Não pare a Música

18 Capítulo 18 - Escolhas


Em certos momentos da nossa vida, a gente sabe que fez a escolha certa, a gente recebe de bom grado o prazer em que a mente mergulha pelo acerto e nada naquele bem estar sem preocupações. E foi assim que Sasuke se sentiu.

Com o corpo colado ao de Naruto, prensando-o contra a parede da cabine, tudo no que podia pensar era em como estivera louco para repetir aquilo. A satisfação foi automática, e ele se recriminou por ter demorado tanto tempo para tomar uma atitude. Seu coração dava saltos, regojizando-se enquanto a boca quente de Naruto parecia querer devorar a sua por completo; beijava-o com a mesma fome e desespero, as mãos sentindo os cabelos loiros como há tempos vinha sonhando em fazer e a língua compartilhando o sabor da bebida e o trocando pelo gosto quente e erótico de Naruto.

Suspirou, o aperto das mãos de Naruto em sua cintura o arrepiava, a firmeza com que esfregavam os corpos um no outro o deixava excitado e ansioso por mais. Os dentes de Naruto o provocavam, mordiam seu lábio inferior antes que fosse chupado em meio a um sorriso provocante.

Ah… sim, sim, sim! Segurou o rosto de Naruto com desejo, sentiu-o abrir as pernas e foi natural colocar a sua entre elas, sendo recompensado pelo gemido rouco que Naruto soltou ao jogar a cabeça para trás e olhar desfocado para o teto. Sugou-lhe os lábios, mordeu a linha da mandíbula e quis provar o gosto da pele, a curiosidade levando sua boca ao pescoço alheio para que mordidas e chupões fossem depositados sem pudor ou restrições.

Intenso, exatamente como havia descrito para Shikamaru. Tudo com Naruto parecia intenso demais, como se eles não acendessem apenas uma chama, mas sim decidissem entrar de vez na fogueira apenas pelo prazer de sentirem a pele queimar e o coração ceder. Não eram apenas toques, não eram beijos e suspiros, eram olhos cegos pela sedutora cortina do desejo, era o desespero de fundir os corpos para fazer o outro entender a insanidade que os governava.

Naruto arfou, o chupão que recebia no pescoço o acompanharia no dia seguinte e mais uma vez ele teria dificuldade em esquecer o quão doce era a boca de Sasuke. Apertou com vontade os quadris dele, os corpos se esfregando em um frenesi que, Deus, como Sasuke conseguia lhe deixar tão perdido!?

O coração batia sem ritmo, ou era ele que estava tão imerso em tantas informações que já não sabia mais dizer… Empurrou Sasuke até a privada, a tampa abaixada permitiu que não perdesse tempo e o fizesse se sentar para então lhe ocupar o colo.

Sasuke arregalou os olhos para o tom entregue de sua voz quando Naruto se sentou exatamente sobre seu membro, a boca já estava ocupada no segundo seguinte, a língua de Naruto o convidando a se perder enquanto a mão dele lhe puxava o cabelo para trás. Sentia a afobação, gostava dela… Naruto era como um oceano revolto, intenso, desordenado, forte, e Sasuke tinha certeza de que sempre seria arrastado por aquela correnteza.

Quis senti-lo, quis tê-lo por completo sob suas mãos como se elas tivessem todo o direito de lhe explorar o corpo, como se nada fosse mais natural do que poder apertar as coxas de Naruto, escorregar as mãos aos glúteos dele e o puxar ainda mais para si, gemendo baixo pelo rebolar que recebia.

A sensação de Naruto era de caos, o mais intenso e excitante caos. Seu corpo fervia, o álcool ajudava um pouco nisso, mas não podia negar, nem se quisesse, que Sasuke o tinha refém. Havia possessividade, delicadeza não era algo que compartilhavam, os toques deixavam claro o desejo, como se as mãos quisessem marcar a fogo todo e cada lugar novo que conheciam.

Sensíveis, a prova de que aquilo já estava além de qualquer controle era que estavam sensíveis demais a tudo relativo ao outro. Os suspiros arrepiavam, os pelos se eriçavam e faziam Naruto puxar o cabelo de Sasuke e se inclinar para aprofundar ainda mais o beijo. Os gemidos roubavam de Sasuke a noção de tempo e espaço, tudo que ele queria era continuar ouvindo o som grave e baixo que arranhava a garganta de Naruto ao escapar dos lábios deles aos seus.

A cabine tornou-se quente. O álcool queimava parte dos medos e das preocupações de Sasuke, como se, naquele momento, ele tivesse recebido um bônus, uma pequena trégua dos limites que o cercavam.

A boca de Naruto chegou ao seu pescoço ao mesmo tempo em que os movimentos em seu colo tornaram-se mais que insinuantes. Não soube reagir, a cabeça pendeu para trás na mão de Naruto enquanto o corpo vibrava pela sensação quente dos lábios em sua pele, dos dentes a arranharem e marcarem, da pressão que o fez gemer pelo novo prazer. Conseguia sentir o trajeto da língua, o calor dela arrepiava-o por inteiro e fazia sua ereção pulsar. Seu coração disparou, dividido entre vontades e receios, o rebolar obsceno em seu membro o confundindo e anestesiando sua mente.

Queria, queria aquilo como nunca antes tinha querido. Suas próprias mãos o assustaram ao invadirem a camisa social de Naruto, apertar e sentir os músculos fizeram-no suspirar tão satisfeito que ele viu Naruto sorrir malicioso antes de morder seu lábio e voltar a beijá-lo.

Apertou-lhe os quadris, estava ciente de que Naruto estava tão excitado quanto ele, não sentia sua ereção pela posição, mas o modo como ele rebolava, como a sua estava perfeitamente encaixada entre as nádegas firmes… Puxou-o mais, as mãos ditando o ritmo com que Naruto esfregava o corpo ao seu sem pudor, o suor descendo pela nuca enquanto tudo o que ele queria era que pudessem levar aquilo para frente, que pudessem gemer um na boca do outro enquanto se deixavam consumir pela combustão que os corpos tanto ansiavam.

Era aquilo que as pessoas sentiam? Era daquele modo que agiam? Era aquilo que vinha perdendo graças às malditas barreiras que sua mente insistia em colocar? Queria mais… Se afogaria em todo o álcool daquele lugar se fosse preciso, embriagaria a mente para pôr abaixo suas bem conhecidas limitações!

As batidas na porta os fizeram arregalar os olhos e paralisarem de repente.

— Naruto, acho melhor vocês voltarem para a mesa.

Naruto resmungou inconformado, Sasuke sentiu a cabeça dele em seu ombro. Naruto limpou a garganta, respirou fundo enquanto não resistia a arrastar a boca na pele exposta de Sasuke e beijá-la com lentidão. Sasuke suspirou, o coração parecia subir à boca à medida que caía em si e lembrava-se de onde estavam.

— Ok, valeu, Shino — Naruto respondeu alto, e eles ouviram os passos se afastando.

Sasuke piscou, a realidade vindo como um balde de água fria, mesmo que nem isso estivesse sendo capaz de sumir por completo com o calor de seu corpo. Engoliu em seco ao olhar para Naruto, os olhos azuis pareciam mais escuros, um convite sedutor para que ele aceitasse a mergulhar de novo naquele oceano.

— Vamos pra minha casa — Naruto sussurrou, a voz cálida em seu ouvido fazendo sua boca secar.

Apertou as coxas dele, subiu para a cintura, uma leve pressão para que ele se levantasse de seu colo.

— Não posso — respondeu e se levantou junto de Naruto, o corpo dele ainda colado ao seu, as mãos em sua cintura e rosto.

— Por que não? — Naruto arqueou a sobrancelha, o tom sussurrado e confuso.

Sasuke negou em silêncio e o puxou mais uma vez para um beijo. Queria fugir daquele banheiro, queria beber até que a mente esquecesse tudo que então vinha lhe atormentar, queria ignorar o cheiro do perfume de Naruto em sua roupa, a sensação quente que ainda lhe acometeu ao sentir a pélvis dele contra a sua, arrastando as ereções à medida que os corpos moviam-se pelo pequeno espaço. Queria simplesmente esquecer para que não quisesse repetir tudo de novo… mas sabia que era impossível.

— Vamos voltar e depois falamos disso — respondeu por fim ao se afastar e sair da cabine primeiro. Pelo espelho à frente, viu Naruto segui-lo, lavando o rosto com a água gelada assim como ele. Encaram-se pelo reflexo, e Sasuke engoliu em seco e recuou um passo ao perceber que quase cedia, os pés querendo levá-lo de volta ao outro. — Vou na frente.

Naruto suspirou contrariado enquanto Sasuke saía do banheiro. Olhou para o próprio reflexo e lavou o rosto de novo enquanto tentava entender se tinha feito algo errado. Sasuke parecia ter gostado, não!, era certeza que sim, aquelas reações não podiam ser fingimento! Ninguém mentiria tão bem, então, por quê? Os olhos de Sasuke tinham mostrado confusão, havia tanto desejo quanto Naruto queria que tivesse, mas também havia outra coisa, algo como frustração, culpa, cansaço, não sabia dizer!

Ajeitou as roupas e o cabelo, saiu do banheiro e admitia estar aliviado por Sasuke estar na mesa. Assistiu a ele de longe e sentiu quando Mei parou do seu lado e apoiou-se em seu ombro. Ela girava a bebida em sua mão, parecia cansada, mas feliz, e olhava na mesma direção que ele.

— Meu banheiro não é motel, Naruto. — Ela riu antes de bebericar a bebida.

— Você me convidou para inaugurar seu bar, não foi? Inaugurei seu banheiro — ele provocou de bom humor, sentindo o rosto quente pelas próprias palavras.

— E acho que é só isso que vai inaugurar hoje porque, pelo tanto que ele tá bebendo com Kiba, você não vai transar hoje. — Ela riu debochada ao apontar para Sasuke.

Naruto arregalou os olhos.

— Ah, merda…

* * *

— Você sabe onde ele mora? — Hinata estava de pé, vestindo o casaco, enquanto Naruto tentava convencer um Sasuke muito bêbado e sonolento a destravar o celular.

— Como eu saberia? — ele devolveu, sem saber o que fazer quando Sasuke deixou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos. — E os amigos dele não me respondem!

— São quase quatro da manhã, Naruto — ela explicou e virou-se para ajudar Shino que carregava Kiba e Hanabi, ambos tão bêbados quanto Sasuke. — Obrigada, Shino, eu já vou… Naruto, peça um táxi, você não está sóbrio o bastante para dirigir também.

— Pode deixar — ele respondeu, baixo, e olhou para Shino como se o amigo pudesse dar a solução para seus problemas.

— Deixa o carro dele no estacionamento da Mei e pede um táxi para vocês — Shino falou simplório.

— E levar ele pra minha casa? — Naruto balançou a cabeça, incomodado.

— Vocês não pretendiam ir para lá de qualquer jeito? — Shino arqueou a sobrancelha e, se Naruto não conhecesse o amigo, até acharia que ele estava debochando da situação.

— Ele me deu um fora — resmungou.

— Ele não parecia estar de dando um fora no banheiro, Naruto, nem depois que vocês voltaram.

— Mas, quando chamei para ir para minha casa, disse não.

— É a primeira vez que vocês saem, ele pode só não querer transar com você de primeira, não acha?

Naruto revirou os olhos e soltou uma reclamação baixo enquanto tentava uma última vez convencer Sasuke a desbloquear o telefone para que tentasse achar algum endereço ou contato de emergência. Sem sucesso, deu-se por vencido e chamou um táxi. Não foi difícil sentar Sasuke no banco do carro, ele piscava de forma lenta, a bebida o deixando mais quieto que o usual, mas com uma expressão serena no rosto. Sentou-se ao lado dele e sentiu-se um idiota por abaixar todas as suas defesas quando Sasuke deitou a cabeça em seu ombro, a mão pousada sobre sua coxa próxima a sua. Entrelaçou os dedos, o suspirar de Sasuke fez seu coração voltar a cultivar expectativas e ele então se deixou apenas observar a respiração calma do outro durante a curta viagem.

Pagou o taxista assim que chegaram. Sasuke apoiou o braço em seus ombros e andava devagar, tentando não tropeçar. Os latidos de Kurama fizeram Sasuke fazer uma careta enquanto escondia o rosto em seu pescoço, Naruto lançou um olhar repreendedor ao cachorro, embora lá no fundo soubesse que os errados eram eles pelo horário. Com dificuldade, chegou ao quarto, ajudou Sasuke a deitar e tirou os sapatos dele em silêncio. Sentia o olhar dele sobre si, eram como dois grandes ímãs, não havia como fugir e, quando os encarou, percebeu o quão ferrado estava.

— Fica… — a voz de Sasuke estava arrastada, sonolenta, e tinha saído tão baixa que Naruto podia fingir que era parte de mais um dos sonhos que vinha tendo. Contudo, a mão em volta de seu punho o trazia à realidade. — Só um pouco…

Era observado, cada movimento parecia atrair a atenção de Sasuke para ele. Deitou-se ao lado dele, mantendo distância, e sentiu quando Sasuke se virou de lado para o olhar. Fez o mesmo, o silêncio lhe parecendo estranhamente certo e confortável.

— Eu não te “dei um fora”... — Sasuke pontuou, os olhos fechados enquanto as palavras saíam sussurradas pelo álcool e pelo sono.

— Então por quê? — Naruto ergueu a mão, os dedos afastando o cabelo de Sasuke do rosto dele com tanta delicadeza que Sasuke não conseguiu disfarçar o discreto sorriso.

— Não posso.

— Por quê? — Naruto não entendeu.

Sasuke voltou a olhá-lo antes de baixar os olhos em uma desistência que Naruto sabia só estar vendo porque ele estava bêbado.

— Só… não posso…

Naruto queria insistir, vontade não faltou, contudo, ele também estava cansado e sabia que Sasuke devia ter um motivo para não lhe dizer o motivo. Suspirou, derrotado, sua mão ainda no rosto do bailarino que agora dormia. Afastou-se, apenas o suficiente para pegar o celular no criado mudo e mudar o horário do despertador. Acariciou a cabeça de Kurama que tinha ido deitar-se no tapete ao lado da cama e então ouviu um celular tocando. A mão tateou o criado mudo sem se virar para alcançá-lo, o barulho foi ficando mais alto, e ele ouviu Sasuke respirar fundo e girar no colchão.

Abriu os olhos, piscou algumas vezes enquanto evitava se mexer quando Sasuke deitou-se parcialmente sobre seu corpo, a cabeça em seu ombro e o braço atravessado em sua cintura. A respiração calma indicava que ele continuava a dormir, e Naruto xingou o maldito celular que agora que desligava o alarme reconhecia não ser o seu. Cinco da manhã! Por que alguém em sã consciência colocava o despertador para cinco da manhã??

Largou o celular de volta ao criado mudo e encarou o teto por alguns segundos. Acariciou os cabelos negros como se isso já fizesse parte de sua rotina e apertou os olhos ao bocejar. Sasuke era escorregadio, mas não desistiria! Não tinha mais volta para ele, estava fascinado, arriscava até apaixonado, e não desistiria tão rápido.

Cobriu Sasuke melhor e fechou os olhos. Não seria fácil, mas, bem, pedir um romance que não fosse menos que turbulento logo para um fã de Shakespeare e outro de Lord Byron soava impossível e cômico. Não… se fosse fácil, não teria graça; além disso, quanto mais difícil fosse, mais apaixonante seria o momento em que finalmente poderia ter Sasuke em seus braços, em que o abraçaria sem que seu coração disparasse medroso temendo que ele fosse acordar e se afastar.

Sorriu com o suspiro relaxado que escapou de Sasuke ao enrolar as mechas do cabelo dele em seus dedos, sentiu a respiração quente em seu corpo e deixou a cabeça apoiar-se no topo da de Sasuke. Não, não queria nem iria mesmo desistir...

* * *

Sasuke acordou com a sensação de que tinha algo muito fora do lugar, a começar pelo despertar mesmo, afinal, ele estava acordando sem seu despertador, sozinho, e isso só podia significar que tinha perdido a hora. Como se não bastasse, uma voz lá no fundo da sua cabeça sussurrava para ele abrir de vez os olhos e cair em si, denunciando existir um detalhe a que ele não estava atento ainda.

Recusou-se. Se já tinha perdido sua aula, não ia desperdiçar a oportunidade de dormir mais um pouco. Sorriu com preguiça, havia um perfume conhecido no ar, e ele abraçou com um pouco mais força o corpo colado ao seu e esfregou o rosto sonolento no lugar de onde vinha o aroma, respirando fundo e soltando o ar sem pressa. Entretanto, os olhos logo se abriram quando ouviu um resmungar baixo e então sentiu o corpo se ajeitar ao seu, as costas coladas ao seu peito, as pernas entrelaçadas e uma das mãos sobre a sua.

A primeira coisa que viu foi o loiro dos cabelos de Naruto. O sol que já tinha invadido o quarto refletia nos fios e na face dele de forma que Sasuke não sabia dizer como o outro não havia acordado. O cheiro morno da pele iluminada pelos raios era tentador, a ponta de seu nariz não declinava o contato enquanto fechava os olhos por um breve momento pela ressaca que o cumprimentava.

Levou a mão à cabeça, soltando Naruto e percebendo que seu braço direito formigava por servir de apoio ao outro. Olhou ao redor sem se mover muito. Aquele não era seu quarto… Arregalou os olhos e o ar deixou seu peito com um alívio inimaginável quando sua mão tateou hesitante o corpo e encontrou cada roupa em seu devido lugar.

O que fazia ali? Por que não tinha ido para casa? Lembrava-se perfeitamente de ter bebido, muito, a ideia insana de manter a mente ocupada e embriagada para não perder a pequena sensação de liberdade que tinha adquirido. Recordava-se de Naruto querendo destravar seu celular, ele conversava com alguém, mas não fazia ideia do que falavam. A imagem de Naruto abaixado enquanto tirava seus sapatos estava nítida e depois só havia azul… Naruto havia deitado de frente para ele, os olhos azuis o encaravam com preocupação e dúvida, podia lembrar bem do calor da mão dele em seu rosto e de como havia se sentido seguro e por isso dormira sem lutar contra o sono.

Mas agora a fantasia chegava ao fim. Tinha que dar o fora daquele lugar antes que Naruto acordasse e lhe cobrasse respostas. Retirou o braço sob a cabeça dele com muito esforço, saiu da cama sem fazer barulho e entrou no banheiro da suíte depressa. Trancou a porta e se apressou em lavar o rosto. Sentia-se um fugitivo, não havia motivos para aquela correria, nunca havia agido daquela forma! Se não queria falar, era só dizer não a Naruto como tinha feito com Shikamaru e outros antes, não tinha motivo algum para aquele desespero.

A não ser as marcas em seu pescoço…

Paralisou, a boca abriu-se, surpresa, sem deixar nenhum som escapar enquanto o corpo despertava por completo com as lembranças do que ocorrera no banheiro do bar. Tocou as marcas avermelhadas com incredulidade, balançou a cabeça e apoiou-se no mármore da pia à frente.

Respirou fundo, a voz de Naruto ecoou em sua cabeça enquanto se lembrava que tinha feito o mesmo com ele, talvez até mais…

Não iria entrar em pânico. Encarou o reflexo com mais calma, ajeitou a roupa amassada como pôde e saiu pela porta recomposto.

— Bom dia, Sasuke. — Naruto sorriu, sentado na cama com os braços erguidos enquanto se espreguiçava.

— Bom dia. Onde está o meu carro? — perguntou, tentando soar indiferente, e caminhou até o criado mudo onde achou as chaves, carteira e celular.

— No estacionamento da Mei. Eu te levo lá depois de tomarmos café. — Naruto se levantou e parou ao lado dele. — O que você come de manhã? Nossa, isso vai precisar de maquiagem. — Ele arregalou os olhos, e Sasuke sentiu as mãos dele em seu pescoço, os dedos contornando as marcas e lhe causando um leve arrepio enquanto o sorriso pequeno que Naruto fracassara em esconder não escapou de seus olhos. — Eu te ajudo depois, devo ter em algum lugar algo para não deixar isso tão evidente pelo menos até você chegar em casa.

— Não precisa, eu estou atrasado, pego um táxi até o bar.

— Você sabe que não aconteceu nada ontem, não é? — Naruto conseguiu dizer após Sasuke passar por ele e se colocou a segui-lo para fora do quarto.

— Sei.

— Então — Naruto lhe segurou pelo punho, fazendo-o se virar para encará-lo. — por que está fugindo?

— Não estou fugindo — Sasuke rebateu, o cenho franzido em irritação pela acusação feita, ainda que fosse verdadeira.

— Está arrependido? É isso? — Naruto perguntou, e tinha um tom tão inseguro enquanto o fazia que Sasuke desviou o olhar, frustrado por aquilo o atingir mais do que deveria.

Não tinha que se importar com o que Naruto acharia! Não tinha que ficar mal por ele estar entendendo errado por que não iria levar aquilo adiante, não é? Então, era até melhor que Naruto tivesse a ideia errada dele, assim lhe pouparia trabalho. Mas então… por que se sentia tão incomodado?

— Não — garantiu, firme, os punhos cerrados enquanto a mente tentava achar uma saída para o labirinto que os sentimentos confusos criavam.

— Então o que é? Porque eu não vou entender se você não me disser, Teme…

— Eu já falei para parar de me chamar assim, Dobe!

— Vou te chamar assim enquanto ficar agindo desse jeito! Mas que coisa! — Naruto bufou e, em seguida, bagunçou os cabelos, encarou Sasuke e manteve as mãos na cintura dele num pedido mudo para que ele o ouvisse. — Olha… foi você que me arrastou para aquele banheiro ontem, então eu sei que você está tão a fim de mim quanto eu de você e, a menos que me dê um bom motivo para isso não dar certo, eu não quero desistir.

— Um bom motivo? — Sasuke repetiu, fingindo-se alheio à declaração que preferia manter longe da cabeça para conseguir raciocinar direito.

Naruto sorriu ao dar de ombros.

— Sei lá, você ser casado, estar namorando, ser um serial killer procurado, coisas desse tipo.

— Ser casado está no mesmo patamar de um serial killer? Você precisa rever seus conceitos.

— Não mude de assunto, Teme. Só me diz se existe mesmo alguma coisa que me impeç-

— Eu não vou transar com você — disparou de uma única vez, sem hesitar, os olhos negros fixos nos de Naruto enquanto o via abrir a boca, surpreso, fechá-la e pender a cabeça para o lado em pura confusão.

— Ah… certo… e isso é algo seu ou é comigo especificamente? Porque, se for comigo…

— Não tem nada a ver com você. — Sasuke revirou os olhos. — Mas eu não posso.

— Ok… — Naruto pareceu pensar, e Sasuke se atentou a cada traço do rosto dele, tentando lê-lo. — É só esse o nosso problema?

— Só? — Arqueou a sobrancelha, e Naruto riu, sem graça.

— Eu já meio que tinha entendido que você não queria transar comigo tão cedo, sei lá se você é religioso, puritano, assexual, não sei, mas tudo bem se é só isso. E você também já disse que não pode falar, então… não sei, espero você querer me contar.

Sasuke suspirou, havia certa frustração ao olhar para o teto e rir baixo com ironia.

— Isso não vai durar um mês — murmurou, mais para si do que para Naruto, mas o outro ouviu. Quando olhou para Naruto, ele estava sério, as mãos em sua cintura agora o seguravam com mais firmeza pelas costas, trazendo-o para perto, e os olhos azuis o fitaram de maneira decidida.

— Quer apostar, Teme? Não sou de pular fora tão fácil.

Sasuke tinha a resposta ácida na ponta da língua, apenas para provocar Naruto porque, verdade seja dita, ele não tinha outra forma de mascarar seu alívio. Entretanto, não coube a ele falar, a resposta que Naruto queria não era composta por palavras. A boca dele havia requerido a sua, o toque não era muito gentil, mas talvez fosse por Naruto ser afobado, o beijo era lento, deixando mais que claro que corresponder seria aceitar puxar Naruto para sua vida.

Hesitou.

Não teve esse medo com Shikamaru, o ex-namorado era racional, dava para saber sempre que ele andaria pelo caminho que Sasuke traçasse, que tudo estaria sob controle. Naruto não… ele era intenso, irritantemente intenso demais! Toda pequena ação parecia grande demais, não havia como traçar nenhum plano para ele, Naruto nunca o seguiria, ele andaria por onde quisesse e o arrastaria consigo a despeito de suas restrições e a prova disso estava marcada em sua pele, em cada chupão que tinha permitido, em cada sensação que havia desejado experimentar.

Não. A boca se abriu. Não era uma boa ideia… mas... as mãos puxaram Naruto pela nuca.

Deixar Naruto entrar em sua vida estando ciente de que ele poderia trazer à tona tudo aquilo em que evitava sequer pensar era burrice! Mas, ainda assim, queria e, por isso, beijou-o de volta e tentou obter dos lábios dele a promessa de que não se arrependeria.

Notas finais
Olá!! Gente, eu vou responder os reviews, não desistam de mim!! E aí? Curtiram? Teorias? Reviews? Críticas? Sugestões? Beijinhos e até semana que vem!