Taylor se senta ao lado de Thomas e escora na placa da mesma forma que deixou o seu amigo. Não podia entender nada do que estava acontecendo, era muita coisa estranha para uma simples noite.

Todas as vezes que Taylor se encontrava com o encapuzado alguma coisa de estranho acontecia. Parecia que seus olhos tinham o poder sobre o Sobrenatural, e ninguém além do encapuzado é capaz de controlar.

— Não podemos ficar aqui parados sem fazer nada – Taylor afirma com voz cansada e olha para Thomas.

— E você quer que eu faça o quê? – Thomas custa a conseguir falar – Estou com o braço todo fodido, não consigo nem sequer levantar.

— Mas pensar você consegue – Taylor volta a escorar a cabeça na placa – Braço sangrando não impede você de ter ideias.

Thomas ri e por um segundo esquece as dores, mas não pelas ideias, e sim ao ver como que Taylor consegue ser tão frio mesmo quando seu melhor amigo está prestes a perder um braço.

O tempo passou e os dois continuaram da mesma forma, pensamentos vazios e vagos, e nenhum sinal de vida de onde estavam. O sangramento do braço de Thomas parou, porém as dores ainda permaneciam forte, Taylor já não tinha mais soluções.

Alguma coisa se movimenta no arbusto atrás da placa, Taylor se levanta imediatamente e aponta sua arma ordenando:

— Saia! Não me faça atirar.

— Papai? – Uma voz aguda e suave clama pelo colo – É você?

Os dois amigos olham fixamente para o arbusto, Taylor abaixa a arma e se ajoelha no chão em um gesto de respeito a uma criança. Eis que de trás da mata surge um pequeno garoto que aparentava estar perdido.

— Qual é o seu nome? – Taylor pergunta e a criança se recua com medo – Não se assuste, somos policiais, estamos aqui para ajudar você.

— Charlie – A criança responde com vergonha – Vocês podem me levar para casa? Não acho o caminho.

Taylor e Thomas se entreolham e não dizem nada. Os dois sabiam que era quase impossível saírem dali, mas não podiam acabar com as esperanças de uma criança inocente.

— Te ajudamos a ir para casa se você ajudar o Tio Thomas a caminhar – Taylor aponta para o seu amigo em estado crítico.

Charlie não diz uma palavra e vai até Thomas o ajudando a levantar. Após se estabilizar em pé, partiram juntos caminhando lentamente pela estrada em direção a Fagenold.

— Tio Thomas, o que aconteceu com o seu braço? – Charlie pergunta.

— Tivemos um acidente de carro indo para Coatboard – Thomas tenta ser o mais pacífico possível – Então eu cortei o braço no vidro quebrado.

— Coatboard? – Charlie diminui os passos – Não é a cidade dos demônios?

— Conhece Coatboard? – Taylor para de andar e olha para Charlie – Como você foi parar naquele lugar infernal?

— Meu pai é médico, mas no tempo livre é fotografo, e gostava de ir lá tirar fotos dos prédios abandonados – Charlie continuou a andar na frente dos amigos policiais.

— Como você veio parar aqui? – Thomas pergunta.

— Eu não me lembro – Charlie abaixa a cabeça com vergonha – Eu acordei deitado no mato e procurei a estrada.

Os três continuavam andando lentamente ate se depararem com uma montanha na frente da estrada impedindo a passagem. Não havia nenhum túnel, nem placas. A estrada realmente parecia acabar por ali.

— Não tinha essa porcaria aqui quando vimos pela última vez – Taylor se aproxima para procurar alguma passagem.

Charlie vem logo atrás e coloca as mãos na montanha. Este ato chama a atenção dos policiais que se admiraram com tamanha inocência da criança.

— Isso não é uma montanha – Charlie dá alguns passos para trás.

— É claramente uma montanha Charlie – Taylor afirma.

Charlie olha desconfiado para a gigante pedra em sua frente e respira fundo. Taylor se aproxima devagar da criança para consola-lo. Ele se ajoelha atrás de Charlie e ameaça dizer alguma coisa.

Charlie Grita.

Não foi um grito qualquer, o grito de Charlie durou por vários segundos, um grito agudo e bastante alto. Taylor cai para trás e Thomas se espanta de longe.

Charlie grita olhando ainda fixamente para a montanha que começa a se mover de uma maneira esquisita. A montanha se desfaz com vários demônios ou homem sombras saindo.

A estrutura nada mais era que vários seres disfarçados impedindo o caminho dos viajantes. Taylor olha assustado ao ver tantas sombras voando em direção a Coatboard liberando a estrada.

Assim que toda a montanha foi desfeita, logo à frente alguém os aguardava. Novamente o corpo de Paul acordado caminha em direção a Charlie. Taylor se levanta rapidamente e se posiciona na frente da indefesa criança.

Porém Paul para em frente a Taylor e diz com suas frias palavras um recado supostamente enviado pelo encapuzado:

— Essa criança não poderá lhe defender para sempre Sr. Scott.

Paul se mistura com o ar e desaparece dali, dando a visão de Fagenold a poucos passos a frente de Taylor. Thomas e Charlie se alegram rapidamente e andam rapidamente dentro dos limites de Thomas em direção à cidade.

O coração acelerava a cada passo, conseguiram finalmente ultrapassar a placa da fronteira da cidade, as primeiras casas até chegarem na praça central. Os dois deitam no chão, felizes por estarem finalmente em casa.

— Filhos da puta, onde vocês estavam – Richard sai da delegacia que fica logo a frente de onde estavam deitados os amigos e corre para cumprimenta-los.

Depois de um pequeno abraço em seus amigos Richard olha para o lado e vê Charlie o encarando, o garoto estava com um rosto inocente mas bastante determinado.

— Quem é esse aqui? – Richard olha para Taylor.

— Salvou a gente – Taylor responde – Vamos leva-lo para casa.

— Salvou a gente? – Richard olha esquisito para os dois – É uma criança Taylor, incapazes de salvar dois policiais treinados.

Antes de argumentar de volta, Taylor é interrompido pelos gritos de uma mulher que corria em direção a Charlie.

— Charlie, Charlie é você? – A mulher corre a abraça a criança – Eu e seu pai estávamos preocupados com vocês.

— Dra. Angela, você é a responsável por essa criança? – Taylor se posiciona como policial frente à única psicóloga da cidade, ela afirma positivamente com a cabeça – A doutora terá sérios problemas ao deixar uma criança sozinha em uma das estradas mais perigosas da região.

— Sr. Scott, não deixei criança nenhuma em nenhuma estrada – Angela o enfrenta – Ele saiu para brincar com os colegas novos, então não nos acuse por falsas atitudes.

— Espera aí – Thomas interrompe – Não existem novos moradores na cidade, que novos amigos são esses?

— Eu não vi o rosto deles – Charlie responde enquanto Angela o pega no colo.

— Como não viu? Sabe pelo menos quem são – Richard pergunta

— Um deles estava de capa que só consegui ver os olhos, bem bonitos – Taylor e Thomas congelaram e Charlie continuou – O outro é seu amigo também tio Tay.

— Quem é ele? – Taylor pergunta

— É aquele mesmo que conversou com você na estrada, até se transformou em fumaça depois e saiu voando.

— Parece que passou uma ótima tarde então Charlie, muito bem – Angela deu um sorriso para o filho e foi em direção a sua casa.

— Dra. Angela, recomendo trancar as portas da sua casa, enviaremos as forças para proteger a região.

— Por quê? – Angela vira para trás e Taylor se aproxima dela

— Seu filho fez amizade com dois demônios.