Notas iniciais
Capítulo feito em homenagem a Camy e a Lorry ♥ Que o dia de vocês seja maravilhoso e que possam aproveitar cada segundo dele!

A rotina do ballet era intensa, terça a sexta, das sete da noite às nove e meia, sábado o dia todo, então, para Ino, restava o domingo para fazer o que queria, e nem sempre era o suficiente.

Às dez horas, acordou com o pai batendo na porta, a gata sobre suas costas se espreguiçou, as patas macias massagearam seus músculos à medida que ela andava para mais perto de sua cabeça. Resmungou algo, que foi totalmente ignorado pela gata, sentiu a língua áspera em seu rosto e bufou, inconformada.

— Um dia, faço churrasquinho de você — brincou enquanto segurava a pequena Bom-bom e sentava na cama. — Pronto, pronto, já acordei.

A gata miou inconformada por ter sido colocada no chão, mas Ino a ignorou enquanto caminhava até a porta. Deixou a gata passar primeiro e marchou ao banheiro como se seus pés pesassem mais do que deveriam pela manhã. Encarou o espelho com os olhos nublados, o reflexo tão confuso quanto ela ao tentar enxergar algo além do cabelo bagunçado e do rosto amassado. Ouviu mais uma vez o pai chamar e decidiu que a água fria talvez levasse pelo ralo parte do sono que ainda sentia.

Bateu duas vezes de leve no rosto e sorriu para o espelho.

Carpe diem, querida, carpe diem! — disse, mais animada.

Escovou os dentes, penteou o cabelo longo e saiu do banheiro renovada.

— Bom dia, papis. — Beijou-o no rosto ao contornar a cadeira onde ele estava sentado.

— Bom dia, princesa — ele respondeu com a mesma animação. — É hoje o dia, não?

Ino franziu o cenho ao se sentar à mesa, confusa, encheu a caneca com leite e café fresco e só então lembrou a que o pai se referia.

— Ai minha deusa… — lamentou-se e deixou o corpo recostar na cadeira. — Eu tinha me esquecido...

Inoichi riu de forma leve, como se já esperasse por aquilo, entretanto, sua feição ficou mais amena quando voltou a falar:

— Mas você não vai ignorar o convite, certo, princesa?

Ino mordeu o lábio antes de erguer a caneca e fingir que era capaz de se esconder atrás dela. O pai não a pressionou, os dois sabiam o quanto o assunto era delicado, e Inoichi, mais do que ninguém, sabia que paciência e apoio eram tudo de que a filha precisava de si para tomar suas próprias decisões. Ora essa, Ino podia ser maior de idade, mas demoraria muito para conseguir abrir mão da filha para o mundo, então, pelo tempo que ela precisasse, ele estaria ali por ela.

A caneca foi deixada na mesa, havia certo medo e apreensão nos olhos azuis de Ino, os lábios rosados formavam um bico contrariado enquanto ela batia os dedos na mesa.

— Você pode me levar na casa do Sasuke meio dia? Ele disse que vai junto comigo para caso ter que bater em alguém. — Ela sorriu incrédula.

Inoichi riu abertamente e assentiu, ainda que sentisse ciúmes da amizade da filha, afinal, ela o tinha proibido de ir junto, mas não tinha feito muito caso quando Sasuke se ofereceu para levá-la. Mas não havia o que fazer, eram quase nove anos de amizade, já tinha até mesmo socorrido Sasuke diversas vezes quando ele ligava para Ino com medo de dar trabalho ao tio. Suspirou, era bom saber que sua pequena princesa tinha um cavaleiro leal por perto.

— E como anda o cursinho? A nova turma é boa?

— Ah, não, papis, não vamos acabar com o meu dia, né? Não me lembre desse pesadelo! — ela resmungou e mordeu a torrada como se quisesse encerrar o assunto.

— Não pode ser tão ruim…

— Papis — Ela apontou para ele. — ter que ver toda a matéria que você já estudou durante anos de novo é sim horrível, ainda mais quando você acha que já sabe tudo sobre o que o professor está falando. Sem contar no clima da sala! Eca! Parece que as pessoas ali vão se matar a qualquer momento. Não tem como gostar de algo assim!

Inoichi deu-se por vencido e olhou para baixo onde a gata de Ino se enroscava em suas pernas.

— Alguém aqui também precisa comer.

— Falando nisso… — ela limpou a garganta. — Vamos ter audições para as próximas apresentações, Orochimaru anunciou ontem.

— Ah, isso é ótimo! — Inoichi se virou animado antes de encher um pequeno pote de ração e colocá-lo no chão. — Quando você fará os testes?

Ino engoliu em seco, as mãos já estavam debaixo da mesa, apertando a camisola que ainda vestia para tentar espantar o nervosismo, e a confiança que seu pai depositava nela só parecia dobrar o peso sobre seus ombros. Não queria decepcioná-lo, não podia…

— Eu ainda não sei se vou tentar. — Ela falou com cuidado, e sua hesitação foi o bastante para que seu pai entendesse quais engrenagens giravam na mente da filha: as erradas.

— O que Orochimaru disse? — Ele parou atrás da cadeira onde antes estava sentado, apoiou-se nela enquanto se inclinava com a expressão sem a costumeira gentileza ou animação.

— O de sempre… — Ela deu de ombros.

— Ino, eu vou repetir mais uma vez…

— Eu sei! — Ela o cortou. — Eu sei, juro que sei o que vai me dizer, mas… — Ela olhou para cima na vã tentativa de fazer as lágrimas se manterem dentro dos olhos. — Desculpe, não quero nada disso agora… podemos conversar depois que eu voltar?

Inoichi respirou fundo e apertou a cadeira com força antes de concordar.

— Termine seu café e coma, ouviu?

— Sim… — ela respondeu mais baixo, observando o pai se afastar enquanto resmungava certos palavrões.

Bom-bom se aproximou, miando e então ronronando conforme Ino acariciava atrás de suas orelhas.

— Tá tudo bem, não se preocupe. — Sorriu para a gata e se levantou após terminar o desjejum.

Tomou um banho rápido, não lavou o cabelo e se vestiu conforme o indicado: à vontade. Uma sandália bonita, um vestido colorido com um short discreto por baixo, sem maquiagem. Fez uma trança em parte lateral do cabelo e a passou sobre a cabeça, como um arco, mesmo que soubesse que o penteado seria desfeito.

Pegou a bolsa e conferiu os documentos, olhou-se no espelho nas portas do guarda-roupa e apertou a alça da bolsa.

Confiança, repetia, confiança, mordeu o lábio, confiança, talvez a calça fosse melhor…

— Não — falou alto e caminhou apressada para fora do quarto.

Pronto, decisão tomada, não iria voltar atrás, não dava mais tempo. Isso, não tinha tempo, que pena, não? Não podia fazer Sasuke esperar, por isso não trocaria de roupa, simples assim. Carpe diem, Ino, carpe diem! Aproveitar o dia, cada momento, cada segundo, sem voltar atrás nas decisões, o tempo era valioso demais para isso.

— Vamos? — perguntou, ansiosa, quanto antes saísse de casa, melhor seria, mataria de vez todas as possibilidades de ceder às próprias incertezas e preconceitos.

— Claro! — Seu pai passou o braço por seus ombros e a direcionou até o carro na garagem. — Vai voltar com Sasuke depois? Ou me liga?

— Acho que irei para a casa do Sasuke, o tio dele quer que ele se divirta, então vamos na boate mais à noite.

— Ele está bem? Madara comentou que o ano passado não foi dos melhores.

— Não sei… Sasuke parece estar bem em uns dias, em outros não, é complicado… além disso, ele é a vítima número um de Orochimaru, é uma bosta.

— Ainda isso?

— Sempre. Ontem Orochimaru segurou ele depois da aula e passou exercícios a mais como castigo, Sasuke disse até que o novo pianista decidiu ajudá-lo tocando uma música contra as ordens de Orochimaru.

Inoichi assentiu e parou o carro em frente à casa de Madara.

Ino o beijou na bochecha e saiu do carro ajeitando o vestido. Ela retirou o chaveiro da bolsa e abriu o portão bem como a porta da frente. Quando mesmo que tinha conseguido tal liberdade? No quarto ano? Terceiro? Não importava, gostava de saber que a casa de Sasuke também era seu lar, só queria que o amigo entendesse que o inverso também era verdade. Apesar de Sasuke ter as chaves de sua casa, ele nunca as tinha usado, preferia sempre tocar a campainha e esperá-la abrir a porta. E isso a preocupava… Sasuke não sabia se deixar ser querido às vezes.

— Bom dia! — ela exclamou ao entrar.

Madara estava no sofá da sala com papéis à sua volta, e Sasuke parecia tentar ajudá-lo no sofá oposto. Eles eram parecidos de certa forma, a mesma ruga de preocupação na testa, a mesma face séria para assuntos que exigiam atenção, até mesmo o jeito despojado de Madara parecia influenciar Sasuke quando ele se permitia relaxar. No ano preparatório do ballet, na primeira vez que Madara havia ido buscar Sasuke em um dos dias que ele estava passando mal, Ino não teve dúvida de que fossem parentes.

— Bom dia, princesa. — Madara ergueu os olhos para ela e não estranhou quando Ino parou atrás de Sasuke e segurou o rosto dele para beijá-lo na face a despeito da careta exagerada que ele forçava toda vez apenas para irritá-la.

Ela riu, ignorou a provocação e caminhou até Madara para também cumprimentá-lo.

— Posso saber onde a senhorita vai bonita desse jeito? — Madara perguntou, a face séria enquanto recostava-se no sofá ainda com os papéis em mãos.

Sasuke sorriu de canto, e Ino riu alto. No começo, ela caía naquela máscara de Madara, afinal, quem o visse com a expressão fechada com certeza sairia correndo achando que ele era o próprio carrasco, um homem seguro que parecia gritar ao mundo o quanto podia ser perigoso, seja nos negócios seja para defender quaisquer que fossem seus interesses. Contudo, ela já tinha passado por aquilo, então apenas riu e piscou para ele antes de responder:

— Segredo, só o Sasu pode saber.

Madara ergueu a sobrancelha, e Sasuke se levantou pegando a chave do carro.

— Temos que ir, senão vamos nos atrasar — Sasuke se apressou, antes que, mais uma vez, seu tio e Ino começassem a se provocar até o dia seguinte.

— Não vou estar aqui quando voltarem, então vejo vocês à noite na Kyuubi — Madara respondeu, e tanto Sasuke quanto Ino perceberam que não havia ali abertura para que escapassem do convite daquela vez.

Caminharam até o carro, o silêncio dizia muito, ambos sabiam. Ino não era quieta, ela gostava de expor suas opiniões e sentimentos, era como um pequeno sol, difícil de passar despercebido mesmo num dia nublado. A boca fechada refletia o conflito interno que a mente travava, e Sasuke quase podia ouvir os gritos mudos que os pensamentos emitiam a serem assassinados por outros ainda mais confusos. Já ele ficava em silêncio para dar a ela tempo, escolha, a oportunidade de decidir se desejava ou não se abrir, se queria ou não que ele opinasse.

— Acha mesmo que devo ir? — ela perguntou ao afivelar o cinto.

— Acho — Sasuke respondeu sem dúvida alguma, manobrando o carro e ouvindo Ino suspirar, as mãos inquietas no colo, os olhos perdidos no porta luva apenas para ter um ponto onde podia deixar a atenção. — Mas, se você não quiser ir, tem uma sorveteria nova, podemos ir conhecer. — Ele deu de ombros e desviou o olhar, fingindo sugerir algo trivial como escolher entre direita e esquerda.

Ino fechou os olhos e sorriu com carinho, achava meigo a forma como Sasuke tentava disfarçar que se importava e amava como ele parecia ler sua mente tão bem.

— Eu quero tentar, mas…

— Se você quer, faça. E, se der errado, tem a sorveteria. — Ele olhou para ela dessa vez, o sorriso brincando nos lábios, e Ino o acompanhou.

— Você vai pagar se formos lá, e vou fazer questão de pedir um bem caro!

— O dinheiro é do Madara mesmo. — Ele sorriu, cínico, e Ino riu de forma gostosa, esquecendo-se momentaneamente da preocupação.

O lugar a que iam era um pouco longe, demoraram cerca de quarenta minutos para chegar, e Sasuke havia colocado uma playlist específica no carro para preencher o tempo de percurso. Ele sabia que, se deixasse o silêncio se prolongar, Ino pensaria demais, eram quarenta minutos para a mente dela entrar e sair continuamente em suas inseguranças, por isso, colocara as músicas que ela mesma havia selecionado uma vez para si e não demorou para que Ino começasse a cantar livremente.

Não, ela não sabia cantar nem um pouco, e ele ria discreto disso, mas era contagiante, quando via, até ele estava cantando junto como bêbados na madrugada em um show de rock qualquer. Ino fazia muitas coisas com uma coragem que ele invejava, na maior parte do tempo ela não temia o julgamento das pessoas, cantava com entusiasmo mesmo ciente de que desafinava, debatia assuntos que muitos se escondiam só de ouvir o tema. E esse era mais um dos motivos que o faziam perder a paciência toda vez que Orochimaru ousava falar sobre suas exigências para escalar uma bailarina.

— Chegamos — Ino falou e apontou para o prédio. — Será que podemos estacionar lá dentro?

— Cadê o convite que você recebeu? — Sasuke perguntou enquanto parava o carro diante da cancela e o segurança se aproximava.

— Aqui, Sasuke.

Sasuke abaixou o vidro do carro e estendeu o papel para o segurança.

— Ah, sim, podem entrar — o segurança informou e devolveu o papel, sinalizou para a guarita e Sasuke agradeceu antes de entrar no estacionamento do prédio.

— To nervosa — Ino confessou quando Sasuke desligou o carro.

— Eu estranharia se não estivesse. Vamos até lá pelo menos, veja como funciona. Se, depois disso, quiser ir embora, nós vamos.

Ino concordou e saiu do carro antes que voltasse atrás com a decisão. Caminharam até o elevador, e ela apertou a mão de Sasuke com força. Outras pessoas entravam no ambiente, algumas os olhavam, e era difícil não imaginar se estavam ou não se perguntando o que ela fazia ali. Sasuke a chamou e apontou para o lado de fora do elevador. O elevador era panorâmico, dava vista para o ambiente externo e, à medida que subiam, a vista da cidade se tornava ainda melhor.

Sasuke manteve sua atenção no painel dos andares e, quando chegaram ao vigésimo, puxou Ino consigo para fora. Havia um corredor até uma pequena recepção e, depois disso, o andar todo mudava de iluminação e estado. Podiam ver a correria, as vozes disparando ordens, os flashes disparados, alguns cenários montados.

— Boa tarde. Vocês procuram alguém?

Ino se virou para a recepcionista, uma mulher alta, os cabelos azuis presos, o batom vermelho e o olhar delineado. Segurava uma pasta, a roupa era social onde um pequeno crachá com o nome Konan podia ser lido, a postura, impecável, e ela sorria de forma gentil. Ino respirou e se aproximou, estendeu o papel para Konan e trocou o peso entre uma perna e outra ao dizer:

— Recebi esse convite para vir aqui hoje.

Os olhos alaranjados de Konan se arregalaram por um momento, Ino mordeu o lábio e tensionou o corpo quando a recepcionista a examinou dos pés à cabeça. Entretanto, franziu o cenho quando a viu sorrir aliviada e olhá-la com estranha animação.

— Finalmente posso te conhecer! Ino, não é mesmo? Já ouvi falar bastante de você. — Ela saiu de trás do balcão e sinalizou para um homem no corredor. — Avise Gaara que ele tem dez minutos para aparecer no set. — Virou-se para Ino e apontou para uma sala que havia entre a recepção e o caos que se entendia na outra parte do andar. — Pode esperar aqui um momento? Pain virá falar com você e explicar tudo. Seu acompanhante pode esperar aqui com você se preferir.

— Seria muito bom — Ino respondeu rápido, e Konan deu um sorriso compreensivo.

Sasuke entrou na sala, era um ambiente claro, com janelas longas que permitiam uma iluminação natural. Uma larga mesa retangular escura se destacava, as paredes eram pintadas de preto e branco e ressaltavam as fotografias emolduradas que sustentavam. Analisou-as. Eram modelos de diferentes tipos, slogans, propagandas, campanhas, e, embora ele entendesse muito pouco do assunto, tinha certeza de que eram de qualidade. Observou Ino inquieta, ela andava pela sala, limpava as mãos no vestido e também reparava nas fotos dispostas pelo cômodo.

— Acho que vai ser de mau tom abrir um buraco no chão deles, Ino — provocou, e ela estreitou os olhos em sua direção, decidida a ignorá-lo e continuar andando de um lado para o outro. — Você ouviu o que ela disse? Da onde ela já ouviu falar de você?

Ino parou de andar e deu de ombros, confusa.

— Não faço ideia, mas ou eles me conhecem ou mandaram o convite por engano. Minha deusa — Arregalou os olhos. — e se tiverem mandado por engano?

Sasuke revirou os olhos e, antes que pudesse responder, a porta da sala se abriu.

Um homem alto entrou, cabelos laranjas em um corte moderno, terno caro, diversos piercings pela face, lembrava de certa forma a postura da recepcionista, elegante. Ele sorriu de forma discreta para Ino quando a viu e fechou a porta.

— Boa tarde. Meu nome é Pain, sou um dos donos desta empresa e o responsável por explicar o contrato e os serviços da empresa. Você é a Ino, não? — perguntou ao estender a mão em cumprimento.

— Sim, muito prazer — ela respondeu, nervosa. — Esse é Sasuke, um amigo que veio me acompanhar.

— Muito prazer — Pain o cumprimentou igualmente. — Vamos sentar? Querem um café, água ou alguma coisa? — Eles negaram, e Pain prosseguiu. — O motivo de termos feito o convite a você, Ino, foi porque um de nossos fotógrafos assistiu, por acaso, a uma das apresentações da Companhia Nacional de Ballet no ano passado e, ao que me parece, você chamou bastante — Riu suave ao estender um envelope a ela. — a atenção dele.

Ino pegou o envelope com curiosidade, abriu-o e retirou cerca de vinte fotografias reveladas em formato A4.

— Ele nos trouxe essas fotos assim que o ano começou, e eu admito que me interessei por você. Somos uma agência de modelos, produzimos campanhas publicitárias, ensaios fotográficos, organizamos eventos beneficentes e agenciamos nossos modelos para outras empresas e desfiles — Pain explicou à medida que Ino arregalava os olhos e passava as fotos para Sasuke. — E nós queremos, muito, te propor um contrato.

A palavra se repetiu mais algumas vezes na mente de Ino até que ela a conciliasse com os novos papéis que lhe eram estendidos.

— Você pode lê-lo em casa, se preferir, não há necessidade de nos responder neste exato momento — Pain explicou. — No contrato, está explicado tudo relacionado ao pagamento, aos direitos de imagem, tempo de trabalho, dentre outras coisas. E, é claro, nós estamos à disposição para qualquer dúvida ou sugestão de alteração contratual.

Ino corria os olhos pelo papel sem de fato o ler, a mente não conseguia pensar em nada propriamente dito, o choque ainda a deixava estagnada com uma única pergunta nos lábios rosados:

— Isso é sério? — indagou, a incredulidade tão notória que Pain arqueou a sobrancelha sem entender.

— Sim, por que não seria? — ele devolveu a pergunta, e Ino tombou o corpo para trás na cadeira.

Ino olhou para Sasuke, ele ainda analisava as fotografias com certa surpresa, mas a encarou em seguida.

— Ela tem até quando para dar a resposta? — Sasuke questionou ao perceber que Ino estava descrente demais para fazer qualquer pergunta.

— Não estipulamos uma data, contudo, haverá um treinamento para os modelos recém contratados a partir do dia 15, e nós gostaríamos muito que você participasse Ino, a menos que já possua experiência no ramo.

— Não, nenhuma… — ela respondeu, aérea.

— Ótimo. Querem me fazer alguma pergunta ou posso mostrar o lugar para vocês?

— Posso fazer as perguntas depois de ler o contrato com meu pai? — Ino perguntou, e Pain assentiu antes de se levantar.

— Por aqui, por favor.

A primeira coisa que Ino fez ao se levantar e sair daquela sala foi segurar-se no braço de Sasuke, ele entendeu e segurou a mão dela enquanto seguiam logo atrás de Pain. O dono da empresa tinha uma forma clara de explicar as coisas, era sereno, mostrava cada set de fotografia enquanto enumerava as funções, os modelos envolvidos nesta ou naquela campanha, o intuito por trás da escolha dos modelos, a política da empresa. Havia salas separadas, camarins onde as trocas de roupa podiam ser feitas com privacidade, um hall para os maquiadores que pareciam com pressa enquanto um assistente corria para lhes dizer que os modelos possuíam apenas cinco minutos para voltarem à cena, e então um espaço amplo, bem iluminado e calmo, com puffs coloridos, uma cozinha e eletrônicos para o tempo de descanso.

Era lindo. Não só o espaço por completo, mas o brilho nos olhos azuis de Ino. Ela ouvia com atenção cada palavra de Pain, como se seu cérebro tivesse aberto um bloco de notas e registrasse tudo, cada vírgula do que ele dizia. O aperto na mão de Sasuke cedeu, a postura relaxou, os flashes chamavam a atenção, cada um deles servindo de barreira para os pensamentos que Ino sabia que viriam depois, em algum momento. Eles sempre vinham.

— Ah, ali está ele — Pain a tocou gentilmente no ombro e sinalizou para que o homem, que tinha acabado de entrar no set, fosse até eles.

Alto, os cabelos vermelhos num corte moderno e bagunçado, os olhos verdes que saíram do tédio para uma leve surpresa ao se depararem com Ino, uma camiseta simples de manga curta preta, sem estampa, a câmera pendurada no pescoço por uma correia larga e vermelha. Ele estreitou o olhar enquanto se aproximava de Pain, a expressão séria e pouco contente.

— Ino, este é Gaara Sabaku, o fotógrafo que assistiu à sua apresentação.

Ela sorriu um pouco constrangida e estendeu a mão para ele.

— Muito prazer, espero que tenha gostado do espetáculo — falou, e Gaara levou alguns segundos para desviar a atenção de Pain para então respondê-la.

— Sim, estava realmente bem produzido.

— Gaara faz parte da nossa equipe há quatro anos, Ino, e, caso aceite trabalhar conosco e não tenha algo contra, desejamos deixá-lo responsável pelo seu primeiro booking na empresa. Serão algumas fotografias, em diferentes estilos e situações, para que possamos apresentá-la como modelo aos nossos clientes. Mas isso, é claro, podemos discutir depois, eu só queria apresentá-los.

Ino concordou, e Gaara se despediu cordialmente dela e de Sasuke antes de sair. Pain terminou de mostrar os outros andares e apresentou um ou outro modelo com quem Ino poderia conversar para esclarecer melhor suas dúvidas caso não se sentisse à vontade de lhe perguntar. Ao final da visita, estendeu a ela o seu cartão e pediu que Konan a acompanhasse até o elevador.

— Nervosa? — Konan questionou diante do silêncio de Ino.

— Um pouco — Ino admitiu.

— Faz parte, não se preocupe.

Ino viu Sasuke se afastar por um momento para atender o telefone, Konan chamou o elevador, e Ino aproveitou o momento.

— Vou ter que emagrecer? — perguntou, séria.

Konan não demonstrou muita surpresa com o questionamento, em vez disso apenas encarou Ino como se a resposta estivesse na ponta da língua, apenas esperando a hora exata para ser solta.

— Nós te convidamos por quem você é, não por quem desejam que seja. Perder ou não peso é uma decisão que cabe unicamente a você e que não influencia em nada o nosso interesse por você como modelo.

Notas finais
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