Não Deixe O Amor Passar
7 Capítulo 7 - Amar é Perdoar
Notas iniciais
Boa leitura!!
Ele já se encontrava no seu local de trabalho. Sentia-se culpado por não ter comparecido ao seu encontro com Sara, no entanto, sua razão dizia que era o melhor a se fazer. Sua aparência também não era das melhores. Seus intensos olhos azuis mostravam um evidente cansaço, próprio de quem não dormiu muito bem. O auditório ainda estava vazio, pois ainda não dera à hora do início das palestras.
Sua cabeça latejava um pouco. Ele lembrava muito bem de ter ido à noite anterior ao bar do Hotel em que estava hospedado e pedido ao barman uma dose generosa de wisky. E o resultado não poderia ser outro senão uma bela ressaca. Julgara que a bebida teria o poder de fazê-lo esquecer daquela que roubava seus sonhos, e permeava seus pensamentos. Enganara-se. Estava longe de conseguir esquecê-la. Cada vez mais a imagem dela dominava seus pensamentos de forma inconsciente. Quando ele menos esperava, a imagem dela surgia para toldar-lhe os sentidos. Deus! O que ele faria com um sentimento avassalador desses? Ele nunca antes se vira caído de amores antes. Tinha de admitir, por mais que sua razão o negasse: ele estava apaixonado por Sara Sidle. E isso o enchia de medo.
Foi tirado de seu devaneio pelo barulho de pessoas entrando no auditório. Olhou para seu relógio de pulso e ficou assustado. O tempo havia passado e ele nem se dera conta. E já era hora de sua palestra começar. Observou cada um de seus alunos entrarem. Estava mais interessado na bela morena de olhos castanhos, mas não podia demonstrar isso publicamente, por isso tentou disfarçar. E não pode deixar de esboçar um sorriso involuntário quando ela entrou, no entanto o riso logo morreu em seus lábios.
O corpo de Grissom se retesou assim que Sara entrou. Estava linda como sempre, mas dessa vez um grande óculos escuro cobria seus lindos olhos. Algo estava errado. Porque ela estava encobrindo aqueles magníficos olhos? E porque aquela boca maravilhosa não esboçava um único sorriso? O que acontecera na noite anterior que modificou o jeito dela? Aquele jeito de menina/mulher que ele amava? Uma voz em seu interior lhe deu a resposta: “Deixa de ser besta Grissom! Quem mais poderia ser o responsável? Você! Foi você!” E essa constatação o atingiu como uma faca.
Deixou seus pensamentos de lado e começou a sua aula. Tentava a todo custo manter-se concentrado, mas seu olhar vez por outra buscava Sara e ele perdia totalmente o rumo dos pensamentos. Ela estava calada. Desde o começo ela não abrira a boca. Teria de conversar com ela. Concentrou-se novamente em sua explicação e deu continuidade à sua aula.
As horas passaram rapidamente e sua palestra daquele dia chegara ao fim. Observou os participantes deixarem o auditório, enquanto arrumava suas coisas. Sara estava saindo também, por isso ele a chamou:
_ Senhorita Sidle!
Ela voltou-se para ele. Ainda usava aquele maldito óculos escuro que o impedia de contemplar aqueles indos olhos.
_ Por favor, espere! Eu preciso falar com a senhorita.
Ela pareceu hesitar. E isso não passou despercebido para Grissom. Ele indicou-lhe uma cadeira para que sentasse. Ele fez o mesmo.
_ Sara... – ele começou e já não sabia mais como continuar – eu... eu...
_ Você... – ela tentou encorajá-lo a que continuasse, embora falasse de uma forma fria. Estava ressentida.
_ Eu não sei por onde começar...
_ Porque não tenta pelo começo? – ela disse num tom entre triste e irônico.
_ Eu não posso começar, sem olhar nos teus olhos – ele disse levando a mão em direção ao rosto dela.
Sara tentou proteger, mas foi em vão. Grisssom suavemente retirou os óculos e ficou chocado com o que vira. Ali, bem a sua frente estava Sara. Ela tinha os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. Fora por isso que ela permanecera o dia todo com aqueles óculos...
_ O que aconteceu? – ele perguntou, embora em seu íntimo já soubesse a resposta.
_ Não foi nada! Foi algo sem importância –ela respondeu seca – Sou uma burra!
E começou a chorar novamente. Ele colheu as lágrimas dela com a ponta dos dedos.
_ Fui eu, não foi? Fui eu quem fez você chorar...
Ela não respondeu. E nem precisava. O silencio dela já dizia tudo.
_ Porque, Grissom? Porque você me deixou plantada ontem? – ela por fim perguntou.
_ Eu tive medo – ele confessou.
_ Medo de que?
_ Medo do que estou sentindo aqui – disse colocando a mão no peito – Eu nunca senti algo assim por ninguém, e estou com medo Sara.
_ Você poderia ao menos ter ligado para mim.
_ Eu não tenho o tenho o teu número.
Ela riu. O seu rosto se iluminou. Pegou uma caneta e um pedaço de papel, escreveu e entregou para ele.
_ Agora tem.
_ Sara... – ele respirou fundo antes de continuar – Você me perdoa? Me perdoa pelo o que eu fiz?
Ela o encarou. E sem dizer mais nada o abraçou bem forte. Afagou-lhe os cabelos que começavam a ficar grisalhos e presenteou-lhe com um belo sorriso. Permaneceram naquele diálogo mudo. As palavras não se faziam necessárias. Ele sentia que ela o havia perdoado. No entanto não resistiu e perguntou:
_ Isso quer dizer sim?
_ Amar é perdoar – ela respondeu sinceramente.
Grissom então se lembrou do conselho que lera naquela manhã:
“Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo, e em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um para o outro.”
Sua mãe tinha razão. Voltou para o Hotel totalmente feliz. Que se danasse o medo e o receio, ele tentaria. Que fossem felizes enquanto durasse. O toque do celular o despertou.
_ Grissom!
A voz do outro lado disse alguma coisa que o deixou imensamente triste.
_ Quando?
Novamente a voz do outro lado respondeu a sua pergunta. Nem bem desligou e soltou um grito de dor. Estava destruído por dentro. Deitou-se na cama, as lágrimas não paravam de jorrar. Dormiu de exaustão e tristeza.
Notas finais
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