Não Podia Ser Você!
2 Que Descanse em Paz
Acordar... Esperava acordar com meu irmão pulando em cima de mim, ou com meus amigos jogando um balde de água em homenagem a primeira manhã das férias, algo do tipo. Mas, não apenas eu, quem ainda dormia, foi acordado por um ensurdecedor grito de garota.
Pude perceber que era de Clarisse. Então, não dei atenção. Me enrolei nas cobertas e tentei voltar a dormir, mas logo ouvi Joe falando em um tom alto:
–Por que ela faria isso?!
Achei meio curioso, calcei meus chinelos, Jake ainda não tinha sido acordado (não sei como), saí do quarto e logo vi Emilly sair também que perguntou:
–O que aconteceu? — bocejando.
–Não sei. — respondi. — Mas parece ter vindo lá de baixo.
Descemos as escadas, e então podia ouvir uma conversa:
–Meu Deus... — disse Joe apavorado. — O que nós vamos fazer?!
–Calma... — falou Luize. — Temos todos que pensar juntos.
Assim que virei o corredor, entrei no banheiro central, encontrei Clarisse, Joe, Luize e Mike em volta de Ashley que estava caída no chão.
Não apenas caída, havia vários cortes em sua pele que deveriam ter sido feitos com o facão que estava em sua mão direita, e sangue escorria de seus lábios.
Emilly puxou e apertou forte minha mão assim que viu essa cena.
Olhando mais de perto, pude perceber marcas roxas em sua pele. Hematomas. Alguém bateu nela. Mas quem?
–Temos que ligar para a polícia. — disse Clarisse. — agora!
–Temos é que descobrir quem fez isso! — respondi.
–Mas, não foi ela quem se matou? — disse Luize.
–Né? — concordou Mike.
–Claro que não! — gritei. — Primeiro: alguém bateu nela, vejam os hematomas. Segundo: ela nunca faria isso! Por que faria?! Claro que não faria!
–Talvez você esteja certo. — disse Emilly. — Mas não acha que teríamos ouvido seus gritos como reação?
–É... — respondi.- E por que será que seus lábios estão sangrando?
–Vai ver enquanto ela se matava... — respondeu Joe. — mordeu seus lábios por causa da dor.
–Mike. — falei. — Se lembra de ver ela descendo... você ainda estava acordado?
–Não. — respondeu. — Tenho certeza de que ela não passou quando eu estava na sala. Nem ela, nem ninguém.
–Vou pegar meu celular. — disse Clarisse. — A polícia vai saber entender isso.
–Não! — respondi. — Deveríamos ter um responsável conosco. Provavelmente todos os pais seriam culpados por isso.
Andei até a lixeira. E a virei de ponta cabeça. Deixando cair tudo o que lá tinha. No meio de vários papéis higiênicos, havia um pano de prato amarrotado. O segurei e, encontrei gotas de sangue.
–Vejam só isso. — falei alto. — é uma prova de que ela não se matou.
–Como assim? — perguntou Emilly.
–É claro que colocaram isso em sua boca. — respondi. — Fazendo com que não ouvíssemos seus gritos.
–E ela mordeu a boca, provavelmente em uma tentativa de se libertar. — disse Luize. — o que leva as gostas de sangue.
–Sim. — respondi. — E jogaram essa prova na lixeira para que não houvesse suspeitas.
–Vamos sair daqui amor... — disse Clarisse. — Está fedendo.
Eles saíram. O que deixou apenas eu, Emilly, Luize e Mike.
–As trancas da porta! — gritei. — Temos que ver se estão fechadas!
Nós quatro corremos direto para lá. E sem surpresa alguma, estavam exatamente fechadas como antes, concluindo: alguém dessa casa, algum amigo, fez isso, matou Ashley.
Fale com o autor