Não há título para a tristeza
1 Corte 1
Desagradável. Nojento. Grosseiro e feio. Não gosto de ser sutil. Não gosto de ser o que sou. Nem sou o que quero ser, por mais que tente. Falho, terrível e triste.
Se ao menos pudesse me sentir melhor sendo eu mesma, sem ter que desistir de tudo e fechar-me novamente... Para evitar que me sinta pior.
As paredes caem e finjo que nada tivesse acontecido, não quero me juntar aos outros. Não quero ser rejeitada mais que já faço a mim mesma, sem confiança alguma, sem uma única qualidade para me orgulhar. Me doo totalmente à felicidade alheia, ocupando minha mente com algo que preste simplesmente para me fazer perdoar. A adolescência nos envenena aos poucos, corrompendo e queimando toda a bela infância. Isso nos estraga e vomita todas as borboletas do estômago, que após socá-lo repetidas vezes, resolve se comportar.
Não quero ligar. Não quero prestar atenção. Não quero me desesperar mais do que agora, me afogando e procurando ar desesperadamente para me tratar.
Me cubro de vergonha. Cubro o meu corpo de vergonha. Cubro a minha mente de vergonha e é assim que pretendo viver. Em defesa. Guardada. Duas ou três pessoas já me bastam para acompanhar minha lenta morte nesse mundo amargo. Só preciso do meu egoísmo, das minhas lágrimas e uma lâmina presa no pescoço enquanto me deixo levar pela natureza bondosa que tanto preciso me convencer.
Um coração quebrado, um corpo quebrado e uma mente que há pouco foi destruída e então colada cuidadosamente com suas centenas de peças faltando. Uma vida simples já é o que me basta para viver bem. O material me enjoa. O material me dá raiva e o espiritual afaga meus pobres cabelos. Ele sim, me abraça com todas as bondades e me renova. Ele, o que me largou, costumava fazer isso. Me dói lembrar disto. A segunda lâmina vem quando fui idiota a ponto de jogar fora a única coisa que me ama e sempre amaria.
Já fiz besteiras de mais para continuar tentando melhorar. Tristemente devo conviver com o que mais detesto — eu mesma — como a maior punição. Ah, como sou amadora.
Fale com o autor