Não Dá Pra Separar
1 Te encontrei
Notas iniciais
Estavam todos na boate. Era lá o local de trabalho de Carol e das outras prostitutas. Todas as noites homens iam lá para fazer programa com as mulheres. Carol havia chegado há uma semana, mas só começara a trabalhar na noite anterior. E não, ela nunca se deitou com outro homem ali, ela nunca se prostituiu.
-Anda, Carol, você não pode passar a madrugada inteira aí sentada! – dizia Larissa, amiga de Carol desde que a mesma chegou ali.
-Eu já disse que não vou me prostituir e ponto! – respondeu Carol.
-Ai, amiga... – suspirou Larissa – Quem sabe você não encontra um cliente fixo assim como eu encontrei o Alex? Você não pode se negar a fazer programa! As mulheres que chegaram aqui e se negaram também não tiveram um final muito feliz.
-O que aconteceu com elas?
-O Mário obrigou-as a transar com ele; e o pior de tudo é que a Marina filmou e jogou na internet.
Mário e Marina eram os culpados por todas as mulheres estarem ali. Foram eles que as enganaram e as fizeram traficadas e prostitutas.
-Eu vou dar um jeito de sair daqui, Larissa! – insistiu Carol.
-Impossível. Mas, se você não quer fazer nenhum programa, pelo menos suba ao palco e dance essa música com a gente. Você precisa, ao menos, seduzir os homens.
-E se eu não for?
-Você apanha! O Mário e a Marina não perdoam ninguém!
-Ok, eu vou. – disse Carol triste.
Elas subiram ao palco e dançaram a música que tocava. Ambas usavam lingeries quase transparentes. Durante a música, um homem se aproximou de Carol e pegou na sua mão. Ela desceu do palco.
-Qual é o seu preço? – perguntou o homem ao pé do ouvido de Carol.
-Eu não vou me prostituir com você! – exclamou Carol – Agora, vá embora!
Dito isso, o homem se afastou. Carol tornou a sentar-se à mesa que antes ocupava.
-Ah, Junior, quanta falta você me faz... – disse para si mesma.
-Carol? – ela virou-se para ver quem era o dono daquela voz.
-Junior? – perguntou sem acreditar, parecia uma miragem.
Ele ia se aproximar, mas ela fez um sinal para que parasse. Carol caminhou até Junior e cochichou em seu ouvido:
-Vá até aquele homem – disse apontando para Mário – e pergunte meu preço. Dê-lhe o valor que ele falar. Não me faça perguntas, apenas faça o que eu lhe pedi.
Junior, sem protestar, fez o que Carol lhe pediu. Depois, os dois foram para o quarto.
Ao chegar lá, Carol entrou e Junior trancou a porta. Os dois se beijaram intensamente, afinal, a saudade era muita.
-Amor, como você me achou aqui? – perguntou Carol.
-Estranhei. Você veio para Portugal e disse que ligava assim que chegasse. Como não deu notícias, resolvi vir te visitar; e te achei aqui.
-E o que você veio procurar numa boate de prostituição, hein, Sr. Junior? – Carol perguntou irritada.
-Eu não sabia que aqui era uma boate de prostituição. Entrei com o intuito de perguntar sobre você e aqui te encontrei. Mas e você, o que faz aqui? – Junior perguntou preocupado.
-Eu fui traficada, meu amor. – respondeu cabisbaixa – Me prometeram um consultório médico e me deram essa roupa transparente pra usar.
-Ah, mas eu mato aqueles desgraçados!
-Não, meu amor! Depois resolvemos isso. Mas agora, aproveitando que você está aqui, vamos fazer aquilo que eu estava com vontade de fazer. – falou Carol maliciosa, dando uma leve mordidinha na orelha de Junior.
Ele a beijou profundo e apaixonadamente. Carol jogou-o na cama e sentou-se em sua barriga; ela desabotoou os botões de sua camisa e o beijou mais uma vez. Junior, por sua vez, desatou o laço que prendia a roupa de Carol. E eles se amaram. Amaram-se como nunca antes. Como se só houvesse os dois no mundo.
Fale com o autor