Notas iniciais
Hey ^^ Musicas podem ser sugeridas ao longo da história, garanto que são boas músicas. *-* Ah, se quiserem dar dicas ou sugerir novas situações para a história, sintam-se a vontade. Escrevam pra mim =* E boa leitura!

Caminhei durante longos minutos, não sei quantos exatamente. Estava tudo escuro impossibilitando de saber ao menos em que lugar eu me encontrava. Conseguia ouvir meus passos ecoando num espaço que parecia vazio. Em questão de segundos um conjunto de risadas zuniu nos meus ouvidos me fazendo girar a cabeça de um lado para o outro na esperança de descobrir a origem das gargalhadas, mas continuava escuro. De certa forma elas passaram a me assustar.

Levantei minhas mãos querendo bloquear que o som cruzasse meus ouvidos e percebi que estava com uma venda inibindo minha visão. Minhas mãos estavam trêmulas e desesperadas começaram a desatar o nó do pano que escondia meus olhos que arderam ao ver a luz pela primeira vez. Poucos segundos depois que meus olhos se acostumaram à claridade, notei o grupo de pessoas que estavam ao meu redor num circulo perfeito. Todos eram rostos conhecidos. Eles me olhavam de forma doentia, continuavam sorrindo e se aproximavam cada vez que a risada ficasse mais agitada. Eu sabia que eles estavam rindo de mim, mas eu não sabia o motivo. Por quê? Porque tudo aquilo?

*

Abri os olhos e contemplei o teto do meu quarto. Minha respiração estava visivelmente acelerada acompanhando minha taquicardia. Levei minhas mãos ainda trêmulas à minha testa limpando o suor que teimava em correr por todo meu corpo. ‘Foi só mais um sonho Manu, se acalme!’

Quando finalmente consegui me concentrar no meu autêntico mundo, bufei. Sim, eu bufei. Eu estava me sentindo ridícula por entrar em desespero a cada vez que tinha um novo pesadelo e aquele seria o sétimo em duas semanas. É claro que eu percebi que eles estavam ficando frequentes, mas desde que não alterasse minha vida psicológica real por mim tudo bem.

Pouca luz entrava no meu quarto pela janela, presumi por tanto que ainda era madrugada. Ainda deitada, vasculhei a cama com as mãos procurando meu celular a fim de saber as horas e murmurei em reprovação ao não encontrá-lo tão facilmente. Girei o corpo pela cama e apoiei a cabeça no canto do colchão. Percorri os olhos no chão e encontrei meu celular lá, provavelmente ele tinha caído com os vários movimentos que devo ter feito por culpa do pesadelo. Estiquei os braços e o alcancei. Levantei o celular à altura dos olhos e antes que eu pudesse focalizar as horas, o despertador soou. No susto, eu acabei deixando-o cair de encontro ao meu rosto.

– Droga! – Reclamei de dor. Pelo menos eu tinha a resposta em relação às horas, eram exatamente 05:30 da manhã, hora de ir para minha ‘maravilhosa’ escola.

Levantei-me e sai em direção ao banheiro. Tomei um bom banho e fui escolher minha roupa.

– Hum, vamos ver sobre o que vão reclamar hoje... – Minhas palavras ecoaram no quarto relembrando minha total solidão. Estava me acostumando com aquilo, falar e ninguém ouvir. Pelo menos o vazio não contesta minhas ideias por mais absurdas que sejam. Abri o guarda-roupa e percebi que encarava todas minhas roupas. Eu as achava estilosas enquanto o resto do mundo achava completamente ridículo. Mas quem liga para o resto do mundo? Eu que não.

Apanhei um short jeans preto que chegava até a metade das coxas, uma regata vermelha sem estampa do tamanho apropriado para disfarçar meu uniforme e dentre meus sapatos escolhi o meu preferido, minha bota sem salto que acompanhava até os meus joelhos.

Vesti o uniforme da escola e a regata sobre ele. Coloquei uma calça legging e o short por cima. Na escola não permitiam entrar de short, muito menos o tamanho que eu gostava de usar, então precisava dissimular. Havia meses que eu entrava na escola de calça e corria para o banheiro para me trocar, ninguém percebia. E por fim calcei a bota. Eu nunca penteava os cabelos preferia a forma natural deles, lisos na raiz que iam levemente se transformando em cachos até a metade das minhas costas. Maquiei meu rosto com nada muito forte, apenas o velho lápis e rímel como todos os dias. Eles eram suficientes para contrastar com o ruivo do meu cabelo (tingido, infelizmente). Observei o meu reflexo no espelho.

– Estou perfeita para receber criticas. – Disse em meio a um falso sorriso, outra coisa que também estava me acostumando a fazer. Caminhei até a cozinha e arrumei meus materiais. Voltei ao espelho para uma ultima checada no visual e retornei a cozinha.

– Estou pronta mãe! – Gritei. Logo em seguida minha mãe, ainda cambaleando de sono, surgiu na porta com as chaves do carro na mão. Todo o percurso até minhas escola foi inundado pelo silêncio. Havia meses que eu e minha mãe não trocávamos mais do que cinco palavras e eu me sentia culpada por isso. Não tinha sido falta de ela arriscar conversar, mas toda vez que ela abria a boca para falar comigo começávamos a discutir por discordar de qualquer coisa que envolvia minha vida ou minhas decisões. Pensávamos diferente demais.

Ao chegar à escola, vi aquela imensidão de vadias e patricinhas que corriam para entrar. Até parece que estavam desesperadas assim para assistir aula. ‘Aposto meus dentes que estão na verdade loucas para reencontrarem os namorados/amantes/peguetes.’

– Vou ficar aqui hoje a tarde para estudar na biblioteca, não me espere chegar em casa tão cedo. – Eu disse assim que abri a porta do carro para sair.

– Tudo bem. – Respondeu ela sem olhar para meu rosto. E quando fechei a porta, ela se foi. Caminhei lentamente até a escola e parei dois passos antes de adentrar pelas portas de vidro. Respirei fundo. Eu estava me preparando para mais um longo dia estressante. Entrei na escola e logo percebi os olhares que me rondavam. Alguns sussurros reclamando da minha roupa ou do meu cabelo. Eu fingia apenas que não notava nada. Fui até o banheiro e tirei a calça ficando apenas com meu short. Andei até a sala e quando entrei mais cochichos e sussurros sobre mim. Quase adotei a politica ‘falem mal, mas falem de mim’, mas resolvi que não era bem isso que eu queria.

As aulas seguiram tranquilamente e eu nem cheguei a perceber o que se passou. Fiquei a maior parte do tempo escutando musica, escondendo os fones com meus cabelos, na ultima cadeira no canto da sala. Nenhum professor me via, então eu estava livre de broncas. No recreio, me isolei na sala dos armários como todos os dias e continuei ouvindo minhas musicas. Tudo era uma perfeita rotina.


*


Quando eram 12:40 o sino soou e eu percebi que mais um dia de aula tinha acabado. Respirei aliviada. A maioria das pessoas que ficavam na escola à tarde para estudar (ou namorar escondido) saia para almoçar e eu resolvi subir as escadas em direção à biblioteca. Abri a porta devagar procurando não fazer ruído nenhum. A biblioteca estaria vazia a não ser por um cara que estava mexendo em um computador. Dei de ombros, satisfeita por não ter ninguém para me criticar e pelo cara não ter percebido a minha presença. Sentei em um dos corredores de livros e me afundei na leitura. Eu havia decido ontem começar a estudar para o vestibular embora ainda faltasse um longo ano para isso. Precisava me ocupar com algo e achei que os estudos seriam interessantes. Peguei um livro de história do Brasil e passei a ler. Comparei com algumas anotações que eu fazia em uma folha qualquer de fichário, prova de pequenos relances em que eu conseguia prestar atenção na aula.

Cerca de duas horas e meia depois, meu estomago roncou reclamando que eu não havia almoçado. Peguei minha bolsa e vasculhei a procura de uma barra de cereal. Reprovei em desgosto ao encontrar. Embora estivesse com fome duvido que aquele troço ruim ia me fazer sentir melhor. Comi em meio de caretas, mas não consegui engolir tudo. Peguei a metade que havia sobrado e me levantei para jogar na lixeira que ficava ao lado da porta de entrada da biblioteca. Andei pelo corredor onde eu estava e bem no final dele me assustei ao esbarrar em alguém. Cai no chão soltando um grito abafado.

Notas finais
Todo inicio de história tem seu clichê, mas não desanimem (: Tem muita coisa ainda por vir.