Não há frio que resista a paixão
2 Seu belo sorriso debochado

No dia seguinte, eu pedi para o meu irmão pegar água, para tentar evitar pensar no que eu vi, mas o maior problema foi que aquela imagem não saia da minha cabeça, como se ele estivesse-me chamando. Então em vez de ficar no meu trabalho, eu simplesmente decidi fazer uma caixa de curativos e sai com a desculpa mais esfarrapada que podia de lá, para voltar à floresta e ver como ele estava e se ele continuava lá.
Não sei se era o que eu tinha visto ou se era a floresta ou somente o meu psicológico, mas achei o clima muito mais tenso, no caminho colhi algumas frutas e peguei bastante água, pensava se ele iria-me matar ou deixar cuidar dele, pensava o que ele ia pensar quando ele me visse e eu pensava demais e ia me distraindo enquanto andava, mas sempre pensando nele.
E quando eu cheguei ao local, ele ainda estava lá, parecia estar na mesma posição, mas era impossível ele ficar assim por tanto tempo. Preferi chegar pela frente a ir por trás, ele poderia pensar que era um inimigo e me matar e o que eu mais pensava era porque eu tinha tanta motivação para ajudar ele, afinal ele já deveria ter destruído milhares de aldeias e derramado muito sangue.
Ao caminhar devagar, ele não se mexia, cheguei a pensar que ele estava morto, então coloquei a comida não muito perto dele e fiquei ali. Foi quando ele levantou o rosto e olhou para mim com a cara mais desprezível possível em todo mundo. Então pensei que talvez ele estivesse com sede e coloquei um pouco da água em um pote e coloquei perto das frutas e ele não se mexeu. Então com uma nova tentativa de ajudar ele, fui para o outro lado e me agachei perto dele, assim abrindo a caixa de curativos e reparei que o machucado estava muito menos sério que antes, fiquei com um pouco de medo de tocar nele, talvez tenha ficado lá por uns 20 minutos, mas como ele não fazia nada tentei encostar nele, então ele se afastou mas não falou nada.
Eu fiquei muito irritada porque estava tentando fazer de tudo por ele, e ele não merecia nada disso, eu poderia simplesmente ter corrido e contado a aldeia toda que ele estava ali e com certeza ele seria morto, fui o mais legal possível e ele não teve nem um pouco de bom senso comigo, então deixei as coisas lá, inclusive deixei a caixa, para caso pensasse em voltar, não precisaria ter outra desculpa esfarrapada no trabalho.
Por quatro dias repetimos essa rotina, eu sempre deixava comida e água e sempre tentava cuidar do ferimento dele, porém ele sempre se afastava. Mas fazia dois dias em que o machucado não havia melhorado em nada, isso começou a me preocupar, não sabia o porquê não estava mais se curando e o que me deixava mais preocupada era o porquê eu me preocupava com ele.
No quinto dia, eu tomei um grande susto, quando estava deixando as frutas no chão ouvi uma voz bem forte, era dele e dizia:
– Porque você faz isso todos os dias?
Assim que me tremi de susto, surgiu um sorrisinho debochado no rosto dele, então assumo uma expressão de raiva e respondo:
– Há algum motivo especial para você se interessar nisso?
Ele dá outro sorriso e vira o rosto:
– Só achei perda de tempo da sua parte – houve um longo silêncio e ele disse – Eu não como essas frutas.
Então resolvi expor a situação real, caso ele não estivesse entendendo.
– Há dois dias que seu machucado não fica menor, será que você não deveria comer algo? – e pego o pote de frutas e ofereço a ele.
Ele pega apenas duas e come, enquanto eu apenas fico olhando para ele.
– Quem é você? – Ele diz.
– Meu nome é Rin, moro na aldeia aqui perto, entendo um pouco sobre cura por isso pensei que poderia te ajudar. – respondi
– Está errada, caso você seja uma menina muito desatenta não percebeu que eu não sou um humano e sim um yokai. Eu me curo sozinho não preciso dessas coisas que vocês usam – então ele empurra a caixa de curativos para longe.
– Acho que você apenas está com medo, alias se você fosse tão poderoso assim, não estaria mais aqui e se braço estaria curado, por favor, eu só quero ajudar, deixe apenas eu lavar seu machucado, talvez isso esteja piorando seu processo de cura.
Ele não responde me levanto e pego a caixa, fico observando, mas ele não faz nada. Eu me aproximo e começo enfim a lavar o machucado.
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