Não Se Apaixone Pelos Rosemberg
8 Capítulo 8: Não suporto a presença de vocês
— Você disse que não se conheciam.
— Em nenhum momento eu disse pra você que não o conhecia — tiro os olhos de Blake que estava o meu lado. Passo a observar Liam em minha frente.
O mesmo se encontrava sem camisa. Ao que aparentava ele era o mesmo de sempre, não tinha vergonha de se exibir. Sempre achei que tudo o que representava ser no colégio, não passava de uma fachada, no entanto vi que estava errada.
Ele mantinha uma expressão serena em seu rosto, não aparentava estar preocupado ou nervoso em me convidar para entrar em sua casa. Onde se está enfiado os bons modos dos Rosemberg?
— É falta de educação deixar uma garota esperando — molho os lábios, cruzando os braços. Reparo Liam seguir meus movimentos com o olhar — Não vai me convidar para entrar? — espero sua resposta.
Hoje certamente não está sendo um dia fácil. Odeio fazer perguntas e não ser respondida do modo que eu deveria. Bufo ao ver que não está fazendo absolutamente nada, apenas parado em frente à porta, nos encarando. Acho que vou ter que fazer tudo sozinha por aqui.
Passo pela brecha que havia entre o braço de Liam que estava apoiado na madeira da porta para dentro de sua casa. Passo a admirar a parte de dentro da sua residência assim que levanto o olhar.
Contemplo as medalhas, troféu e tudo o que os Rosemberg tinha pendurado nas paredes escritos com seu sobrenome. Pareciam ser uma família bem competitiva, não é de admirar que o pai deles tenha me contratado para ajudá-los.
Desço meu olhar para a parte de baixo da sala de estar, avistando Maison ocupar todo o sofá em que estava deitado, com um caderno e um lápis em mãos.
Caminho até o garoto, ele ainda não havia percebido minha presença e nem meus passos sendo direcionados até ele. Fico por trás do mesmo, o que me permitia ver o que fazia no seu caderno que sempre andava grudado.
Me abaixo um pouco, ficando à altura de seus cabelos.
— Você escreve uma musica com tanta facilidade — decoro o título da sua nova canção — My blue-eyed girl — leio o título escrito em inglês — Uau, sua garota tem olhos azuis — se assusta com minha voz, escondendo seu caderno rapidamente.
— O que faz na minha casa? — pega sua blusa que estava jogada ao seu lado e a veste logo em seguida, não se dando o trabalho de me olhar.
— Pra ouvir uma das suas músicas que não é — Liam critica.
— Talvez ela esteja aqui para aumentar a autoestima e o ego do Liam — examino o lugar, tentando achar o dono da voz.
Tenho quase certeza que essa voz é do Henrik. Até porque de quem mais seria? Mais um novo integrante da família dos Rosemberg? Não seria uma surpresa, sempre têm uma carta na manga para chamarem atenção dos jornais da cidade.
Ajeito minha postura e fico ereta, ando em direção à Blake e fico ao seu lado. Ambos ficamos só olhando a discussão dos irmãos.
— Será que o Sr. Rosemberg está aqui? — digo para o garoto ao meu lado.
— Tenho cara de quem sabe? Pergunta para os garotos que estão brigando por você — tira um maço de cigarro no bolso e vai para o lado de fora da casa.
— Eles...não estão brigando por mim, tá legal?!— digo mais alto do que deveria. Chamo atenção dos três irmãos com meu grito. Era pra ser só um sussurro.
É impossível minhas bochechas não ficarem ruborizadas depois dessa vergonha que acabei de passar. Não era assim que imaginei ficar envergonhada, não com os Rosemberg que são os irmãos mais insuportáveis que já conheci.
Ainda vou ter que atura-los enquanto dou aulas de recuperação para eles. Terei que criar outra imagem para eles na minha mente, pra poderem ao menos se tornarem suportáveis para mim.
— Brigando por você? — é a primeira vez que Maison olha nos meus olhos depois de ter entrado na sua casa.
— Você se acha muito irresistível, não é? — consigo ver o rosto de Henrik que estava sentado no topo das escadas mal iluminadas.
— E você se acha o dono da razão, que vê o que todo mundo não quer enxergar — afronto o garoto solitário que todos temem — Olha...não estou aqui por você, nem você — olho Maison — e muito menos por você, Liam. Pra falar a verdade nem queria estar aqui, porque diferente de todos do colégio, eu não suporto a presença de vocês. — seguro a alça da minha bolsa de lado com força — Agora eu vou indo, já resolvi o que vim fazer aqui. — caminho para o lado de fora da sua casa.
— Mais que sútil — Henrik murmura.
Liam, Maison e Henrik sabiam que era verdade o que acabei de falar, mas não se convenceriam tão fácil assim que uma única pessoa do colégio achem eles insuportáveis.
Seria muita falta de sorte a minha se eles ainda me dirigissem a palavra por me acharem uma garota corajosa e diferente de todas as outras adolescentes que caiem sobre seus pés. Pois fui a única que falou o que pensa sobre o reinado dos irmãos. E sinceramente, não dou a mínima se me acharem uma jovem interessante.
Eu sei que sou uma garota de fato interessante e tudo mais, mas não quero que os Rosemberg pensem o mesmo de mim.
Ainda bem que consegui resolver o problema com esses garotos, e sem a ajuda do pai deles. Isso significa que ainda tenho uma ajuda que pode ser usada sobre eles futuramente. Ao que parece, eu Melinda Berkeley consigo dar conta desses três.
Quem diria que sou capaz de deixar um efeito impactante sobre eles? Para quem é a filha certinha e careta do diretor, até que me saí bem hoje.
— Sabia que você fica muito bonita quando enfrenta alguém? — Blake estava de costas para mim, fumando seu cigarro.
— Você me ouviu, não foi? — massageio minhas têmporas.
— Cada palavra dita com raiva — vira de frente para mim — Achei que uma garota perfeitinha como você não tinha toda essa raiva acumulada — solta a fumaça com a cabeça inclinada para cima.
— Sinceramente, eu também pensava assim. — passo a mão por meu cabelo e coloco uma mecha atrás da orelha — Até descontei minha raiva em quem não merecia — lembro da cara do Maison quando o inclui junto com seus irmãos.
— Pare de se sentir culpada. Só porque disse isso não quer dizer que seja um monstro. — joga o cigarro no chão e pisa em cima do mesmo — As pessoas dizem coisas muito mais piores por aí — o sigo até o carro.
Observo atentamente Blake abrir a porta do seu conversível branco para mim, isso pode até parecer fofo nos filmes americanos, mas na vida real me faz sentir uma inútil que não consegue dar conta de abrir uma porta sequer. Franzo a testa ao notar que estava avaliando alguma coisa em seu carro.
— Obrigada, mas eu consigo abrir uma porta sozinha — arqueia a sobrancelha, segurando o riso.
— Eu não abri a porta pra você porque sou um cavalheiro, e sim porque o cinto de segurança ficou emperrado na porta — agacha e tira o cinto de perto da porta do carro para não ter perigo de prender novamente.
— Desculpa, eu nunca falo desse jeito — escondo o rosto com as mãos — Acho que depois de ter explodido com aqueles irmãos, não consigo mais deixar meus pensamentos só para mim — entro no carro e Blake fecha a porta para mim e dá a volta no automóvel.
— Tranquilo, eu não ligo — entra no carro, o ligando.
Sinto o cheiro da sua colônia masculina invadir todo o espaço. Um cheiro forte, mas bom ao mesmo tempo. Fiquei quieta o caminho inteiro para não falar com Blake que está fazendo o favor de me dar uma carona de modo grosseiro. Mesmo tendo deixando claro que não liga, me sinto com a consciência pesada. Às vezes sou dura com algumas pessoas, mas tem vezes que passo dos limites.
Mamãe fez Blake e eu arrumarmos a mesa para o jantar, pelo que a mesma me contou, papai chegou antes de chegarmos e estava exausto da reunião. Então foi tirar um cochilo até o jantar. Tenho que ser mais delicada possível quando for tocar no assunto do loiro morar aqui em casa, pois quando papai está estressado não guarda só para si.
— Você engordou — cutuca minha barriga por baixo do braço enquanto eu colocava os pratos na mesa.
— Não tem como eu ter engordado depois de apenas algumas horas que nos conhecemos, imbecil — faço cara feia.
— Blake — mamãe chama sua atenção — Não chame sua irmã de gorda.
Começo a me questionar se não engordei mesmo, acho que vou pôr em pratica algumas dietas que vi na internet. Mamãe achava que nossa pequena controversa significava que estávamos nos acertando como meios-irmãos, porém ela mal sabia que nada fica em paz quando falam que engordei.
Sempre tive problemas de autoestima e da aceitação do meu corpo, mesmo que mamãe, papai e meus amigos discordassem. Nada do que eles diziam adiantava se eu não estivesse satisfeita com meu corpo.
— Ele não é meu irmão (ã) — falamos em uníssono.
— Mas agem como se fossem — finaliza a conversa.
Eu não conseguia comer a comida sem dizer o que queria falar desde que descobri que o meu "meio-irmão" iria morar junto comigo a partir de hoje. Não somente eu que não conseguia comer, mas também papai estava do mesmo modo que eu.
Era estranho toda aquela situação, não somos uma família há muito tempo e não sei o porquê estão querendo nos forçar a fingir que está tudo bem e que isso não é estranho. Não se é uma família apenas falando que se é uma.
Papai para de revirar o brócolis com o garfo e levanta o olhar para mim.
— O que está te incomodando, Mel? — cruza as mãos sobre a mesa. Respiro fundo e o encaro, me segurando para não dizer algo impensado.
— Você...você aprovou tudo isso? Blake vir morar aqui e estudar no meu colégio? — largo os talheres — Se fosse qualquer pai tentando matricular seu filho no seu colégio na metade do ano, você não aprovaria. Então me explica o porquê ele é uma exceção disso? — rio fraco. — E por que não me contou que mamãe tinha outro filho?
— Não contou a verdade para ela, papai? — Blake debocha.
— Melinda eu menti para você, o Blake não é o meu filho. Seu pai só precisava saber como te explicar uma coisa dessas — lágrimas se encheram em meus olhos.
— Não foi a mamãe que traiu você, não é? Eu não acredito, eu não acredito — sinto minha voz fraquejar.
Caminho para o lado de fora daquela casa cheia de mentiras. Às vezes tentar ser uma garota perfeita e acobertar todos os problemas que acontecem ao seu redor, pode ser desafiador na maioria das vezes.
Me sento no balanço que com muito esforço papai construiu para mim quando era criança. Confesso que o estado que se encontra não me é muito confiável, não duvido que um dia esse balanço de madeira há cair, e eu não quero estar sentada nele quando isso acontecer.
Mesmo seus passos sendos silenciosos, sinto a presença de Blake se aproximar mais de mim.
— Se quiser que eu vá embora, eu vou — se senta ao meu lado no balanço.
— Por incrível que pareça, não — nego com a cabeça — Você é o meu meio-irmão né, não podemos te deixar na rua — nunca mais ele vai me ouvir dizer que somos parentes novamente.
— Eu tenho 18 anos, acho que consigo me virar sozinho — sinto seu olhar sobre mim.
— Que foi? — o questiono ao me sentir incomodada com seus olhares me vigiando.
— Só estou me recordando desses últimos segundos onde você dizia que somos meio-irmãos. Sei que nunca mais vou ouvir isso sair da sua boca de novo — se levanta.
— Não somos amigos — digo antes dele se retirar da varanda.
— Estou ciente disso — me manda uma piscadela e entra dentro da casa.
Decido ir para o colégio mais cedo do que o costume, não queria ver os rostos de ninguém naquela casa, mas me parece que não consigo passar despercebida ao sair de casa. Blake sai logo atrás de mim. Quem diria que ele levaria esse assunto de colégio a sério.
— Você não me parece gostar muito de andar a pé — me olha por baixo dos seu óculos escuros.
Isso é sério? Óculos escuros?
Como se a segurança do Prédio fosse deixá-lo entrar no edifício com esse objeto. Eles são bem rígidos em relação á isso, mas como ninguém segue as regras, isso não os impede de praticamente nada. Se eu não fosse a filha do diretor, não me deixariam usar brincos.
— Se eu praticar andar muitas vezes a pé, talvez eu comece a gostar. Nada é impossível para uma Berkeley — minto.
— Qual é, estamos no mesmo barco. Por que não no mesmo carro? — sorri sedutoramente.
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