Não Posso Deixar De Respirar.

6 Miragem...Com certeza foi uma miragem...


Notas iniciais
Devagar e sempre :3

– Pronto? — perguntou Toby engolindo em seco. Giovani fez que sim com a cabeça, os dois ergueram as facas sem habilidade alguma, tremendo de medo, porém, só Giovani cortou o ar com a lâmina que passou raspando no ombro de Emily.

– EI! — Emily gritou ao sentir a faca lhe arrancar parte da pele do ombro.

– Emily! — Toby gritou espantado, puxou imediatamente para um abraço, mas a largou quando se deu conta de que ela estava rindo.

– Haha, caaaara, isso doeu, mas vocês deviam ter visto a cara de vocês!

– Nem você viu, tava escuro.. — Giovani se defendeu , limpando o sangue de Emily da faca — E desculpe por isso aí — ele apontou para o machucado que ela cobria com a mão.

– Não foi nada, só um cortezinho. — "Que tá começando a sangrar pra valer", pensou Toby ao ver o sangue começar a escorrer por entre os dedos dela — E aliás, eu enxergo muito bem, obrigada. — Emily tirou uma lanterninha do bolso e a piscou na cara dos garotos.

– Não sabia que tinha outra. — surpreendeu-se Toby.

– Nem eu. Achei quando tava procurando algo pra comer. — disse ela, tirando a mochila das costas e jogando no chão. — Armas e mini-pães, mas ainda vou precisar de ataduras e...puta merda, não trouxe nenhuma... — a garota já ia começar uma onde de insultos quando Toby a interrompeu.

– Que tal deixarmos o pão pra mais tarde? — ele deu as costas para Em e Giovani, Em ergueu a lanterna à sua frente, e depois para todos os lados, procurando saída. Uma onde de pânico os atravessou.

– Estamos cercados de zumbis. — Toby constatou.

– Não me diga... — respondeu Giovani, Toby estava com medo demais pra até sentir raiva. Eles deram passos para trás até que seus ombros se tocaram, os grunhidos dos zumbis estavam cada vez mais perto, e já dava pra ver suas caras apodrecidas e seu cheiro de defunto. Emily pegou uma faca e colocou na mão de Toby, que se sentiu nervoso com o peso do revolver. Giovani também empunhava a faca.

– Na cabeça! — Emily alertou, e deu partida cravando a faca da cabeça do primeiro zumbi que pousou o olhar, a faca ensanguentada mal saía da cabeça de um e já acertava outro. Giovani os decepava com habilidade, e esmagava suas cabeças com um pé, ou as chutava longe, mas em ambos os casos espirrava muito sangue. Logo tinha vários corpos decepados no chão, e muito sangue na roupa deles. Porém, Toby estava colado junto à uma árvore, apenas chutando os zumbis que vinha em sua direção os se esquivando. Por pouco não é pego por um pelas costas, mas conseguiu arrancar o braço dele, o que o deixou enojado. " Inútil, covarde!" ele pensava enquanto via os amigos matando avidamente.

Emily flagrou o olhar de Toby, correu até ele e tomou da sua mão a arma, atirando num piscar de olhos por cima do ombro do loiro. Um zumbi caiu morto de vez no chão. Ela entregou a faca e Toby a pegou com a mão tremula e Em o ensinou como segura-la corretamente. Precisou dar mais uns tiros para trás, Giovani não estava dando conta sozinho de todos os zumbis que partiam pra cima dele, e os mortos vivos apareciam em massa.

– Na cabeça. — Em sussurrou, fazer Toby se virar e dar de cara com um zumbi, ele gritou, mas com um impulso meteu a faca na cabeça do zumbi, rachando seu crânio em 2, de forma que nem Emily conseguia fazer, já que ela não tinha tanta força. — Parabéns! — ela disse sorrindo e limpando um pouco do sangue que espirrara na bochecha do garoto, que corou. Segundos depois já estavam eles de novo matando os zumbis, mas zumbis apareciam mais rápido do que eles conseguiam matar.

– Certo, precisamos sair daqui. Já estou pisando em cadáveres! — Emily gritou entre dois disparos. O peso da arma e o impulso do disparo faziam seu ombro machucado queimar.

– Voltar para o carro! — gritou Toby.

– Não! — Emily contradisse — Não podemos atraí-los pro nosso único estoque de suprimentos. — acertou um zumbi que estava pronto para agarrar Giovani pelas costas.

– Então qual o plano? — Giovani perguntou arfando.

– Correr! — Emily respondeu.

– Quando?

– Sério que você tá esperando o 1, 2, 3, já? Agora! — ela gritou para Toby. Os meninos abriam caminho com suas facas entre os zumbis na direção norte, também cortando galhos de árvores que estavam no caminho. Emily cuidava das costas deles, atirando sem parar. Eles conseguiram correr um pouco, mas Emily gritou. — Esperem!

– Que foi? Anda, o caminho tá livre agora! — Giovani respondeu, derrapando.

– Estou sem balas. — ela disse balançando o revolver.

– Merda. A mochila.. — Toby disse, dando um tapa na própria testa. Bella assentiu, confirmando seu pensamento. A bolsa com as armas e o pão ficou para trás.

– Da a faca, eu vou voltar lá. — pediu Emily, estendo a mão.

– Vamos os três. — Giovani sugeriu — A gente cobre, Em pega a bolsa, todos corremos, beleza?

– Okay, agora! — Emily anunciou, correndo de volta com Giovani e Toby em seus calcanhares. Ela até conseguia tirar alguns zumbis do caminho na base do chute ou da coronhada. — Carai, não to vendo a maldita! — Emily gritou, nervosa. Os zumbis já estavam em menor número, Giovani abateu o último, cravando a faca em sua cabeça.

– Achei! — Toby correu até a clareira, onde parecia ter acontecido um extermínio. Corpos pútridos fediam mais que o normal, agora que estavam todos juntos e amontoados. O loirinho colocou a mochila no ombro, em questão de segundos ela foi arrancada dele — Ei! — reclamou, enquanto Emily fuçava a mochila à procura de algo. Tirou de lá um pente de balas e recarregou o revolver. Giovani logo pigarreou.

– Arma faz muito barulho, pegue uma faca, Em. — ele aconselhou. Ela fez cara feia.

– Com a faca é mais nojento.

– Sem mas, não quero ser seguido! — se exaltou, tentando tomar a arma da mão dela. Emily se recusou a largar e ele a olhou com cara de poucos amigos, o qual ela revidou na mesma intensidade.

– Gente, eu acho que... — Toby começou a dizer quando foi interrompido por som de tiro. A arma caiu no chão e o barulho ecoo por entre as árvores durante alguns milésimos de segundo. — Depois dessa eu até deixaria a arma aí. — Toby comentou, sem expressão. Giovani tomou a bolsa e guardou a arma.

– NUNCA MAIS APERTE O GATILHO SEM MAIS NEM MENOS! VOCÊ NEM SABE USAR UMA ARMA, IDIOTA! — Emily explodiu num grito que estava reprimindo até o momento.

[...]

Depois de um longo tempo de caminhada sem destino, eles já estavam cansados o bastante e concordaram em fazer uma pausa. Juntaram alguns gravetos e Toby botou fogo numa folha seca com o isqueiro, formando uma fogueira temporária. "Quem poupa, tem", pensou, ao lembrar de como economizara o máximos naqueles momentos em casa, que não tinha nada, muito menos esperanças. Nem de encontrar alguém vivo. Nem de permanecer vivo.

À luz das chamas podia-se ver um pouco mais do lugar. Ou seja, um pouco mais de nada. Era nada mais que um grande campo mal cuidado e ladeado por árvores.

– Vocês precisam aprender a atirar. — Emily comentou, pelo que parecia, pura desculpa pra não deixar ninguém cair no sono — Por mais barulhentos que sejam, são práticas num ataque, caso o zumbi esteja longe e tem menos rico de ganhar um arranhão. — ela vasculhava a bolsa, até que tirou 2 armas de lá.

– Agora? — perguntou Toby. Por mais que soubesse o quão desastrado poderia ser caso precisasse usar uma arma, seu corpo se recusava a exercer qualquer tarefa que não fosse ficar sentado diante da fogueira. Emily percebeu, então seus olhos logo pousaram na outro vítima: Giovani. O garoto nem havia percebido, por isso se surpreendeu quando foi puxado pra cima pelo braço, sendo obrigado e ficar em pé.

— Procure um alvo e atire — ela mandou, colocando a arma na mão dele.

– Han..como? — perguntou, desorientado — Pelo menos mostre o que fazer primeiro... — pediu.

– Ha-há! — ela riu, sarcástica — Você fez uma porra de um corte no meu braço! Se eu tentar atirar ele cai!

– Exagerooo... — Toby cantarolou do seu lugar, Giovani assentiu enquanto esticava um braço na direção de um nada a sua frente.

– O que diabos você está fazendo? Segure com as duas mãos. — Emy aconselhou, com voz autoritária.

– Nos filmes os caras fodas atiram com uma só mão. — ele explicou, imitando pose de algum bom atirador de filme de faroeste.

– Você não é foda, você não está num filme, duas mãos. — continuou impassível, e estava muito tarde pra discutir, então ele obedeceu. Se concentrou, virando a arma pra lá e pra cá a procura de um alvo. De repente parou, apontando pra algum ponto invisível por cima da cabeça de Toby.

– Aquilo é fogo? — Giovani perguntou, os outros dois se viraram na direção do revolver. Um pontinho laranja parecia parecia crepitar a muitos metros dali. E um BOOM! que fez Toby ter a sensação de que seu coração parara e voltara acelerado demais.

– Cara, você é louco?! — o garoto do chão se levantou, histérico. Não havia nenhum argumento para sair gritando assim com Giovani, todavia, simplesmente precisava descontar em alguém aquela raiva pós-susto que tomava conta de si. O atirador ficou sem reação ao ver o amigo o olhando raivoso, mas aquele clima foi quebrando quando Emily falou:

– Ei, o fogo apagou! — e era verdade, não havia mais a luzinha do outro lado — Ou o Giovani apagou o fogo com o tiro, ou o fogo era uma miragem coletiva, ou realmente existem pessoas lá! — todos estavam cerrando os olhos pra tentar ver melhor — Peguem as coisas, apaguem a fogueira, vamos fazer uma visita à eles. — sugeriu. Enquanto os garotos faziam o que Emy sugeriu, ela já havia tomado a dianteira na corrida. Só demoraram 15 segundos pra apagar o fogo e estavam correndo.

Toby sentia o vendo bater gelado contra o rosto enquanto tentava, com esforço, cobrir o espaço entre ele e os dois companheiros de grupo. Metros à frente ele viu Giovani ultrapassar Emily, e eles pareciam mais preocupados quem ia chegar primeiro do que onde iam chegar, isso era fato. Ele se deixou ficar para trás, o cansaço estava mais presente que nunca.

Ele não pode evitar de parar, com as mãos apoiadas nos joelhos, tentando recuperar o fôlego e juntar alguma energia. "Só mais alguns metros idiotas", pensava, tentando se convencer que eram poucos. Bem a frente os amigos pararam de correr de súbito, talvez tivessem lembrado que ele tinha ficado para trás. Só talvez. "Obrigado por me esperar, também não sou nada sem vocês".

Ainda se sentindo ridículo por perder uma corrida pra uma garota e um garoto cuja perna estava machucada ele pensou que poderia usar a desculpa de que estava carregando mais peso, a "bolsa da sobrevivência", então ele meio que mancava devagar enquanto assistia os amigos olhando em volta. Parecia que tinham achado um porão. O som de punhos em atrito com uma porta de madeira ecoava na noite silenciosa junto com o cheio da fogueira recém apagada.

E as próximas cenas se passaram como um borrão, fazendo sua boca secar e o coração acelerar novamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.