Notas iniciais
Olá meninas como vão? Obrigada por lerem a fic, gostaria de dar as boas vindas a Moonlought e tbm Emy Wilde. Gostaria de agradecer tbm pelos comentários e pedir (sei que é um pouco irritante isso) que deixem comentários, por favor fantasminhas que aparecem por aqui, não custa nada dizer o que estão achando da fic, não é? Não sei se vou conseguir postar mais esta semana, mas prometo que na proxima estarei aqui, bjs

[RECAPÍTULANDO]

Charles colocou Jane na cadeira em um dos cantos da mesa, de frente para a mãe, e foi acomodar-se na ponta. A dona da casa parecia hip­notizada pelo vestido que ela escolhera.

— Não tenho nada apropriado para o luto — Jane explicou constrangida.

— E claro que não. E nós nem pensamos nisso, não é, Charles?

Ele balançou a cabeça e tocou a garrafa de vinho.

— Anne?

— Não, obrigada.

A taça de fino cristal foi deixada diante do prato de sua mãe.

— Mandarei chamar a costureira amanhã mes­mo — Leda decidiu.

— Oh, não se incomode — Jane protestou.

— Não é incômodo algum. Além do mais, você é uma viúva. E uma Bingley. Não deve ser vista em público se não em trajes adequados.

Era verdade. Não poderia usar os vestidos que foram de Anne.

O que a levara a comprá-los? Que tipo de mulher havia sido aquela, afinal?

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Charles a observava com expressão estranha.

— Seu sotaque parece mais de Londres que de Steventon — disse.

— Realmente? — Bebeu um gole de água e ten­tou se mostrar despreocupada. — Creio que aca­bamos sempre imitando as pessoas que nos cer­cam, e muitos de meus amigos são de Steventon.

— É verdade?

Ela assentiu.

Charles não parecia convencido, e Jane soube que teria de tomar mais cuidado com as palavras. A situação se tornava cada vez mais complicada e perigosa.

— Disse que pretendia fazer um anúncio, mamãe?

— Oh, sim. Queríamos surpreendê-lo, querido. Anne escolheu um nome para a bebê.

A expressão não revelava curiosidade, nem mes­mo interesse.

— Helena Fitzwilliam Bingley — Leda declarou orgulhosa. — Não é um belo nome?

Os dedos em torno do copo de vinho traíram a tensão que o dominou.

— Helena era...

— Minha avó.

— E claro. Sim, é um belo nome.

— E ela levará adiante o nome de Fitzwilliam — Leda concluiu satisfeita.

Uma criada entrou com o jantar. Charles obser­vou enquanto Jane servia-se e segurava os talhe­res. Comeram em silêncio por alguns minutos.

— Fitzwilliam tinha planos relativos ao trabalho? — ele perguntou.

— Trabalho?

— Sim, trabalho. Ele pretendia assumir uma posição aqui, ou desejava voltar à costa? O tele­grama dizia apenas que estava voltando para apresentá-la à família. Fitzwilliam não disse se pre­tendia ficar desta vez. Talvez só quisesse deixá-la para ter o bebê enquanto ele seguia sua busca de aventuras pelo leste.

— Charles! — a mãe o censurou.

— É verdade. Ele nunca se interessou pelos assuntos comerciais da família. Na verdade, nun­ca demonstrou muito interesse pela família.

— Charles, por favor. Seu irmão está morto.

Deixe-o descansar em paz, está bem? Está arrui­nando o jantar de Anne.

— Não — ela negou. Sabia que estava sendo tes­tada, e ressentia-se por isso. — Tenho consciência de que você e Fitzwilliam divergiam sobre uma série de assuntos. Não sei se ele tinha planos de envolver-se nos negócios, mas estou certa de que não teria deixado a esposa sozinha na hora do parto, muito menos para divertir-se, como acabou de insinuar.

— Como pode ter tanta certeza? Só o conhecia há alguns meses.

Jane lembrou o tom amoroso que ele usou ao falar com Anne.

— Tem razão, eu o conhecia havia pouco tempo, mas sei reconhecer o amor quando o encontro.

— É claro que sim, querida. Meu filho está velho e rígido demais para a idade que tem, e acredita que todos devem ser como ele. Não se atreva a aborrecer Anne, Charles. Não vou aceitar seu comportamento rude.

— Desculpe, mamãe. Desculpe, Anne — ele a incluiu no pedido com um rápido movimento de cabeça. — Por que não nos conta um pouco sobre seu relacionamento com meu irmão? Assim pode­remos entender melhor a situação.

O sarcasmo em suas palavras era óbvio, mas Mary não parecia notá-lo.

Jane deixou os talheres sobre o prato e segurou o guardanapo.

— Seu irmão foi uma das pessoas mais bondosas e generosas que conheci em toda minha vida. Era compreensivo, carinhoso e terno. Ria alto e amava profundamente. E posso lhe dizer que ele tem me­nos arrependimentos e pesares do que muitas pes­soas terão quando descobrirem que suas vidas che­garam ao fim.

Charles mastigou o alimento devagar e engo­liu-o antes de encará-la.

— Já terminou de colocar-me em meu devido lugar?

Não sabia o que fazer com ele, nem com as perguntas que formulava. Seria o ressentimento que demonstrava causado por sua presença, ou pela antiga e conhecida rixa entre irmãos?

— Parem com isso, crianças. Temos assuntos importantes a discutir — Leda interferiu. — E planos para fazer.

— Que planos são esses? — Charles olhou para a mãe, e Jane respirou aliviada.

— O serviço religioso em memória de Fitzwilliam. Agora que Anne sente-se melhor, podemos cui­dar disso.

Uma expressão sombria pairou sobre o rosto de Charles. Os lábios apertados formaram uma li­nha fina.

— Podemos cuidar de tudo, querido — a mãe ofereceu, estendendo a mão para afagar a dele sobre a mesa. — Já fez muito ultimamente, li­dando com todos aqueles detalhes em Londres.

— Não me importo, mãe. E não me incomodo de organizar o serviço religioso.

— Creio que nós precisamos cuidar disso — a sra. Bingley insistiu, olhando para Jane em bus­ca de um sinal de confirmação.

O desejo de fazer algo pelo filho morto era tão claro que ela foi forçada a concordar.

— Sim — respondeu em voz baixa. — Gostaria muito de ajudá-la com os preparativos.

Charles assentiu e estudou-a com ar reservado, como se esperasse por uma reação qualquer.

Jane descobriu que não podia comer, apesar de mal ter provado o jantar. Bebendo mais um pouco de água, tentou acalmar-se. Um serviço religioso! Como seria capaz de desempenhar o papel de esposa de Fitzwilliam nesse cenário? O que seria esperado dela? Quantas pessoas teria de enfrentar?

— Creio que uma tarde de sábado seria apro­priada — Leda sugeriu.

Uma tarde de sábado. Só uma tarde. Sim, po­deria suportar a provação. Jane fez um movi­mento afirmativo com a cabeça e deu a Mary o que esperava ser um sorriso encorajador.

Charles dobrou o guardanapo e levantou-se de repente.

— Se me dão licença, tenho negócios a administrar.

— E a sobremesa? — a mãe perguntou.

Mas ele já havia saído.

Jane gostaria de poder deixar a sala como Charles fizera, mas metera-se naquela situação com os olhos abertos, e agora teria de ir até o fim sem acovardar-se. Observou a expressão determinada de Leda e resignou-se. O mínimo que podia fazer era amparar e ajudar aquela pobre mulher em um mo­mento tão doloroso. Devia isso a ela. E mais...

Afinal, quanto tempo poderia durar um serviço religioso?