Não Há Quem Possa Ocupar Seu Lugar
7 Capítulo 7
Capítulo 7
Urahara olhou com pena para Abarai quando este adentrou o portal de volta à Soul Society.
– Coitado... — falou Yoruichi, se aproximando de onde o ex-shinigami estava.
– É verdade... — concordou, voltando-se a ela.
– E quanto ao Ichigo, Kisuke? Você acha que ele vai levar isso adiante?
– Eu acredito que sim, ele... não é de desistir fácil.
– Isso não é mesmo.
– Mas é dureza ter um mundo nos separando da pessoa amada... — comentou ele, como quem entende bem do assunto.
A união de duas pessoas pode parecer algo simples e extremamente normal... mas, parece que, por alguma estranha razão, a cada dia, vem tornando-se o oposto disso. Desencontros, status, raças, pessoas... Tantas variáveis, tantas circunstâncias. Ichigo e Rukia viviam esse drama, e pelo visto, não eram os únicos.
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Quando Renji chegou à área de seu esquadrão, foi recepcionado com certo espanto por alguns membros que ali estavam.
– Vice-capitão Abarai!? — exclamou um deles.
– O capitão Kuchiki está em reunião ou algo do tipo? — perguntou o ruivo.
– Não. O capitão está em seu gabinete.
– Muito bem... preciso falar com ele — disse e saiu.
Ao mesmo tempo em outra parte, Rukia acabava de acordar. Ela estranhou o local onde estava e, só quando ergueu o corpo e viu o jardim ao lado, reconheceu a mansão do clã Kuchiki.
Resignada, ela inspirou fundo e logo se colocou de pé. Depois, deixou o quarto na intenção de voltar ao seu esquadrão. Antes de ir, pediu apenas a um dos serviçais que informasse ao irmão de sua partida.
Na área do décimo terceiro esquadrão, depois de conversar com o capitão Ukitake, a pequena retomou seus afazeres corriqueiros e o dia transcorreu sem maiores surpresas.
Ao cair da tarde, Rukia ajuntava suas coisas na intenção de ir se recolher quando, de repente, Abarai apareceu diante dela.
– Renji?!
– Temos que conversar... — ele falou de um jeito meio mandão.
Ela o encarou, por alguns instantes, muito séria.
– Sobre o que? — indagou então, com certa aspereza.
– Sobre o que aconteceu no Mundo Real... o que mais?
– Isso não! — exaltou-se ela. – Esse assunto está encerrado.
– Rukia...
– Renji, não há razão de retomar esse assunto! Não quero mais nem que o mencione.
Ele a encarou, meio contrariado. Claro que colocar uma pedra sobre o assunto era uma boa resolução, sobretudo, para ele, mas no fundo, sabia que não era tão simples.
– Eu apenas... não estou certo do que você pretende fazer...
– Já disse. Não terei mais qualquer ligação com o shinigami substituto.
O ruivo estreitou os olhos. Apenas por conhecê-la há tantos anos, ele percebeu a ligeira alteração em sua voz quando ela se referiu ao jovem Kurosaki.
– Entendi... — disse e cerrou um dos punhos.
– Então, com sua licença... senhor vice-capitão — falou amarga, e saiu andando.
Abarai não teve ânimo de impedi-la.
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Mais tarde, sozinho em seu alojamento, Renji pensava na situação.
– Ela está mesmo gostando do pivete... — exprimiu o óbvio.
Tentava se convencer do contrário, mas era em vão. Não adiantava nada Rukia optar por não mais vê-lo, a distância apenas não exterminaria aquele sentimento. Ele só não compreendia como algo tão forte foi surgir tão repentinamente. O que Kurosaki tinha de tão especial para cativá-la daquele jeito?
Fechou os olhos e uma lembrança tomou sua mente. Ele e Rukia na Academia de Shinigamis no dia em que ela lhe contou sobre o convite do clã Kuchiki.
Naquela ocasião, Rukia fugiu dele, deixando rolar uma lágrima. Ele achou que não devia atrapalhar, porque ela estava diante de uma oportunidade única e não podia desperdiçá-la. Não compreendeu que ela teria recusado se ele pedisse. Assim, Rukia se viu pressionada a entrar no clã da família nobre, pois tinha sido ela a motivá-lo a ingressar na academia como meio de melhorarem de vida. Só então percebia que fora por causa disso que ele a perdeu, pois cada qual seguiu seu caminho.
Ela tornou-se uma nobre por obra do destino, ele conquistou um alto posto pelos próprios esforços. Tudo que tinham construído juntos empalideceu. O distanciamento fez o sentimento que podia ter desabrochado entre eles ficar só na intenção, e por certo, não apenas na dele.
– Eu só perdi meu tempo... e agora, além de não ter seu afeto, ainda faço com que ela sofra.
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Ichigo arrumava seus materiais, pensativo. Sua expressão estava boa apesar de ter passado a noite quase toda em claro. O apoio de seu pai foi como uma autêntica injeção de ânimo. Tudo já estava esquematizado em sua mente. E o primeiro passo era resolver sua situação com Orihime. Jogou a mochila nas costas e, ao sair do quarto, se deparou com Karin.
– Ichi-nii?
– Ah, bom dia, Karin.
– A Rukia-chan foi embora de novo?
Chateado, ele assentiu com a cabeça.
– Por que ela fica nesse vai e volta? Você sempre fica com essa cara quando ela vai... gosto dela, mas se é assim, acho que preferia que ela não viesse mais.
Surpreso, o adolescente inspirou fundo.
– Isso não... — foi só o que ele conseguiu dizer e saiu de lado, com certa pressa.
– Ichi-nii! — ela o chamou, correndo atrás dele.
Chegando à mesa, esbaforida, a pequena bateu as mãos na frente do irmão.
– Mas se você pensar melhor, verá que isso não tem como dar certo!
– Não fale do que você não sabe, Karin.
Isshin ficou só olhando.
– Digo isso pelo seu bem e pelo dela. Não é melhor esquecer disso? Já tem uma pessoa aqui que gosta de você...
Yuzu quase teve um surto e Ichigo vidrou os olhos. Isshin deu as costas como se não estivesse ouvindo nada.
– Acontece que não sinto o mesmo por essa pessoa — revidou Ichigo. – E se eu ficasse com ela mesmo assim, acha que ela seria feliz?
– Karin-chan! — berrou Yuzu. – Do que vocês estão falando?! — choramingou sem entender.
– Não é nada, Yuzu — falou Ichigo e se levantou. – Foi mal, eu tô indo...
– Mas, oni-chan, nem tomou seu café!
– Estou sem fome. Até...
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O dia estava nublado.
Orihime teve um mau pressentimento ao deixar sua casa rumo à escola. Mesmo lá, dentro do prédio, aos seus olhos tudo parecia cinzento. Como um robô, ela respondia com monossílabos ao que as amigas lhe perguntavam.
Já na sala de aula, deixava os cadernos na carteira quando avistou Kurosaki chegando. Acompanhou com os olhos o caminhar dele, atônita, com o coração disparado. Para sua surpresa ele parecia bem.
– Inoue... bom dia — ele a cumprimentou depois de um ligeiro aceno e, sem nem esperar por resposta, seguiu para o lugar de costume.
As horas se arrastaram cruciantes para eles dois. Tatsuki, de tempo em tempo, olhava na direção da amiga, notando a expressão abatida dela. Ichigo também parecia apreensivo.
Durante o intervalo, Kurosaki permaneceu na sala, enquanto as meninas lancharam no pátio.
Finalmente, o sinal do término da aula soou.
– Não posso acompanhá-la hoje, Ohirime... vai ser o último treino antes da competição neste domingo — justificava-se Tatsuki.
– Tudo bem, Tatsuki-chan, não se preocupe comigo — disse amena, concentrada em guardar os materiais na mochila.
– Inoue?
Ela ergueu o rosto imediatamente, pois foi Ichigo quem a chamou.
– Kurosaki-kun!? — exclamou assustada.
– Quero falar com você... Teria um minuto?
Tanto ela como Tatsuki ficaram lívidas de espanto, além do que o tom dele foi muito sério.
– Claro... — respondeu e esboçou um sorriso.
– Podemos ir para um outro lugar? — pediu ele, meio sem jeito, sobretudo, por perceber o olhar dos colegas neles dois.
Ela ficou ainda mais nervosa, mas assentiu com um gesto. Ichigo saiu andando na frente, e logo depois foi seguido pela moça.
– Tatsuki, você vai deixar? — indagou abismada a assanhada Chizuru.
– Deixa eles... estão precisando mesmo conversar.
Num espaço próximo ao armazém dos materiais de Educação Física, Kurosaki parou e voltou-se para trás. Inoue estava um pouco distante ainda. Não havia ninguém por perto.
Quando a garota se aproximou, ele percebeu seu nervosismo. Inspirou fundo e, por um instante, as palavras de Karin lhe vieram a mente. Fitando sua colega de sala, ele se indagou se não era mais certo desistir de seu sentimento pela shinigami, mas em segundos afastava essa ideia da cabeça.
– Kurosaki-kun, por quê... — dizia ela, mas ele a cortou.
– Eu sinto muito, Inoue.
– Eu sei... não precisava disso, afinal, eu ouvi tudo...
– Não... não é isso. Estou querendo dizer que sinto muito por... estar pensando só em mim mesmo, já que é por minha culpa que você também não leva uma vida normal...
Foi um tremendo baque ouvir aquilo, mas logo ela balançava a cabeça nervosamente, com os olhos marejados.
– Não, Kurosaki-kun! Eu não o culpo por isso... os poderes que recebi graças ao seu poder são dádivas e não maldição... eu podia ter virado as costas para tudo isso, mas escolhi esse caminho por minha própria vontade...
– É? Fico feliz em saber então. E... eu também sinto muito por não poder correspondê-la da maneira que gostaria.
Ela não esperava que ele fosse ser tão direto, mas claro que não podia se tratar de outra coisa.
– Não se preocupe com isso... — murmurou debilmente e abaixou a cabeça.
O adolescente sentiu uma fisgada no peito. Tentando se colocar no lugar dela, imaginou o quanto devia ser difícil ouvir aquilo.
Permaneceram calados, por alguns instantes, até que Ichigo voltou a falar.
– Eu sei que é pedir muito... mas, por favor, não odeie a Rukia... ela nunca quis magoar ninguém... pode jogar toda sua raiva em mim...
Se você fosse um menino, pediria isso a uma garota que gostasse de você? Se sua resposta foi sim, saiba que você é um tolo ingênuo como Kurosaki Ichigo.
Um nó dolorido apertou a garganta de Orihime. Reunindo todas as forças, ela se esforçou bravamente para responder.
– Claro... isso nem precisava ped... — tentou concordar, tentou mesmo, mas o choro irrompeu descontrolado, dando fim as palavras.
Ichigo ficou completamente perdido.
– Eu... — ela quis dizer qualquer coisa, ainda mais ao se defrontar com a expressão desconcertada dele, mas só o que conseguiu fazer foi sair correndo dali.
Sozinho, Kurosaki bateu na testa, compreendendo então que não devia ter mencionado o nome de Rukia.
– Imbecil... — xingou-se, vendo a menina se afastar depressa.
Chorando, Orihime corria cabisbaixa, quando, ao virar num corredor, trombou de frente com alguém.
– Inoue-san! — exclamou Uryuu.
Atônita, ela o encarou, balbuciando frases desconexas, então tentou sair de lado, mas o quincy a segurou pelo pulso.
– Espera... — pediu, estarrecido com a situação.
– Ishida-kun, eu não a odeio! Por que ele acha isso de mim? Eu não odeio ela! Não odeio! — desatou angustiada, com os olhos arregalados, e chegou a apoiar as mãos nos ombros dele.
– Do que está falando? — indagou, perplexo.
– Ele não acredita em mim, Ishida-kun, ele... ele... me... — não conseguiu continuar e, então, escondeu o rosto entre as mãos.
Ishida deduziu que aquilo só podia ser coisa do colega Kurosaki. Vendo a jovem à beira de uma crise nervosa, ele até pensou em usar alguma técnica atordoante, mas num impulso, acabou abraçando-a contra o peito.
Orihime paralisou no lugar na mesma hora, mas isso durou pouco, porque num ato impensado, correspondeu ao abraço, enlaçando o tronco do rapaz.
Mesmo tendo sido ele a tomar a iniciativa, Uryuu se surpreendeu com aquilo, mas logo se recompôs. Precisava ajudá-la.
– Acalme-se, por favor... — falou bem baixo, e afagou carinhosamente a cabeça dela.
Ela estava tão perturbada que nem se acercou de sua ousadia. Tatsuki, que procurava pela amiga, viu a cena, de uma meia distância e, petrificou, boquiaberta.
Com medo de serem vistos daquele jeito e, não querendo ser mal interpretado também, Ishida afastou Inoue gentilmente para trás.
– Venha comigo... vou acompanhá-la até a enfermaria.
A moça enxugou o nariz e assentiu. Então, Uryuu lhe deu passagem para que ela seguisse na frente.
Arisawa estremeceu de raiva. Pisando firme ela seguiu depressa atrás dos dois. Estava a ponto de dar um berro, quando percebeu para onde o rapaz conduzia a amiga. Então, foi diminuindo o passo.
Não muito longe dali, Ichigo se escorou num paredão. Estava até chateado, mas logo seu pensamento se voltou totalmente para Rukia e a Soul Society. Urahara por certo o ajudaria a chegar lá, mas ainda não tinha ideia do que faria depois.
– Ah, na hora eu vejo... — falou consigo e deu um passo adiante, na intenção de ir embora, mas quase no mesmo instante, lembrou-se que precisava pegar um livro na biblioteca.
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Na enfermaria, Ishida ficou próximo de sua colega enquanto uma simpática funcionária a atendia. Uns bons minutos se passaram, até que convencido de que estava tudo bem, ele pediu licença para ir até sua sala buscar seus materiais, mas insistiu que Orihime esperasse ele voltar.
Do lado de fora da enfermaria, Uryuu se deparou com Tatsuki.
– Arisawa! — exclamou num misto de susto e receio.
– Como ela está? — indagou, encarando-o intensamente.
“Será que ela me viu junto com a Inoue-san? Deve estar querendo me matar!”
– Melhor agora que tomou um calmante, mas estava arrasada. Seja lá o que Kurosaki tenha lhe falado, deixou-a muito abalada — respondeu na típica polidez. – Você vai acompanhá-la até em casa?
– Não posso. Tenho um treino importantíssimo hoje. A equipe precisa de mim — disse, cabisbaixa, com um dos punhos cerrados.
Os dois ficaram quietos, refletindo, então a garota voltou a falar.
– Sei que não é muito apropriado te pedir, mas você poderia fazer isso por mim?
O rapaz ficou espantado com o pedido.
– Claro — confirmou todavia. – E não tem com o que se preocupar, Arisawa-san, eu nunca faltaria com o respeito para com a nossa colega.
Tatsuki se tranqüilizou ao ouvir aquilo, se convencendo de que Uryuu não era do tipo aproveitador. Ele não conhecia Orihime há tanto tempo quanto ela, mas ambos também mantinham uma amizade verdadeira.
– Se é assim... deixo-a com você então.
– Vou pegar minhas coisas e já volto.
– Fico com ela enquanto isso.
– Certo...
Tatsuki entrou na sala, enquanto Uryuu seguiu pelo corredor. Alguns metros à frente, ele avistou Ichigo vindo na direção contrária, e até corou levemente ao vê-lo.
– Ah, Ishida...
– Kurosaki... — cumprimentou, sério, sem nem parar, não era uma boa hora para conversarem.
Desinteressado também, Ichigo seguiu rumo à biblioteca.
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Quando Ishida voltou à enfermaria, Tatsuki já não estava lá. Acabou ficando meio nervoso com isso, mas disfarçou bem.
– Inoue-san, Arisawa-san me pediu para acompanhá-la até sua casa. Não se importa, não é?
– Não... mas... não é necessário. Já me sinto melhor.
– Por favor, eu insisto — disse, adiantando-se em pegar os materiais dela.
Inoue se colocou de pé, ponderou por alguns instantes, e então, concordou.
Os dois seguiram, caminhando lado a lado, e quando chegaram ao pátio de entrada, avistaram mais adiante Kurosaki deixando a escola também. Ishida percebeu os olhos de Inoue mais brilhantes e então tocou no ombro dela.
– Vamos... — chamou ele.
Orihime virou a cabeça em sua direção e assentiu.
O caminho até a casa da jovem não era longo, mas para ambos pareceu interminável.
Imaginando que ela estivesse muito constrangida, Ishida nem cogitou subir à entrada do apartamento e, pensou que se ela não dissera uma única palavra durante o caminho, era porque não queria conversar.
– Cá estamos... — disse ele, quebrando o silêncio e estendeu o material à moça.
– Obrigada, Ishida-kun.
– Não por isso. Precisando de qualquer coisa, por favor, me avise.
– Sim... — disse e deu um passo adiante.
Ele a olhou, num misto de pena e preocupação, mas Orihime não chegou a dar dois passos, quando sentiu uma tontura forte e as vistas escurecerem. Quando deu por si, estava caindo. Mas de repente, algo impediu sua queda.
– Orihime! — exclamou Uryuu, sustentando-a no braço.
A expressão preocupada dele, através das lentes dos óculos, foi tudo que ela viu antes de afundar na escuridão.
Alarmado, o rapaz olhou para os lados.
“Céus, isso não está acontecendo! Calma, claro que vai aparecer alguém... Uma coisa dessas não aconteceria com um cara como eu...” ele pensou, mas afastou essa ideia da cabeça com veemência.
Ficou ainda alguns instantes, com a bela garota nos braços, olhando para o prédio, certo de que alguém sairia a qualquer instante, mas nada. Ela resmungou e sua face começou a ficar avermelhada, já que sua cabeça pendia para baixo.
– Droga... — praguejou e deixando os receios de lado, a endireitou nos braços, pegando-a no colo.
Meio desengonçado o quincy subiu os lances de escadas. Diante da porta, se agachou no chão procurando, desesperadamente, pelas chaves entre as coisas dela. Seria um escândalo serem vistos daquele jeito!
Aliviado, ele adentrou a casa, bem na hora, pois, ele já não agüentava mais segurá-la. Acomodou-a displicentemente no sofá e se endireitou, recuperando o fôlego.
Encarou então a desacordada. Seus olhos se alargaram diante das formas avantajadas e bem feitas, foi inevitável. Mas rapidamente ele se repreendeu com a própria malícia, como se fosse um crime admirar uma garota realmente muito bonita.
– Inoue... precisa se fortalecer, menina... — falou ele, e ajeitou os óculos, depois, virou-se de costas e puxou o celular do bolso. O número chamado não atendeu. Pensava em outra pessoa, quando ouviu um resmungo.
– Inoue-san! — exclamou, girando o corpo na direção dela.
– O que aconteceu? — indagou confusa, buscando apoio no encosto do sofá para se levantar.
Ishida se aproximou alguns passos.
– Você desmaiou... não apareceu ninguém, então eu te trouxe... — explicou muito sem jeito, preocupadíssimo com o que ela pensaria dele.
– Eu... estou sendo um estorvo pra você né, Ishida-kun?
– Não fale assim... se houvesse qualquer coisa que eu pudesse fazer por você, claro que eu faria.
– Já fez muito por mim hoje... sou-lhe realmente grata.
Ele ficou penalizado, pois o tom dela denunciava angústia, vergonha e sofrimento. Ficou ali, encarando-a por alguns instantes, certo de que o mais apropriado era deixá-la sozinha, mas o que saiu de seus lábios foi o oposto disso.
– Inoue-san... não quer conversar um pouco? — perguntou com um leve sorriso.
Ela piscou desconcertada, surpresa. O tom dele foi tão gentil. Já tinha conversado bastante com Tatsuki, mas a melhor amiga não compreendia o que Kuchiki Rukia representava para eles. Naquele instante, ela só precisava do apoio de alguém que compreendesse que ela não odiava a shinigami. Claro que a rejeição de Kurosaki doía, mas ela não iria morrer por causa disso. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, iria se conformar.
– Eu acho que... sim... — admitiu então e levantou o rosto ao colega.
Uryuu lançou um olhar amistoso a ela e sorriu.
– Você me entende, não é, Ishida-kun? Eu nunca poderia odiar a Kuchiki-san... se não fosse por ela... o Kurosaki-kun não teria ajudado o onii-chan... e se não fosse por ela... a família do Kurosaki-kun...
– Claro que eu te entendo, Inoue-san — ele a interrompeu.
Ela esboçou um sorriso tímido, e finalmente sentiu o coração um pouco mais leve.
Pelo resto daquela tarde, Uryuu ouviu e encorajou sua amiga, e quando se foi, pouco antes de escurecer, partiu na certeza de que ela superaria aquilo muito em breve.
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Ao chegar no portão de sua casa, Ichigo se deparou com Karin.
– O que foi? — perguntou ele, com certa normalidade na voz.
– Quero me desculpar! — exclamou alto ela, abaixando a cabeça em seguida.
– Tudo bem. Eu nem fiquei zangado com você.
Foi um alívio para a pequena ouvir aquilo.
– Deve ser difícil, Ichi-nii, você precisa de todo o apoio agora. Claro que vou ficar do seu lado! Pode contar comigo!
Ele sorriu levemente.
– Daqui uns dias... vou ficar fora, se puder tranqüilizar a Yuzu pra mim, ajudaria muito.
Os olhos da menina brilharam com satisfação. Assentiu empolgada e, com um sorriso enorme, entrou correndo na casa.
Um pouco depois, em seu quarto, Ichigo largava a mochila sobre a escrivaninha quando notou um pequenino objeto ali. Era um chaveiro de coelho. Pegando-o na mão, ficou olhando-o por algum tempo.
– Rukia... — sussurrou consigo, apertando aquele coelhinho entre os dedos.
CONTINUA...Notas finais
Pra quem já vem comentando, agradeço mais uma vez!
No próximo capítulo: Ichigo vai à Soul Society. Renji está lá, Byakuya também, será que ele conseguirá chegar perto da princesinha Kuchiki, ainda mais quando ela mesma diz não querer vê-lo?
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