Não solte a minha mão!
25 A volta.
Notas iniciais
caída sobre minha cama, peguei meu 'not' e abri minha caixa de e-mail.
um e-mail de arthur deixado à 24 minutos.
''' tudo bem aí?
eu não me sinto o mesmo de antes. estou passando por mudanças...
me sinto cada vez mais cansado. as seções de quimioterapia estão me matando.
porém, vão fazer um transplante de medula óssea em mim. sinto saudade de casa, e de vocês. como você está? '''
foi apenas isso que ele escreveu. deveria estar cansado demais para escrever. lágrimas corriam sobre meu rosto a cada segundo.
'' estou com saudade de você arthur. todos estamos...
estou rezando por você, e tenho certeza que tudo ficará bem. somos futuros médicos, e sabemos que a leucemia crônica raramente pode ser curada. porém, consegue-se controlar a doença e seus sintomas. eu sei que você é forte e que vai passar por tudo isso.
estou esperando por você.
eu sei que você vai voltar.
eu estou aqui para o que você precisar.
eu estou bem. mas não consigo parar de pensar em você. agora já fazem dois meses, três semanas e quatro dias que a gente não se vê. a saudade é tanta...
você vai ficar bem. eu prometo.
fé em deus, não abaixe a cabeça guerreiro!
você ainda vai ser muito feliz.
amo você com todas as minhas forças! fique bem. beijos. '''
minha vida não era mais a mesma sem ele. eu me sentia sozinha, desanimada...
meus fins de semana eram sem graça, eu não tinha vontade de sair.
meu quarto passou a ser o meu confidente, era ele quem me ouvia chorar todas as noites. era ele que me via revirar na cama, e as vezes nem dormir.
passei a frequentar um psicólogo por recomendação de laura, andressa e meu pai.
me ajudou um pouco. porém, nem tanto...
eu estava no refeitório sentada com andressa, quando laura e joão vieram se sentar conosco.
– debra!!! — laura estava eufórica. — você não vai acreditar!!
eu estava curiosa. e laura não falava mais nada, eu fiquei a encarrando, mas foi joão quem prosseguiu:
– a rúbia acabou de dizer a todos que o bebê que ela está esperando não é de arthur!
– como não? — perguntei.
– ela havia saído com o thomás uns dias antes de ter ficado com arthur. ela sempre foi 'caidinha' por arthur. e ela sempre quis ter algo mais que uma noite com ele. agora parece que o thomás resolveu se meter na história e revelou que ele é o pai verdadeiro!
– como ele sabe que é?
– por que rúbia já sabia que estava gravida antes de ficar com arthur. e thomás tinha sido o 'último dela'.
– poxa.
rimos. acho que arthur ficaria feliz em saber que ele não seria pai.
eu mandei outro e-mail para ele, contando a história. mas ele não respondeu mais.
faziam mais duas semanas que ele não respondia nossos e-mails.
joão havia me dito, que ele estava com os pais nos estados-unidos, fazendo o tratamento. e que agora já deveria estar acabando.
assim, as horas...os dias... os meses... foram passando. já estávamos nos aproximando do mês de dezembro. a formatura estava chegando! e infelizmente arthur não se formaria conosco...
iríamos para o terceiro ano.
rúbia já estava super 'barriguda''. agora, ela namorava sério com thomás. eles até que formavam um casal bonito.
é claro que à aquela altura, todos da faculdade já sabiam que arthur estava doente. mesmo ele sendo popular, acho que poucos se importaram com ele.
já em casa, abri meu e-mail novamente na esperança de ter algum de arthur.
em vão...
ele não me respondeu mais.
a saudade dele estava me consumindo. cada vez que eu via o skate que ele me deu, chorava desesperadamente.
era sábado, eu resolvi pegar o skate e andar onde eu e arthur andávamos.
na pracinha.
lá, eu me sentia perto dele. parecia que o cheiro dele estava no ar, parece que eu o via fazendo manobras nas rampas que ele tanto gostava.
quando eu olhava no banco onde a gente sentava, sentia arthur lá, me olhando sorrindo.
o vento que batia em meu rosto enquanto eu andava, me acalmava, parecia os toques de arthur.
mesmo longe, eu sentia a sua presença comigo.
mas quando eu voltava para casa, nada mais era como antes... eu me sentia sozinha e muito triste.
mais uma semana se passou. não tivemos mais notícias de arthur.
até que pequenos comentários surgiram.
meu celular tocou. era joão.
– debra! arthur voltou!
lágrimas caíram junto com meu celular.
imediatamente, eu corri e fui para a casa dele. peguei o primeiro táxi que eu vi passar, não me importei nem com o que eu estava vestindo.
chegando lá. a casa parecia estar vazia...
eu achei que teriam alguns familiares dele por lá, mas não. estava tudo quieto. eu toquei o interfone, e ninguém atendeu. toquei o interfone por várias vezes, esperei um bom tempo parada em frente ao portão, mas ninguém apareceu.
chorei ali mesmo.
eu estava pronta para voltar para casa, quando um carro parou por mim.
ouvi a porta se abrir e alguém sair correndo depressa. como um vulto, senti mãos em minha cintura e um abraço que eu já conhecia.
era arthur.
ele me apertava forte, e eu chorava muito enquanto o acariciava.
ele não tinha o mesmo cheiro.eu pude notar que aquele era um cheiro de remédios, e medicamentos. mas eu não me importei.
– onde você estava sua louca? eu fui até sua casa e você não estava!!
– eu vim te procurar quando soube que havia voltado!
a gente não se soltou mais. estávamos abraçados no meio da rua, que estava calma. arthur me beijou com vontade. eu estava morrendo de saudade daquele beijo, daquele abraço de tudo nele!
ele deslizou sua boca até o meu pescoço, e me retirou do chão.
nos beijamos por um bom tempo. nossas bocas já estavam vermelhas e estávamos sem fôlego.
– como você esta? -perguntei passando minhas mãos em seu rosto.
– não estou tão bem como deveria... -ele sorriu. — mas não quero falar sobre isso agora.
eu sorri também, e voltamos a nos beijar.
nossas mãos se encontraram, e as cruzamos.
lágrimas escorriam pelos nossos rostos. arthur também estava chorando, e ele me beijava muito.
depois, eu pude perceber que arthur estava mais pálido. com cara de cansado. seus cabelos estavam mais curtos. e ele tinha os braços roxos, fruto de ingeções e seringadas.
– você continua tão linda!
– eu amo você arthur.
ele sorriu.
entramos em seu carro, que não era mais o carro que ele sempre tinha. era uma caminhonete antiga na cor branca. eu estranhei.
– o que aconteceu com seu antigo carro?
– eu o vendi. agora tenho essa 'caranga' aqui. mas é o carro que eu realmente queria ter. desde pequeno. -ele sorriu.
eu sorri também. arhur deu a partida e saímos dali.
– onde vamos?
– pra qualquer lugar. hoje o dia é todo nosso!
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