Não Machuque Assim o Meu Coração
1 Capítulo Único
Notas iniciais
— Lia, fala comigo, por favor... — Taemin pedia me puxando pelo pulso.
— Me larga! Vá lá falar com SUA SOON AH e me deixa em paz! — falei tentando desvencilhar a mão do garoto do meu pulso e não ousando olhar para trás, caso contrário sairia correndo para os braços dele.
— Aigooo! Eu não quero falar com ela, quero falar com você... Me escuta, por favor!
— Já chega garoto! — disse me virando para olhar nos olhos de Taemin — Você acha que eu sou um brinquedo, que você usa, larga e usa de novo na hora que quer? Dessa vez você passou dos limites... Para mim já chega. — saí correndo dali, pois sabia que iria desabar a qualquer momento.
Entrei no primeiro café que vi ao cruzar o sinal central de Myeongdong. Sentei-me à mesa do canto da parede, no fundo do salão e impulsivamente comecei a chorar. No fundo eu queria correr para Taemin e dizer que estava tudo bem, que eu poderia perdoar ele, mas eu sabia que não podia fazer aquilo, e deveria deixar de ser trouxa.
Passado algum tempo, enxuguei as lágrimas do rosto, amarrei meu cabelo em um coque alto e resolvi pedir um iced americano. Nesse momento, eu já tinha certeza sobre minha decisão. Eu iria embora para a Austrália, sumiria daqui e tentaria recuperar todo o tempo perdido ao lado de Lee Taemin. Logo, peguei meu celular e procurei freneticamente pelo número da única pessoa que poderia me consolar apenas atendendo a minha ligação.
— Eu preciso falar com você. — falei para meu irmão, assim que ele atendeu a ligação.
— Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou preocupado.
— Nada demais, Nino! Mas amanhã você volta para casa de que horas?
— Acho que na hora do almoço já estarei em casa!
— Ótimo!
— Lia?
— Oi?
— Tem certeza que não aconteceu nada?
— Tenho... não se preocupe!
— Vou acreditar em você.
— Amanhã nos falamos. Beijos!
— Ok! Beijos!
Com a cabeça mais fresca, paguei a conta e peguei um táxi. Meu destino era o aeroporto. Eu tinha que comprar minha passagem o mais rápido possível. O trânsito estava bastante lento, já passava das 18 horas e as pessoas estavam voltando para casa. Porém, em determinado momento o táxi parou bem ao lado de uma praça e eu pude ver um casal de jovens, aparentavam ter a minha idade, por volta dos 23 anos, se beijando. O garoto olhava ternamente para sua namorada, que estava abraçada nele, como se ele fosse seu porto seguro. Tentei me segurar, mas quando vi já estava soluçando.
— Está tudo bem aí, moça? — o taxista perguntou olhando para mim pelo espelho retrovisor interno.
— Sim! Só estou meio gripada. — respondi com uma mentira, colocando a mão no rosto.
— Quer um lencinho? — ele esticou seu braço com uma caixa de lenços.
— Muito obrigada! — eu falei aceitando um, e reverenciando ele brevemente.
Não sabia exatamente porque estava indo ao aeroporto, se eu poderia comprar a passagem em casa pela internet. Só acho que estava tentando espairecer e ter certeza de que compraria a passagem, pois no fundo sabia que se fosse para casa acabaria indo para o quarto chorar até não poder mais.
Quando o táxi estacionou no aeroporto, eu agradeci ao motorista e paguei pela corrida. Depois que ele saiu, olhei para o prédio, fechei meus olhos, respirei fundo, e só então pude seguir adiante.
O lugar estava cheio como sempre, pessoas iam e vinham com suas malas, ou acompanhando alguém que iria embarcar. Assim que vi o ponto de vendas da empresa aérea que estava procurando, apressei meu passo.
— Boa noite! — eu falei batendo no vidro do guichê, para chamar a atenção da atendente que estava mexendo no celular.
— Ah, me desculpe. Boa noite! — ela rapidamente guardou o aparelho e sorriu para mim — Posso ajudar?
— Quero uma passagem para a Austrália.
Na verdade, eu queria mesmo era ir para o Brasil, morar com meus avós e recomeçar a minha vida lá. Mas a minha universidade não tinha parceria com nenhuma universidade brasileira, e os meus documentos de admissão para a Austrália já tinham sido entregues, eu teria que entrar com um novo requerimento caso fosse possível. Além do que, as aulas logo iriam começar e na realidade já era para eu estar lá.
— Para qual dia a senhorita deseja?
— Para amanhã!
— Temos um voo saindo daqui às 10:30h e outro às 19:45h.
— Pode ser o das 19:45h.
— Me empreste um documento seu com foto, por favor.
— Claro! — falei retirando meu passaporte da bolsa.
Quando a atendente finalizou a compra, agradeci e saí andando pelo aeroporto em busca da saída. Com as passagens na mão eu senti um aperto no coração, porque sabia que isso significava o fim de tudo que eu e Taemin tínhamos, mas ao mesmo tempo a raiva e a decepção que me consumiam, me diziam que era o certo a se fazer. Parada no meio da saída do aeroporto fechei meus olhos com força, senti uma lágrima quente escorrer pelo meu rosto e vi um filme passar pela minha cabeça: a morte do meu pai, o casamento da minha mãe com o pai de Nino, a nossa mudança para a Coreia, meu primeiro dia de aula ao lado de Nino em uma escola para estrangeiros, o dia em que fomos aceitos em uma das melhores universidades coreanas, a primeira vez que meus olhos encontraram os de Lee Taemin, o dia em que ele me pediu em namoro e por fim, Taemin de mãos dadas com a nossa veterana Soon Ah na mesma praça em que descobrimos que estávamos apaixonados um pelo outro. Bruscamente passei a mão pelo meu rosto para secar aquela lágrima, e prometi para mim mesma que a partir desse momento não seria mais trouxa.
Ao chegar em casa, conversei com minha mãe e meu padrasto com o intuito de lhes explicar a minha decisão. Como sempre eles me apoiaram e me disseram que no momento em que eu precisasse ou decidisse voltar, estariam esperando por mim de braços abertos. Abracei os dois por algum tempo, e pedi que não contassem nada a Nino, pois pretendia conversar com ele assim que ele chegasse em casa no dia seguinte.
Então, fui para o meu quarto, joguei minha bolsa no chão e me deitei na cama do jeito que estava. Sabia que meu celular não parava de vibrar, mas não pretendia falar com Taemin ou com quem quer que fosse. Só queria ficar ali, refletindo sobre tudo aquilo comigo mesma.
Acordei perdida, sem saber se tudo tinha sido um sonho ou realidade, peguei meu celular e fechei meus olhos sem aviso prévio quando o brilho do meu celular os atingiu. Faltavam poucos minutos para as 8 horas da manhã e eu ainda tinha algumas malas para arrumar. Na tela inicial, pude visualizar 15 ligações perdidas de Taemin e inúmeras notificações de mensagens, as quais não fiz questão de visualizar.
Em duas horas, consegui arrumar toda a minha bagagem, tomei um banho e fui para a sala de estar esperar minha mãe e meu padrasto, que tinham ido buscar Nino na rodoviária. O tempo parecia não passar, o que me fez pegar o meu celular, quando me dei conta, estava revendo minhas notas e encontrei alguns textos românticos que costumava escrever para Taemin. Foi nesse momento, que resolvi escrever meu último texto para ele, que dessa vez significaria uma despedida.
Ao digitar a última frase, senti um enjoo, mas mesmo assim, copiei o texto, abri a conversa com Taemin no KakaoTalk, me deparando com vários pedidos de desculpas, e sem pensar duas vezes colei o texto e o enviei.
Taemin,
ansiosa e feito boba não parava de olhar o meu celular, ao passo que fazia de tudo para fingir indiferença. Será que ele está triste também? Será que estou sofrendo sozinha? Será que ele realmente me ama? Então, porque me deixa de escanteio? Esses pensamentos ficavam me perseguindo dia e noite. Quando fico calada, você nunca percebe nada, mas quando falo sobre o que está me incomodando você fala que sou dramática e egoísta. Só queria que você me levasse a sério, porque não estou gostando de me sentir somente sua amiga, enquanto você me apunhala pelas costas. Minha importância na sua vida parece ser irrelevante, e se fosse para estar em um relacionamento unilateral estaria comigo mesma. Eu sei que eu sonho demais com meus tipos ideias e sofro de Complexo de Cinderela, mas essa relação não é o mundo real que imaginei.
Desde o começo, esperei que você fosse sincero comigo, afinal convivemos como amigos durante quase dois anos, e quando descobrimos nossos reais sentimentos, imaginei que em pouco mais de um ano de namoro estaríamos sendo leais um ao outro. Entretanto, você me mostrou o contrário. Não quero me machucar, o eu e você, trata-se apenas de ilusão.
Estou indo embora da sua vida, porque não admito que você machuque assim o meu coração. Mas saiba que eu lhe amei desde o começo, ainda te amo e vou sofrer muito para lhe tirar do meu coração. E no fundo, espero que em algum momento você tenha sido sincero comigo, porque chorar por você, imaginando que provavelmente nem em mim você está pensando é doloroso demais.
Fica bem.
Com amor, Lia.
Rapidamente fechei a conversa e desliguei meu celular, com o intuito de evitar qualquer recaída. Quando me dei conta, Nino estava abrindo a porta e eu corri para abraçá-lo.
— Não me diga que você está indo embora... – ele olhou nos meus olhos quando nos separamos do abraço.
— Parece que a sua irmãzinha finalmente decidiu ir para a Austrália. – eu disse com a voz embargada, pois assim como ele eu também queria chorar.
No meu quarto, contei tudo que estava acontecendo para Nino, afinal, além de ser meu irmão, ele também era um grande amigo de Taemin e não queria que ficasse sabendo por terceiros.
— Você sabe que eu e Taemin somos grandes amigos, mas mesmo que eu não saiba o que está acontecendo com ele, a última coisa que eu quero ver é a minha irmã sofrendo. Então, se você acha que é o melhor a se fazer, te apoiarei até o final. – Nino me abraçou, e eu agradeci mentalmente por ele ter entrado em minha vida.
Após o almoço, a namorada de Nino veio lhe ver, os dois tinham marcado de ir ao cinema, e apesar de eu ter insistido que estava tudo bem eu ficar em casa, Ara e Nino insistiram que eu deveria sair com eles, e no fim acabei cedendo. Pelos menos as minhas últimas horas na Coreia do Sul, seriam marcadas por boas recordações. Quando o filme acabou, Ara sugeriu que fôssemos até um café antes de voltarmos para casa, assim eu só teria que me arrumar e pegar minhas coisas para ir até o aeroporto, mas quando me dirigi ao balcão para fazer meu pedido, senti minhas pernas bambas ao ver que a atendente era Soon Ah, a qual sorriu para mim da forma mais cínica possível. E tentando me mostrar o mais forte possível, a cumprimentei e pedi três cafés, quando Ara percebeu a situação e me tirou dali.
Sentindo o mundo girar ao meu redor, Ara e Nino me levaram para casa, onde eu tomei um comprimido para dor de cabeça e sem hesitar me arrumei e levei minhas malas até a porta de casa.
— Vamos? – perguntei a minha mãe, meu padrasto e meu irmão.
— Vamos lá. – eles sorriram para mim tentando transmitir confiança.
Surpreendentemente, o aeroporto estava mais cheio do que ontem e ao ouvir o meu voo ser anunciado, senti uma ansiedade consumir o meu corpo. No momento do embarque, me despedi da minha família sabendo que não demoraria a voltar a vê-los.
— Por favor, seja feliz e não deixe mais ninguém machucar o coração da minha irmãzinha! – Nino pediu olhando ternamente para mim, que não consegui falar nada, só assentir com a cabeça.
— Amo vocês! – falei para minha mãe, meu padrasto e meu irmão, antes de entrar na fila para a área de embarque.
No entanto, quando estava prestes a mostrar meu bilhete para o segurança, ouvi uma voz familiar me chamar.
— LIA! LIA! LIA! – gritava Taemin, tentando se esquivar das pessoas pelo saguão do aeroporto.
— Senhorita? – me chamava o segurança, mas eu estava congelada, perplexa, não sabia o que fazer.
— LIA, EU TE AMO! POR FAVOR, NÃO VÁ EMBORA. TUDO NÃO SE PASSA DE UM MAL-ENTENDIDO. – Taemin estava aos prantos – EU NÃO QUERIA LHE MAGOAR, EU TE AMO COM TODO O MEU CORAÇÃO! SUA IMPORTÂNCIA NA MINHA VIDA NUNCA FOI IRRELEVANTE. POR FAVOR, FICA COMIGO!
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