Não Era Para Ser Uma História de Amor
1 Esta comigo por Status?
Notas iniciais
Enzo Bancroft
Pode ser que essa seja apenas mais uma história boba adolescente, mas pode ser que você se divirta com as minhas experiências.
Algumas pessoas vendo de fora acham que tenho uma vida perfeita, mais eu posso te dizer que não. Ser bonito e ter família rica não te garante felicidade. Mas como se não bastasse, eu sou capitão do time de futebol, consequentemente sou o cara mais popular da escola, namoro capitã das líderes de torcida. OK. Agora podem dizer que tenho uma vida perfeita.
Meu nome é Enzo Bancroft, tenho 17 anos, estou no último ano.
Dentre todas as matérias, a que eu mais odeio é química. Não pelo laboratório ou pelas experiências, nem pela professora, mas pela minha parceira: Perlla Van Pilsen, a garota mais chata que eu já conheci. Ela sempre me corrige em tudo, nunca nem se quer me deu um sorriso. Tantas outras meninas dariam tudo para estar no lugar dela, passar uma aula inteira comigo todos os dias, e ela que pode não valoriza.
Já perdi as contas de quantas vezes pedi para trocar de parceiro e não me permitiram, disseram que tenho que aprender a interagir com outras pessoas.
– Dá pra você tirar a cabeça das nuvens e prestar atenção na aula, eu não quero tirar outra nota ruim por sua culpa.
– A culpa não foi minha, e eu já estou prestando atenção.
– Sim, a culpa foi sua, e levando em consideração esses desenhos ao invés de anotações, não parece que você está prestando atenção.
– Srta. VanPilsen tem algo a nos dizer? – O professor interrompeu antes que eu pudesse responder a altura
– Não, não tenho nada.
– Na verdade professor, ela queria dizer que sente muito pela nossa última experiência.
– Sim- Ela me olhou e depois voltou para o professor- Sinto muito, mas digo também que ser meu parceiro se dedicasse mais as aulas ao invés de rabiscar o caderno com coraçõezinhos e declarações de amor a namorada burra dele, a nossa experiência não teria sido um desastre.
Formou-se um coro de risadas na sala. Ela se virou para mim e sorriu claramente debochando.
– Pelo menos eu tenho uma namorada, e não passo meus finais de semana assistindo ao History Channel abraçado ao pote de sorvete.
– O History Channel e o pote de sorvete tem mais conteúdo que você e sua namorada junto.
– Fala isso porque não tem a capacidade de arrumar um namorado.
– Saiba que eu....
– CHEGA- Gritou o Sr. Brunner – Os dois para saiam da minha sala agora, e se resolvam com a Srta. Potter.
A Srta. Potter é a nossa diretora. Uma senhora solteira que deve ter uns quarenta e poucos anos. É até bonita, tem cabelos louros e nos ombros, olhos castanhos claro, e sempre bem vestida.
– Isso é inaceitável, já perdi as contas de quantas vezes vocês apareceram na minha sala, nesses dois meses de aula. – Ela nos olhava atenta- Não consigo entender a dificuldade de vocês se entenderem.
– Dois meses? Parece uma eternidade perto dele.
– Você tem algum problema? – perguntei já irritado
– Tenho um grave problema com pessoas que se acham o centro do mundo. Sei também que você me odeia por eu ser a única garota dessa escola que não morre de amores por você.
– Você é a única esquisita da escola...
– Eu sou a única que pensa, que vê o idiota que você é.
– Oque eu fiz pra você me odiar tanto garota?
– Nasceu. – Gritou ela.
Que menina louca, eu não me lembro quando foi que essa escola começou a aceitar pessoas com distúrbios mentais. Pra mim isso é inveja.
– Bom!- A Srta. Potter nos olhava atônita- Estou vendo que vocês tem sérios problemas. Não podemos continuar com isso, estão atrapalhando as aulas do Sr. Brunner, e causando alguns atritos entre os alunos nas redes sociais. Então como medida preventiva para males maiores, amanhã depois da aula vocês irão a sala da orientadora da escola.
– Não dá. Eu tenho treino amanhã depois da aula.
– Não me importo Sr. Bancroft, deveria ter pensado nisso antes de começar uma discussão com a Srta. Van Pilsen no meio da aula de química.
– E a Srta. Van Pilsen deveria ter pensado antes de me provocar no meio da aula de química.
– E você deviria pensar em se concentrar as aulas, porque esta me prejudicando com a sua incompetência.
– Já está decidido- retomou a Srta. Potter- Amanhã os dois na sala da orientadora.
– Desculpe Srta. Potter, mas a orientadora da escola é minha irmã, não acha que...
– Não acho, sei que sua irmã é uma ótima profissional e sabe bem oque faz. Agora pedem ir.
Me levantei irritado e abri a porta para que ela pudesse passar. Maldita educação que tenho.
– Oh!- ela colocou a mão no peito e fez cara de arregalou os olhos- Quanto cavalheirismo de sua parte. – Terminou com ironia.
– Que bom que notou. — sorri querendo agredi-la, e ela sorriu de volta certamente também querendo me agredir. – Espero que sua irmã não seja tão louca quanto você.
– Você saberia se não ficasse trancado no seu mundinho perfeito.
Ela seguiu a frente.
O resto do dia foi tranquilo. As aulas calmas e longe daquela psicopata. Ao final da quarta aula volto para o laboratório, mas dessa vez para esperar Jannie. Vejo ela caminhar em minha direção, a saia curta e a blusinha apertada fazem parte de seu vestuário. Ela literalmente desfila pelos corredores da escola.
As lindas pernas à mostra, o corpo esbelto típico de uma líder de torcida, os olhos verdes a pele clara, os olhos verdes e os cabelos negros fazem dela a garota mais bonita e sexy da escola. E ela é toda minha.
– Oi amor. – Sua voz é suave. Seu toque é leve e o seu beijo agradável
– Oi minha linda.
– Fiquei sabendo da briga de hoje com aquela esquisita de novo.
– Nem me lembre disso. Ela é louca.
– E no que deu dessa vez?
– Amanhã depois da aula na sala da orientadora da escola.
– Pra que?
– Não sei.
O resto do dia foi calmo, sem brigas e sem preocupações.
Tive que passar na sala do treinador pra avisar que faltaria no treino de amanhã, quase que ele me deu uns tapas.
– Garoto vê se cresce, para de brigar com essa menina. – Ele me olhava sério.
– Sim senhor. – Respondi com a cabeça baixa
– Você sempre diz isso e briga com ela de novo. Espero que sua detenção não atrapalhe outros treinos.
– Sim senhor.
Dormi o resto da tarde, a fim de guardar energias para sair com Jannie essa noite.
Quando parei na frente da casa de Jannie não estava nem um pouco animado para entrar, então mandei um SMS avisando que esperaria do lado de fora essa noite. Não que eu não gostasse dos pais de Jannie, mas eles são bem importunos quando querem.
Esperei por mais alguns minutos até que visse ela saindo pela porta da frente, estava estonteante, como sempre fica quando saímos. Sem demora ela entrou no carro e me cumprimentou com um beijo.
– E então? Para onde vamos ?
– Para a casa do Carlos, ele esta dando uma pequena festa.
Jannie abriu um largo sorriso, pareceu gostar da ideia.
A noite foi tranquila, estava todo, mundo animado, vimos um filme no qual não prestei muita atenção, estava pensando na vida. Em tudo oque teria pra fazer no dia seguinte, no que a orientadora da escola tinha para falar, e, por incrível que pareça em Jannie.
Não sei exatamente em que hora comecei a pensar no porque de estarmos juntos, devo admitir gosto muito dela, mas na maioria do tempo ela parece muito distante, nosso relacionamento não tem muito nexo, nunca oficializamos o namoro, mas todos começaram a espalhar que estávamos namorando e apenas deixamos. Então aqui estamos nós: “namorando”.
Não posso deixar de lado que Jannie com certeza é uma garota linda e muito atraente, mas e o conteúdo. As horas em que passamos juntos ela sempre esta falando de como é importante cuidar de seu corpo, de suas compras, roupas, maquiagens, fofocas .... Nunca falamos de nada de verdade isso é frustrante.
Na hora de ir, Jannies estava inquieta.
– Acredita que Lia está saindo com Carter? – perguntou
– Eu estava sabendo, faz umas duas semanas. – respondi sério.
–E você nem me contou?- disse ela fingindo decepção.
Continuei quieto, e entramos no carro. Ela ainda estava sorrindo, digitando freneticamente em seu celular.
– Jannie!- chamei
– Oque? – ela perguntou
– Chegamos.
– Achei que iriamos pra sua casa.
– Na verdade, eu preciso perguntar uma coisa. – eu disse sério, pra ela entender que não era brincadeira.
– Preciso que me responda com sinceridade.
– Ok! – ela parecia assustada
– Porque está comigo?
Ela sorriu.
– Ah! São vários motivos, ficamos bem juntos, você sempre está por perto quando preciso, é um bom companheiro e eu gosto de você.
– Oque? Ficamos bem juntos? Como assim?
– Você sabe Enzo, todo mundo acha a gente o casal perfeito, aliás, somos o casal mais badalado da escola.
– Calma ai, você esta dizendo que em grande parte esta comigo por status?
– Mais ou menos, amor é que....
– Não Jannie eu já entendi.
– Enzo, calma.
– Estou calmo. Mais alguma coisa?
Ela me olhou com uma expressão que não consegui decifrar e balançou a cabeça negativamente.
– Ótimo! Quero terminar.
Jannie me encarou com espanto.
– Oque? – perguntou praticamente gritando
– Eu quero terminar. – repeti vagarosamente
– Qual é Enzo! Para com isso. Aposto que pensa o mesmo a meu respeito.
– Não, não penso, se eu disser que te amo estarei mentindo, mas pelo menos te considerava... quer saber? Não tenho que explicar nada, até porque, agora nem sei mais oque pensar.
– Você é mesmo um otário, sabia?
– Posso até ser um otário, mas não vejo sentido em manter um relacionamento no qual não vejo futuro.
– Olha escuta aqui.....
– Não quero escutar mais nada. Vamos facilitar as coisas. Jannie, por favor saia do carro.
– Ta falando sério?
– Estou, por favor saia do carro.
Ela não disse mais nada, apenas saiu e bateu a porta. Fiquei olhando caminhar raivosamente até entrar em casa.
Fale com o autor