Não conte nada ao Aureo
3 Banhos
O teto era uma pintura do céu, com nuvens e uma realidade magnifica. Realmente parecia que ela estava olhando o céu de uma manhã ensolarada, mas não estava. Suas pálpebras se encontravam em piscadas lentas e sonolentas. Já estava enterrada naquela cama a um mês. Carla não suportaria muito tempo.
As primeiras semanas foram as mais "celebres". Todas as vezes que Ana entrava no quarto, parecia que um palhaço acabará de entrar em uma festa infantil. Sua voz mudava ao perguntar se a moça havia dormido bem ou se ela estava pronta para tomar banho. "Não fale comigo assim, Ana" Carla pediu, ela teve que usar de toda sua educação para isso. Ela queria xingar a irmã e soca-lhe o nariz, mas era educada de mais para falar isso ou fazer. "Só estou tentando te animar, não seja chata de mais. Anda, me ajude a arrancar essas roupas velhas!" " Ana pediu sorrindo e tocando o nariz da irmã com o indicado.
Ficar nua na frente da irmã era algo extremamente fácil, ambas sempre tomavam banho juntas antes de Ana se casar. Elas eram muito unidas, mas o fato de amarem o mesmo homem a fizeram se afasta. Fizeram Carla se afasta.
De vez em quando Aureo tinha que ajudar as moças, Ana insistia que a irmã tinha que tomar sol todos os dias. Aureo colocava Carla no colo e desciam escada a baixo para mais um celebre passeio sobre o sol quente da cidade. A paisagem nunca mudava: Calçadas recém concertadas e poucas arvores ao longo da via principal. Carla sentia falta das ruas norte americanas, era mais gostoso respirar lá. Ana levava a irmã no caminho mais ensolarado que podia, evitando qualquer sombra. Ana nunca tirou a carteira de motorista e, pela forma que a irmã guiava a cadeira de rodas, Carla sabia o motivo. Ela era péssima condutora de cadeira de rodas! Um dia, Aureo colocou a mão no ombro da cunhada e sorriu para ela. "Aguente firme, está bem? Já, já isso passa" ele disse. Carla não soube dizer se ele se referia a esposa, que estava comprando sorvetes na padaria do outro lado da calçada ou se ele estava falando da cadeira de rodas. Ela escolheu a opção da esposa, mas ele se referia a cadeira.
Aureo sentia pena da cunhada. Vê-la em uma em uma cadeira de rodas o fazia duvidar de sua própria fé. Pessoas boas não deveriam ser castigadas no lugar de pessoas mas. O infeliz que causou o acidente ao menos foi pego e ela estava ali, sabe-se lá até quando, em cima de uma cadeira. Uma jovem que merecia ser feliz. Talvez não exista ninguém lá em cima o rapaz pensava enquanto observava a cunhada tomando sorvete e sua esposa fazendo bolinhas de sabão, com seu novo brinquedo que havia comprado na padaria.
As tardes eram assim nas primeiras semanas.
Aos poucos Ana foi deixando de fazer a vozinha. Aos poucos os passeios foram deixando de ser diários para se tornar quase mensais. Não havia mais as frases sem sentido de Aureo. Não havia mais as visitas das pessoas do trabalho, dos amigos ou qualquer um que se sentia culpado por não ter dado devido valor a Carla e agora tentavam se redimir com visitas ou presentes comprados no mesmo dia enquanto iam para a casa que confinava a jovem. Os banhos eram de calcinha e sutiã, para que Aureo pudesse colocar a cunhada na cadeira de banho. Carla ficava sozinha lá, se ensaboando e lavando os cabelos, Ana tinha que parar o que estava fazendo para ensaboar as costas da irmã e em baixo das pernas da irmã mais velha. Aquilo havia se tornado rotina, aquilo havia se tornado uma carga grande para Ana.
Um dia a jovem de cabelos cacheados estava seriamente estressada! Já havia dado banho na irmã, levado para passear, dado comida, passado um tempo com ela, arrumado a sala, quarto, cozinha, varrido o quintal, feito o jantar e ainda estava lavando a louça do jantar. Ela estava sobrecarregada. "Ana, você poderia..."Aureo começou a pedi. Ana não escutou, sua mente travou e lagrimas surgiram em seus olhos. "Não, eu não posso!"Ela gritou para o marido que, surpreso, tentou falar algo, mas foi interrompido. "Que merda, você não esta vendo que estou ocupada?! Não vou fazer nada! Já faço de mais e ainda nem acabei o que tenho de fazer! Não faço ideia se levei minha irmã ou o cachorro pra passear" Ela disse, enquanto as lagrimas desciam pelo seu rosto. Aureo não sabia o que fazer ao certo, então fez a única coisa que um homem deve fazer: abraçou sua esposa e disse que tudo ficaria bem. Ana desabafo e seu marido a escutou, prometeu ajuda-la e disse que sempre estaria ali. Duas horas depois ele estava jogando cartas com a cunhada enquanto Ana lavava a louça do jantar.
Ah, Carla! Que felicidade para ela era as noites de quarta! Aureo jogava cartas com ela até a madrugada e apostavam salgadinhos que ele trazia. Era algo muito bom de se fazer e o homem se sentia feliz ao ver a cunhada alegre e falante. Finalmente ele sentia que estava tendo um bom relacionamento com a cunhada. "Não é justo","Você está roubando!" e "Ah, nunca vou consegui ganhar de você" eram coisas que Carla dizia para aumentar o ego do homem amado. Ela era sutil em seus flertes, não ia deixar que ninguém percebesse o que estava fazendo. Quando Ana vinha jogar com eles, Carla era ainda mais discreta. Não deixava a irmã ganhar, mas sempre ficava em segundo lugar para que Aureo pudesse ganhar. Ela era um gênio nas cartas, fazia toda a sua estrategia para que o jogo sai-se como ela desejava e sempre saia como ela queria.
Mas hoje não era quarta, já havia tomado banho e somente podia escutar os barulhos que os convidados faziam lá em baixo. Sua irmã havia aberto a porta de seu quarto e chamado seu nome baixinho, mas ela fingiu que estava dormindo. Carla não queria mais um idiota com piedade ou remorso perto dela. Infelizmente não haviam fechado a porta adequadamente e essa havia sido empurrada pelo vento e ficado aberta, fazendo com que todo o barulho do andar de baixo entrasse pela porta e a fizesse escutar tudo. Pelo jeito, sua irmã havia saído e Aureo estava lá em baixo com alguns homens, talvez uma mulher. O barulho deixava claro que estavam jogando cartas e que estavam animados, conversando sobre tudo, mas algo chamou a atenção da jovem refém de sua cama.
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