Não Deixe O Amor Passar
4 Capítulo 4 - Olhos nos Olhos
Notas iniciais
Ele se encontrava deitado em sua cama. Passava um pouco mais de quatro da manhã e definitivamente não conseguia dormir. Não conseguia esquecer, tirar da cabeça a jovem perita morena que encontrara no seu primeiro dia de palestra. A imagem dela ia e vinha em sua mente como ondas do mar. Brincando, girando, deixando-o confuso. Como era mesmo o nome dela? Sara Sidle!
O esbarrão que dera nela fora acidental. Suspirou. Ficara totalmente encantado ao vê-la, tanto que até perdera a fala. Julgara que demoraria a encontrá-la novamente em meio a tantos participantes. Mas o destino estava conspirando contra ele. E para sua surpresa, a mesma garota estava presente em seu curso.
Pensou mais uma vez, no conselho que lera no dia anterior. No começo, ele tinha de admitir, não o levara a sério. E a bem da verdade, ainda não acreditava. Mas ao recordar o que sentira ao olhar aquela jovem, não havia explicação. Bem, talvez houvesse uma: era coincidência. Ele refutou a idéia. Como cientista, não acreditava em coincidências, no entanto, o homem dentro dele queria muito acreditar.
Rolou um pouco mais na cama, tentando compreender seus pensamentos e sentimentos, ou quem sabe dormir. Era impossível ambas as coisas. Resolveu então, fazer a única coisa que estava ao seu alcance: ler mais um conselho de sua mãe. O que viria a seguir?
Levantou-se e foi buscar o caderno. Encontrou-o e não pode deixar de lembrar da cara de espanto de Sara quando viu seu caderno no chão. O que ela teria pensado? Grissom de súbito se sentia curioso quanto ao que Sara pensava sobre ele. Abriu — o na página certa. Observou mais uma vez a letra caprichada de sua mãe. Ela se esforçara bastante para elaborar aquele presente. Disso ele tinha certeza. E era por isso, e apenas por isso que ele tinha tanta importância. Na página encontrara o seguinte escrito:
“Meu filho, eu espero que antes de você ter chegado a este conselho, o qual lhe falarei, você tenha experimentado, a mágica experiência do conselho anterior. Se não tiver, tenha calma um dia acontecerá. Tenho certeza.
Bom, chegamos ao segundo conselho e o que tenho para lhe dizer é: Se você encontrar alguém, e se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver, o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia que nasceu.
Reflita sobre isso, meu filho.”
Não sabia dizer realmente o que era, mas as palavras de sua mãe, tiveram o poder de tranqüilizá-lo e quando deu por si, estava quase caindo nos braços de Morfeu. Os olhos estavam pesados, não resistiu. Rendeu-se ao sono suave do romper da manhã.
-o-
Ele acordou se sentindo revigorado. Nunca antes havia se sentido assim: tão leve e tão... tão... Ele não achava a palavra. Pensou novamente nas palavras de sua mãe. Seria realmente Sara a pessoa mais importante de sua vida, apenas porque por um motivo qualquer seu coração pareceu parar de bater por alguns segundos?
Estava ansioso por encontrá-la novamente para saber se o que acontecera no dia anterior não havia sido apenas algo passageiro ou não. Se arrumou, mas dessa vez com mais afinco. Trajava uma camisa vermelha e um terno esportivo cinza e calça de mesma cor, os sapatos eram pretos. Ele não deu a mínima, mas parecia que seu inconsciente queria impressionar um certo alguém.
Dessa vez não foi preciso ligar para a recepção a fim de pedir um táxi. Ele já havia combinado com o taxista do dia anterior para buscá-lo e levá-lo ao hotel. Desceu para a entrada onde o encontraria. Na hora marcada o condutor do táxi chegou e Grissom pode seguir para o Centro de Convenções.
Seu coração bateu mais rápido. O que estava acontecendo? Ele não se conhecia. Seguiu para o Auditório George Washignton, onde se realizava suas palestras. Entrou, percorrendo com os olhos todo o recinto. Ficou triste. Havia alguns participantes, mas ela não se encontrava ali. Será que não vinha? Seu coração se abateu.
Dirigiu-se para a sua mesa e depositou sua pasta. Faltavam apenas cinco minutos apara seu curso começar e nada dela. Não que se importasse, mas como cientista que era, queria tirar a prova dos nove.
O toque do relógio indicava que já eram oito horas. O horário em que a palestra deveria começar. Saudou os alunos presentes, e virou-se para a lousa para escrever o tema do curso daquela manhã.
Sentiu um arrepio na espinha. Ele não precisou se virar para saber que ela havia acabado de chegar. Temia se virar e confirmar o que seu coração já sabia: sua mãe estava certa. Fez um esforço e voltou-se para olhar a platéia.
Novamente seu coração subiu à boca e pareceu falhar uma batida. Se não tivesse se apoiado na mesa, na certa teria caído. Olhou para cada participante que se encontrava ali, e seus olhos foram parar justamente naqueles maravilhosos olhos castanhos. Esqueceu o que tinha para falar.
Recriminou-se intimamente. “Foco no curso, Grissom! Foco no curso!”
Começou a explicar-lhes o conteúdo e vezes sem conta seu olhar se cruzou com o de Sara. E ele percebeu que quando isso acontecia, havia o mesmo brilho nos olhos dela. Se é que no dele existia...
A manhã transcorreu tranqüila, apesar do jogo de gato e rato entre os olhares do professor e de sua aluna. Ela vez por outra, lançava-lhe perguntas extremamente interessantes. E ele podia jurar que ela queria chamar sua atenção. Conseguira. Quando terminou o turno daquela manhã, ela o abordou.
_ Senhor Grissom! Posso falar um momento com o senhor?
_ Claro!
Ela pareceu hesitar.
_ Bem, eu queria saber... se... o senhor gostaria de almoçar comigo hoje. Conheço um restaurante maravilhoso e fica aqui perto.
Ele pensou no convite. Podia enumerar vários motivos para recusá-lo e deveria fazer isso. No entanto, percebeu-se respondendo:
_ Eu adoraria.
Tinha certeza de que algo ia acontecer. Se era bom ou ruim, só o tempo diria. Seguiram para o restaurante.
Notas finais
Até o próximo capítulo!!
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