Notas iniciais
Olá, pessoinhas! Nem me falem. Tem gente que já está atrasada com minha mania de postar de dois/três/quatro em dois/três/quatro dias :P Mas enfim. Aqui está o capítulo novo. Boa leitura!

DAREL

No dia seguinte, fui para o Hotel Rydges Sydney Airport, já organizado com algumas informações sobre o Sr. e a Sra. Granger.

Como a pesquisa da agência envolvia uma ampla rede de dados disponibilizada pelo Ministério da Magia e do governo trouxa, foi fácil identificar a recente imigração de um casal inglês, que havia desembarcado em Sydney há menos de um ano.

Restava, agora, após receber as informações de Beatriz, Russel e um simpático casal de estagiários maoris de Whanautanga — Gahoole e Nariel –, planejar o restante com Hermione, traçando o trajeto seguinte na busca de seus pais.

Estacionei o Ranger que havia comprado recentemente no estacionamento do hotel. Eu tinha um carinho imenso por aquela picape, que foi a primeira coisa que havia conseguido por mérito próprio, trabalhando como guia.

Entrei no saguão da recepção após trancar o carro, ajeitando o celular da agência em meu colete. Depois de quase dez anos fora de Tokonga, já havia me acostumado cm as roupas urbanas, embora, ás vezes, sentisse falta das calças macias e da liberdade de não ter que usar camisetas.

A recepcionista sorriu para mim, um tanto torto demais para disfarçar seu olhar de surpresa e admiração. Já estava acostumado com olhares espantados para minha aparência, incomum até para um maori – embora as mulheres parecessem surpresas em outros sentidos.

— Bom dia. Posso ajuda-lo?

— Sim, por favor – assenti, verificando o cartão de visita que Granger me enviara — Darel Williams, guia de viagem. A Srta. Hermione Granger está me aguardando – murmurei – Quarto 27.

Vi a mulher soltar um risinho engasgado.

— Vou comunica-la – franzi o cenho quando ela me lançou uma piscadela cumplice. Parecia estar rindo de alguma piada que eu perdera, enquanto pegava o telefone da recepção e discava o número.

Olhei ao redor do saguão de entrada do hotel. Era grande e aconchegante, e, para minha curiosidade, o imóvel parecia ser o mais caro da cidade. Onde Granger havia arrumado dinheiro suficiente para a estadia ali?

Ela também havia comentado, na carta de resposta, que havia alugado um quarto para mim, o que me intrigou. Se ela havia vindo com outra pessoa...

Contraí a testa. Fosse quem fosse, parecia que o tal acompanhante não se importava de dividir o mesmo quarto que Granger.

— Bom dia, Srta. Granger – ela me olhou, mordendo o lábio como se reprimisse outra risada – há um visitante aqui no saguão que deseja vê-la. Darel Williams... sim – a recepcionista contraiu os olhos, agora quase sufocando de tanto segurar o riso – muito bem... vou pedir para ele aguardar no salão de visitas. Não há de que.

Ela desligou o telefone, agora rindo livremente, fazendo um colega próximo fechar a cara.

— A Srta. Granger irá recebê-lo em breve. Já está descendo.

— Obrigado – sacudi a cabeça, finalmente curioso demais para ficar quieto – desculpe a pergunta... – ri nervosamente, em coro com a garota – mas o que é tão engraçado?

— Ah, bem... – vi-a morder a língua, olhando de soslaio para o colega de trabalho carrancudo ao lado – esse casal chegou ontem ao hotel. Ahn... a Srta. Granger veio acompanhada de um rapaz... Ronald Weasley, se não me engano... deve ser o namorado dela. Ou era – ela fungou – não pareciam muito amigáveis quando chegaram. Deve ter sido uma briga daquelas – deu de ombros – e agora que liguei, parecia um tanto esganiçada – a recepcionista voltou a rir – acho que alguém teve uma reconciliação das boas durante a noite.

Bufei, não sabendo se achava graça ou se ficava indignado com aquela brincadeirinha a respeito da privacidade alheia.

Por outro lado, fiquei satisfeito que meu palpite sobre o acompanhante de Hermione estivesse certo.

— Acho que eu não devia ter perguntado.

— Imagina... parecem ser boa gente – tamborilou com os dedos no teclado – brigas acontecem. E fazer as pazes é natural.

Algo se agitou dentro de mim com o comentário da recepcionista. Balancei a cabeça, estremecendo.

Um rapaz ali perto se aproximou, com o rádio comunicador chiando no uniforme de segurança.

— Sr. Williams?

— Sou eu – virei-me para ele, agradecendo a recepcionista com um meneio da cabeça. Ela acenou, sorrindo.

— A Srta. Granger o aguarda no salão de visitas.

— Obrigado – assenti, me encaminhando para o tal salão em seguida.

—____________________O____________________

Quando cheguei lá, o salão estava vazio, exceto por um jovem casal sentado no sofá da sala de espera, que se ergueu quando me viu.

Hermione Granger não parecia anda com o que eu havia imaginado. Pela carta formal e pelo seu amplo conhecimento da legislação mágica, pensei que encontraria uma pessoa mais velha, provavelmente entre os vinte e cinco ou trinta anos.

Mas Hermione era uma garota, que parecia bem mais nova do que eu. Tinha cabelos bastos, da cor do mogno, olhos da mesma cor e uma pele de cor creme, que a faziam parecer uma adolescente, feita totalmente de porcelana fina. Só vira rostos como o dela ao estudar sobre pinturas vitorianas inglesas; tinha um quê de porte real que parecia deslocado e assustador demais em uma menina tão nova. Estranhei a sombra de uma cicatriz escura no braço esquerdo, quase oculta pela manga de sua blusa.

Já o garoto ao seu lado – Ronald Weasley, segundo a recepcionista — parecia um pouco mais velho, ou talvez fosse só mais alto do que ela. Ela tão pálido que quase se misturava com a cor da parede da sala, e tinha cabelos muito ruivos, que contrastavam com os olhos azul-piscina. Olhava-me com um misto de curiosidade e hesitação, como se temesse que eu lhe metesse um soco, e, ao mesmo tempo, quisesse saber em quanto tempo eu o nocautearia. A ideia quase me fez rir.

— Prazer, senhor Weasley. Senhorita Granger – adiantei-me cumprimentando-os — vai ser uma honra ajuda-los em sua empreitada – acrescentei, já querendo deixar claro que estava mais do que disposto a ajudar.

V o rosto de Hermione se abrir num sorriso gentil, e minha determinação de ajudar aquela menina simplesmente triplicou, quando vi seu olhar esperançoso e aliviado.

— Pode entrar – ela gesticulou, me indicando o sofá ao lado do deles, onde sentamos em seguida.

A conversa não demorou muito. Hermione fez um resumo rápido do que havia acontecido nos últimos anos, contando um pouco da história dela e de Ronald, onde finalmente me inteirei sobre tudo que eles haviam passado.

Surpreendeu-me saber o que haviam suportado em um período de tempo tão curto, e senti meu respeito e admiração por aquele casal tão incomum aumentar ainda mais.

Saber que Ronald havia perdido um irmão também fez minha simpatia pelo garoto dobrar. Percebi, naquele momento, que tinha ali alguém que sabia como era perder alguém da família para sempre, e que estava ali quase como para me mostrar que era possível retomar uma vida depois da perda.

— Mas já falamos demais sobre nós – Ronald fez gesto de pouco caso com a mão, fazendo eu e Granger rirmos – agora conte a sua história, Darel.

— Nasci na Nova Zelândia, mas meus pais se mudaram comigo para a Austrália quando eu tinha dois anos – comecei a falar, resumindo o que podia — são poucos os núcleos de tribos maoris aqui, mas ainda existem. Estão perdidos ao longo dos desertos e planícies do país – resolvi confidenciar o que havia acontecido para eu me distanciar da tribo — quando eu tinha doze anos, viemos para as grandes cidades. Fui educado como qualquer outro garoto australiano, e logo me tornei guia.

— Você também é bruxo? — Ronald perguntou.

— Sim – sorri — minha tribo adotiva, além de outras, são tribos mágicas. Meus pais também são bruxos – quase gaguejei. Decidi não dizer no tempo passado, querendo poupar os dois e a mim de uma história nada adequada para a situação. Resfoleguei, continuando — mas por aqui, nos chamamos apenas de feiticeiros ou xamãs. Eu tinha cinco anos quando fiz o cajado do superior da tribo voar até minha casa de palha — contei, fechando os olhos e relembrando aquela lembrança, uma das poucas que eu decidira preservar com a imagem de papai. Decidi mudar o fim da história, também para desviar minha atenção do verdadeiro fim — papai ficou orgulhoso, mas teve que me surrar por ter pegado o cajado de Akahata. Depois disso, minhas nádegas nunca mais foram as mesmas.

Forcei uma risada, assistindo Ronald de Hermione rirem também.

— Olha, eu gostei de você, cara – Weasley falou, sorrindo.

Encolhi os ombros, lisonjeado.

— Também gostei dos senhores.

— Bem – Hermione se levantou, dando um tabefe no ombro de Ronald e me fazendo rir – vamos apresentar seu quarto, Darel. È o 28, ao lado do nosso.

Alguns minutos depois, após Hermione e eu combinarmos de terminar a análise dos trajetos no dia seguinte, instalei-me no quarto que ela alugara para mim – uma gentileza que eu não havia esperado, embora eu mesmo estivesse trabalhando naquele caso sem remuneração – havia negado qualquer dinheiro na carta que enviara á ela em resposta á sua solicitação.

Deitei no colchão macio, encarando o teto do quarto.

Quando relembrei a conversa no saguão de visitas, percebi que eu já não era mais o único que sofrera desavenças na vida. Pareceu-me que ali eu finalmente vi que havia pessoas que passavam por coisas bem piores. E isso aparentou amenizar o pesar que ainda restava pela morte dos meus pais.

Eu estava, enfim, focado numa missão realmente importante, fazendo algo certo e realmente bom. E aquela satisfação era simplesmente incrível.

Já havia decidido ajuda-los bem antes de conhecer sua história. Mas agora aquilo era uma questão de honra, e não me importava que houvessem riscos bem diferentes dessa vez. Ia encontrar os pais de Hermione, e vê-la feliz, quando isso acontecesse, seria o melhor pagamento que um guia de viagem poderia receber.

Puxei o cordão que estava em meu pescoço, acariciando a delicada pena em seu pingente.

E, então, percebi que talvez aquela viagem pudesse ser ainda mais importante do que eu pensava.

Talvez fosse o Destino, depois de tantos anos, colocando, na minha frente, a oportunidade de ver minha tribo outra vez.

A velha hesitação surgiu, me fazendo suspirar.

Não, eu não tentaria voltar para Tokonga. Temia o que poderia ver ali. Temia ver o que eu já desconfiava há tanto tempo. As lembranças de Nyree e Tāwhai ainda eram dolorosas demais, para fazer meu temor e orgulho diminuírem.

Entretanto, algo, em breve, me faria mudar de ideia.

Notas finais
NOSSO CASAL DE HP APARECEU, MINHA GENTE *-* E o povo já se gostou, que lindo :3 Recepcionista abusada. Jogando duplo sentido na privacidade dos hóspedes.... Mas quem leu a Saga da Lontra sabe que ela não está tão errada ( ͡° ͜ʖ ͡°) Comentários? Gritos? :D Beijos e até o próximo capítulo