Não posso esquecer o que você me fez sentir.
1 Capítulo 1 - Há algo que eu queria ter dito.
Notas iniciais
Talvez, se Trafalgar tivesse ignorado o modo como Corazón lhe fizera sentir, ele poderia ter seguido em frente e reconstruído sua vida mais uma vez.
Mesmo assim, mesmo depois de tanto tempo, sua mente não poderia esquecer. Fosse o modo como Cora sorria ou seu jeito pateta e atrapalhado ou, quem sabe, até mesmo a forma como aquele homem pensava que usar seus poderes para silenciar o barulho de seus puns impedia que Law sentisse o cheiro.
Ele prometera. Cora-san disse que iriam fugir juntos, sem DoFlamingo ou marinha, apenas os dois. Ele poderia ter visto o jovem Trafalgar crescer e se curar da doença que estaria por acabar com sua vida dentro de três meses.
“Eu te amo”
Fora o que Corazón havia lhe dito naquele dia enquanto esboçava um sorriso minimamente assustador e, ao mesmo tempo, cômico. E Law lembrava bem como seu coração acelerou com isso e não pode deixar de deixar que um sorriso tomasse conta de sua própria face.
Se aquele era seu desejo, Cora conseguira realiza-lo: Trafalgar nunca poderia lembrar-se dele sem que seu sorriso lhe viesse à mente.
Law apenas queria ter tido a chance de lhe responde naquele dia, de dizer que...
Que...
─DOFLAMINGO! ─ Trovejou em amargura enquanto seu punho encontrava-se com a parede mais próxima.
Em pensar que um dia ele quisera ser igual àquele homem, que ele estivera ao seu lado, que compartilhara de sua loucura.
─Trao? ─ A voz chorosa de Luffy se fez presente atrás do cirurgião.
─O que está fazendo aqui, mugiwara-ya? ─ Law tentou responder, embora sua voz soara num tanto mais grossa do que deveria. E agora estava realmente envergonhado por sua súbita explosão.
─Eu estava indo para a cozinha pegar um pouco de carne, mas o Sanji não deixou. ─ O garoto choramingou em resposta enquanto acariciava o galo que se formava em sua nuca.
O que havia de errado com aquelas pessoas era algo que Trafalgar nunca entenderia, afinal, era suposto o capitão ser a autoridade máxima dentro de seu próprio navio, embora as coisas lá parecessem acontecer exatamente da forma oposta.
Francamente, o shichibukai por muitas vezes indagara consigo mesmo sobre a possível insanidade do chamado “chapéu de palha” e definitivamente não era o tipo de loucura que os cartazes de procurado passavam.
Law teria imaginado que o Mugiwara poderia ser num tanto egocêntrico e ter gosto e/ou manias estranhas, mas nunca passou por sua cabeça que Luffy pudesse obriga-lo a por um guaxinim falante em sua cabeça e insistisse que aquele bicho era um médico qualificado.
Aquele era o tipo de loucura do mugiwara...
─O que o Mingo fez?
Uma rajada de vento frio fizera seu caminho por entre os piratas enquanto Trafalgar poderia apenas limitar-se a sentir sua garganta secar com a pergunta e, ao fundo, os gritos da navegadora sobre uma tempestade podiam ser ouvidos.
Aquele não um assunto o qual teria prazer em compartilhar, principalmente se seu ouvinte fosse nada mais, nada menos que seu aliado problemático com quem não tinha intenção de desenvolver uma amizade.
─Nada demais, mugiwara-ya, ele apenas me tirou a pessoa mais importante da minha vida. ─ Retrucou o cirurgião com indignação na esperança que o mais novo apenas o deixasse a sós consigo mesmo mais uma vez.
Mas depois de alguns segundos ainda sentindo a presença de Luffy atrás de si, Trafalgar começava a se sentir irritado.
─Oooh! ─ O garoto exclamou como uma forma de demonstrar seu compreendimento pela situação. Ou quase. ─ Eu também perdi uma pessoa importante para mim.
Law apenas levantou uma das sobrancelhas em confusão.
─É um tipo diferente de importância, mugiwara-ya. ─ É claro que o cirurgião entendera que seu aliado se referira ao seu irmão que falecera dois anos atrás, Portgas D Ace. ─ ...Eu o amava.
As últimas três palavras demoraram a sair pelos lábios de Trafalgar de modo em que o súbito silêncio se espalhasse pelo ambiente depois que foram pronunciadas.
─Eu amava o Ace também. ─ Luffy declamou simplesmente depois de alguns segundos.
─É um tipo diferente de amor, mugiwara-ya. ─ Tentou mais uma vez.
─Eeeh? Por quê? ─ O mais novo virou a cabeça em confusão.
Trafalgar não se conformava com o quão cansativo poderia ser manter um simples diálogo com aquele garoto. Ele começava a cogitar a ideia de aderir o exemplo do resto da tripulação e dar-lhe um soco e esperar que o D. mais novo lhe deixasse curtir seu momento de paz de uma vez por todas.
O cirurgião suspirou.
─Você ama Ace como um irmão. ─ Ele fez uma pausa, pensando em suas próximas palavras e no quão difícil parecia dizê-las em voz alta naquele momento. ─ Eu amo o Cora de uma maneira... Diferente.
─Oooh. ─ Os lábios do mais novo se alinharam em formato circular tentando mostrar, mais uma vez, que havia compreendido, porém, como sempre, isso não havia efetivamente acontecido. ─ Quer dizer como amigo?
─Mais que isso. ─ O shichibukai comentou com tédio em sua voz, mostrando que estava claramente ficado cansado daquela conversa.
─Melhores amigos?
Trafalgar começava a sentir a extrema vontade de bater sua cabeça contra a parede algumas vezes com o quão lerdo poderia ser aquele idiota.
─Mais.
─Super melhores amigos?! ─ Luffy indagou com animação visível.
─Mais, mugiwara-ya, bem mais. ─ E Law mais uma vez retrucou com impaciência.
─Wow! Super melhores amigos mega blaster?
─MUGIWARA-YA! ─ O cirurgião gritou na tentativa de pará-lo de uma vez.
Se estivesse a dialogar com qualquer outra pessoa, consideraria aquela conversa como uma simples brincadeira de mal gosto, porém aquele era o Mugiwara-ya e o pouco que Trafalgar vira daquele garoto nos últimos dias, sabia que ele estava falando sério quando lhe fazia aquelas perguntas tão idiotas.
Law sentiu seu rosto esquentando e sem saber ao certo se era vergonha, raiva ou uma miscigenação de ambos os sentimentos, ele apenas pode fitar o mais novo com olhar de desaprovação.
─Ooh, você deve gostar mesmo desse seu amigo. Shishishi. ─ Luffy riu inocente, admirado que poderia existir uma amizade além de “super melhores amigos mega blaster”, seja qual fosse aquela classificação, o mais novo começava a cogitar a ideia de que fosse algo próximo ao que sentia por seus companheiros, afinal, estava totalmente disposto a dar sua vida por qualquer um deles.
Law começava a considerar a opção de se jogar no mar quando sentiu as primeiras gotas de chuva tocarem a parte exposta de sua pele.
─Luffy, seu idiota, venha ajudar! ─ A navegadora ruiva gritara do outro lado do navio enquanto assumia a direção e imperativamente dizia o que cada um deveria fazer.
O mar se tornava violento e as ondas grandiosas se quebravam contra a grande embarcação fazendo-a balanças bruscamente como a chuva se intensificava e os ventos cortantes sopravam contra as velas.
Trafalgar piscou algumas vezes antes de seguir para ajuda-los.
(...)
─Pessoal, chegamos a Dressrosa! ─ Anunciou Nami, a navegadora, depois de horas cansativas fugindo da grande tempestade.
O céu agora se encontrava limpo no mais lindo dos azuis, o sol brilhava com intensidade e sequer poderiam cogitar a ideia de tivesse havido uma tempestade de tamanha magnitude tão próxima daquele lugar.
A costa rochosa poderia ser vista próxima ao navio e os grandiosos campos calmos de girassóis vislumbrados ao fundo.
Law apertou os punhos sentindo suas unhas cravarem-se contra sua própria pele quando prometeu-se mentalmente que cumpriria o desejo de Cora.
“Naquela noite, Law apenas queria ter tido a chance de lhe dizer que também o amava”
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