Então, durante a semana foi sempre a mesma coisa. Andy saia para a escola, encontrava com Bree, ambos se separavam e iam para sua escola, Andy tinha quase um ataque do coração e tentava saber o que sentia sobre Bree. Eles foram fortalecendo a amizade, trocando telefones e todo dia, Bree e ele trocavam pelo menos 500 sms da hora que Andy acordava, até a hora em que Bree dormia (sim, Bree dormia mais cedo que Andy), até que chegou o dia em que tudo ia mudar.

Bree sempre saia da escola mais cedo que Andy, mas naquele dia, ele recebeu uma mensagem dizendo:

"Andy, vou me atrasar uns 5 minutos, se puder me espere. Beijos, Bree~"

'Não vou embora' pensou Andy.

Esses 5 minutos, pensamentos e mais pensamentos rodopiavam pela mente de Andy, sobre o porquê de ele querer tanto esperar, sobreo porquê da agonia de querer tanto ver Bree. Certo, eles tinham coisas em comum.

Então Andy se lembrou da história que Bree tinha contado a ele, que aos 15 anos, ele havia entrado para o exército, mas eles haviam o expulsado a 1 ano, fazendo com que ele e a mãe se mudassem. Mas Bree aceitava tudo isso normalmente, dizendo que sempre quis ter uma vida normal, com amigos, poder sair, coisas que ele nunca tinha feito desde que entrara para o exército.

Andy foi despertado quando ouviu risadas esganiçadas de adolescentes do colégio de Bree.

-E aí, onde pensa que vai Julieta?

-É, a pequena princesa não vai esperar por seu príncipe encantando?

-Olha como é delicada, quer que te carreguemos até a sua carruagem Julieta?

Adolescentes espinhentos, obviamente repetentes falavam pra Bree, que descia as escadas com uma cara fechada, mostrando que não estava gostando nada nada disso tudo, mas só queria ignorar os babacas. Demorou até Andy conseguir processar tudo isso e só se deu por si, quando viu o maior dos 5 valentões dando um empurrão em Bree.

-Ei -disse Andy- parem com essa palhaçada!

-Ih, o baixinho quer se envolver-disse um com os dentes muito amarelos e tortos- por acaso ele é seu Romeu hein Julieta?

E todos os outros começaram a rir esganiçadamente.

-Vocês não podem apenas me deixar em paz?-falou Bree, com a cara fechada, ao mesmo tempo visivelmente controlando sua raiva.

-E quem você pensa que é pra querer que te deixemos em paz hein Julieta? — e o grandão que fedia a lixo e drogas deu outro empurrão em Bree, fazendo com que Andy não gostasse nada disso.

-Ei seus montes de banha, deixem ele em paz!-gritou Andy

-Olha, o Romeu quer defender a Julieta, vamos ver como ele se vira

Dizendo isso, o maior eles pegou Andy pela camisa fazendo a menção de dar um soco nele, mas em um solavanco, foi jogado para trás, soltando Andy. Quando ele viu, Bree estava deferindo vários golpes de imobilização em dois dos cinco caras, enquanto os outros três olhavam horrorizados para os dois mais fortes do grupo sendo vencidos por quem minutos antes eles chamavam de Julieta.

Depois de ver que os dois não iam conseguir se levantar normalmente, Bree parou, pegou sua mochila, e falou pra Andy

-Vamos.

Pegando a mão de Andy e saindo para o lado de suas casas deixando os caras para trás, ouvindo eles praguejando vários xingamentos que é melhor nem serem citados.

Antes de chegatem em casa, Andy arrastou Bree até uma banca de sorvete, e sentaram no muro da casa que era bem baixo.

-Que foi isso tudo?- perguntou Andy

-Nada demais, só uns caras idiotas da minha escola.

-Porque eles ficaram te chamando de Julieta?? Duvido até que eles conheçam Shekespeare!

-Ah.. por nada. São só idiotas mesmo.

Bree fitava Andy diretamente nos olhos, e Andy pode ver que Bree tinha olhos realmente verdes, mas rapidamente ele desviou o olhar.

-Bree, v-você está sangrando..

-Ah é, desculpe, eu nem percebi.

Bree tirou um lenço da bolsa e começou a tentar limpar o machucado na testa, mas ele nunca tinha jeito pra essas coisas e sempre acabava se machucando mais ainda.

-Você realmente não tem jeito pra isso, deixa eu te ajudar.-e Andy pegou o lenço da mão de Bree, encostando na mão dele por 2 seg. mas já fazendo seu coração acelerar.

Antes que Andy conseguisse sequer colocar o lenço na testa do menino, Bree avançou e beijou Andy. Não com um simples selinho, mas realmente um beijo, que fez Andy ficar terrivelmente vermelho e ao mesmo tempo querer cada vez mais aquilo. Bree segurava a mão de Andy, que aos poucos entrelaçavam seus dedos umas nas outras, como em um conto de fadas, do qual os dois não queriam que aquela sensação parasse.