Não me deixe ir

1 (Prólogo) A vida é um chute no estômago


Notas iniciais
Sejam bem-vindos, peço que me avisem caso virem algo de errado pois faz um bom tempo que não escrevo nada. Boa leitura.

“Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então.”

Era uma vez. Porque todas as grandes histórias de amor sempre começam assim, então nada mais justo do que a minha história começar desse jeito também. Afinal esse é o mais próximo que eu vou chegar de um conto de fadas, para a minha infelicidade.

Quando eu era mais nova, achava que casaria aos 15 anos com o garoto mais lindo do mundo, que por acaso seria um príncipe. Imaginem só que grande impacto foi para mim ao ver que isso não iria ocorrer? O máximo que consegui aos 15 anos foi um suéter maior que meu tronco e um rosto cheio de espinhas indesejadas.

O ponto é que as coisas nunca saem do jeito que a gente planeja. Talvez isso se deva ao fato de o universo simplesmente não ir com a nossa cara e ser um grande filho da puta, por isso boicotar cada pequena chance de fazer algo que realmente queiramos.

O que nos trás exatamente ao ponto em que eu, Alissa, estou parada com muitas caixas em frente há uma casa que não parece a que eu vi mês passado nos anúncios. Seja como for, após atravessar um continente não tem como voltar atrás.

Não que eu esteja reclamando de algo, está muito cedo para isso, eu teria que ter mais motivos pelos quais reclamar...

Espere! Eu tenho.

Além dá casa não ser nada do que eu esperava, o caminhão com alguns dos móveis sumiu do mapa e o rastreador simplesmente parou de funcionar, o que me faz crer que de fato fui roubada. O que não é novidade, o universo realmente me odeia desde que eu nasci.

Agora além de estar longe de tudo que eu conheço, morar em uma casa que parecia que iria cair os pedaços, eu ainda não tinha móveis. Para a minha sorte, ou não, pelo menos as roupas ainda estavam comigo.

Quando resolvi me mudar eu não sabia que morar sozinha era um grande chute na bunda, sempre fantasiei que era não ter que lavar a louça, nem arrumar o quarto, mas olha só? É arrumar móveis, dobrar roupas, arregaçar as mangas e aceitar as consequências das escolhas que eu fiz. Pensando bem, não era uma hora ruim para sair correndo para as saias da minha mãe novamente. Não que ela fosse me aceitar novamente de braços abertos.

Se me acharam resmungona, minha mãe era a versão mais velha e dez vezes mais experiente de mim, o que podia acarretar em um nível bem mais alto de mal-humor do que o meu.

⇢ ☾ ⇢

Bom, como o meu guarda-roupas devia estar no Iraque a uma hora dessas, tudo que eu tinha de roupa estava devidamente dobrado dentro das caixas.

Mas também era só isso. Nada além. Sem fogão, sem guarda-roupas, sem cama, apenas alguns travesseiros e uma ou duas cobertas que serviriam de cama por essa noite.

Essa era a desgraça de viajar de noite. Caso você fosse roubada, você simplesmente não poderia ir ali na casas Bahia e comprar coisas novas. Se é que existia Casas Bahia na Flórida. O ponto é que todas as minhas passagens de agora em diante seriam de dia, nunca se sabe quando você vai precisar.

O chão não era tão confortável quanto uma cama, mas ao menos estava limpo e era tudo que eu poderia pedir, visto que não da pra trazer uma vassoura dentro de um avião. Ao menos, eu acho que não.

Olhar pro teto sem lâmpada me fazia agradecer por ter vindo já empregada pelo filho do amigo da minha tia. Eu nem sequer queria imaginar o que minha tia tinha feito para consegui-lo para mim, mas de fato, minha tia não media esforços e faria tudo para conseguir o que quer que fosse. Pelo menos não me faltaria dinheiro para repor tudo aquilo que eu não tinha, não mais. Talvez eu até comprasse coisas melhores, mas teria que ser aos poucos, visto que eu ainda não era rica.

━ Amém pai do céu pela minha tia ser uma louca desvairada que faz de tudo por mim.

Notas finais
Oi de novo, q. Espero que tenham gostado desse prólogo, como podemos notar Alissa é uma peça rara de reclamação. Eu sei que está pequeno, mas isso é só uma introdução ainda, então espero que gostem tanto quanto eu estou gostando de escrever.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.