o que quer, faz tudo o que quer porque é rico! se não tivesse toda essa grana, sua realidade seria outra!
–você acha que eu sou feliz como pareço ser?...eu estudo por que minha mae quer que eu estude. então nao faço tudo o que quero.
a gente estava com o tom de voz alterado.
–e estudar não lhe traz nenhum beneficio?...cara você é ignorante e egoísta demais.
a gente já esta gritando.
–meus pais não ligam pra mim. eles não estão nem aí! eu estraguei a vida deles quando nasci. se casaram por minha causa. e graças a mim, o casamento deles é uma bosta! meu pai joga isso na minha cara o tempo todo.
eu revirei os olhos irritada:
– então o remédio é se envolver com drogas e coisas do tipo,né?!
quando percebi. já havia falado. houve uma pausa.
–drogas? como você... quem falou isso?
ele estava gritando alto. e eu também.
–não importa! você nao precisa disso Arthur! tem muitas pessoas que gostariam de estar no seu lugar. você tem a vida que muitos pediram, e quer estraga-la com isso?
–ninguém se importa comigo mesmo!
ok, ele estava se fazendo de vitima. e eu estava furiosa!
–você é um idiota!
–e você não sabe de nada!... quem é você pra se meter na minha vida?!!
ele gritou comigo como nunca ninguém havia gritado. então, eu peguei minha bolsa o mais rápido possível e sai correndo dali.
– eu já devia ter saído daqui a muito tempo!
corri as escadas depressa. mas ouvi passos atraz de mim.
–espera!
–me deixa em paz!
ele estava correndo também. eu já estava no jardim.
– não!...é serio, espera!
–fica tranquilo, eu não vou mais me meter na sua vida!
eu estava ofegante de tanto correr.
– ESPERA PORRA!
ao ouvir isso, senti meu braço ser puxado. eu ainda resisti, mas ele segurou meu braço com força. então parei de correr. com o braço ele me puxou e eu me virei. nesse instante, senti seus lábios úmidos e quentes nos meus.
não posso negar. era tão bom!
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