Notas iniciais
Leitores, meus queridos u.u Sim, eu demorei. E sinto lhes informar que vou postar mais ou menos nesse intervalo de tempo. Me entendam, please? E não queiram me matar '-' Acontece que tô estudando que nem louca. Enfim, para compensar o meu atraso, aqui está um capítulo bem grandinho pra vocês se divertirem. Ele não foi revisado ainda, mas logo eu edito com as alterações que a minha querida Gabs vai fazer. Ah, a primeira vez dos dois está aqui e u.u não foi como eu esperava escrever. Eu estou meio tensa, então acho que vocês não vão gostar muito de como as coisas vão rolar. Enfim, chega de blablabla. Até lá em baixo ^^

Muita coisa aconteceu durante aquela semana. No sábado, Alice e eu realmente nos encontramos. Ela resolveu me contar tudo o que havia acontecido, inclusive sobre como ela conseguiu meu número, as informações sobre mim, o “bloqueio”. Bem, a parte do bloqueio era que o primeiro e novo namorado dela havia ensinado. Aliás, ele estudava no mesmo colégio que eu e por isso sabia tanta coisa, já que eu era motivo de boatos lá dentro daquele inferno.

Depois que ela se desculpou outras milhares de vezes, refleti bastante sobre dar uma chance àquilo, à nossa amizade. Eu cedi, obviamente. Afinal, eu não tinha muita escolha. Eu continuava amando-a mesmo com aquele erro dela e por fim, parte de mim sabia que não deveria culpa-la por todo o desastre da minha vida.

Alice estava bastante mudada. Os cabelos lisos naturais e volumosos, antes castanhos, se desenhavam em ruivo-alaranjado. Seus olhos com traços bem marcantes se tornaram ainda mais penetrantes com a maquiagem negra visivelmente utilizada quase sempre. A brancura de seu corpo magro e, de certa forma, sedutor contrastava com toda a beleza dela. Ela continuava linda, o que me fazia sentir uma boa inveja.

Ela me contou como havia ficado mais responsável, arranjando um emprego como garçonete a noite em um barzinho, para pagar um curso pré-vestibular. Ela estudava na parte da manhã, ainda na mesma série que eu, a tarde fazia o curso e por fim, trabalhava. Ela decidiu fazer direito em uma universidade federal, por isso estava bastante empenhada. E havia sido no próprio trabalho que ela tinha conhecido o atual namorado. Era incrível como ela se apaixonou por um cara totalmente fora do estilo dela, um completo nerd.

Enquanto ela me contava mais sobre a vida dela, senti uma leve dor no coração ao saber o que havia perdido. O primeiro beijo, o primeiro amor, o primeiro emprego... São coisas pequenas, mas que sempre achei que amigas deveriam compartilhar. Mas ela também havia perdido muita coisa da minha vida, então isso era algo que consertaríamos aos poucos, assim que recuperássemos a total confiança uma na outra.

Perguntei também sobre a Amanda. Alice não me deu muita informação, ela parecia querer esconder algo. Apenas disse que ainda mantinha contato por telefone.

Acabamos marcando de nos ver mais vezes e continuar mantendo um pouco de contato, sempre cautelosas para que a mãe dela não descobrisse.

O restante da semana foi bem corrido. O baile seria no sábado, então todos estavam ansiosos organizando os preparativos. Eu apenas me ocupei em achar o vestido perfeito para a ocasião, juntamente com a máscara é claro. Alice, nesse dia, fez questão de me acompanhar e tivemos um “dia de garotas”. Não poderia negar que foi divertido.

Convidei-a para o baile umas cinco vezes e ela negou. Ela havia me dito que o namorado dela também a havia convidado, mas o desinteresse dela em relação a essas coisas era enorme. Ela simplesmente odiava esse tipo de eventos.

Eu ainda não havia tomado a iniciativa de contar para ela sobre André. Talvez fosse o receio de imaginar o que ela diria sobre nosso relacionamento, mas eu sabia que logo teria de contar.

Falando no André, ele já estava mais conformado com a ocasião. Ele tinha tentado me convencer algumas vezes de desistir do baile, mas algo me dizia que eu precisava estar lá naquele dia. Eu o queria ali comigo, talvez para mostrar que eu estava feliz com alguém não me importando para os outros.

Outro ponto importante a se falar, era em como meu relacionamento com André estava se desenvolvendo. Durante aquela semana, eu fugia para a biblioteca escondida durante os intervalos de aula para darmos alguns “amassos”... E meu deus! Aquele homem me provocava cada dia mais. Nossos beijos eram basicamente cheios de paixão e urgência. Ele me fazia perder todos os sentidos do meu corpo e tecnicamente fazia isso de propósito, por que toda a vez que eu queria que ele continuasse, ele parava e ficava meramente rindo da minha cara. Aquilo me irritava, mas eu compreendia. Afinal, não queria que a nossa primeira vez fosse uma rapidinha dentro da biblioteca.

Talvez estivéssemos indo rápido demais com tudo aquilo, mas em seus braços eu me sentia tão desejada, amada e segura que isso todos esses sentimentos me faziam ter certeza que eu estava mais que pronta para dar qualquer passo no nosso relacionamento.

*

Era quinta-feira daquela semana. Eu estava sucumbindo ao tédio durante a última aula. Peguei meu caderno de dentro da bolsa e comecei a rabiscar algo nele, praticamente contando os segundos finais da aula.

O barulho advindo do sinal me despertou, me animando para guardar os materiais e subir correndo para a biblioteca. Meu sorriso já se alastrava pelo meu rosto e alguns alunos da sala me olharam torto. Dei de ombros para todos eles, evitando xingá-los em pensamento.

Antes que eu pudesse me levantar da mesa e correr em direção as escadas, vi um vulto se aproximar de mim. Palavras se formaram em um: “Ah não”, repetitivas vezes.

– Vamos conversar! – Daniel me encarou como se estivesse sofrendo.

– Nós não temos nada para conversar... – Eu disse indiferente. Ruborizei ao relembrar aquele beijo que tínhamos dado dias atrás.

– Por favor? – Ele suplicou de forma tão singela que quase senti pena. Assenti com a cabeça esperando que ele começasse a falar. Ele apenas endireitou a cabeça e entortou as sobrancelhas, confuso. – O que está esperando? Nós não vamos conversar aqui! – Revirei os olhos.

– Ok, então aonde quer ir?

– Vou te levar a um lugar...

– Opa... – Interrompi – Não acho uma boa ideia! – Relembrei da promessa que tinha feito a mim mesma de jamais voltar a ficar sozinho com Daniel novamente.

– Ora Manu, vamos logo! Eu não vou te assediar e nem nada... – Ele me fitou nervoso. Levantei as mãos em sinal de rendição e levantei da mesa.

Ele puxou meu braço indiscretamente e apressou o passo.

*

Antes que eu pudesse perceber, já estava dentro do carro dele, a quilômetros da minha escola. Ele dirigia rapidamente e não me encarava uma vez sequer. Durante todo o trajeto nem uma palavra foi dita e aquilo estava começando a me assustar.

– Isso está muito estranho! – Mexi desconfortavelmente no banco do carro, me afastando um pouco mais de Daniel. Ele abriu um pequeno sorriso e me olhou por poucos segundos, me tranquilizando de certa forma.

– Fica tranquila, eu só vou te levar a um passeio. Preciso conversar algo contigo e achei que deveria ser em outro lugar. É sério, nada que você não queira vai acontecer. – Aquela última frase me deixou ligeiramente tonta.

– Está longe ainda? – Indaguei. Seu olhar psicótico não pairou em mim dessa vez.

– Em cinco minutos nós chegamos.

Em exatos cinco minutos, estávamos parados em frente a um grande galpão no meio do nada. Do lado esquerdo e do lado direito, havia apenas uma mata pouco densa. No centro, o tal galpão enorme e desbotado. Parecia um lugar muito antigo, já que as paredes estavam mofadas e o portão bem enferrujado. Perguntei-me um milhão de vezes porque Daniel havia me levado ali e porque eu ainda não havia corrido e gritado por ajuda.

– O que diabos estamos fazendo aqui?

– Vem aqui! – Ele estendeu uma mão e eu recuei, me afastando dele.

– Daniel, sério... – Cruzei os braços na frente do meu corpo, como se aquilo fosse me proteger de alguma maluquice que ele pretendia fazer. – Eu quero voltar para a escola. Ou para um lugar onde tenha testemunhas.

– Manuela, será que você poderia confiar em mim pelo menos uma vez? – Ele soltou o ar dos pulmões. Seus olhos passaram pelos meus e voltaram para o galpão. Ele enfiou as mãos no bolso expressando tranquilidade. – Aqui era um dos lugares onde os carros que meu pai vendiam, eram depositados. – Eu fiquei meio confusa ao ouvir aquilo, mas tive curiosidade em saber onde ele queria chegar com esse assunto. – A pintura era refeita, a placa era retirada, alguns GPS eram destruídos, peças trocadas, tudo para parecer o mais novo possível. – Ele se aproximou do portão e o empurrou sutilmente até formar uma pequena abertura, tamanho suficiente para nós dois entrarmos. Ele estendeu uma mão para mim e resolvi ceder. Afinal, ele já havia se tornado meu amigo, embora todas as circunstâncias dissessem o contrário. Ele queria que eu confiasse nele, e eu acho que devia isso a ele. Segurei sua mão e ele me guiou para dentro. Havia máquinas velhas, carros estraçalhados, peças quebradas e objetos que eu não conseguia identificar. – Daqui, os carros eram transportados pra nossa cidade e de lá eram vendidos, como se fossem novos. – Minha ficha caiu na hora.

– Você está me dizendo que o seu pai vende carros usados como novos? – Fiquei intrigada.

– Na verdade roubados. – Abri a boca em um enorme ponto de interrogação. – Não é difícil de entender o porquê ele é rico, Manu. Pensa comigo, roubando, você não paga pelo produto, nem pelo imposto, apenas pela manutenção. Consequentemente, você consegue abaixar seu preço e deixar o mais barato do mercado, falindo todas as outras empresas automobilísticas e ganhando todo o mercado consumidor, resultando por tanto na sua ascensão.

– Desculpe-me, mas seu pai é um canalha! – Eu não sabia o que dizer e nem o que fazer com essa informação.

– Você tem razão, ele é um canalha. – Ele disse aquilo com toda a tranquilidade possível, enquanto eu perdia a cabeça com a notícia. Se caso isso fosse noticiado à polícia, teria uma repercussão gigantesca, já que – lembrando o que ele havia me dito – o pai dele tinha várias empresas pelo Brasil.

– Você está me contando isso para eu te ajudar a contar à polícia? – Ele me olhou assustado.

– Não, não! – Ele se exaltou. – Ninguém jamais poderá saber disso.

– Então porque me contou? – Meu coração acelerou. Eu sabia que não iria conseguir guardar aquele segredo para mim, principalmente sabendo que a justiça deveria ser feita.

– Eu te contei para provar que eu confio em você. – Ele me jogou um olhar complacente.

– O quê? – Revirei os olhos e quase gritei. – Você me trouxe aqui, soltou essa bomba apenas para dizer que confia em mim? – Ele mordeu os lábios e antes que pudesse falar algo o interrompi. – Você sabe que o que o seu pai está fazendo está errado não sabe?

– Eu sei que sim, mas ele é meu pai. Não posso entregá-lo a polícia e nem você vai... – O fitei indignada. Ele estava me pedindo para acobertar um crime. – Espera Manu, eu te trouxe aqui para contar outra coisa.

– Mais uma notícia desse nível? – Fiquei desconfortável. Eu ainda não conseguia raciocinar direito. – Eu dispenso. – Ele alcançou meu corpo e me puxou para mais perto. Ele praticamente me obrigou a sentar no chão sujo e fez o mesmo permanecendo na minha frente.

– Queria te mostrar que eu confio em você, porque eu meio que vou ter que compensar o que vou dizer agora. – Minhas mãos ficaram geladas. – Você sempre teve razão. O fato de eu ter me aproximado de você, tentado ficar com você diversas vezes e mostrar que eu estava apaixonado por você fazia parte de um plano. – Inclinei o corpo me afastando um pouco dele. Aquele dia ficava cada vez mais surpreendente. – Meus amigos e eu fizemos uma aposta. A aposta era que eu conseguisse ficar com você. Bom, o que eu não contava era que você realmente fosse uma garota legal e divertida. Só sei que de alguma forma você me encantou e a sua presença se tornou importante pra mim. Não me leve a mal, não estou apaixonado por você, mas eu sinto que posso confiar em você. Você é uma ótima amiga para mim e nesses últimos tempos percebi que quando precisasse de você, você estaria lá por mim. Foi então que eu compreendi o quão injusto era o que eu estava fazendo contigo. – O silêncio que pretendia se firmar foi quebrado pelo som do tapa que eu havia dado em seu rosto.

– Qual é o seu problema? – Senti meu corpo tremular de fúria. Minha respiração entrecortada anunciava o ódio que estava prestes a me consumir. – Eu gostei de você! Você era uma espécie de amigo meu. Parte de mim dizia que dentro de você existia algo que desse pra confiar, mas aparentemente eu estive certa o tempo inteiro. Toda essa aproximação fez parte de um plano... – Seu olhar penetrante me fez abaixar a cabeça. Eu sentia nojo dele, a mesma repulsa de todos os anos anteriores. – Seu canalha! Eu pensei todo o tempo que poderíamos sim ter uma amizade, só que enquanto isso – diminui o tom de voz – você armava nas minhas costas.

– Manu, – Ele tentou tocar meu queixo, mas eu apenas me afastei e joguei a cabeça para o lado – eu fui errado. Eu admito isso! Mas eu só resolvi te contar porque eu quis uma amizade sua de verdade. Comecei a achar tudo o que estava fazendo contigo muito idiota e infantil. – Enquanto as palavras deles atravessavam meus ouvidos, eu só queria ir embora. Afastar-me dele. Afastar-me daquele lugar. E infelizmente a única maneira que eu poderia fazer aquilo era pedindo para que Daniel me levasse de volta para a escola.

– Eu quero ir embora! – Eu disse ainda sem olhar seus olhos.

– Você nem ao menos está me escutando?

– Me leva de volta agora, por favor! – Ele pareceu querer protestar, mas se manteve calado.

Levantamo-nos do chão. Eu estava completamente empoeirada, mas não me importei. Saímos do galpão e entramos direto no carro, onde ele deu a partida e retornamos pelo caminho. Igual á ida, nossa volta foi silenciosa. Meu rosto encostava-se ao vidro da janela e eu pressionava os olhos contendo qualquer sentimento ruim que me viesse a causar náuseas.

Tentei não me chatear tanto com a situação. Afinal, desde sempre eu vinha me alertando sobre a mudança repentina de Daniel. Era óbvio que ele estava mentindo, mas talvez o fato de ele implorar por uma chance tenha me amolecido e me deixado ingênua a ponto de eu deixar chegar ao ponto que chegou.

Na verdade, Daniel me deixou na porta de casa. Antes que eu pudesse sair do carro ele puxou-me o braço me obrigando a encará-lo.

– Me perdoa? – Eu meramente girei meu corpo e segui direto para minha casa.

Entrei no meu quarto e sentei na cama. Meus pensamentos estavam atordoados com a posse de tamanha informação.

Senti meu celular vibrar no bolso.

– Alô? – Atendi desanimadamente.

– O que houve? Onde você está? – A voz de André fez meu coração acalentar.

– Ah, – Eu não podia de forma nenhuma contar sobre Daniel. André havia pedido para me afastar dele. E não podia contar meia história sem omitir a parte do beijo. – eu estava com muita dor de cabeça... Então resolvi vir pra casa dormir um pouco. Desculpe não avisar. – Massageei as têmporas.

– Tudo bem. Toma um remédio e dorme, princesa, que rapidinho você melhora! – A voz dele ficou levemente preocupada.

– Ok... Vou desligar.

– Tchau, princesinha, beijos e melhoras para você! – Soltei um riso sem humor e desliguei o celular.

Soltei o ar pesadamente dos pulmões, tentando buscar a origem da angústia que eu estava sentindo. Levantei da cama e observei meu reflexo no espelho. Estava realmente abatida. Uma lágrima se formava em meus olhos.

*

No dia anterior ao baile, eu já estava mais conformada com todos os fatos que sondaram a semana. Tentei esvaziar minha cabeça e ocupar minha mente apenas com o baile. Daniel veio me procurar durante toda a sexta-feira, mas eu simplesmente o evitei. André se preocupou com minha alteração de humor repentina e eu culpei a TPM e o estresse.

Era uma entediante noite de sábado, eu estava deitada na cama de bruços, sufocando-me no colchão. Troquei poucas mensagens insistentes com Alice, quase que implorando para que ela fosse ao baile, mas a resposta continuou sendo não.

Ouvi batidas em minha porta e em seguida o ranger dos trincos. Levantei a cabeça e vi meus pais.

– Filha, nós decidimos viajar para o interior por uns três ou quatro dias. Vamos visitar alguns de seus tios, você quer ir?

– Ah mãe, amanhã é o meu baile. Não posso ir... – E nem se eu não tivesse compromisso iria querer ir. Ir para a cidade do interior não era bem o que eu gostava.

– Oh, é mesmo! Havia me esquecido totalmente desse baile. Você vai ficar bem aqui sozinha? – Meus olhos brilharam com uma ideia repentina.

– Eu vou ficar ótima! – Um sorriso malicioso formou-se nos meus lábios.

– Tudo bem, estamos indo então. Nós te amamos, minha filha! – Disse meu pai, seguidamente de um beijo soprado por minha mãe.

Assim que ouvi o carro deles partirem, revirei a minha cama em busca do meu celular e disquei os números mais depressa que conseguia.

– Oi, princesinha! – André disse empolgadamente.

– Meus pais viajaram, posso dormir aí contigo? – Mordi o lábio cogitando a ideia.

– Claro! Já estou indo te buscar! – Desliguei o telefone apressadamente. Juntei algumas roupas dentro de minha bolsa. Vesti uma regata branca com decote V (cujo deixava meus seios um pouco amostra, bem inocente), um shortinho bem curto e azul e calcei uma sandália qualquer. Minutos depois ouvi André buzinando na porta de casa.

Corri até a varanda, deu um selinho rápido nele e coloquei o capacete. Meu coração batia aceleradamente enquanto eu colava meu corpo ao dele, me aquecendo naquela noite fria.

*

Já se passavam das onze horas da noite, estávamos deitados no sofá, minha cabeça se apoiava em seu peito e eu podia sentir sua respiração tranquila. Passava algum filme de terror dos anos 80, do tipo que não assustava uma criança. Eu não prestava muita atenção no roteiro. Estava mais era estonteada pelo cheiro que exalava dele, hortelã talvez.

Subitamente uma de suas mãos, que estavam em minhas costas, deslizou até achar o controle e desligar a TV.

– Péssima programação! – Ele disse por fim.

– Concordo contigo!

– O que vamos fazer agora, princesa?

– Não faço à mínima ideia! O que quer fazer?

– Vamos brincar de pique pega? – Abri a boca para gargalhar e ironizar alguma resposta, mas antes que eu pudesse fazer isso ele me interrompeu. – Ah não... Seria fácil demais ganhar de você! Com essas pernas curtas, não deve correr muito. – Uma explosão de indignação me estatizou.

– O quê você disse, bocó? Eu corro muito bem, para a sua informação, e eu aposto que você não me pegaria de jeito nenhum! – Nós dois estreitamos os olhos fazendo uma aposta silenciosa.

– Dou a você três segundos de vantagem! – Antes que ele pudesse terminar a frase, eu já estava correndo pelo corredor. O escutei aproximando abruptamente de mim, me impressionando o quão veloz ele era. Encontrei-me na situação de que só havia um cômodo para eu seguir. O quarto.

Acelerei o passo e pulei em cima da cama me pondo de pé. Vendo que ele já estava na porta, fitando-me com um sorriso malvado, eu disse a primeira coisa que veio à minha mente.

– Pique! – Soltei. Ele entortou a cabeça e fez uma cara boba.

– Como assim?

– Você não pode me pegar, eu estou no alto. Em cima da cama. – Eu gaguejava em cada palavra, já que formava a frase mais rápido do que meu raciocínio assustado pudesse imaginar.

– Isso não está nas regras! – Disse ele cruzando os braços e se aproximando até a margem da cama.

– Nunca brincou de pique no alto? – Comprimi os lábios. Estava comovida com a astúcia que eu estava usando para contornar a situação.

– Você acabou de inventar isso! – Ele me encarou cético.

– Não, claro que não! – Me aproximei mais da margem, ficando próxima a ele. – Pique no alto é quando a pessoa que está em cima de algo não pode ser pega pelo pegador. – Agachei meu corpo até ficar à sua altura e toquei seu nariz com a ponta de meus dedos. – Ah ha! Agora você não pode me pegar! – Preparei para fazer a dancinha da vitória, mas ele me surpreendeu.

– E se eu fizer... Isso? – Repentinamente, ele segurou meus joelhos e me puxou até eu cair na cama, com cada uma das minhas pernas envolvendo seu quadril. Ele dobrou o corpo até chegar próximo a minha cabeça e roçar a boca na minha. – Te peguei agora! – Praticamente sussurrou.

Em seguida ele me beijou da forma que eu mais adorava.

Seus lábios macios dançavam sobre os meus, abrindo um pouco mais a cada beijo. Minhas mãos resvalaram seu peito e correram até a nuca o pressionando suavemente contra mim, impedindo-o de se afastar. Já as mãos dele, ainda segurando minhas pernas em seu quadril, teimavam em subir lentamente pelas minhas coxas, tocando alternadamente e atrevidamente a parte interna delas. Um formigamento repentino começou a se formar dentro de mim. Minha língua tocou os lábios dele, implorando por passagem. Após o consentimento, exploramos cada canto da boca um do outro e sensações deliciosas me percorreram.

Paramos de nos beijar por alguns segundos, continuando nos entreolhando, e nos arrastamos até estarmos completamente em cima da cama. Continuei deitada e com as pernas ainda envolvendo seu quadril, agora com seu corpo colado ao meu. Voltamos a nos beijar calidamente, sem pressa e nem urgência, apenas paixão.

Sua boca mordia a minha, súbitas vezes, antes de escapar para meu pescoço. Meu ponto fraco. Quando sua boca entrou em contato com a minha pele, senti meu corpo cintilar. Ele deslizou os lábios vagarosamente entre meus ombros até meu pescoço, onde deu leves chupões. Minhas mãos pararam em seus cabelos dando suaves puxões, enquanto que as mãos dele, agora em minha cintura, apertavam prazerosamente meu corpo.

Os pelos dos meus braços eriçaram ao perceber que sua boca descia em uma trilha de beijos até o meu decote. Ele depositou dois beijos em ambas as partes do meu colo a mostra. E em seguida me olhou, esperando que eu fosse ser contra qualquer atitude dele. Tentei sorrir lutando contra toda a minha insegurança do meu corpo. Eu estava praticamente afirmando que ele podia avançar. E afinal, era o que eu queria.

Sua boca voltou a minha, enquanto uma de suas mãos afastava a alça da minha blusa. Inesperadamente, ele levantou meu corpo sem quebrar o beijo e me pôs sentada em seu colo. A proximidade do meu quadril com o dele despertou certa voracidade em mim. E seguida, arqueei o corpo e retirei minha blusa permanecendo de sutiã. Ele me olhou com um sorriso malicioso e não contive um sorriso sem-graça. Abaixei a cabeça.

– O que foi, princesa? – Ele perguntou. Olhei novamente para seus olhos gentis.

– Vergonha? – Sugeri. Mordi o canto da boca e levei uma das mãos livres aos olhos para disfarçar a timidez. Ele se movimentou da cama, sem me tirar de seu colo, se aproximando de um interruptor do lado da cama e diminuiu a intensidade da luz, deixando apenas uma luz indireta. O quarto havia ficado mais escuro, me deixando mais confortável.

– Melhor? – Ele sorriu.

– Muito melhor! – E voltamos a nos beijar na posição anterior.

Suas mãos deslizaram pelas minhas costas e se prenderam à minha cintura. Parte de mim pensava que ele estava com medo de prosseguir com qualquer atitude que pudesse me assustar. Resolvi ser ousada, procurei sua mão com a minha e levei até o desenlace do meu sutiã que era na parte frontal do meu corpo.

– Tem certeza? – Ele indagou mordendo o lábio inferior.

– Absoluta! – Respondi com firmeza. Eu sempre havia sido insegura com meu corpo, mas o fato de estar com ele, o cara que eu amo, não me deixou importar com tal insegurança. Ele abriu o sutiã sem muita dificuldade, expondo meus seios. Ele alternou o olhar pausadamente em cada um deles. Um olhar meio selvagem, como se os desejasse.

Ele deitou meu corpo de novo na cama e desceu uma trilha de beijos. Primeiro na minha boca, seguindo para uma mordida no meu queixo, pescoço e finalmente alcançando meu seio esquerdo. André abocanhou-o suavemente, sugando de forma delicada e sensual se deliciando com a onda de prazer que isso me proporcionava. Afundei ainda mais a cabeça no colchão com essa nova experiência. Não contive alguns gemidos que teimavam em escapar pela minha garganta.

Ele moveu a boca para o seio direito enquanto com uma das mãos massageava o outro livre. Vez ou outra, ele segurava os dois seios com ambas as mãos enquanto depositava beijos molhados na linha simétrica do meu corpo. E nessa mesma linha, ele seguia descendo até chegar ao meu umbigo. Com um pouco da coragem que eu ainda tinha, me movi afastando-o a boca dele de meu ventre. Ele me olhou um pouco atordoado.

– Isso é injusto! – O fitei, com a cara mais sexy que eu conseguia fazer. Movimentei-me até ele novamente, selei nossos lábios por alguns segundos enquanto minhas mãos alcançaram a borda da camisa dele, retirando por completo. Sem quebrar o beijo, desci minhas mãos vagarosamente pelo seu abdômen, aproveitando máximo daquela sensação.

Durante uma pausa para respirar, empurrei seu corpo delicadamente para se deitar na cama. Subi em cima dele, ficando sentada em seu quadril. Arfei ao seu sentir sua ereção no meio de minhas pernas. Era uma sensação maravilhosa, que despertou ainda mais sentidos em mim. Dobrei meu corpo para voltar a beijá-lo, ainda com mais excitação do que antes. O atrito entre nossos pontos de prazer, mesmo que ainda que vestidos, fez com que eu me movimentasse maldosamente em seu corpo. Alguns gemidos escapavam entre os beijos.

Voltei a me sentar em seu quadril e a mão dele deslizou da minha cintura, até o botão do meu short. Sem tirar os olhos dos meus, ele desabotoou e girou meu corpo de uma forma que facilitasse tirar meu short. Minhas mãos alcançaram o cós de sua calça, desatando também o botão que me separava do “paraíso”.

Estávamos apenas de roupas íntimas. Meu rosto ruborizava pela situação, que, por mais excitante que fosse, ainda era bem imprevisível. Subi em cima dele novamente, ficando de quatro e me posicionando para beija-lo ainda de forma mais gostosa. Minha mão direita foi descendo pelo seu tronco e alcançou sua cueca box branca. Ao senti o membro dele pulsando em meus dedos, eu quase gemi. Era muito estimulante saber que eu o deixava daquela forma, louco por mim, tanto quanto ele me fazia sentir louca por ele.

Ele desprendeu da minha boca e grunhiu algo que não consegui entender. De repente, tivemos a inversão de posições. Ele me deitou e ficou entre as minhas pernas, beijando novamente cada curva do meu corpo. Arfei quando a boca dele puxou o bordado da minha calcinha de renda. Ouvi-o soltar uma risadinha boba e em seguida ele retirou minha calcinha lentamente com as mãos. Minha respiração ofegante anunciava meu desejo.

Eu estava completamente nua e aquilo me deixava com uma vergonha enorme, mas esse fato não diminuía meu anseio. Consegui sentir a umidade entre as minhas pernas e isso foi comprovado quando ele passou um dos dedos sobre a minha intimidade. Gemi mordendo os lábios com aquela nova atitude. Era uma sensação de prazer incrível. Ele olhou pra mim, gostando do efeito que provocava. Minha cabeça rodeou várias palavras, mas nenhuma conseguia sair coerentemente na minha boca.

Ele tirou sua cueca box, libertando seu membro em ereção completa. Sua imagem tremulou em meus olhos e senti meu corpo vibrar novamente. Ele segurou seu membro com as mãos e roçou em meu clitóris lentamente, quase que me torturando. Abri a boca desejando ter algo para dizer, mas o que foi escutado era apenas gemidos.

Em seguida, começou a introduzir vagarosamente dentro de mim. Senti uma ardência misturada com prazer no exato momento. Eu cerrei os olhos e pressionei com força. Um espasmo involuntário fez com que minhas pernas se fechassem, ironicamente. Meu corpo ainda não tinha se acostumado com o membro dele, agora quase que completo dentro de mim. A dor era de certa forma gostosa.

Ele começou a estocar pausadamente em mim e ondas de arrepios me transtornaram. Arqueei o corpo inteiramente entregue a ele.

– Você está bem? – Ele se preocupou. Apenas movi a cabeça, meio que implorando por mais. Ele continuou investindo contra mim em movimentos calmos e pacientes. Passo a passo, ele foi aumentando a velocidade e o ritmo até eu me acostumar com aquela sensação. Ele se deitou sobre mim, de uma maneira que o peso dele não me incomodava. Gemi ainda mais quando senti sua barba por fazer encostando-se a meu pescoço a cada estocada.

Ele finalmente se encaixava perfeitamente em mim e meu corpo se resumiu a espasmos. Entrelacei meus dedos nos seus, buscando algo para segurar. A dor se sintetizou em prazer e, antes que eu pudesse perceber, já estava gemendo nervosamente em seu ouvido, apertando um dos meus seios com a mão livre. Ele aumentou ainda mais o ritmo com isso e começou a gemer também, intercalando com fortes mordidas no meu pescoço. Senti meu corpo se esgotar em segundos de inimaginável prazer. Eu havia chegado ao ápice e aquilo só me provocou mais e mais. Ainda tremendo, consegui forças para rolar na cama e ficar por cima dele, sem tirar seu membro de dentro de mim.

Comecei a me movimentar em seu membro com o restante da força que ainda tinha. Eu mordia os lábios involuntariamente quando o ouvia gemendo, cada vez mais alto. Suas mãos se intercalavam entre os meus seios e meu clitóris, me masturbando enquanto eu estocava mais profundamente.

Deitei meu corpo no seu, resvalando nossas peles quentes de prazer. Uma nova onda de prazer e arrepios me inundou, e eu havia chegado ao meu segundo ápice juntamente com ele. Senti meu corpo tremer fortemente e o dele também, seguido de um gemido mais alto que todos os anteriores. Apreciei seu prazer escorrendo dentro de mim e aquilo me deixou ainda mais animada. O fato de nos desejarmos tanto, havia tornado aquela noite ainda mais perfeita.

Permaneci deitada em seu peito, com nossas respirações ofegantes e corações acelerados. Senti o membro dele, ainda inserido em mim, parar de latejar e em seguida André o retirou. Continuei sobre seu peito nu com um sorriso no canto da boca pensando no que havia acabado de acontecer.

– Essa noite foi incrível! – Exclamei feliz.

– Eu te amo, minha princesinha! Muito mesmo! – Foi o que ele conseguiu dizer e em seguida beijou minha testa.

– Eu também amo você, mais do que tudo no mundo!

Sua respiração ficou suave e convidativa sob meu corpo. Lembro-me de ter fechados os olhos e adormecer na cama do homem mais perfeito do mundo, o cara que me amava e havia acabado de me transformar em mulher. Não em qualquer mulher, mas na mulher mais feliz do mundo.

Notas finais
Então, mereço ao menos uma nota 6 no hentai? '-' Quero agradecer a peregrina, que me mandou uma recomendação linda *-* Estou feliz por ver que muitos de vocês continuam apreciando minha história! Ah, sobre o Daniel, eu sei que ficou vago e talz, mas vocês vão ver a continuação disso no capítulo do baile, que vai ser +- no próximo capítulo. Até lá =*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.