Não Escolhi Amar Ele
4 Capítulo 4 - Indecisão
Acordei cedo com o Lucas se arrumando para ir embora, pelo visto ele estava com muita pressa hoje é domingo e não teria necessidade dele ir embora se não fosse pelo imprevisto de ontem à noite, eu não sei se me levanto da cama e falo com ele ou finjo que ainda estou dormindo, pois é, infelizmente estou com vergonha e também não sei qual seria a reação dele.
–Daniel acorda! Diz ele me chacoalhando na cama
–Que? Respondo fingindo que estou sonolento
–Estou indo embora mano, preciso ir pra casa falou. Até mais!
–Beleza vai lá.
Não tive coragem nem de olhar pra ele depois do modo em que ele me tratou na noite passada, sei que foi estranho e que nunca deveríamos ter feito aquilo mas acho que ele não deveria ter sido tão estupido. E agora não sei nem se nossa amizade vai ser a mesma, de qualquer forma vou tentar esquecer tudo o que aconteceu e agir normalmente
Me levantei e fui ao banheiro mijar, escovei meus dentes, joguei água no rosto. A agua estava tão gelada quanto a da geladeira. Calcei meu chinelo e fui até a padaria comprar alguns pães para tomar café da manhã, no caminho até a padaria fiquei pensando em tudo o que rolou e se minha mãe descobre, e se mãe do Lucas descobre, nossa acho que minha vida iria acabar a vida dele também seria destruída.
Comprei 5 pães e 200 gramas de mortadela, era o suficiente para eu e minha mãe tomarmos café, cheguei em casa e ela já estava acordada.
–Bom Dia filho!
–Bom Dia mãe.
–Cadê o Lucas?
–Ah! Ele já foi embora, disse que tinha muita coisa para fazer. Mas me diz como a sra. Sabia que ele dormiu aqui?
–Daniel eu não sou burra ouvi vocês conversando um pouco ontem à noite, aliás que coisa triste que aconteceu com ele, coitado.
–Aham! Aquela menina foi muito vadia. Respondi num tom calmo mas com o coração super acelerado de medo, o que será que ela ouviu? Será que ela sabe o que fizemos? Meu Deus! Não pode ser.... tomara que ela não tenha ouvido nada.
Acabei de tomar café da manhã e fui pro meu quarto, fechei a porta e me deitei na cama pensando no que minha mãe deveria ter ouvido, mas se ela não disse nada e nem tocou no assunto acho que ela não ouviu nada demais, acho que ela estava acordada assim que chegamos e por isso ouviu o começo da conversa mas logo deve ter caído no sono. Assim espero...
O dia foi passando muito rápido e ficando monótono, comecei a jogar vídeo game para ver se me distraia um pouco, tudo o que se passava em minha mente a todo minuto era na minha amizade com Lucas. Eu não sabia se devia ou não ligar pra ele. Acho que preciso dar espaço pra ele pensar e até eu mesmo preciso pensar, mas não sei o que fazer... Preciso contar para alguém, preciso de conselhos, mas pra quem? Melhor não, isso seria muito arriscado expor minha vida e a do Lucas assim é muito perigoso.
Decidi ficar o dia todo na cama e tentar me preparar para amanhã na escola, de qualquer forma teremos que nos ver lá e ainda pior para o Lucas, ele vai olhar na cara da piranha da ex-namorada dele! Coloquei filmes e series e fiquei deitado tranquilo até pegar no sono.
–Dani. Dani levanta! Vai se atrasar. Diz minha mãe na porta do quarto me chamando
–Ahn? O Celular não despertou, vou levantar mãe. Respondi com uma preguiça e vontade de continuar dormindo mas tinha que ir para escola ao menos para tentar conversar com o Lucas. Então me levantei e fui tomar meu banho, peguei a cueca e o uniforme escolar e fui direto para o banheiro nem falei com minha mãe.
Ao sair do banho me deparo com ela me esperando e perguntando.
–Está tudo bem com você filho?
–Tá sim mãe, por que a pergunta?
–Ontem você ficou o dia todo no quarto, perdeu a hora hoje. Está acontecendo alguma coisa e você não quer me contar...
–Oxe mãe, está tudo bem pode ficar tranquila.
–Está bom então, quando quiser conversar você sabe que estou aqui e seu café está na mesa, vá lá comer se não vai se atrasar.
–Okay obrigado. Minha mãe é fantástica sempre me apoia em tudo, pelo menos em tudo o que é certo, mas eu não podia contar isso pra ela não sei qual seria sua reação então prefiro não arriscar pelo menos não agora.
Tomei meu café matinal e fui para a escola, chegando lá fui direto para a sala de aula não estava afim de conversar com ninguém no momento, sentei na minha cadeira e fiquei olhando fixamente para a porta esperando Lucas chegar.
–Dani, bom dia você tem uma bala para me dar? Pergunta Bia.
–Não tenho Bia! Respondi e voltei a esperar.
Bia é uma menina que não sai do meu pé, os meninos da escola dizem que ela é apaixonada por mim mas eu não ligo pra ela, acho que ela não faz meu tipo de garota.
–Como foi o seu fim de semana Dani? Pergunta Beatriz
–Foi normal, não fiz nada de diferente não. Nossa, essa menina é muito chata eu já estava ficando sem paciência até que as amigas dela a chamaram. Me senti até aliviado
O sinal alertando que as aulas iriam começar acaba de soar e nada do Lucas, acho que ele não vai vir, ah mas a Melissa tá ali junto com a Bia e a Luiza. Como pode ser tão cara de pau e agir normalmente.
–Todos sentados, vai vamos! Para dentro! Diz o professor Marcelo da aula de geografia.
Em seguida ele foi e fechou a porta, começou a dar aula e tirar dúvidas dos alunos. “Toc-Toc” faz um barulho na porta e uma voz diz.
–Com licença professor posso entrar?
–Entra! Responde Marcelo...
Era o Lucas, ele estava apenas atrasado mas veio para a escola. Melissa senta bem na primeira fileira da sala de aula ele vai ter que passar por ela para chegar até a cadeira dele. E ele conseguiu ser frio, passou por ela e nem se quer olhou pra cara dela. Passou diante de sua própria cadeira mas não se sentou. Achei estranho ele ir se sentar em outro lugar já que sempre nos sentamos perto, acho que ele estava me evitando também e não é pra menos.
Durante toda a aula ele não disse nada, não teve dúvida nenhuma e geralmente ele é muito interativo. Eu também fiquei na minha não falei nada e apenas tentava prestar atenção na aula mas sempre puxando o olhar pro lado dele.
A aula acabou e fui falar com ele, ver como ele estava e cumprimenta-lo mas não fui recebido muito bem...
–Eai maninho tudo bem?
–Tudo bem mano, oh vai pra cadeira a professora já vai chegar e ela nem curte gente fora do lugar. Responde ele num tom arrogante
–Eita mano, calma! Só vim ver se você tá bem em relação a Melissa.
–Estou bem Daniel, fica de boa!
Voltei pro meu lugar e fiquei na minha, não toquei no assunto da noite de sábado em casa e mesmo assim ele foi arrogante. Mas isso não vai ficar assim, vou passar essa história a limpa afinal foi ele que mandou esquecermos isso tudo e eu estou fazendo o máximo para esquecer, estou ignorando o fato ocorrido e seguindo em frente.
Enfim chegou o tão esperado intervalo todos os alunos estavam loucos para sair da sala menos eu, não estava em clima de sair com a galera e zoar todo mundo como antes, eu estava pensativo ainda e preocupado. Mas a professora não deixou eu ficar na sala de aula e fez eu sair, fiquei sentando em cima do palco da escola no canto da parede ouvindo música no celular, rodeei o pátio todo com os olhos procurando o Lucas mas não encontrei, vi o “bandinho” das meninas fofocando no canto e Melissa estava normal, nem se quer fingia tristeza no ocorrido, não aguentei ver aquela cara de cobra sínica e fui lá chamar ela pra conversar.
–Melissa, pode conversar um minuto?
–Ahn? Eu? Responde ela com tom sarcástico.
–É, vem aqui um minuto. É rápido vem! Fomos até um canto meio afastado do colégio embaixo da arvore mais velha por que tinha uma sombra tranquila.
–Diz o que você quer Daniel? Perguntou ela com um olhar serio.
–É sério que você teve coragem de trair o Lucas?
–Ah aquele linguarudo já foi te contar, foi?
–Claro que ele me contaria né sua idiota, ele é meu melhor amigo. Não aguentei e parti para o insulto mesmo sabendo que era errado.
–Olha Daniel, não se mete na vida dos outros, cuida da sua vidinha por que pelo que parece você e o Lucas brigaram né?
–Claro que não, nem temos motivos para brigar garota! Tive que mentir para não piorar a situação.
–Enfim cuida da sua vida moleque. Se eu o trai ou não o problema é meu. Disse ela e virou a costa indo para o seu grupo de amigas. Me deixou lá plantado com cara de idiota, mas fui eu que procurei isso, devia ter deixado quieto já que isso não é problema meu mesmo e como ela mesmo insinuou eu tenho problemas próprios que preciso consertar.
De longe avisto Lucas entrando no banheiro masculino achei que seria a oportunidade de tentar conversar com ele ou pelo menos ver se ele vai ou não continuar com nossa amizade, segui em direção ao sanitário e entrei, para minha sorte estava vazio, só estava ele lá dentro.
–Lucas para de graça! Vamos conversar sério. Você mesmo disse para esquecer tudo.
–Daniel para de falar besteira cara, você conseguiu esquecer? Responde!
–Não, ainda não! Mas com o tempo a gente esquece, vamos pegar várias meninas e esquecer tudo aquilo.
–Mano você sabe que curto muito você, somos amigos faz tempo mas depois de sábado acho que não dá mais. Foi mal! Diz ele indo em direção da porta para sair, quando ele passa por mim seguro seu braço e tento pedir uma explicação.
–Então é isso? Já era nossa amizade? Pergunto segurando o braço dele firmemente.
Ele olha em meus olhos bem profundamente diz “desculpa” e me beija. Logo em seguida me empurra e sai do banheiro me deixando completamente sem reação. Fiquei novamente plantado mas dessa vez com cara de quem não sabia o que tinha acabado de acontecer.
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