Notas iniciais
Olá, Nyrelers! (é, inventei um nome pros shippers de Nyrel. Vai vendo :P kk) Bem, essa passagem é POV da Nyree. Para quem não sabe, na fic Rony e Hermione na Terra dos Cangurus, Darel se torna o guia australiano que os guia (dã.. rsrs) pelo país em busca dos pais de Hermione. E Darel, contando sua história, fala sobre sua primeira manifestação de magia. Alguém lembra do cajado? (não, não é esse cajado, Aline O_O hehe) Bem, sem mais delongas, aqui está o novo capítulo. Boa leitura! :3

NYREE

A primeira coisa que me lembro de ter visto nitidamente, por incrível que possa parecer, não foi o rosto de minha mãe.

Ser maori normalmente significa ter uma memória notável quando se trata das lembranças mais antigas, incluindo as de nosso nascimento. E, agora, posso julgar que, em momento algum, ela foi a primeira pessoa que vi.

Inicialmente, tudo se resumiu a vultos e vozes. A visão embaçada me irritou. Lembro de ter chorado.

– Aqui está ela, Ruau.

Um arfar sobressaltado, e senti meu corpo ser erguido no colo de alguém.

– Iti tama... – soluçou uma voz – tão linda... – um risinho – com o que você a cobriu?

– Linho – outra risada – foi o que encontrei. Desculpe.

– Linho... – repetiu a primeira voz. Outro ofego – Onde está... onde está Atua?

– Mandei Hual avisá-lo. Já deve estar voltando – um vulto se aproximou – qual vai ser o nome dela?

Uma mão me afagou suavemente. O vulto mais próximo pareceu se erguer em direção ao outro.

– Nyree – outra risada – ela vai se chamar Nyree. Nascida no linho.

– Atua vai ter um ataque, Ruau – a segunda voz gargalhou – mas é um lindo nome.

Ouvi uma barulheira de pés batendo no chão, seguida de um grito.

– Darel, tama! Não pode entrar agora, filho!

– Ah, pare com isso, Ataahua – a voz de mamãe soou, humorada – deixe o rapazinho entrar.

– Ah, Darel – ralhou a voz que gritara – está bem. Mas tome cuidado... ela não é um filhote de coala, querido.

– Ta bom, mamãe.

Toda a opacidade em minha visão começou a se dissipar lentamente, Pisquei, ansiosa.

Enfim, pela primeira vez, consegui enxergar algo.

Enverguei a cabeça, confusa, quando um rosto grande e gorducho surgiu acima de mim, com os olhos arregalados.

Era um garotinho.

A boca do menino despencou, enquanto as duas esferas azuis ainda me fitavam.

– È um nenê, mamãe?

Outro rosto apareceu do lado dele. Era uma mulher bonita, com s olhos iguais aos dele.

– Sim, Darel.

O rostinho do menino se abriu num sorriso.

– Ela é fofa – o garoto riu – qual é o nome dela, senhora Ruau?

– Nyree – por fim, reconheci o rosto de minha mãe, cansado, mas indiscutivelmente feliz.

– Nyree. Nome bonito.

Vi Darel erguer a mãozinha em minha direção, até segurar a minha. Sua mão era enorme se comparada á minha minúscula palma.

– A gente vai ser muito amigo, senhora Ruau! – ele pulou, animado.

– Claro que vão – minha mãe afagou a cabeça de Darel.

Eu ainda não sabia, mas as palavras de mamãe nem se comparavam ao peso que tiveram durante os anos seguintes.

E ela não fazia ideia do que o futuro reservava para mim.

___________O___________

– Darel, anda mais devagar!

– Nem pensar. Mōkī, Ninguém manda você ser lenta!

– Ah, eu te pego!

Mōkī. Meu rosto sempre se abriu num sorriso quando ouvia esse apelido. “Pacote”. Darel me chamava assim desde que me conhecera, por eu ser menor do que ele. Mas era um apelidinho carinhoso, então não me chateava pela comparação.

Nessa altura, Darel tinha cinco anos, e eu iria fazer três.

Mas a diferença de idade era quase impossível de ser notada. Vivíamos grudados, como uma dupla inseparável. Os adultos costumavam nos chamar de “Māhanga”, Os Gêmeos, por que, para tudo que um fazia, o outro estava lá.

Darel estava muito animado naquela época, por que, com seu aniversário feito há menos de duas semanas, ele estava na idade de demonstrar seu primeiro sinal de magia.

Porém, até então, nada havia acontecido, e os pais de Darel, Ataahua e Kaitiaki, já estavam ficando preocupados.

Mamãe me ensinara que alguns de nós podiam nascer sem poderes. Eram os Tahe, os nascidos sem magia. Eu não queria que Darel descobrisse que era um Tahe. Claro que eu continuaria sendo amiga dele, mas fazia parte de nossa herança herdar a magia de nossos pais, e, mais á frente, nos tornarmos animagos. Tinha medo que Darel perdesse esse futuro.

Por isso, mais do que nunca, saíamos para brincar e explorar, esperançosos de que isso talvez desencadeasse alguma manifestação de magia da parte de Darel.

– Aqui, olha – apanhei uma pedra no chão, colocando-a diante dele – faz ela voar.

Darel contraiu o rosto, olhando fixamente para a pedrinha.

No entanto, ele baixou os ombros, exasperado.

– Não consigo, Mōkī.

Mordi o lábio, intrigada. Tinha que haver alguma forma de fazer Darel se “soltar”.

– Deixa pra lá – dei de ombros, segurando sua mão – vamos pra sua casa.

Na verdade, pensei em voltar para a cabana de Darel para tentar ajuda-lo de dentro de sua própria casa. Talvez isso fosse o que estávamos precisando.

Mas não adiantou muita coisa. Darel ficou sentado na banqueta da varanda, tentando, em vão, fazer qualquer objeto voar dentro da choupana.

– Eu não consigo! – ele guinchou, zangado. Darel começou a soluçar.

Aquilo me deixou desconcertada. Era como se eu mesma não estivesse conseguindo fazer aquilo. A angústia nos olhos dele parecia ser a mesma que começara a latejar dentro de mim.

– Calma, Darel – funguei, indo até ele e o abraçando – você vai conseguir. A gente vai conseguir...

Darel se acalmou, retribuindo o abraço e parando de chorar aos poucos.

– Brigado, Nyree – ele me soltou, suspirando e baixando a cabeça.

Um barulho repentino de algo batendo na ombreira da entrada nos fez pular de susto.

Olhei para trás, surpresa, e senti meu queixo cair.

– Darel! – gritei, alarmada.

Ele ergueu a cabeça, desanimado, mas sua expressão ficou aterrorizada quando olhou para cima.

Algo comprido e enfeitado flutuava diante de nós. Era um cajado cheio de penas, com algo brilhante incrustado na base.

– É do Akahata – arfei – é do chefe da tribo.

Como se já não estivéssemos apavorados, o pai de Darel surgiu na abertura, e estacou assim que encarou o cajado flutuante acima de sua cabeça.

Darel olhou para Kaitiaki, e, alarmado, finalmente deixou o cajado cair.

– Papai! – ele arquejou, amedrontado.

Kaitiaki franziu o cenho, perplexo.

– Darel... que...

– Foi sem querer, papai! – ele choramingou, com medo até de se aproximar do cajado que jazia no chão – eu tava... tava aqui em casa... e o cajado veio voando pra cá!

Encolhi-me, sem graça. Não queria que Kaitiaki brigasse com Darel. Ele não fizera por mal. Será que Akahata iria castigá-lo por aquilo?

O pai de Darel se ajoelhou, e segurou no ombro do filho.

– Se acalme, tama – ele disse calmamente – você não teve controle, filho. Está tudo bem.

Observei, aliviada, Kaitiaki pegar Darel no colo e abraça-lo.

– Akahata não vai brigar comigo, papai? – Darel fungou.

– Claro que não, aroha – ele riu – meu filho finalmente é um bruxo. Como ele poderia achar isso ruim?

Dei risada quando Kaitiaki girou Darel no ar, fazendo-o gargalhar.

Afastei-me para ele pegar o cajado do chão.

– Bem, faremos assim, crianças – Kaitiaki de uma piscadela para nós – vou devolver o cajado á Akahata, contar o que aconteceu... – prendi a respiração quando ele me olhou – e, se alguém perguntar, eu dei uma bela surra nos dois. Tudo bem?

Eu e Darel rimos, assentindo.

Kaitiaki balançou a cabeça, parecendo muito orgulhoso do filho.

– Logo será sua vez, pequena Nyree – ele beliscou meu nariz e saiu cabana afora, levando consigo o cajado.

Eu e Darel nos entreolhamos, cheios de alívio.

– Ufa – suspirei – deu tudo certo, Darel.

Darel me encarou por alguns segundos e não respondeu.

Por isso, fiquei completamente pasma quando ele veio até mim e me levantou num abraço.

– Não sou um Tahe! Brigado, Nyree!

Sorri, apertando Darel em meus braços.

Ali, abraçando meu melhor amigo, percebi que tudo aquilo era absurdamente natural. Era como se tivéssemos sido feitos para nos complementar em todos os momentos, sendo o apoio e o auxilio um do outro, numa amizade fantástica que se estenderia por anos. Mesmo com aquela idade, percebi que Darel já ocupava um lugar muito especial em minha vida.

E eu queria que aquilo perdurasse para sempre, enquanto eu vivesse.

O problema era que o Destino parecia ter planos muito diferentes para nós dois.

Notas finais
DICIONÁRIO MAORI Iti tama: filhinha, pequena filha Então? O que acharam? Estão gostando? *-* Beijinhos e até o próximo capítulo!