Não Posso Deixar De Respirar.
3 What a hell..?
Notas iniciais
1 mês depois...
Toby agora sentia a barriga roncar. Tinha em mãos artefatos pontiagudos. Poderia usa-los tanto para sair de casa em busca de comida quanto para tirar a própria vida, o que era muito mais tentador. Então, por que diabos ainda insistia em permanecer sentado em casa esperando que as coisas caíssem do céu?
Ainda em luto pela sua mãe, pai, irmão, só conseguia pensar em como odiava com até as menores células do seu corpo o porco cientista do CERN. Aquele que teve seu rosto estampado na internet e na TV por dias, até que as distribuidoras de energia entrassem em crise. Na verdade, o mundo entrou em crise. Na maldita crise que deixou todos mortos...Em menos de duas semanas metade da população era morta-viva. Era tão difícil de se aceitar mesmo já fazendo um dia. Mas o mais difícil de se aceitar era sua covardia. Mal podia se encarar no espelho e ver o reflexo de alguém sozinho, cuja família havia virado jantar de zumbi. Provavelmente já estava desidratado de tanto chorar. Via olheiras em sua pele clarinha...Ele parecia um panda. Seria até engraçado se não fosse trágico. O cabelo loiro já batia nos ombros arqueados, como se os braços magros e fracos do menino de 14 anos pesassem toneladas.
Ele não estava comendo nada mais que enlatados. Sardinha, atum, nada que precisasse cozinhar, já que outrora acabara o gás da cozinha e não queria gastar o do isqueiro à toa. Mas tinha a esperança que aquela semi-vida não durasse muito mais. Apesar da angústia massacrante, tinha medo do que ouvira na igreja fosse verdade, de que tirar a própria vida levasse ao inferno. Não que o inferno pudesse ser pior do que o mundo (ou o que restava dele) estava passando, porém corria o risco de não encontrar sua família do outro lado, nem seus amigos, nem Emily. Ele sabia o fim que sua família havia tido, mas e Emily? Mal tinha palavras pra expressar a dor que sentia ao imaginar ela andando por aí como um...zumbi. Mas claro, ele tinha sido covarde o bastante para não mai sair de casa desde que ouvira as últimas palavras de seu pai, antes de ser devorado.
Flash Back ON
"- Toby! — Rose, mãe de Toby, gritou da cozinha.Ele, que estava encolhido no quarto que dividia com o irmão, se levantou secando as lágrimas com as costas da mão e foi até a cozinha. Num dia comum, provavelmente ele gritaria de volta um "O QUEEE?", mas sua voz se recusava a sair.
Assim que chegou no cômodo, braços o envolveram. Sua mãe o apertando forte contra o peito , ele mal conseguia se mexer ou respirar direito. Quando Rose o soltou, seu pai colocou uma das mãos em seu ombro e disse:
— Vamos precisar de você hoje, Toby. — seu olhar era firme e pesaroso — Cuide da sua irmã enquanto estivermos fora...Pode fazer isso?
— Pra onde vão? — Toby perguntou, apertando os olhos. Eles mal abriam as cortinas pra não chamar a atenção dos zumbis lá fora e agora decidiam sair?
— Arranjar comida, hur dur. — disse seu irmão dando um tapa em sua cabeça e na outra mão um facão. Ele manejava a faca e a cravava no ar na altura da cabeça de alguém. Sua mãe o olhou com repreensão.
— Qual é? Lá fora vai ter que ser assim! — Thomas se defendeu. Ele era mais velho que Toby, tinha 17 anos, mas fisicamente era uma cópia em tamanho maior do mais novo, a não ser pelo cabelo castanho, enquanto Toby era loiro.
— Não podemos dar um jeito? Sem precisar se arriscar? — Toby perguntou espiando lá fora e olhando de volta para os pais. Tudo pareciam calma, mas tinha certeza que apareceriam zumbis assim que a primeira pessoa colocasse o pé para fora de casa.
— O que? Canibalismo? Eu acho que não. — Thomas respondeu colocando a mochila nas costas.
— Eu quero ir junto! — Toby disse disposto e sério. Ele queria se mostrar corajoso, mas a verdade é que tinha medo de ficar sozinho em casa.
— Nem pensar! — sua mãe disse no momento em que ouviu.
— Por que não? Eu sei lidar com zumbis. Eu joguei Resident Evil. — o garoto se defendeu, seu pai revirou os olhos.
— Sentado na frente da TV com um controle na mão e comendo salgadinho, até eu. — debochou Thomas.
— É sério, não é hora pra gracinhas. — Disse Rose voltando, com os olhos vermelhos e úmidos. Tinha acabado de dar um beijo na testa da filha, que dormia serena na sala. A pobre menina não tinha mais que 6 anos e não entendia o que estava acontecendo. Nunca a deixavam abrir as cortinas e olhar pelas janelas, ela não sabia da existência dos zumbis e era melhor assim. Ainda reclamava da falta de energia e de não poder assistir seus desenhos na TV.
— Boa sorte. — foi só o que Toby pode dizer antes de seus pais e seu irmão saírem, e pelo olho mágico da porta pode ve0-los dobrarem a esquina em segurança.
30 minutos, 40 minutos, 1 hora havia se passado e nada da família de Toby voltar, mas Margareth já estava acordada. O loiro a entretia com lego e dizia à ela que os pais foram ao mercado, e talvez estavam demorando por causa da fila. Ele não passou um minuto sem estar preocupado e pensando no pior, nada mais se passava pela sua cabeça e de 15 em 15 minutos olhava pra fora, pra rua deserta. A ideia de que sua família se resumia agora à sua irmãzinha o deixava apavorado.
Quando já estava sem esperança e as lágrimas rolavam pelas bochechas, pelo olho mágico, de onde não tirava os olhos havia 5 minutos, ele avistou figuras humanas se movendo na direção da casa.
— Maggie, eles chegaram! — Toby não pode deixar de dizer sorridente para a irmã que saltou do sofá e correu de encontro à porta tentando abri-la, mas estava trancada e logo Toby tampou seu caminho.
— Abre a porta, Toby! — ela pediu no grito. Ele não se sentia seguro abrindo a porta, mas mesmo assim o fez. Aguardava ancioso os pais estarem cada vez mais próximos, traziam caixas nos braços e seu pai o cumprimentou sorridente, com um aceno de cabeça. Mas atrás de si, Maggie soltou um grito alto. Toby tapou sua boca poucos segundo depois, olhando de um lado para o outro. Decidiu seguir o olhar apavorado da irmã, pode avistar um pequeno grupo de pessoas se arrastando de forma estranha e com aparência degradada.
— Corram! Zumbis! — Toby gritou ao detectar a presença de zumbis. Eles já estavam muito próximos, cercando sua família. Eles deixaram as caixas no chão. Seu pai foi pra cima dos zumbis, despedaçando-os e esmagando suas cabeças com os pés. Thomas acertava-os com o facão no meio da cabeça, sangue espirrava em todo seu rosto e os zumbis caiam moles no chão. Sua mãe, com uma faca em cada mão, derrubava os zumbis e os acertava em cheio na testa. A confusão parecia chamar a atenção de cada vez mais zumbis, quanto mais eles matavam, mas apareciam...Até o pior acontecer.
— Thomaaaaaaaaaaaaaaaaaaas! — Rose gritou para o filho que havia sido mordido no ombro por um zumbi. A mulher, com agilidade, matou 5 ou 6 zumbis que estavam em volta, inclusive o que havia mordido Thom, havia sido o primeiro a sofrer a vingança. Ela foi se ajoelhar para ver o machucado do filho, um zumbi a agarrou pelo pescoço, mais dois a arrastaram e logo dilaceraram a carne e ela gritou.
— Mãaae! — Rose, Thom e Toby gritavam e choravam em uníssono. Maggie voou de trás do louro em direção à mãe. Toby tentou impedir, porém ela era mais rápida que o irmão e os zumbis eram em menor número, o que o fez recuar por instinto ao ver que ela já estava na zona vermelha.
— Maggie! — Bartô, o pai de Toby gritou ao ver a filha correr para mãe. Agora que ele se virou, viu Thom, Rose e Maggie agora sendo agarrada e despedaçada pelo bando que outrora mantinha a atenção em Rose. Bartô tentou correr de volta para a casa mas cada vez mais zumbis se acumulavam. As pernas de Toby recusavam a se mexer, mas sua mente dizia "vá pra casa!"...Ou não era sua mente, era seu pai.
— Pra casa, filho! Entre! — ele gritava enquanto decepava dois zumbis. Toby obedeceu, entrou, trancou as portas e ficou espiando pelo olho mágico a tentativa do seu pai de tirar os zumbis de cima do que sobrou da sua família...Foi quando foi atacado pelas costas e mordido.
Toby desabou, suas pernas finalmente cederam e seus olhos, antes úmidos, agora transbordavam e seu rosto estava banhado de lágrimas."
Flash Back OFF
— Preciso...sair daqui... — disse consigo mesmo. Ele pegou sua mochila de escola e tirou todo seu material de lá. O seu caderno, estojo, livros didáticos que, há um mês atrás não podia sequer pensar na hipótese de esquece-los em casa, e agora num apocalipse zumbi eram inúteis. No lugar deles colocou facões afiados. Pensou no que aconteceria se não achasse água, então pela casa procurou pela casa algumas garrafas. De repente ouvir barulho de pedras na janela.
— What a hell..? — ele começou a dizer, empunhava uma faca e assim que chegou na sala pode reparar num papelzinho ao pé da porta. Ele se aproximou e pegou o pedaço de papel, nele estava escrito "Abra a porta". Sem pensar duas vezes ele destrancou a porta e a escancarou.
Ela estava procurando pedras quando levantou o rosto e uma sombra de sorriso apareceu em seu rosto. Toby piscou duas vezes até ter certeza se estava enxergando bem.
— Emily!
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