Com o passar dos dias, Maíra percebeu três coisas sobre a tia: sua comida sempre tinha gosto de queimado; bebia bem mais do que fumava; e nunca falava sobre o passado.

Maíra acabou assumindo a cozinha. Naquela noite, Daiara voltou do trabalho no mercadinho local com um engradado de cerveja. Sentaram-se diante da TV para jantar e a tia abriu sua terceira latinha.

— O que significa abjurado? — perguntou Maicom, após a palavra surgir na televisão.

— Sei lá — respondeu Daiara. — Meu ramo é exatas.

— Você fez faculdade?

— Óbvio! Só não conclui.

— Por quê?

Daiara bebeu outro longo gole.

— Esquece.

Viu só!

Notas finais
Palavra-chave: abjurado Há dias prometo revelar as idades das crianças no enredo, mas sinto que perdi a oportunidade de fazê-lo nos primeiros capítulos. Agora parece uma informação irrelevante para a narrativa. Para os leitores, não, então aqui vai: Maíra tem 12 anos, Maicom tem 10, e Vitória tem apenas 4. Para quem não lembra, Daiara está no auge dos 25 anos. Sua falecida irmã, Diana, tinha 28.