Não, né?
1 Capítulo 1 - Experimento social via Whatsapp
Notas iniciais
Tudo parecia ótimo naquele dia, fui dormir na esperança de acordar num outro dia, mas não foi tão fácil assim. Após algum tempo levei a mão ao lado, mais precisamente no meu celular que estava no criado-mudo. Já havia terminado o terceiro ano do colégio, estava apenas esperando minhas aulas da faculdade começar, o grupo da sala de saúde ainda existia no Whatsapp, fui vendo as pessoas que ainda estavam lá, de umas 30, restavam apenas 22. Entre todos aqueles nomes um me chamava atenção, Anna Freud.
Bem, esse é o nome da filha de Sigmund Freud, mas ela não é filha do criador da Psicanálise, talvez tenha esse nome fosse uma homenagem de seus pais. Eu não sabia nada sobre ela, para falar a verdade, não sabia nada por não prestar muita atenção nela. Minha única interação em um ano inteiro com ela foi apenas oferecer o controle de videogame para jogar no telão de um auditório e ela recusou, mas eu fiz isso apenas por no momento que virei ela virou também, era difícil não falar nada. No evento Anime Festival 2015 eu a vi por alguns segundos e alertei um amigo.
Voltando ao Whatsapp, deixando as memórias de lado. Nessa semana estava muito movido a vídeos de interações sociais no YouTube, tanto que olhava até vídeos do exterior imaginando como seria aquelas experiências no Brasil. Resolvi fazer uma “interação social” com Anna Freud. Ela estava online, mas enquanto escrevia uma mensagem meio longa ela ficou offline, mesmo assim continuei a escrever. Não tinha nada específico em que mandar, não era uma declaração, posso afirmar que eram baboseiras.
Mensagem: Os magos classe A te deduraram, já sei de toda a verdade. Sua atitude intolerável de matar minhas vacas sagradas. Isso não pode ficar assim, suas ações interferem na continuidade do espaço-tempo, solicito explicações sobre esse fato ocorrido. Então, deverá haver uma responsabilização por seus atos e faremos um acordo para que os dois lados saiam satisfeitos.
Ainda não havia enviado, utilizei uma regra bem básica sobre adicionar, deletar, ler, fazer e enviar ou não fazer nada das coisas que você quer fazer por um lado, mas não quer por outro. Apenas faça e pense nas consequências depois, podem nem ser tão ruins assim. Mensagem enviada. Esperei um tempo, mas nada de resposta. Claro, não sou tão inconsequente de fazer isso com coisas mais sérias, isso não chegava a ser algo preocupante, poderia até ser divertido se ela entrasse na brincadeira. Não liguei muito para o que eu fiz, tentei dormir e consegui.
Acordei no meio da noite, fui até a janela e desbloqueei o celular, vi que ela havia lido a mensagem mais não tinha respondido. Voltei a dormir, ela provavelmente deve ter feito o mesmo durante a madrugada, mas não tinha saco para responder. Acabei dormindo sem me dar conta que ela havia respondido minha mensagem pouco tempo após eu ter dormido novamente por causa de eu ter deixado o celular no silencioso.
* * *
Antes que pule para resposta da Anna Freud assim como eu fiz ao acordar, permita-me uma breve apresentação. Eu me chamo Sora Miryu mesmo, e sim, sou nissei, sou filho de japoneses, meus pais vieram antes que eu nascesse para o Brasil por causa de negócios. Logo que acordei com o despertador do celular pude ver que havia uma mensagem, não perdi tempo e fui direto, desbloqueei o celular com a data do meu nascimento e pude ler a mensagem.
* * *
Resposta: Não mato vacas
A resposta não foi como eu pensei que seria, ao dizer uma besteira dessas para alguém é de se pensar que ela nem responda ou pergunte o que ouve. Ela caiu no roleplay, ou seja, entrou no papel de um personagem. A partir dessa resposta, deixou de ser uma troca de mensagens e se tornou um diálogo. Mas essa conversa não começou de manhã.
Acordei bem tarde, tempo o suficiente para almoçar quase depois de acordar, logou chegou noite e eu havia passado a tarde fazendo o que eu sempre faço. Chegou alguns dos meus livros para faculdade de odontologia. Enquanto eu dava uma olhada neles, Anna estava online, então decidi falar com ela para acertar o lance das vacas.
Sora: Hey
Anna: Hey
Sora: E minhas vacas, como fica
Anna: Eu não fiz isso, os magos classe A estão errados.
Sora: Eles jamais mentiriam para mim.
Anna: Quem é você?
Sora: Sou um fada dos dentes que serve aos magos classe A.
Anna: Sou incapaz de fazer mal a suas vacas, eu não tenho nada a ver com isso.
Sora: Mentirosa.
Anna: Diga para esses magos não ficarem me acusando de algo que eu não fiz ou a parada vai ficar séria.
Sora: Que parada?
Anna: Não sei.
Sora: Como assim não sabe?
Anna: Eu não sei. Por que você é um fada dos dentes?
Sora: Não sei.
Após um tempo de conversa, ela me mandou a foto de um livro, O Alquimista, de Paulo Coelho. Não foi preciso muita pesquisa para saber que o universo desse livro não se tratava de algo fantástico assim como o de Fullmetal Alchemist. Falei um pouco sobre o anime, mas ela não demonstrou interesse e mostrei um projeto de cosplay que estava pensando em fazer.
Anna: Por que veio falar comigo?
Sora: Gosto de incomodar as pessoas.
Anna: Mas você não está me incomodando, pelo contrário, você é legal.
Em mais de uma hora de conversa ela já podia afirmar que eu era legal, não querendo se exibir, mas já se exibindo, sou legal pra caramba, mas não com todo mundo. A conversa continuou e em algum ponto da dela, ela me mostrou uma foto de sua cadela. Foi na hora do jantar que serviu para cada um ir para um canto, demos uma pausa na conversa e só voltamos com ela três dias depois.
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