Não conte as margaridas

3 Sorvete com batatas


Notas iniciais
Boa leituuura

A primeira coisa que eu fiz ao acordar foi mandar uma mensagem para João Pedro.

Eu tinha tido um sonho em que a namorada atual dele chegava no bar e começava a me xingar, mas eu não sabia se ele tinha namorada, então resolvi perguntar.

Eu: Pedro, você não tem namorado (a),tem?

Pedro: Bom dia :)

Pedro: Hum, obrigado pela parte que me toca

Pedro: Tenho cara de gay?

Eu: Não! Não foi isso que eu quis dizer

Pedro: Kkkkk, relaxa, eu entendi

Pedro: Não estou compromissado, e você?

Eu: Também não

Pedro: Estou sozinho há dois anos pra falar a verdade...Kkkkk

Eu: Estou solteira faz um tempinho, kk

Faziam dois meses que Rafael tinha terminado comigo, eu ainda estava guardando um grande rancor dele.

Fiquei conversando com ele até perceber que tinha que levantar para viver.

Fui tomar um café da manhãalmoço, as meninas tinham acabado de acordar também. Detalhando que Isa chegou em casa pelo amanhecer.

Fizemos nossos cafés da manhã e começamos a comer.

– Miles, qual é...Você não para de falar com ele, tenta...Sei lá, se fazer de difícil, não estar sempre disponível.

Isabelly reclamou.

– Estou só olhando a foto de perfil dele.

Ela olhou para Esther.

– Apaixonada, já?

– Não — Ri — Só olhando para o meu próximo erro.

Voltei a encarar a foto.

– Talvez vocês namorem.

– Talvez não.

Esther me tomou o celular.

– Pronto, não vamos falar mais de macho até ás sete horas da tarde.

Eu e Isabelly concordamos e continuamos a comer.

Fui tomar um banho e depois fui descer com Pingo.

Esther foi comigo.

– A Patrícia volta da Noruega semana que vem, né?

Patrícia é uma outra amiga nossa, só nossa, estudamos com ela no ensino médio, ela era novata e eu e Esther a recebemos e apresentamos a escola, acabamos virando amigas. Apesar de Patrícia ser um ano mais nova que a gente, era um prodígio, ela tinha dezessete anos, tinha passado para direito em segundo lugar em três faculdades, era uma pessoa divertida e muito inteligente.

– Sim.

Ela acendeu um cigarro.

– Será que ela ficou com muita gente lá?

– Ela tem namorado, Esther.

– Isso nunca me impediu.

Disse depois deu um trago.

Comecei a rir.

– Claro que não...

Ficamos conversando por um tempinho enquanto Pingo se divertia, depois começou a ventar um pouco.

Subimos, fui ler na sala, as meninas me acompanharam.

Foi praticamente isso que fiz o dia todo.

– Que horas são?

– Oito horas.

Isabelly me respondeu.

Pulei do sofá.

– O que?! Ele vem me buscar ás nove!

Isabelly pulou do sofá também.

– Vai tomar banho, vou separar umas roupas...

Ela não terminou de falar, fui correndo para o banho, confiando no bom gosto de Isabelly e nas argumentações de Nemo para roupas.

Depois do banho, escovei meus dentes e depois fui colocar a roupa que elas separaram.

Era um vestido, confesso que muito bonito, porém curto.

– Não está curto de mais não?

Perguntei me olhando no espelho.

– Desde quando você se preocupa com isso?

Isabelly perguntou.

– Desde quando não quis parecer uma vadia numa primeira saída.

– É um encontro.

– Não é.

– Tá...Mas você está bonita e é o que interessa.

Não tinha tempo para ficar trocando de roupa, eu estava quase me atrasando, fui me maquiar.

Deram nove horas, coloquei um salto, peguei meu celular e uma bolsa com a minha carteira e saí correndo para frente do prédio, naqueles últimos tempinhos, descendo as escadas, fiquei um pouco preocupada em ficar mais alta que ele usando salto.

As meninas ficaram na varanda, esperando para o ver.

Dois minutos se passaram e um Hyundai Tucson 2016 parou bem na minha frete, e de lá saiu João Pedro.

Olhei bem para o carro, ele ainda não estava sendo vendido, pelo menos não no Brasil. "Ótimo, ele é riquinho e provavelmente mesquinho", pensei, mas não fiquei nem um pouco nervosa com isso, eu estava animada em vê-lo.

Ele me abraçou e me beijou a bochecha.

– Oi, como você está?

O vendo em pé e diante de mim, percebi que ele continuava mais alto que eu mesmo com o salto nos meus pés, isso era bom, pontos para ele.

Sorri e olhei para baixo.

– Estou bem, e você?

Levantei os olhos para ele.

– Estou ótimo.

Ele abriu a porta do carro para mim.

Cavalheirismo? Aquilo ainda existia?

Olhei para trás, as meninas continuavam nos olhando.

– Obrigada.

Entrei ainda sorridente no carro, estava tocando" Ai que saudade d'ocê".

Ele entrou no carro também e começou a dirigir.

– Espero que goste de MPB.

Riu.

– Gosto.

– Então vamos ser grandes amigos.

Sorriu.

Ele tinha um sorriso grande, branco, cheio de ânimo, bonito.

Sorri de volta.

– Acredito que sim.

Rimos.

Ele cantou um pedacinho da música.

– Você está linda.

Sorri.

– Obrigada.

Depois de pouco tempo, chegamos no lugar.

Confesso que assim que desci do carro levei um susto, era o meu bar preferido em toda a cidade, era um...MotoBar, muito criativo e divertido, e só tocava rock lá.

– Gosta daqui?

Ele perguntou.

– Hã? Ah sim, gosto.

Ele riu.

– Você está nervosa?

Eu olhei pra o chão tentando esconder meu rosto corado.

– Não.

Ri disfarçando.

– Ok bochechas de tomate, pode mentir pra mim hoje.

Riu.

Entramos no bar, o segurança duvidou da minha idade, então mostrei minha identidade.

Andamos um pouco pelo bar, não foi muito difícil encontrar os amigos dele, eram um grupo de pessoas um tanto quanto diferenciadas, estilosas, pareciam interessantes.

Fiquei um pouco envergonhada de não estar vestida da mesma maneira que eles, não me senti encaixada, eles eram daqueles tipos zen.

João sentou na ponta, enquanto eu estava perto dele, com a quina da mesa nos separando.

Ele ajeitou a cadeira dele de forma que nossas cadeiras ficassem quase juntas.

Conversamos muito em grupo, mas o tempo ia passando e nada acontecia e chegava a ser bem entediante.

Uma das amigas dele ficou conversando por pelo menos meia hora comigo, até que ela teve que ir embora.

Mais um tempinho sozinha e resolvi ficar olhando o feed amigos do Facebook.

– Essa é minha ex namorada.

João apontou para uma garota no meu celular.

Olhei para ela.

– É a minha prima.

Ele ficou vermelho.

– Como assim?

– Filha do meu tio.

Ele riu nervoso.

– Sabe, eu gostava dela, mas não estava mais dando certo, não sei se ela já falou de mim, ou o que ela já falou de mim, mas não deu certo, sabe?

– Tudo bem bochechas de tomate.

Rimos.

Então ele começou a conversar comigo de novo.

– Quer ir dar uma caminhada?

Eu não tinha mais o que fazer na mesa, mas a partir do momento que levantei da mesa, percebi que ele queria ficar comigo.

– Quero.

Então saímos do bar e fomos caminhando ao longo da rua, onde os carros estavam estacionados.

Quando percebi, nós estávamos na parte escura da rua.

Olhei para ele, que estava há quatro passos de mim.

Ele me olhou estranho, eu estava nervosa, "ele vai me estuprar, tenho certeza", passou pela minha cabeça.

– Você quer...Ficar comigo?

Então eu me senti aliviada, até um pouco segura.

– Quero.

Ele sorriu e começou a andar comigo para mais perto da luz.

– Desculpa, estou nervoso.

Passou a mão no pescoço.

Andamos mais um pouco, aquela demora me incomodava.

Conversamos mais um pouco para que eu me distraisse ou algo assim.

Então ele me beijou.

E mesmo que ele já tivesse pedido, aquilo me pegou de surpresa.

Ele estava quente, obviamente nervoso, quase conseguia sentir o coração dele batendo mais forte, mas o alívio nas duas pessoas, saiu logo após nossas bocas se encostarem, ele beijava muito bem.

Depois de um tempo, decidimos voltar para o restaurante. Ele foi segurando a minha mão.

O resto do tempo no bar foi agradável, ele estava do meu lado, bem perto de mim, com o braço em volta do meu pescoço e as vezes ele me beijava.

Papo vai e papo vem, os amigos dele começaram a reclamar que o bar estava muito cheio, a solução deles foi ir para a casa do João, que era a mais perto.

– Tem problema por você?

– Não, mas preciso voltar pra casa.

Ele sorriu.

– Sem problemas.

Dois dos amigos dele foram no carro conosco.

Entramos na casa, era um lugar bonitinho, tudo moderninho e arrumado no seu devido lugar. Notei que ele era ordeiro.

Fomos todos para a sala de tv, que era do lado da cozinha, á direita da sala de jantar.

Ele buscou um jogo de tabuleiro, algumas bebidas e colocou no chão da sala, sobre o tapete branco que parecia uma nuvem, deliciosamente confortável.

Todos sentamos lá e ficamos conversando.

– Não vai beber nada?

Ele me perguntou.

– Não bebo nas primeiras saídas.

– Encontros.

– O que?

– Isso é um encontro.

Eu sorri.

Depois de um tempo, eu e ele desistimos do jogo e subimos no sofá, ficamos nos beijando e conversando.

A noite foi passando e os amigos dele estava começando a ir embora. Acabou que nós dois ficamos sozinhos, continuamos a ficar.

– Eu não...Bom, você sabe, pelo menos não hoje.

Ele riu.

– Sem problemas.

A noite continuava, deram três horas.

– Já está na hora...

Eu disse.

– Já quer ir pra casa?

Eu queria dizer que queria, mas eu não queria.

– Está tarde, as meninas vão ficar preocupadas.

– Hum, ok, vou buscar as chaves.

Me deu um selinho, me beijou a testa e foi buscar as chaves.

Levantei e comecei a colocar as garrafas se bebida no balcão da cozinha.

– Não esquenta com isso, é sempre assim, eles fazem muita bagunça mesmo.

Riu.

– Certo.

Fomos conversando até a garagem, depois entramos no carro e fomos para a minha casa, ouvindo as melhores músicas do Legião Urbana.

Ele desceu do carro e abriu a porta pra mim.

– Ainda vamos almoçar juntos na segunda?

Perguntei saindo do carro. Eu quase não tinha reação para as gentilezas dele.

– Não sei, vamos?

– Você quer?

– Quero, você quer?

– Quero.

– Então sim, né?

– É.

Rimos.

– Eu te convidaria para entrar, mas as meninas estão lá dentro e...

Ele riu.

– Não, tudo bem, já está tarde de qualquer forma, também tenho que ir.

Ele beijou minha testa, depois me deu um selinho.

– Boa noite.

Eu disse meio abobada.

– Fica com Deus.

Caminhou até o carro e entrou nele. Abaixou o vidro do passageiro.

– Sabe...Eu vou ficar esperando você entrar — Riu — Não quero que seja assaltada ou pior.

– Ah! Ok, tchau.

Andei até a portaria e entrei no prédio.

Chamei o elevador e então vi o carro dele saindo.

Assim que entrei em casa, dei de cara com as meninas, quase grudadas na porta.

– Achei que você não voltaria.

Isabelly disse.

– Bom, eu voltei.

– Ele é cavalheiro, e fofo!

Ela gritou.

– Ele beijou sua testa, case-se com ele.

Esther disse tocando meus ombros.

– Não brinquem com isso.

Rimos.

Elas me puxaram para o sofá.

– Como foi?

Isa perguntou.

– Vocês sabem como é — Ri — A gente ficou.

– Wow, pera...Conta isso direito.

Isabelly pediu.

– Bom, foi divertido, mas eu descobri que ele é ex namorado da minha prima, sei lá...É complicado.

– E daí?

Esther perguntou.

– E daí que ele é o ex da minha prima...

– Mas o que tem isso?

– Sei lá Ther, só complica nossa situação.

– Que situação menina?

– De ficar?

– Você nem sabe o que está falando...

– Vocês são estranhas.

Isabelly comentou.

– Você voltou da casa do PH de madrugada, não pense que não sabemos.

Amenizei o meu caso.

– Os bares fecham duas horas da manhã, onde você estava? São quase quatro horas foram duas horas que se passaram desde que os bares fecharam, e tenho certeza que você não ficou na rua.

Ela se defendeu.

– Touché!

Eu disse.

– Você foi pra casa dele?!

Esther gritou.

– Fui...Mas não rolou nada! É sério!

– Lá é legal? Tem certeza que não rolou nada?

– É bonitinho! Bem arrumadinho e tudo, eu já disse que ele tem um coelho?

– Coelho?

As duas perguntaram.

– Sim, ele se chama Joaquim.

Todas rimos.

– E tem certeza que não rolou nada?

Esther reforçou a pergunta.

– Eu acho que eu saberia se tivesse rolado ou não.

– Justo.

Ficamos conversando até o sono bater e fomos dormir em nossos quartos.

Acordamos lá pras uma da tarde do mesmo dia.

– Miles, eu fiz lasanha!

Esther gritou da cozinha. O cheiro delicioso invadia os quartos.

– Eu ajudei!

Isabelly gritou.

– Eu vim pra comer!

Era a voz de Guilherme.

– Eu também!

Agora a de Pedro Henrique.

– Claro — Eu disse para as minhas paredes — Já estou indo!

Troquei de roupas e fui escovar meus dentes. Subi as escadas e encontrei todos já estados a mesa.

– Coca?

Guilherme perguntou com a garrafa nas mãos.

Sorri e fui cumprimenta-los.

Me sentei a mesa e começamos a comer.

Olha, não que eu não gostasse do Pedro Henrique, mas ele era super amigo do Rafael, o que me irritava muito, que espécie de pessoa gosta de andar com aquele garoto?

Guilherme e Esther com uma lata de Stella nas mãos.

– Miles, e como foi ontem?

– Nada de mais...

Respondi para Gui.

– Mifermeiro é real Guilherme...Real!

Esther brincou com a resposta.

Revirei os olhos e lembrei do beijo nervoso que ele me deu, então abri um sorriso meio bobo.

– Já esta assim?

Guilherme perguntou, me toquei que já estava assim há algum tempo.

– Que? Não! — Foi coisa de uma noite só.

Eles sorriram.

Terminamos de comer, recolhi a louça e coloquei na pia.

– Hoje a louça é sua Mi!

Isabelly gritou.

– Af, ta...

Depois de terminar de lavar a louça, peguei meu celular e comecei a olhar as novas mensagens.

Pedro: Ei, tem alguma coisa pra fazer hoje?

Pedro: Bom dia!

Eu: Não, nada, kk, bom dia...

Eu: Desculpa a demora ❤

Pedro: Relaxa 💞

Pedro: Escuta, sei que já saiu comigo ontem, e vai sair amanhã, mas você não quer andar de Sup no lago hoje?

Eu: No Deck da Norte?

Pedro: Yap, já andou né?

Eu: Nunca! Kkkkk

Pedro: tudo tem sua primeira vez e.e

Eu : Que horas?

Pedro: Agora? Estou chegando lá.

Eu: Huuuuum, vou me arrumar...

Pedro: Pra entrar na água?

Eu: É

Perdro: kkkk, ok então

– Esther! Vou pro Deck!

– O shopping?

– Não, o Deck, do lago!

– Vai com Deus!

– Desce com o Pingo pra mim!

– Ok!

Coloquei um biquíni, um short jeans e uma blusa normal, depois calcei meus chinelos e peguei as chaves do carro e fui para a garagem.

Cheguei lá bem rápido, minha casa era perto.

Estacionei o carro e comecei a olhar para os lados a procura dele.

Depois de uns dois minutos comecei a e ndar pelo local, havia um parquinho, algumas crianças, algumas pessoas ouvindo raggae de um lado e outras ouvindo rock do outro, o lugar estava num clima de paz que dava gosto de pertencer a ele.

– Mi?

– J! Oi!

– J? Esse foi o apelido que arrumou pra mim?

– Ainda está em fase de planejamento.

Rimos.

– Sou muito mais criativo.

– Ah é? Me chamar pela primeira sílaba do meu nome, não me parece muito criativo.

Ri.

– Tem apelido melhor?

– Miles.

– Uau, as primeiras e a segundas sílabas do seu nome com um S no final, que criativo...

– Isso foi sarcasmo?

– Sim, Sheldon Cooper.

Riu.

– Mais criativo que "Mi".

– Mi é muito mais bonito.

– Claro que não.

Começamos a rir.

– Hey, J! Você e a sua mina vão entrar na água ou não?

Olhamos para trás.

Era um garoto de mais ou menos uns 19 anos, com o cabelo loiro escuro, na altura dos ombros, não muito malhado e um pouco bronzeado.

– Eu não sou a mina dele! E ele te chamou de J.

– Claro que você é minha mina.

– O que te fez pensar isso?

– Se você não fosse minha mina, ficaria brava se eu fizesse isso.

– Isso o que?

Me beijou, em seguida dei um sorriso largo.

– Concluindo que...Você é minha mina.

Ficamos nos olhando por um tempo.

– Vocês vão ou não?

– Já estamos indo Marco Antônio!

Ele gritou sem parar de me olhar.

– Quanto é pra andar?

Perguntei me referindo a barraca para aluguel das pranchas.

– Eu tenho as pranchas e os remos.

Ele riu e apontou para o carro que estava com as pranchas seguras ao teto.

– Ah...

– Vem, vamos buscar a sua.

Ele foi comigo e me deu uma das duas pranchas e um remo.

– Consegue segurar, né?

Me perguntou.

A ajeitei em baixo do braço.

– Sim.

Descemos até o deck e fomos pra o fim dele.

– Galera, essa aqui é a Milena, minha amiga.

Ele disse para algumas pessoas que estavam sentadas, tocando violão e conversando.

Eles sorriram, me cumprimentaram e voltaram a conversar e tocar.

– Você deve conhecer algum deles, são lá da Unb...

Eu olhei para eles tentando reconhecer algum rosto, mas não consegui.

– Ah, uhum.

Voltei a olhar pra ele.

– Vamos...Entrar na água?

– Sim.

Sorri.

Daí ele tirou a blusa. Creio que ele deve ter se sentido um pouco constrangido, já que não lembro de nada além da barriga dele, lembro do som de sua voz, da água do lago batendo contra o deck, de algumas pessoas cantando e do som dos pássaros, mas a única imagem que vinha com tudo aquilo, era a da barriga dele.

– É o seguinte...Primeiro vamos deixar essa corda no seu tornozelo, pra o caso de você cair, para a prancha não ir para longe, ok?

– Ok.

Ele abaixou e ajeitou a corda no meu tornozelo.

– Espera um minuto...Você vai entrar de roupas e tudo?

– Hã? Ah... — Tirei a corda do meu tornozelo, depois o short e então a blusa — Onde eu deixo isso?

– Pode deixar em cima daquela mochila marrom.

– Pode olhar nos meus olhos quando falar comigo.

– Engraçado, eu poderia dizer a mesma coisa há alguns segundos atrás.

Senti meu rosto corar.

– Mas então...Prancha, lago...

– Ok, bochechas de tomate — amarrou de novo a corda no meu tornozelo, ele me disse o nome, mas eu estava desatenta — Segundo passo, é o seguinte, primeiro você fica de joelhos na prancha, depois você fica em pé...

– Uhum...Pedro, como você sabe que eu nunca andei de Sup?

– Você já andou?

– Não.

– Nunca te vi em nenhum dos lugares que costumo ir andar.

– Também nunca me viu na UnB, e estudamos lá.

– Bom eu...Já te vi sim, mas isso não vem ao caso...Se você cair, cai pra longe da prancha, se não você vai bater a cabeça e não vai ser legal.

– Só isso?

– Você sabe remar, né?

– Sim.

– Então tenta de pé.

– Ok.

– Ah, e não deixa o remo afundar...Você sabe nadar, né? Ou tenho que te arranjar um colete colete salva vidas?

– Eu sei nadar.

– Ótimo.

Ele desceu alguns degraus do deck e se ajoelhou em sua prancha, começou a remar para o meio do lago.

Fiz o mesmo, mas minhas pernas estavam tremendo.

– Ora, não é tão fácil quanto parece, não é?

Ele se levantou e riu.

Ainda ajoelhada, empurrei a prancha dele com meu remo, fazendo ele desequilibrar e cair.

Ele ficou embaixo da água, não voltou para a superfície.

Depois de alguns segundos, comecei a ficar nervosa.

– João? — Fiquei sem resposta — João Pedro! Não tem graça!

Então minha prancha virou, me fazendo cair na água.

Subi e comecei a rir, então ele se aproximou.

– Isso foi engraçado, ficou preocupada?

O canto de sua boca se levantou, formando um sorriso malicioso, que o fazia ficar mais...Atraente.

– Nem um pouco.

Sorri de volta, tentando mostrar meu desinteresse. Só para ele não achar que estava fácil.

– Não foi o que eu vi.

Rimos.

– Você estava em baixo da água, não viu nada.

– Eu vi uma menininha muito preocupada.

– Ah é?

– É.

E me beijou, depois me ajudou a subir em minha prancha.

Ficamos nas pranchas por um tempão, até o tempo começar a esfriar.

Fomos para o deck e deixamos as pranchas com Marco Antônio.

– Ei, quer açaí?

Disse se vestindo.

– Nunca tomei

Ri.

– Nunca tomou açaí?!

Terminei de me vestir também.

– Nunca.

– Vai tomar agora, por favor, quem nunca tomou açaí?! Só você!

Eu ri. Corremos para a barraca de açaí. Ele me pediu para ficar esperando um pouco na mesa.

Depois de dois minutos no máximo, ele apareceu com um potinho de açaí.

– Toma aqui, prova isso — Disse sorrindo, agora entusiasmado — Não! Espera, deixa eu filmar sua primeira reação.

Ele pegou o celular e começou a me filmar.

– Sério?

– Uhum.

Ri e provei um pouco, enchi a colher cheia de esperanças de que fosse bom, fiz uma careta.

– E aí?

– Tem...Gosto de terra, né?

– O que?

Ele tomou um pouco.

– Você disse que não gostou?

– Sim.

– Como isso é possível?

Rimos.

– Sou muito enjoada.

– Estou vendo!

Rimos, ele parou de gravar.

Empurrei o pote para ele.

– Gosta pelo menos de sorvete?

– Só com batatas fritas.

– Oh Deus! Você é louca.

– Talvez um pouco, mas é bom, você deveria provar.

– Ok, vamos no shopping, comer alguma coisa e eu provo.

– Eu ia gostar, mas tenho que estudar...

– Por pouco tempo, não vamos demorar muito.

– Cada um no seu carro, pedimos o lanche para viagem e comemos no meu prédio.

– Na sua casa.

– Eu disse prédio.

Ele riu.

– Hum...Ok.

Terminou de comer.

– Vamos?

Perguntei.

– Vamos, só...Temos que pegar as pranchas.

Descemos até o deck e pegamos nossas pranchas, colocamos no carro dele e conforme o dito antes, cada um no seu carro, fomos para o Mc Donald's mais próximo.

Estacionamos e descemos, fomos direto para o balcão.

– Boa tarde, no que posso ajuda-los?

– Nos dando comida, é um ótimo começo.

Ele riu com a atendente.

– João, eu pago o meu, certo?

– Não mesmo, diz o que você quer comer.

Ele disse sério, insisti para pagar, mas ele continuou negando.

– Vou querer uma promoção do Cheddar.

– Qual a bebida?

– Coca-cola.

– Algo mais?

– Uma promoção do Big Mac.

Ele disse.

– Normal.

– Grand Mac.

– Qual a bebida?

– Fanta laranja.

– Algo mais?

– Um Mc Flurry língua de gato.

– Algo mais?

– Não, obrigado.

Ele pegou a carteira dele e pagou.

– É pra viagem.

Disse.

– Uhum.

Ela me respondeu.

Notas finais
Obrigada pela leitura
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.