Notas iniciais
Olá, Nyrelers! ♥ Não bastando eu finalmente ter postado minha fic de FNAF, aqui está mais um presentinho para vocês ♥ Boa leitura! *-*

DAREL

A noite anterior ainda parecia ter sido um sonho, irreal demais para ter acontecido.

Revirei-me na esteira, olhando para o teto da cabana, sentindo o sono me escapar. Ainda estava eufórico demais para voltar a dormir.

Fechei os olhos, relembrando o que havia acontecido depois da dança de invocação.

.......

Estava do lado de fora da cabana de Nyree, alguns metros longe da entrada, sentindo meu coração querer sair pela garganta.

Tinha decidido que, após vê-la fugir da fogueira, iria resolver tudo entre nós dois.

Mas o medo ainda se agitava em minhas entranhas. Por algum motivo, não conseguia criar coragem para entrar na cabana e simplesmente conversar com aquela que, no passado, havia sido minha melhor amiga.

Senti um arrepio, quando lembrei que minha intenção não era exatamente reatar uma simples amizade. Talvez fosse exatamente aquilo que me apavorava.

Eu não sabia como agir.

Pisquei, espantado, quando vi Hermione se aproximar, me lançando uma piscada e entrando na cabana.

Arfei, pasmo. O que Hermione tinha vindo fazer na casa de Nyree?

Por alguns minutos, que pareceram horas, Hermione não saiu dali. Podia ouvir o som baixo de uma conversa dentro do local, mas meus pés pareciam ter criado raízes na areia, me impedindo de chegar mais perto para ouvir.

Finalmente, o som de uma movimentação barulhenta saiu pela porta, me fazendo reerguer a cabeça.

Com o peito saltando, ocultei-me nas sombras, ao ver Nyree saindo num galope desenfreado cabana afora. Atrás dela, Granger ria, inicialmente tentando alcançá-la.

Porém, vi Hermione recuar o passo quando, sem aviso, apanhei Nyree entre meus braços.

A expressão de indignação dela surgiu e sumiu em um segundo, substituída por total choque.

Senti, fascinado, seu corpo relaxar subitamente em meus braços, embora ela mesma parecesse não perceber.

Olhei nos olhos dela, sentindo e vendo tudo que ela parecia engasgada demais para dizer.

Com um nó na garganta e um começo de sorriso no rosto, aproximei-a ainda mais, deleitando-me naqueles olhos castanhos dos quais eu sentira tanta falta.

Eu não acreditava que finalmente havia reencontrado Nyree. Depois de tanto tempo, tanta angústia, tanto temor... e ela, enfim, estava outra vez ao meu lado.

A pergunta presa dentro de mim não precisou ser feita, pois li a resposta nos olhos de Nyree.

O arrependimento que eu via só era sobrepujado pela avassaladora ternura em seu rosto.

E aquilo dissipou todas as minhas dúvidas.
Era recíproco.

Nyree sentira tanto a minha falta quanto eu havia sentido a dela.

Vi-a tentar abrir a boca, talvez para tentar suplicar meu perdão ou qualquer coisa parecida.

Mas eu não precisava das desculpas dela.

Encostei suavemente os dedos em sua boca, impedindo-a de prosseguir.

Meneei a cabeça, os olhos ardendo bobamente, enquanto pousava minha testa na dela, acolhendo seu rosto em minhas mãos. Senti-a estremecer contra minha pele.

— Mōkī... – sussurrei, exultante.

Senti Nyree erguer o olhar, e vi seu rosto já trilhado por várias lágrimas.

Vê-la chorar quase rasgou meu coração ao meio.

Ela estava chorando por mim.

— Darel... – ela segurou minha mão, sorrindo – você ainda lembra...

Puxei o cordão que usava, mostrando o presente que Nyree havia feito para mim quando éramos crianças.

— Nunca poderia esquecer.

Afaguei seu rosto com a mão, aflito por ver suas lágrimas aumentarem, embora o sorriso trêmulo destoasse sua expressão.

— Não... – arfei, secando seus olhos – não chore...

Ainda me admirava por ver como Nyree havia mudado. Não era mais aquela garotinha que eu havia deixado em Tokonga. Já era uma mulher, mais forte, experiente e determinada do que a Nyree que havia conhecido.

Ainda assim, vê-la vulnerável conseguia me fazer ver apenas a garotinha que acabara de se transfigurar na frente do melhor amigo.

Meu coração parecia rejubilar, enquanto algum tipo de magnetismo mágico me fazia aproximar meu rosto ao de Nyree, pousando meus lábios nos dela.

Esperei que talvez ela recuasse, provavelmente tão atordoada quanto eu.

Mas só consegui puxá-la para ainda mais perto ao sentir sua boca corresponder timidamente, retribuindo carinhosamente o beijo.

Alguns segundos – ou seriam meses? – haviam passado, antes que Nyree afastasse o rosto, me encarando, adoravelmente envergonhada.

Havia tanta coisa que eu queria ter dito naquele momento.

Mas, assim como eu não precisara do pedido de desculpa de Nyree, ela não pareceu precisar ouvir o que eu queria dizer. Até por que palavras jamais poderiam ter traduzido o que eu senti.

Ela já havia entendido. Era mais do que eu havia esperado.

Senti meu peito falhar uma batida quando ela soltou minha mão, dando um último beijo em minha testa e desaparecendo na escuridão.

E, embora eu sublimasse nosso reencontro, pensar no que seria de amanhã em diante, naquele exato momento, se tornou minha mais nova aflição.

......

Sem conseguir dormir, após acordar pela décima vez, decidi me levantar.

Consegui reencontrar Nyree algumas horas mais tarde, enquanto ela ajudava as maoris mais velhas á desmontarem as toras chamuscadas da fogueira.

Ela parecia anormalmente amuada, sem comentar nada sobre o que havia acontecido na noite passada, embora tivesse aberto um largo sorriso quando me viu.

Tivemos uma conversa rápida e sucinta durante nossa retirada dos galhos que não haviam queimado.

Contei á ela sobre tudo que havia acontecido desde que partira, sobre meu emprego em Sydney, a carta de Hermione, a razão daquela viagem toda e minha decisão de voltar para Tokonga.

Humorado, percebi que Nyree julgara erroneamente minha relação com Granger. Admirei o fato de ela ter tido uma crise de ciúmes, quando viu Hermione pela primeira vez.

— Bom... – vi-a dar uma risadinha nervosa- então ela não é sua... ahn...

— Não – revirei os olhos – já te falei. È a namorada do Rony. O garoto do cabelo ruivo. È só uma garota ridiculamente inteligente e simpática. Nada de mais.

Ah, entendi – ela fungou, o olhar saltado demais para que eu deixasse de rir com sua expressão paranóica.

Como eu tinha sentido falta daquilo...

Ela sorriu ao me ver rindo, parecendo genuinamente alegre.

Porém, vi seu sorriso desaparecer com a mesma rapidez.

— Você vai voltar para a cidade?

Suspirei, sentindo um baque no peito.

Céus, eu nem tinha pensado naquilo. Tinha ficado tão preocupado com o meu reencontro com Nyree que nem me incomodara com o que fosse acontecer depois.

Eu tinha voltado para Tokonga. Havia reencontrado Nyree.

Mas, além de terminar a missão que havia me incumbido de concluir, com relação aos pais de Hermione, eu não tinha nenhum planejamento do que faria após retornar para a tribo.

Olhei para ela, com o coração doído.

— Não sei, Nyree. Vou terminar essa viagem – tagarelei, assim que vi sua expressão murchar – espere, eu vou voltar. Prometo – segurei sua mão – disse que ia voltar para casa. E o que foi que eu fiz?

— Você voltou – ela riu tremulamente – eu sei. Sei que vai voltar – Nyree me encarou – e eu vou esperar.

Ela voltou a se distrair com os gravetos em suas mãos, me deixando perdido em meus próprios pensamentos.

Não pude deixar de ficar angustiado por perceber que uma nova separação nos aguardava no horizonte.

Seria temporária, bem mais curta do que a anterior.

Mas, ainda assim, seria tão dolorosa quanto a última.

A única coisa que aplacava a dor desse iminente futuro era saber que nunca mais ficaria longe dela, quando tudo acabasse.

Por isso, consegui me acalmar o suficiente para acordar Rony e Hermione, e avisar que se organizassem para prosseguirmos viagem.

Com um sorriso, lembrei que os dois pombinhos também haviam desaparecido da fogueira na noite passada. Estava começando a achar que a recepcionista do hotel de Sydney já não estava tão errada assim sobre aqueles dois.

Quando entrei na cabana, percebi que Rony já despertara, e encarava sonhadoramente a silhueta adormecida da namorada.

— Bom dia... ahn... — murmurei, segurando o riso — eu ia chamar vocês... tudo está pronto para continuarmos viagem. Bom... não quis... atrapalhar... sabe como é... vocês sumiram depois da dança de invocação...

— Ah, não esquenta – ele piscou, me encarando com sarcasmo — a gente também não quis atrapalhar você e... ah, a maori bonitinha.

Fingi fechar a cara, ao que Rony riu.

— Não aconteceu nada – sério? Todos os bruxos estrangeiros tinham malícia na mente assim? — só ficamos um pouco juntos no centro da aldeia, e depois Nyree foi dormir... qual é, eu acabei de reencontrar a garota...

Ele bateu em meu ombro, brincalhão.

— Estou enchendo seu saco, cara. Fiquei feliz que você se acertaram... mas como ela vai ficar se você... for embora com a gente?

Ah sabia. Ronald Weasley e seu talento para fazer as perguntas que cutucava na ferida.

Suspirei.

— Não sei... estava planejando terminar a viagem com vocês... e voltar a viver com os Tokonga... prometi a Nyree que voltaria logo.

— Ei, você pode ficar, se quiser. Nós nos viramos daqui em diante...

— Não, Weasley. Quando combinei de ajudá-los, jurei à Hermione que continuaria junto de vocês até reencontrarmos os pais dela. Vou continuar ajudando...

Ouvi uma Hermione risonha resmungar da esteira.

— Afe... bom dia pra vocês também.

— Anda... levanta daí, Pocahontas – Rony falou, dando um tapinha no bumbum de Hermione, que guinchou e tentou estapeá-lo.

— Rony Weasley! Só por que a gente...

Vi-a lançar um olhar assustado para mim, avermelhando como uma pimenta, e tive que disfarçar a risada, dando uma fungada pelo nariz, quando ela estapeou Rony.

— Andem, vocês dois... temos que tomar a poção ainda antes de seguirmos viagem...

Saí, ainda rindo, enquanto ouvia os dois conversando dentro da cabana.

Ao longe, vi Nyree brincando com o irmão mais novo, sem se aperceber de minha presença.

Inspirei profundamente, admirando aquela garota fantástica, que havia mexido comigo de tantas formas e maneiras, desde o primeiro dia em que a vira, pequena e enrolada em linho, há quase dezoito anos atrás.

Ia doer terrivelmente ficar mais aquele tempo longe dela.

Balancei a cabeça, decidido. Não precisaria morrer de angústia como da última vez. Iria me conformar com aquela realidade periódica e daria um jeito de não pensar naquilo, até terminarmos a viagem para Darwin.

No entanto, algo, em breve, ia bagunçar completamente qualquer um dos meus planos.

Notas finais
Comentários? Pedradas? Chuva de OMG's? kkk Beijinhos e até o próximo capítulo!