Não Quero Voltar Sozinho
17 Hoje Eu Quero Sua Ajuda
Notas iniciais
Alguns minutos passaram e Léo começou a pensar que os pais poderiam estar atrás dele. Apesar de não querer que os pais o encontrassem, pelo menos iam socorrer e levá-lo ao pronto socorro. Então, começou a sentir seu corpo ficar mole e pesado. Uma dor de cabeça começou a surgir.
Deitou no chão, colocou o braço que havia apoiado no rosto na hora de cair, sobre a testa. Estava ralado e ardendo.
[Léo] – Alguém... Me... Ajuda.
Disse bem baixinho.
Respirou fundo e voltou a sentar-se. Começou a chorar mais ainda. Pensamentos ruins invadiam sua cabeça, até que...
Léo apoiou as mãos no chão, fez força e conseguiu ficar em pé. Cambaleava de um lado pro outro, porque evitava por o pé machucado no chão.
Escorou na parede e foi descendo a rua bem devagar. As vezes fazia paradas para respirar e descansar. O pé doía muito. Chegou no fim da calçada, ia atravessar a rua para chegar no outro quarteirão. Faltava pouco pra chegar na casa de Gabriel.
“Se eu não tivesse esquecido aquela bengala” – começou a pensar.
“O que é que faço agora. Meu pé dói muito.”
Léo atravessou a rua aos pulos e tropeços, porém, ao subir a calçada, tropeçou caiu novamente. Bateu o pé machucado no chão e uma pontada de dor correu pelo pé todo.
Leonardo começou a chorar. Ficou deitado no chão.
“Chega, não consigo mais.”
“Socorro, por favor”
Pensamentos ruins invadiram sua mente mais uma vez. Sentou na calçada, colocou o pé machucado em cima da outra perna, começou a tateá-lo mais uma vez. Estava mais inchado. Léo pensou em levantar mas a dor era grande de mais. Não sabia o que fazer. A rua toda estava em silêncio. Com certeza, todos estavam dormindo, alguns devem ter saído para trabalhar. Então, Léo finalmente pensou. Pegou o celular e ligou para Gabriel mais uma vez, porém, não foi atendido. Esperou um minuto e ligou de novo. Começou a chamar. Leonardo esperou. Esperou. De repente, ele escuta uma barulho vindo de longe. Parecia uma música.
Não tirou o celular do ouvido, esperava Gabriel atender. Chamava e chamava, enquanto a música que escutava ficava mais alta. Eis que...
“LÉO!” – Leonardo assustou-se. Era a voz de Gabriel.
[Léo] – GABRIEL?
[Gabriel] – Léo! O que aconteceu?
[Léo] – Gabriel, cadê você? – esticou os braços pra frente e começou a balançar eles, procurando por Gabriel.
De repente, Léo sente Gabriel chegar perto dele.
[Gabriel] – O que aconteceu?
Léo parou de chorar. Respirou fundo e apontou para o pé.
[Gabriel] – Nossa Léo. Tá inchado. O que você fez?
Léo limpou o rosto e começou a contar tudo o que aconteceu. Mostrou o braço ralado para Gabriel e o pé machucado.
[Léo] – Não sei o que fazer.
[Gabriel] – Chama seu pai, sua mãe. Liga pra eles. Eu vou embora na hora que eles estiverem chegando e...
[Léo] – NÃO! Eu não vou chamar eles, Gabriel. Foi por causa deles que sai de casa.
[Gabriel] – E você acha que eles não virão te procurar?
[Léo] – Não quero eles, Gabriel. Me ajuda, por favor. Meu pé tá doendo muito.
[Gabriel] – Espera... Deixa eu pensar.
[Léo] – Chama seu pai!
[Gabriel] – Isso... Não! Espera... Ele saiu mais cedo de casa hoje. Mas... Espera ai. Tive uma ideia. Já volto.
Gabriel levantou e foi embora. Léo ficou assustado.
[Léo] – Gabriel? Cadê você? Onde você vai? – passou uns três minutos – GABRIEL! Me ajuda!
Gabriel chegou e trombou com Léo.
[Gabriel] – Aqui Léo. Eu trouxe minha bicicleta.
[Léo] – Mas como eu vou subir nela. Meu pé tá machucado.
[Gabriel] – Eu dou um jeito. Vem, vou te ajudar a ficar em pé.
Gabriel o braço direito de Léo e colocou atrás de seu pescoço. Ajudou ele ficar em pé.
[Léo] – E agora?
[Gabriel] – Você consegue ficar apoiado no seu pé que tá bom?
[Léo] – Consigo. Mas não sei se fico bastante tempo.
[Gabriel] – Mas dá pra você apoiar no apoio da roda? Igual quando você anda de bicicleta comigo?
[Léo] – Acho que consigo.
[Gabriel] – Ótimo.
Gabriel colocou Léo apoiado na parede. Pegou a bicicleta, montou e foi com ela até a frente de Léo.
[Gabriel] – Vou te ajudar a subir. Ok?
[Léo] – Ok.
Gabriel colocou os dois pés no chão. Com uma mão apoiou na parede e com a outra ajudou Léo a subir.
Leonardo levantou o pé machucado enquanto que, com o outro, colocou no apoio da roda traseira. Num impulso e por sorte, conseguiu subir. Ficava equilibrando num pé só, mas segurava por de baixo dos braços de Gabriel, fechando as mão no peito dele.
Gabriel começou a pedalar com toda a força que conseguia.
[Gabriel] – Vou passar na sua casa!
[Léo] – NÃO! Não da tempo – mentiu – Meu pé ta doendo.
[Gabriel] – Ai meu Deus Léo. Por que você foi fazer isso.
[Léo] – Mas eu não tenho culpa.
[Gabriel] – Ainda bem que o hospital é aqui perto. Daqui uns cinco minutos, nós vamos chegar.
Gabriel pedalou mais rápido ainda. Ofegava. Léo deitou sua cabeça nas costas de Gabriel.
[Gabriel] – Calma Léo! Já estamos chegando. Falta pouco.
Laura acordou. Levantou da cama, foi ao banheiro, depois foi para a cozinha. Preparou o café da manhã e foi indo para o quarto de Léo. Abriu a porta, coçou os olhos.
[Laura] – Léo. Levanta pra tomar café e ir pra escola – Laura esperava escutar Léo se mexer – Léo? – foi até a cama dele. Mexeu no lençol e não sentiu nada – Ai meu Deus.
Saiu do quarto e foi para o banheiro. Léo não estava lá. Voltou para a cozinha, depois para a sala. Estava se desesperando. Voltou correndo para o quarto de Léo e não viu nada, saiu de lá e foi direto para o quarto dela.
[Laura] – CARLOS ACORDA! CARLOS! – começou a sacudir ele na cama.
[Carlos] – Meu Deus Laura. O que foi? Que aconteceu?
[Laura] – O Leonardo não tá em casa.
[Carlos] – Como assim? Ele não foi pra escola?
[Laura] – SOU EU QUE LEVO ELE PRA LÁ! ELE NÃO TÁ AQUI!
[Carlos] – Calma, Laura. Eu vou procurara ele.
Carlos saiu da cama. Procurou por Léo em casa e não o encontrou.
[Laura] – Achou ele?
[Carlos] – Não.
[Laura] – Minha Nossa Senhora. O celular dele! Liga!
Laura e Carlos foram pra sala. Laura tentou ligar pra Léo, mas não atendia.
[Carlos] – Faz o seguinte. Fica aqui em casa, talvez ele ligue pra cá. Eu vou sair com o carro e procurar por ele. Ok?
[Laura] – Tá... Mas... – dizia soluçando e tremendo – Acha ele pelo amor de Deus.
[Carlos] – Eu vou achar Laura. Calma.
Carlos saiu de casa, foi até o carro e saiu com ele.
Léo e Gabriel chegaram no pronto socorro. Gabriel ajudou Leonardo a descer da bicicleta. Ainda apoiando-se sobre um pé só. Gabriel saiu da bicicleta e largou ela do lado da porta do pronto socorro. Os dois entraram.
Gabriel deixou Léo sentar numa cadeira, enquanto ia falar com a recepcionista.
[Gabriel] – Oi. Eu trouxe meu nam... Amigo. Ele... Ele torceu o pé. Ta inchando, vermelho e ele disse que tá doendo muito.
[Recep] – É aquele ali sentado?
[Gabriel] – Sim. Ah... Ele é cego também.
[Recep] – Uhm. Trouxe algum documento dele?
[Gabriel] – Espera ai – Gabriel foi até Léo – Você tá com documento seu ai, Léo?
[Léo] – Ta aqui na minha mochila.
Gabriel abriu a mochila e começou a procurar, de repente, ele tira o bilhete de advertência da diretora.
[Gabriel] – Você não entregou o bilhete pra sua mãe? – riu e voltou a procurar – Achei – levou até a recepcionista – Aqui!
[Recep] – Deixe-me ver. Uhm. Leonardo.
A mulher começou a digitar algo no computador. E alguns minutos depois voltou para Gabriel.
[Recep] – Cadê os pais dele?
[Gabriel] – É... Saíram.
[Recep] – Uhm. Ok. Eu vou encaminhar ele pra um médico, mas ele só vai poder sair daqui com a autorização de um responsável.
[Gabriel] – Tá bom.
[Recep] – Podem ficar ali na sala de espera. Daqui a pouco o médico vai chamar.
[Gabriel] – Ok.
Léo e Gabriel ficaram na sala de espera. Não demorou muito e o médico chamou. Era um homem alto, rosto magro, olhos verde. Bem bonito. Cabelo pouco grisalho, aparentava ter entre 35 à 45 anos. Na sala dele, começou a fazer exames.
“Olá Leonardo, eu sou o Doutor Otávio” – disse sorrindo.
[Léo] – Oi.
[Otávio] – E você, quem é?
[Gabriel] – Gabriel. Sou a-amigo dele.
Otávio sorriu para os dois.
[Otávio] – Nossa, Leonardo, acabei de ver aqui na sua ficha. Você é deficiente visual.
[Léo] – Sim.
[Otávio] – É, sim, você veio porque está com alguma dor no olho?
[Gabriel] – Ele torceu o pé. Eu estava subindo a rua e vi ele caído.
[Otávio] – Como você machucou o pé? – perguntou, examinando o pé de Léo.
[Léo] – Eu estava descendo a rua, tinha esquecido minha bengala dobrável em casa, ai... Eu prendi o pé numa pedra que estava na calçada. Não sei como, mas prendi. Ai cai.
[Otávio] – Uhm. Estou vendo. Nossa, ta inchando. Bem, Leonardo. Vou apertar bem devagar, se doer você fala.
[Léo] – Tá.
O médico começou a apertar e perguntava se doía. Léo respondia que sim.
[Otávio] – Vamos tirar um raio-x.
Depois de meia hora de ter tirado o raio-x, Otávio voltou para a sala.
[Gabriel] – Ele quebrou o pé?
[Otávio] – Não. Por sorte, não. Nem torceu. Só caiu de mal jeito mesmo. Está inchado assim porque, provavelmente, machucou internamente. Mas não é nada sério. Está inflamado, vou receitar remédio para melhorar, porém, terá que enfaixar esse pé e não pode ficar colocando ele no chão toda hora. Creio eu, que daqui umas duas semanas ele vai estar novinho e pronto pra andar. Está bem?
[Léo] – Sim.
[Otávio] – Ah. Mais uma coisa... Você não pode sair daqui sem a permissão de um responsável.
Gabriel olhou para Léo. E depois para o médico, que, logo em seguida, voltou para a sala.
Laura esperava Carlos voltar. Andava de um lado para o outro. Então, pegou o telefone e discou para alguém.
[Laura] – Alô? Mãe? – havia ligado para Maria.
[Maria] – Oi Laura. Tudo bem?
[Laura] – Não mãe.
[Maria] – Ai Meu Deus, o que aconteceu?
[Laura] – O Léo não tá aqui em casa. Ele tá ai?
[Maria] – Não. Mas... Como ele saiu?
[Laura] – Ai. Deve ter saído de manhã. Não sei. Quando eu acordei e fui chamar ele pra ir na escola, ele não tava na cama.
[Maria] – Nossa. E o Carlos?
[Laura] – Tá procurando ele.
[Maria] – Nossa. Mais uma vez ele faz isso. Quer que eu vou pra ai? Ficar com você?
[Laura] – Não. Não precisa. Vai que ele aparece ai.
[Maria] – Está bem.
Laura desligou o telefone. Foi até a cozinha, pegou um copo e colocou água. Bebeu e, logo em seguida, voltou para a sala e ficou sentada no sofá esperando.
Léo e Gabriel ficaram sentados em frente a sala do doutor Otávio. Algumas pessoas começaram a aparecer.
[Gabriel] – Já sabe o que vai fazer?
[Léo] – Não – respondeu deitando no ombro de Gabriel.
[Gabriel] – Como nós vamos sair daqui então. Aliás... O médico não entregou a receita. Quer apostar quanto que ele vai querer entregar a receita pra quem vier te buscar?
[Léo] – É. Acho que vou morar aqui.
Léo e Gabriel riram.
[Gabriel] – E se você ligar pra sua vó?
[Léo] – Pode até ligar, mas... Ela vai ligar pra minha mãe – os dois ficaram em silêncio. Gabriel segurou na mão de Léo – E seu pai? Ele não pode vir?
[Gabriel] – Não Léo. Ele tá trabalhando. Não pode voltar pra casa.
[Léo] – Ai... Não sei o que fazer então.
[Gabriel] – Hm.
Os dois continuaram sentados. Pensando em algo. De repente, Gabriel levantou e ficou de frente pra Léo.
[Gabriel] – Léo. Eu... Eu vou no banheiro. Fica aqui tá?
[Léo] – Tá bom – Gabriel foi saindo quando Léo chamou ele – Ah... Não demora muito.
[Gabriel] – Com certeza não vou demorar. Dá última vez que demorei beijaram você.
Os dois riram. Gabriel saiu.
Carlos parou o carro parou de procurar. Voltou para casa. Lá dentro, conversava com Laura.
[Laura] – Achou ele?
[Carlos] – Não.
[Laura] – Ai Meu Deus.
Laura tapou o rosto com as mãos. Sentou no sofá.
[Carlos] – Calma Laura. Ele não deve ter ido longe.
[Laura] – Como calma, Carlos? É meu filho. Fico preocupada.
[Carlos] – Nossa. Mesmo sendo dura com ele assim, fica preocupada.
[Laura] – Ai por favor, não vamos discutir.
Os dois se encararam por um tempo. De repente, o telefone toca. Laura atende ele rapidamente.
[Laura] – Alô? Léo?
“Não tia. É a Giovana”
[Laura] – O que você quer? Menina? Meu filho desapareceu por causa de você e daquele moleque ridículo!
[Gih] – Calma, tia Laura! Eu...
[Laura] – Por que você ligou aqui? Não quero que você fale com o Leonardo nunca mais.
[Gih] – Eu sei onde o Léo está.
[Laura] – O que? – Laura olhou pra Carlos, ele chegou mais perto dela.
[Carlos] – Quem é? – ela não respondeu.
[Laura] – Você tá brincando comigo né?
[Gih] – Não. Ele... Ele ta no pronto socorro.
[Laura] – Ai Meu Deus. No hospital?
[Gih] – É... O Gabriel me ligou agora pouco aqui em casa. E me contou tudo o que aconteceu e... – Gih contou tudo o que Gabriel havia dito pra ela. Explicou sobre o acidente com Léo e falou novamente onde estavam.
[Laura] – Certeza que ele está ai?
[Gih] – Sim. O Gabriel me ligou aqui.
[Laura] – Ok. Estamos indo pra lá.
Laura desligou o telefone.
[Carlos] – Quem era?
[Laura] – Era a Giovana. Ela sabe onde tá o Léo.
[Carlos] – E onde ele tá?
[Laura] – No hospital.
[Carlos] – O que?
Laura contou toda a história pra Carlos, logo em seguida os dois saíram de casa. Foram indo para o pronto socorro.
Gabriel foi voltando para junto de Léo. Ao chegar lá, viu que Léo estava conversando com alguém. Chegou um pouco mais perto e reconheceu quem estava falando com Léo. Era Fábio. Gabriel foi andando rápido até os dois.
[Gabriel] – O que você tá fazendo aqui?
Fábio virou para Gabriel, que fez uma cara de espanto.
[Léo] – Calma, Gabriel. Ele... Ele tá me pedindo desculpas!
[Gabriel] – O que? Ele tá te zoando Léo!
[Fábio] – Eu não to.
[Gabriel] – O que aconteceu com você? – Gabriel ainda olhava espantado para Fábio.
[Fábio] – Nada! – levantou – Tenho que ir embora.
Fábio saiu. Gabriel sentou ao lado de Léo.
[Gabriel] – Era verdade Léo?
[Léo] – Sim. Ele me pediu desculpas por tudo – contava Léo. Estava sorrindo.
[Gabriel] – Hm.
[Léo] – Tinha alguma coisa estranha com ele?
[Gabriel] – O que?
[Léo] – Você tinha perguntado pra ele o que aconteceu.
[Gabriel] – Ah é. O olho dele tava roxo, Léo. Tinha umas marcas no braço e a boca dele tava cortada.
[Léo] – Vish. Coitado.
[Gabriel] – Coitado?
[Léo] – Ah. Você não conhece a história né?
[Gabriel] – Que história?
[Léo] – Na época que a Gih namorou o Fábio ela me contou algumas coisas sobre ele. Tipo... O pai dele chegava bêbado em casa e batia nele. A mãe dele tinha ido morar com outro homem. E ele tem um irmão que está fazendo reabilitação, porque usava droga.
[Gabriel] – Sério?
[Léo] – Sim. O pai dele deve ter batido nele de novo.
[Gabriel] – Nossa. Por isso ele deve ser assim na escola.
[Léo] – Assim como? Chato? Implicante?
[Gabriel] – É. As vezes ele não pode fazer nada contra o pai e acaba descontando nos outros, na escola.
Léo deitou de novo no ombro de Gabriel.
[Léo] – Você demorou.
[Gabriel] – Não muito – Gabriel tossiu. Léo fez uma expressão de duvida.
[Léo] – Você não foi no banheiro né?
Gabriel olhou pra Léo, espantado. Sorriu logo em seguida.
[Gabriel] – Não. Eu...
[Léo] – Você ligou para a minha mãe né?
[Gabriel] – Nãããão! Eu.. Eu liguei pra Gih.
[Léo] – Pra Gih?
[Gabriel] – É... Pedi pra ela ligar pra sua mãe.
[Léo] – Ah não, Gabriel.
[Gabriel] – Léo, nem adianta reclamar. A Gih já deve até ter ligado pra sua mãe.
[Léo] – Então tá né.
[Gabriel] – Vou esperar aqui com você, mas vou embora daqui a pouco. Pra não ter briga na hora que sua mãe chegar.
[Léo] – Tá bom.
Léo e Gabriel ficaram conversando. Estavam de mãos dadas. De repente, o doutor Otávio sai da sala. Para em frente aos dois.
[Otávio] – Quem vai vir buscar você, Léo?
[Léo] – Minha mãe.
[Otávio] – Sim.
Otávio olhou para Gabriel. Viu que os dois estavam de mãos dadas. Sorriu e, em seguida, sentou ao lado de Gabriel.
[Otávio] – Vocês namoram?
Gabriel ficou vermelho. Sentiu um frio na barriga.
[Léo] – A gente? – perguntou Léo rindo.
[Otávio] – Vocês estão de mãos dadas.
Léo não tinha percebido que ainda estava de mãos dadas com Gabriel, muito menos ele.
[Gabriel] – Sim. Namoramos.
[Otávio] – Nossa. Muito legal. Aaah, me lembro dessa época de namoros. – Começou a rir – era tão bom. Adolescência... Fui cheio de rolos e...
[Léo] – Espera ai. Você não liga? Quer dizer, você não se importa de eu e ele... Namorarmos? Dois homens?
[Otávio] – Que isso Leonardo? – perguntou e riu – Eu não me importo com isso. O que realmente importa, é que toda a forma de amor é válida. Minha mãe sempre me falava isso. Acho até bonito ver duas pessoas do mesmo sexo juntas. Mostra que elas tem coragem de se assumirem diante da nossa sociedade que é bem preconceituosa. E eu tenho uma filha que é lésbica.
[Léo] – Nossa.
[Otávio] – O que foi?
[Léo] – Nunca pensei em ver alguém tão... Como fala? Liberal?
Os três riram.
[Gabriel] – Ué Léo? E o meu pai?
[Léo] – Ah. É verdade.
[Otávio] – Seus pais sabem, Léo?
[Léo] – É... Infelizmente.
[Otávio] – Imagino que esteja sendo bem difícil então. Já posso até imaginar porque você machucou o pé mesmo. Brigou com os pais, saiu de casa, foi indo pra casa do namorado, esqueceu a bengala dobrável, passou por uma calçada quebrada, prendeu o pé e caiu.
[Léo] – Nossa. Além de médico é vidente?
Os três riram mais.
[Otávio] – Conversa com seus pais. Uma hora eles vão entender.
[Léo] – Como foi com sua filha?
[Otávio] – Ah. No começo eu fu...
De repente, Otávio foi interrompido.
“LÉO!”
Era Laura.
[Léo] – Mãe?
Gabriel soltou da mão de Léo. Os dois ficaram em pé. O médico olhava para Laura e Carlos.
Léo começou a tremer. Seus olhos logo começaram a encher de lágrimas.
Continua...
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