Notas iniciais
OEOEOEOEOEOEOE!!!

Faz um tempinho que não escrevo sobre a Bellatrix, aí bateu aquela saudade e olha só o que saiu xD

Aos amantes de Lucitrix, espero que gostem!

Boa leitura! ;)

Acabo de matar uma família de trouxas. Caminho sobre seus corpos jazidos no chão, banhados em seu próprio sangue. O odor domina o ambiente e, de certa forma, sinto-me mais confortável com isso. Respiro fundo deixando que minhas narinas se aproveitem, fecho os olhos e solto o ar devagar. Eu poderia passar um pouco mais de tempo aqui sozinha, contemplando meu trabalho. Mas também poderia ir a casa ao lado e repetir o feito, mas no momento o que eu quero é apenas ficar sozinha no meu silêncio, depois de ter feito o que deveria, relaxar e aguardar mais ordens do Lorde das Trevas.

Enquanto observo os corpos, lembro-me vagamente da minha família. Não de uma forma afetiva, mas por todas as confusões, por todas as traições. De repente os vejo nos corpos que estão sob meus pés, Sirius e Andrômeda, mortos. Balanço a cabeça, tentando não imaginar demais, apesar de desejar isto a eles pelo que fizeram, e vejo novamente o casal trouxa.

- Ótimo — murmuro, olhando-os de cima. Sei que poderia fazer isso mais vezes esta noite, mas no momento o que quero é a calmaria de algum lugar distante. Eu poderia aparatar daqui mesmo, mas algo me atrai para fora da casa e é isso que faço.

Caminho sobre a grama bem cortada, arrastando os meus pés para destruí-la. Isso me diverte um pouco. Solto uma breve risada e sinto a brisa noturna brincar com os meus cabelos. Geralmente é só isso o que eu preciso: um bom momento de calma após matar alguém. Não o faço para refletir sobre o que fiz. Faço-o para tentar encontrar alguma saída e ter outra opção além de ir para a minha própria casa e ter que aturar o marido que tenho.

Este é o único momento em que posso ser eu mesma. Sempre que estou com Rodolphus sou obrigada a fingir que está tudo bem entre nós, que o nosso casamento foi a melhor coisa que já me aconteceu, quando, na verdade, tudo isso não passa de uma grande mentira que, acredito, levarei nas costas até o fim da vida.

Não faço ideia de que horas são, mas também isso não me importa. Não tenho satisfações a dar. Comensais da morte estão espalhados por aí, matando e deixando nossa marca pairando no ar. É quando me dou conta de que na casa vizinha também há a marca negra. Franzo o cenho e dou dois passos em direção a ela, tentando entender. Quem haveria sido mandado para cá?

- Olá, Bella — ouço uma voz suave e fria vinda de trás. Sinto meu estômago congelar com o susto, mas reconheço de imediato.

Viro-me para encará-lo e vejo seus cabelos loiros balançando por conta da brisa. Ele está parado do lado de fora, na calçada, com as mãos apoiadas no muro da casa onde estive há pouco. Lucius traz um meio sorriso nos lábios o qual não consigo entender.

- Achei que tiraria a noite para a Cissa — digo, ainda parada no meu canto. Tento avaliá-lo, mas parece impossível. Seu olhar está preso em mim de uma forma que não consigo desviar o meu. — Ou vai me dizer que seu casamento já está em crise? Nossa, você não serve para nada mesmo.

- Pelo menos o meu casamento foi consumado, não é Bella? — e soltando um sorriso maroto, ele retruca, deixando-me desarmada. Eu não consigo esconder isso dele, e ainda acredito que todos os outros já sabem. Se um dia senti algo por Rodolphus, foi nojo.

Percebo Lucius se movimentar, passando pela pequena grade aberta na entrada. Seus passos leves passam pela grama que há pouco eu estava tentando destruir, até que para numa distância de um pouco menos de dois metros de mim.

- Sabe que não pode mentir para mim — ele prossegue. — Na verdade nem tentaria, se fosse você.

- Aprendeu legilimência, Lucius? — pergunto, levantando uma sobrancelha. Solto uma breve risada. — Finalmente aprendeu alguma coisa na vida.

- Muito engraçada — ele diz, ainda encarando-me com seus olhos azuis. Não quero admitir o que estou sentindo quando o fito porque tudo faz-me lembrar da minha irmã, o que me faz parecer péssima em relação a isto. Mas há algo que não podemos negar.

O silêncio paira sobre nós e começo a me sentir constrangida, pois ele não tira os olhos de mim.

- O que faz aqui? — pergunto finalmente, porém já tendo uma ideia da resposta. Ultimamente nossos encontros tem sido constantes e acredito que não foram por acaso, apesar dele insistir em dizer que não foram de propósito.

Lucius aponta com a cabeça para a marca negra pairada acima da casa ao lado.

- O Lorde das Trevas não o mandaria aqui — respondo. — Não preciso de companhia para matar meros trouxas e você sabe muito bem disso.

- Não vim lhe fazer companhia — ele diz. — A não ser que você queira, é claro — acrescenta, sorrindo novamente. Não posso negar que Lucius sempre teve um charme para conquistas.

- Cissa sabe disso? — indago e ele parece não saber o que dizer. Mexi em seu ponto fraco. Mas, de certa forma, este acaba também sendo o meu. Apesar de tudo, ela é a minha irmã.

Lucius dá mais alguns passos a frente, agora parando muito próximo a mim. Não ouso me desviar, pois sei que ele me impedirá. Um lado meu grita para aparatar, mas o outro insiste em permanecer aqui e aproveitar.

- Quem vai contar? — ele indaga, quase encostando seu rosto no meu. Posso sentir seu hálito. Sua aproximação me faz fechar os olhos por um breve instante. — Você?

Eu poderia fazer isso só por vingança, mas lembro que não teria tal coragem. Porque ele sabe, assim como eu, que queremos a mesma coisa.

Sinto seus lábios frios tocarem os meus e sou envolvida pelos seus braços, tomada de uma vez. Seguro seu rosto em minhas mãos, deixando-me levar pelos seus beijos. Ele segura minha cintura com força e me puxa, mas não protesto. Ele sabe que eu gosto.

Por um momento me sinto um monstro. Tudo tem acontecido tão intensamente que acabo esquecendo-a. Tudo culpa dele. Tudo culpa das provocações dele. Lucius mostrou-se ser mais do que um simples companheiro comensal e tudo que fazíamos era considerado como uma "troca de favores". Ambos com problemas no casamento, sentindo a recusa em certas ocasiões. Saciamos nossas necessidades juntos e, disso, acabou-se formando uma união. O problema de tudo foi a traição de ambos os lados, atingindo a mesma pessoa: minha irmã.

- Por que eu não me casei com você? — pergunto.

- Acredite: eu me faço essa pergunta todos os dias.

Notas finais
Comentários sempre bem-vindos, amores! :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!